7 Heterogeneity____________________________________________________5
7.4 Sandstone petrography
O presente estudo investigou, principalmente, a possibilidade em se estimar a Vmax através do CFC e outros parâmetros de avaliação funcional, como PSE, CVO2, limiar de lactato, limiar ventilatório, VO2máx e velocidade crítica. Dentre os principais resultados encontrados destaca-se, visto ter sido o norteador do estudo, a validade, para os grupos em questão, do CFC como variável eficiente a ser usada na estimativa da Vmax.
A seguir discutiremos esse parâmetro, assim como os demais, cientes das limitações envolvidas no estudo, tais como: 1) número de sujeitos em cada grupo e a diferença desse entre os grupos; 2) variação no número de séries preditivas utilizadas para obtenção da velocidade crítica; 3) inspeção visual realizada por apenas um avaliador na obtenção do limiar de lactato (IAT) e limiar ventilatório e 4) outras, que certamente devem ser consideradas, entretanto, não conseguimos visualizar.
Sendo relativizadas as considerações acima, uma das maiores dificuldades que encontramos durante a fase em que foram realizados os testes do estudo piloto foi de estabelecer um protocolo padrão que possibilitasse, através do custo, se estimar a Vmax de forma eficiente e, posteriormente, outros parâmetros. Algumas precauções foram tomadas principalmente no que diz respeito à intensidade individual (velocidade) em que seriam realizadas as sessões.
Essa cautela fundamenta-se no fato das sessões mencionadas resultarem em dados utilizados para obtenção, tanto no custo de FC quanto no custo de VO2. Entendemos que, baseados em pré-testes, a intensidade de realização do custo deveria estar abaixo, mas próxima à intensidade do limiar anaeróbio. Para tanto, padronizamos que a PSE nortearia a definição da intensidade e que a mesma deveria estar em valores entre 10 e 13, visto que BORG (1985) sugeriu valores entre 12 – 13 como sendo o limiar anaeróbio.
No presente estudo a PSE média obtida (tabela 11), para o grupo 1, nas 2 sessões utilizadas para obtenção do custo, foi de 11,6+2,0, valor que atende aos métodos por estar estreitamente abaixo e não diferir estatisticamente da PSE do limiar de lactato, que foi de 12,6+1,6 (tabela 11). Entretanto, no grupo 2, a PSE obtida na intensidade do custo foi de 9,8+1,5, ficando abaixo dos valores pré-determinados e diferente estatisticamente da PSE relatada no limar de lactato 13,5+2,0 (tabela 23).
Analisando os resultados mencionados, observa-se que a PSE encontrada no G1 está de acordo com os valores sugeridos por BORG (1982) e abaixo dos encontrados por DEMELLO e colaboradores (1987) em um estudo com grupo (não atletas) e ergômetro (esteira) semelhantes aos nossos, encontrando valores de PSE de 13,5+1,5. Nesse mesmo estudo, DEMELLO investigou também um grupo de homens treinados com características semelhantes a nossa amostra (G2), encontrando valores de PSE em 13,6+2,1, similar aos valores encontrados no G2 (13,5+2,0).
Além da PSE, outro parâmetro que pode refletir a intensidade em que foi realizado o custo é a [lac]. No grupo 1, na intensidade do custo, a [lac] ficou em 3,7+1,1mmol.l-1, não sendo diferente estatisticamente da encontrada na intensidade do limiar de lactato 3,9+1,2mmol.l-1 (tabela 11). Semelhantemente, o G2 apresentou concentrações de lactato na intensidade do custo de 4,0+1,5mmol.l-1 e 5,3+1,5mmol.l-1 na intensidade do limiar de lactato (tabela 23), diferença que não foi estatisticamente significante. Esses resultados mostram que a intensidade em que foi realizado o custo gerou concentrações semelhantes de lactato quando comparada à intensidade do limiar de lactato.
