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A Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos Irineu Funes36 deu início à sua actividade no ano lectivo de 1997/1998. Desde Dezembro de 2000 que é sede de um agrupamento vertical que inclui ainda sete escolas do 1.º ciclo e quatro jardins-de-infância. O facto de se tratar de um estabelecimento de ensino recente, mas com um período de funcionamento que atravessa um momento de grandes mudanças em termos de progressos tecnológicos e de estratégias políticas de implantação das TIC no sistema educativo nacional, pareceu-nos uma característica relevante para o nosso estudo, tendo pesado na decisão da sua escolha para unidade de observação.

No ano lectivo em que foi realizada esta investigação (2008/2009), frequentaram esta escola 576 alunos, distribuídos por 28 turmas do 5.º ao 9.º ano de escolaridade, para além de três outras modalidades de formação: Cursos de Educação e Formação para Adultos (uma turma) e para Jovens (três turmas)37 e ainda o Programa Integrado de Educação e Formação (uma turma).

A freguesia onde se encontra a Escola EB 2,3 Irineu Funes é, em termos demográficos, a maior do concelho a que pertence (possui cerca de 10 700 habitantes, o que constitui oito por cento da população total do concelho). É de realçar a presença de uma numerosa comunidade de etnia cigana, para além do progressivo aumento do número de imigrantes, destacando-se os cidadãos brasileiros e dos países de leste. A abertura para a diversidade de valores e tradições, que decorre da inclusão de alunos provenientes de diferentes grupos culturais e étnicos, tem sido precisamente um dos pontos fulcrais dos sucessivos projectos educativos desta escola38. Questões muito concretas como o abandono intermitente (de acordo com interesses económicos familiares), a dificuldade de compreensão de certos costumes (nomeadamente os que levantam problemas de desigualdade de oportunidades entre

36 As denominações da escola e da empresa fornecedora de software informático, por questões de

confidencialidade, foram alteradas. Os criptónimos utilizados ao longo deste estudo foram inspirados na obra

Ficções, do escritor argentino Jorge Luis Borges (1969): o nome do patrono da escola, Irineu Funes, refere-se a

uma personagem que constitui uma espécie de "computador humano", dotado de uma memória prodigiosa; a denominação da empresa que fornece software informático à escola — 3.º Círculo (que no texto de Borges apresentava a forma latina Orbis Tertius) — designava um planeta imaginário, que nos parece uma imagem adequada ao ciberespaço desenvolvido através das TIC.

37 Trata-se de um elemento relevante que pesou na nossa decisão de seleccionar esta unidade de observação.

Todos os cursos desta modalidade de formação a funcionar na escola pertencem à área das TIC, o que constituiu mais um factor a impulsionar o apetrechamento da escola em termos de parque informático, influenciando também certas medidas administrativas que comentaremos mais adiante neste trabalho.

38 Nunca é de mais realçar a importância da disponibilidade das pessoas para o sucesso de qualquer investigação.

O facto dos elementos pertencentes aos órgãos de direcção/gestão da escola, bem como os responsáveis pelas estruturas de coordenação e pelos serviços administrativos, permitirem, desde a primeira hora, o acesso a toda a documentação da escola, prestando esclarecimentos sobre tudo o dissesse respeito ao projecto de investigação foi um dos critérios decisivos na escolha desta unidade de análise.

elementos masculinos e femininos), ou a dificuldade de lidar com diferentes ritmos de aprendizagem (por exemplo, quando a língua materna não é a portuguesa) — têm sido considerados desafios prioritários para professores, funcionários e encarregados de educação.

O contexto socio-económico das famílias tem sido outro dos pontos a que os responsáveis pela administração da escola têm dado especial atenção. Segundo os dados do último recenseamento geral da população, os habitantes desta freguesia têm vindo a trabalhar cada vez mais longe do local onde habitam e o número de desempregados tem vindo a aumentar para valores muito superiores aos nacionais, distritais e inclusivamente do próprio concelho — apesar de pertencer a uma região (o Vale do Ave) com tradição na área da indústria e que, ainda hoje, apresenta "uma importância significativa ao nível da criação de postos de trabalho e de produção de riqueza, nomeadamente na exportação" (Alves, 2002).

Por outro lado, a maioria dos encarregados de educação tem um nível de escolaridade muito baixo: 77% não foi para além do 2.º ciclo e apenas 2% concluíram um curso superior.

A fragilidade das estruturas económicas e as debilidades culturais de muitas das famílias desta freguesia ajudam a compreender determinadas situações de instabilidade emocional dos alunos, que se concretizam no desinteresse generalizado pela escola, no desrespeito pelas regras e pela autoridade e pontualmente em actos de violência sobre os colegas.

