4. INNHENTING OG ANALYSER AV TRAFIKKDATA
4.7 Sammenstillende analyse av trafikkdata
Outro elemento explicativo, recorrente na literatura sobre o sucesso escolar de alunos de camadas populares, envolve a constituição de disposições, construídas a partir de diferentes processos de socialização, de modo a produzir traços, comportamentos, opiniões e práticas favoráveis à longevidade escolar. Em outras palavras, compreendendo-se as disposições como produtos cristalizados deduzidos de práticas, segundo Lahire (2004), e que se manifestam a partir de maneiras de pensar, sentir e agir, entre outros, apresentamos a seguir as principais disposições, empreendidas por alunos, de camadas populares que chegaram ao ensino superior, e suas possíveis gêneses.
Andrade (2012), por exemplo, aponta o desenvolvimento de disposições associado a práticas familiares, como o desejo de escolarização incorporado pelos filhos, desejo de ascensão social, ética do trabalho, acompanhamento materno e convivência com irmãos mais velhos. Assim, menciona a constituição de disposições de disciplina, conformismo com as regras escolares, autonomia, determinação, seriedade na condução das tarefas escolares, bem como com as regras morais estabelecidas pelos pais como consequentes às práticas familiares. Resultados semelhantes foram encontrados por Souza (2009), na medida em que identificou a incorporação de disposições familiares que, reproduzidas por seus filhos-alunos,
propiciaram ações voltadas para o trabalho escolar, demonstrando uma relação pouco utilitarista7 com o saber e a escola. Fato que parece, a princípio, contraditório ao que é comum a alunos de camadas populares. Pois, geralmente, encontra-se nesse estrato social a presença da relação utilitarista com a escola e com a escolarização (ZAGO, 2008). Ou seja, busca-se estudar para ter um diploma rentável econômica e socialmente, para se ter um emprego, vinculando-se sempre o estudo à rentabilidade econômica (VAN ZANTEN, 1996).
Souza (2009) encontrou, ainda, a constituição de disposições de autonomia, determinação, disciplina, antecipação do futuro, perseverança e conformismo em relação às normas escolares, em trajetórias que aconteceram apesar da resistência ou pouco envolvimento familiar.
Assim como Souza (2009), Viana (2009) também encontrou, em trajetórias atípicas de sucesso, a presença de disposições temporais de futuro alargado decorrentes de práticas familiares. Isso foi percebido por meio do discurso familiar referente à crença em uma vida melhor para os filhos, na luta por escolarizar os filhos, na interdição ao ócio, como forma de manutenção da ordem moral, entre outros indicadores.
Souza (2009) encontrou, igualmente, no mesmo estudo, após realizar um levantamento bibliográfico de dissertações e teses defendidas entre os anos de 1993 a 2007, três principais sentidos para a longevidade escolar, produtores de disposições, experimentados nas camadas populares.
São os seguintes: o conformismo estratégico com as normas da escola, presentes nas obras de Portes (1993;2001) e Silva (1999); a ruptura radical, que diz dos percursos sustentados por bases frágeis, presentes nos trabalhos de Viana (1998) e Almeida (2006); e a abertura de novas possibilidades de desenvolvimento pessoal e familiar. Esse último tópico foi encontrado nas pesquisas de Lacerda (2006) e Piotto (2007).