Em relação as [lac] encontradas na intensidade do limiar de lactato, os resultados ficam próximos dos relatados por autores que definem uma concentração fixa de 4mmol.l-1 como, por exemplo, HECK et al. (1985) e URHAUNSEN et al. (1993). Entretanto, no mesmo estudo de HECK et al. (1985), verificou-se que a máxima fase estável de lactato variou em
concentrações entre 3,1 e 5,5 mmol.l-1. No presente estudo, os resultados encontrados, quando considerados os extremos de ambos os grupos em relação a [lac] no limiar, os valores foram de 2,2 e 7,7mmol.l-1, extrapolando os resultados encontrados por HECK et al. (1985) que se pronunciam em relação a MFEL que, teoricamente, deveria corresponder a intensidade do limiar.
Assim como a [lac], a freqüência cardíaca e o consumo de oxigênio são importantes sinalizadores da intensidade do exercício. No presente estudo, ainda comparando a intensidade de realização do custo e a intensidade relativa ao limiar de lactato, a FC apresentou valores diferentes estatisticamente quando comparadas essas duas intensidades. Entretanto, apesar de parâmetros como PSE e [lac] não terem diferido nas comparações anteriores realizadas no G1, na intensidade de obtenção do custo, a FC ficou em média de 161,1+8,2bpm, ou seja, 8% abaixo do valor encontrado na intensidade relativa ao limiar que foi de 175,2+8,7bpm (tabela 9). Semelhantemente, os valores de VO2 se mostraram diferentes, quando realizada a mesma comparação, ficando em 40,1+2,9 e 43,1+2,5ml.O2.kg.min.-1, para intensidade do custo e intensidade do limiar, respectivamente, e com diferença percentual de aproximadamente 7%, muito próximo da diferença verificada na FC (8%).
No entanto, a mesma comparação realizada no G2, observamos que assim como a [lac] e diferentemente da PSE, a FC não foi diferente estatisticamente quando comparadas as intensidades de realização do custo com a intensidade do limiar de lactato, 167,5+9,4 e 179,5+9,9bpm respectivamente, com uma diferença aproximada de 7%. Semelhantemente, o VO2 também não diferiu quando comparadas as duas intensidades, ficando em valores médios de 57,2+4,3ml.O2.kg.min.-1 (intensidade do custo) e 61,2+5,5ml.O2.kg.min.-1 (intensidade do LL), com diferença percentual (não significante) de aproximadamente 6,5%.
Por fim, as velocidades registradas na série de obtenção do custo e na intensidade do limiar de lactato foram estatisticamente diferentes, sendo 10,5+0,8 e 10,9+0,8 km.h-1, respectivamente, sendo que a diferença relativa foi de aproximadamente 4 %. Porém, para o grupo de atletas (G2), essa diferença foi de aproximadamente 6%, mas não foi estatisticamente significante, apresentando valores de 15,4+1,1 km.h-1 na intensidade de realização do custo e 16,4+1,1 km.h-1 na intensidade do limiar de lactato.
Esses dados demonstram que a diferença existente entre as variáveis analisadas nas intensidades relativas ao custo e ao limiar de lactato é dependente da variável em si e do grupo em questão. Entretanto, apesar de no grupo 1 as variáveis não demonstrarem valores homogêneos nas comparações anteriores, haja vista que em algumas diferiram e outras não, os valores da PSE, FC, [lac], VO2 e velocidade são mais coesos e, aparentemente, permitem definir a intensidade de realização do custo com mais precisão.
Entretanto, no grupo dos atletas (G2), os resultados tem um comportamento mais irregular, principalmente no que se refere a PSE e [lac]. No entanto, vale ressaltar que o grupo em questão é, de certa forma, pequeno (n=6), e que tais variáveis podem ter um comportamento mais regular em estudos com um maior número de sujeitos.
Como nosso estudo utiliza diversas variáveis e as correlacionam para melhor fundamentar nossas conclusões, entendemos que é importante confrontar nossos dados com os encontrados na literatura, mesmo que não seja nosso objetivo direto.
Alguns autores (SOUZA et al., 2003, SIMÕES et al. 2005) verificaram que a freqüência cardíaca do limiar anaeróbio ocorre em valores que representam aproximadamente 90 a 92% da freqüência cardíaca máxima. Esses resultados são semelhantes aos encontrados no presente estudo, visto que a freqüência cardíaca na intensidade do limiar de lactato estava em valores que correspondia a 89,8 e 93% (G1 e G2 respectivamente) da freqüência cardíaca máxima.
PACHECO et al. (2006), em protocolo de características semelhantes aos utilizados nesse estudo, e indivíduos de características também semelhantes aos do grupo 1, verificaram que o limiar anaeróbio ocorreu em velocidade equivalente a 87,8% (10,7 km.h-1) da Vmax, resultados próximos aos encontrados no presente estudo, em que a velocidade do limiar ocorreu a 82,6% (10,9 km.h-1). Em estudo análogo, SILVA et al. (2005), encontrou velocidade do limiar como sendo equivalente a 86,6% (11,08 km.h-1), corroborando com nossos achados.
Apesar de características diferentes, os resultados obtidos pelos estudos de SILVA et al. (2005) e PACHECO et al. (2006) se assemelham aos encontrados no grupo 2 do presente estudo. O limiar do grupo em questão (G2) ocorreu em velocidade equivalente a 90,2% (16,4 km.h-1) da Vmax. Entretanto, vale ressaltar que nos estudos de SILVA et al. (2005) e PACHECO et al. (2006), a Vmax foi estimada através do custo de VO2.
Outro estudo que encontrou resultados semelhantes foi o realizado por SIMÕES e colaboradores (2005). Apesar dos testes serem realizados em pista, as características do grupo estudado era semelhante as do grupo 2 do presente estudo. Os autores constataram, em uma amostra de 20 corredores, que o limiar ocorreu em uma velocidade equivalente a 92,4% (16,8 km.h-1) da V3000, resultados semelhantes, em valores absolutos e percentuais, aos encontrados nesse estudo.
Outro parâmetro utilizado para avaliar intensidade foi a velocidade crítica. A maioria dos estudos apontam a velocidade crítica como uma intensidade de exercício superior ao limiar anaeróbio e inferior à Vmax (SILVA et al., 2005; SIMÕES et al., 2005; KRANENBURG & SMITH, 1996) servindo para delimitação dos domínios de intensidade intenso e severo (SIMÕES et al., 2005). Os resultados encontrados nesse estudo no grupo de fisicamente ativos (G1) estão de acordo com a literatura, onde a VC superestimou a velocidade do LL em aproximadamente 5%, ficando, em média, 14% abaixo da Vmax.
Além da velocidade crítica, outro parâmetro que pode ser associado à intensidade do exercício, velocidade no caso, é o limiar ventilatório. O LV vem sendo demonstrado pela literatura (KOYAL et al., 1976; STEGMANN et al. 1981) como um fenômeno que ocorre na mesma intensidade do limiar de lactato, e que tal comportamento está associado a ligação metabólica que existe entre os dois fenômenos (MACARDLE, 2003; SVEDAHL & MACINTOSH, 2003).
No presente estudo os resultados encontrados no G2 estão de acordo com a literatura, sendo que a velocidade em que ocorreu o LL não diferiu estatisticamente da velocidade associada ao LV, respectivamente, 15,4 e 16,4km.h-1. Entretanto, o mesmo não ocorreu no G1, onde foi encontrada diferença estatisticamente significante quando comparadas a velocidade do LL (10,9km.h-1) com a do LV(11,3km.h-1).
No entanto, nos estudos de SIMÕES et al. (2003) e PACHECO et al. (2006), a velocidade associada ao LV, apesar de não diferir estatisticamente da velocidade associada ao LL, foi “diferente” (superestimou), em média de 0,1km.h-1, valor muito próximo da diferença encontrada nesse estudo, que foi de aproximadamente 0,4km.h-1.
Apesar de ser verificada essa diferença entre as velocidades correspondente ao LL e LV, parâmetros como a FC, o VO2 e a PSE, não refletem tal resultado. Tanto a FC, como o VO2 e a PSE mostraram valores superiores, na intensidade do LV, aos valores verificados na intensidade do LL, entretanto, essa diferença não foi significativa. Portanto, a diferença constatada na velocidade pode não refletir uma diferença real, do ponto de vista fisiológico, entre as duas intensidades estudadas.