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7
A menção que se faz à relação utilitarista dos alunos com a escola, ou seja, a rentabilização das chances escolares, compõe um campo maior de estudos sobre as ações familiares de escolarização. A produção francesa, segundo Van Zanten (1996) aborda o tema a partir de três perspectivas de análise: das ações familiares que dão ênfase às estratégias utilitárias de rentabilidade econômica, em que a escola representa um certo tipo de mercado; da mobilização familiar em razão do valor simbólico e subjetivo dado ao investimento escolar realizado; e análises que repousam sobre a ação familiar voltada para a escola como espaço de socialização e de “estratégias de identidade”. Van Zanten (1996) apud Zago (2008). Para maiores informações consultar Van Zanten (1996) em sua obra intitulada “Stratégies utilitaristes et stratégies identitaires des parents vis-à-vis de l'école: une relecture critique des analyses sociologiques”; DURU-BELLAT, Marie & VAN ZANTEN, Agnès (2002), em
Sociologie de L'école e Philippe Perrenoud em
Ainda sobre as práticas familiares como propulsoras da longevidade escolar, Portes (2001) também as aponta como produtoras de disposições para a realização de tarefas escolares e domésticas. Assim, o trabalho escolar desenvolvido pelas famílias de camadas populares possibilitou a constituição de disposições que permitiram aos filhos dispensar, ao longo da progressão escolar, a presença familiar, assumindo, eles próprios, a condução da carreira escolar. Esses jovens introjetaram, portanto, um conjunto de disposições como dedicação, atenção ao trabalho escolar, “gosto” pela escola, obediência, solidariedade, segurança e autodeterminação, favoráveis à longevidade escolar.
De modo complementar a Portes, Lacerda (2006) associou a gênese das disposições e práticas escolares de seus sujeitos pesquisados aos sentidos e práticas escolares vivenciados em família. Ou seja, o esforço das gerações familiares para a constituição de um trajeto escolar ascensional, percebido por meio dos sentidos atribuídos às histórias escolares intergeracionais, influenciou, positivamente, seus membros mais novos e investigados pela autora, quanto às disposições em pensar, sentir e agir em relação à escola.
Andrade (2012) aponta, por outro lado, a gênese da constituição de disposições de perseverança e conformismo com as regras escolares, e com aquelas estabelecidas pelos pais como decorrente da relação utilitarista do estudante com a escola, no sentido de que se mobiliza em prol dos estudos em razão da leitura de que a ascensão social se viabiliza por meio da escola. A relação utilitarista do estudante com a escola também foi identificada por Souza (2009) como produtora de disposições como autonomia, determinação e perseverança, tomadas como favoráveis à longevidade escolar, na medida em que possibilitavam a superação das mazelas próprias à origem social desses alunos. A mesma autora, assim como Souza (2009), observou, igualmente, em alguns casos, a contribuição da relação cognitiva favorável com o saber e a escola para a constituição das disposições mencionadas acima. Já sobre o papel da escola na gênese de disposições favoráveis à longevidade escolar, a autora menciona a presença de um clima favorável, nesse ambiente, propulsor do desenvolvimento interpessoal e da construção de disposições que os conduziram ao ensino superior.
Viana (1998), por sua vez, enfatiza a importância dos êxitos escolares como estimuladores de investimentos e mobilizações propícios à continuação dos estudos e contribuintes para a constituição de disposições produtoras de práticas favoráveis à longevidade escolar. Tais êxitos, portanto, constituíram disposições e práticas que tendiam a reforçar esse sucesso inicial ou intermediário.
Além disso, a revisão da literatura permitiu identificar a presença de outras disposições construídas no bojo das dinâmicas e práticas educativas familiares, tais como disposições ascéticas, apesar de típicas das camadas médias; disposições decorrentes do sentido de escolarização como emancipação social e cultural, bem como disposições de autonomia e perseverança engendradas pelos próprios alunos como condutoras da trajetória escolar; ou decorrentes do contato da família com vizinhas-professoras (SOUZA, 2009).
Em suma, percebeu-se, assim, que muitos alunos desenvolveram disposições a partir da socialização familiar. Ou seja, nos casos em que havia o que herdar, ainda que em pouco volume, foi transmitido e absorvido pelos estudantes, de modo que contribuíssem para a constituição de disposições favoráveis à longevidade escolar. Observou-se, por outro lado, que, na ausência da herança/envolvimento familiar, os próprios alunos mobilizaram-se em favor de sua escolarização, desenvolvendo disposições favoráveis à sua permanência no sistema educacional. Verificou-se, ainda, a participação de instituições secundárias de socialização, como a escola, influindo sobre a constituição de disposições e, por consequência, na longevidade escolar de tais alunos.
1.1.8 Acontecimento de circunstâncias favoráveis: êxitos escolares parciais e eventos