No mais, outro fator importante relacionado as variáveis mencionadas, é que, tanto para o G1 quanto para o G2, a FC e o VO2 demonstraram aumento semelhante, quando comparados seus valores nas intensidades relativas a velocidade de obtenção do custo,
velocidade do limiar de lactato, limiar ventilatório e Vmax. As figuras 3 e 8, assim como as tabelas 12 e 24 ilustram tal comportamento.
Esse comportamento de aumento concomitante da FC e do consumo de O2 está de acordo com os resultados observados na literatura (ROWELL, 1986; NEGRÃO et al. 1992; ALONSO et al., 1998) e vem sendo atribuído as respostas metabólicas (LEWIS et al., 1983;) e autonômicas (GALLO et al., 1989; MITCHELL, 1990) que ocorrem durante o exercício, e as variações da mesma relacionadas ao incremento de cargas/intensidade.
Como resultado dessa relação proporcional entre essas variáveis, no presente estudo, baseado no comportamento relatado, foi possível, através das respostas da FC perante o exercício, se estimar a Vmax. Essa relação utilizada por nós, foi baseada no já fundamentado custo de O2 (DI PRAMPERO, 1986), que vem sendo utilizado em alguns estudos (PACHECO
et al., 2006; COYLE, 1995).
Os resultados referentes ao G1, demonstram que a Vmax foi, em média, de 13,2km.h- 1, não diferindo estatisticamente da Vmax estimada pelo CVO2, CFCreal, CFCkarvonen e CFCTanaka, (13,3 - 12,8 – 12,7 e 12,3km.h-1 – respectivamente). Entretanto, apesar de nenhum dos resultados derivados dos métodos utilizados para obtenção da Vmax serem diferentes, o CVO2 foi o que mais se aproximou da Vmax real.
No entanto, do ponto de vista prático, a Vmax estimada através do custo de FC utilizando o modelo de obtenção de freqüência cardíaca máxima “proposto” por Karvonen (220-idade) demonstra grande validade e aplicabilidade, tendo em vista que, nesse procedimento, a Vmax pode ser obtida indiretamente utilizando-se de recursos viáveis e acessíveis, como, por exemplo, um cardiofrequencímetro, sendo, portanto, um recurso mais acessível a grande parte da população, visto que não é necessário um protocolo de exercício máximo.
Semelhantemente, os modelos propostos resultaram em Vmax (estimada) que não foi diferente estatisticamente da Vmax real no grupo de corredores (G2). Sendo que a Vmax real (18,2km.h-1) não foi diferente de nenhum dos resultados obtidos de forma indireta, CVO2 (18,2km.h-1), CFCreal (17,8km.h-1), CFCkarvonen(18,4km.h-1), e CFCTanaka(17,8km.h-1).
Em análise similar a realizada anteriormente, a Vmax estimada através do CFkarvonen aparenta ser, dentre as alternativas utilizando a FC, a mais viável. No entanto, vale ressaltar que as variações no G2 das respectivas Vmax foram pequenas quando comparadas as do G1, e, aparentemente, todos os métodos são viáveis para se estimar tal variável.
A plotagem de Bland & Altman (1986) realizada nas variáveis ligadas ao custo, fidedigna ainda mais os dados. Portanto, verificamos que, além de não serem verificadas diferenças significativas entre as velocidades, houve uma boa concordância entre as medidas obtidas individualmente.
Em suma, apesar dos resultados demonstrarem que o CFC é um método eficiente em se estimar a Vmax, nossos resultados foram obtidos dentro de um protocolo ideal, ou seja, aferição da freqüência cardíaca no 4º e 5º minuto de exercício constante, em intensidade abaixo e próxima a do limiar de lactato e através da obtenção dos dados em dois dias distintos. Portanto, o custo de FC, dentro das condições mencionados, aparenta ser um método eficaz na estimativa da Vmax de forma indireta.