Estes factores estiveram na origem da recente decisão da administração central de converter o agrupamento num Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP) que promovesse um conjunto de iniciativas para responder às características deste especial enquadramento sociocultural. A título de exemplo, referiríamos alguns programas mais recentes que o agrupamento se encontra a desenvolver:

. "Escola Parental" - com o objectivo de desenvolver competências parentais entre os elementos de etnia cigana e de famílias desestruturadas, como vectores fundamentais para uma integração de sucesso na sociedade;

. "De Mãos Dadas" - proposta de acompanhamento de alunos com dificuldades de integração, com comportamentos inadequados e com dificuldade de adaptação ao meio escolar;

. "Interculturalidade na Escola” - pretende dotar os professores e auxiliares de acção educativa de saberes activos que lhes permitam gerir os frágeis equilíbrios da interculturalidade;

. "Novos Caminhos" - programa que visa criar condições para a orientação educativa e a transição qualificada da escola para a vida activa.

Estas iniciativas são complementadas por um Plano Anual de Actividades muito extenso — ao todo, contabilizámos mais de cem actividades destinadas ao 2.º e 3.º ciclos, o que se traduz numa média de três actividades por semana ao longo de todo o ano lectivo. A sua composição é extremamente diversificada: desde actividades que promovem a aprendizagem (participação em exposições, espectáculos de teatro ou de música; dinamização de visitas de estudo; comemoração de acontecimentos de relevo regional, nacional e internacional; intercâmbio de experiências com outras escolas...), até à prática do exercício físico (por exemplo, em competições de âmbito escolar/regional ou em workshops sobre diferentes modalidades desportivas) ou ainda intervenções no domínio da educação para a cidadania (como palestras sobre o respeito pela diversidade ou acções de sensibilização sobre o ambiente, entre muitas outras). Em suma, trata-se de um plano de trabalho ambicioso, que se articula inteiramente com as responsabilidades pedagógicas e sociais da escola.

Na nossa opinião, estes elementos são muito relevantes para a caracterização do grupo sobre o qual recai, em primeiro lugar, a investigação que pretendemos realizar: os professores do 2.º e 3.º ciclos. Os dados recolhidos pelos documentos orientadores da Escola EB 2,3 Irineu Funes permitiram um primeiro esboço do perfil deste grupo que, ao longo deste projecto, iremos analisar em pormenor. Numa primeira impressão, parece-nos que estamos perante um grupo dinâmico, entusiasmado pela sua área profissional e atento à realidade sociocultural que o rodeia, o que não nos deixou indiferentes aquando da necessidade de escolha de uma unidade para a nossa observação.

No ano lectivo de 2008/2009, encontravam-se a exercer funções de docência/administração na escola 91 professores, um número que também foi um dos factores que influenciou a selecção deste caso para estudo, por nos parecer exequível a análise das suas opiniões através de um inquérito por questionário, mesmo que a totalidade dos docentes se disponibilizasse para responder. Tal não aconteceu, mas podemos dizer que a quantidade de inquéritos recolhidos (64, ou seja, 70%) é bastante significativa.

Da análise do gráfico n.º 1, em que apresentamos uma comparação entre o universo alvo e o universo inquirido (Hill & Hill, 2002: 44) quanto à situação profissional, conclui-se que, apesar de uma ligeira disparidade entre os valores dos docentes do quadro de zona pedagógica e os contratados, não há uma grande discordância entre os dois universos, o que possibilita aceitar que não fica comprometida a representatividade dos resultados.

O mesmo se pode dizer relativamente à distribuição dos professores pelos departamentos curriculares. Como previsto pelo actual regime de autonomia, administração e gestão das escolas, definido pelo Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de Abril, os docentes fazem parte de quatro departamentos curriculares, que asseguram a articulação e gestão curricular, a saber:

. departamento de Línguas, que inclui docentes de Língua Portuguesa, Francês e Inglês39;

. departamento de Ciências Humanas e Sociais, com docentes de História e Geografia de Portugal, História, Geografia, e Educação Moral e Religiosa Católica39;

. departamento de Matemática e Ciências Experimentais, constituído por docentes de Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Naturais, Ciências Físico- Químicas e Tecnologias da Informação e Comunicação;

. departamento de Expressões, composto por docentes de Educação Física, Educação Musical, Educação Visual, Educação Tecnológica, Educação Visual e Tecnológica e Educação Especial.

No gráfico n.º 2, apresentamos uma comparação entre o universo alvo e o universo inquirido quanto à distribuição por departamentos. A maior receptividade ao inquérito demonstrada pelos professores do departamento de Matemática e Ciências Experimentais talvez se deva ao facto do tema lhes ser mais apelativo do que aos colegas do departamento de Expressões. Desde a primeira hora, que os professores de Matemática, Ciências e obviamente de TIC se revelaram entusiastas pelas novas tecnologias, tendo participado em diferentes projectos que permitiram, como iremos ver, o desenvolvimento da escola, quer em termos de equipamento informático, quer quanto à abordagem das TIC em contexto de sala de aula. Trata-se obviamente de um dado que também tivemos em conta na escolha deste caso.

Constatámos ainda que a maioria dos inquiridos (69%) têm entre 7 e 25 anos de serviço (os colegas mais novos representam 13% e os mais experientes 18% do total). As idades estão entre os 26 e os 58 anos, sendo a média 42 anos. Atendendo a estas características podemos dizer que estamos perante um grupo maioritário que, segundo Michaël Huberman (1989: 16- seg.), se situa na fase da diversificação e de questionamento — momento em que, por um lado, a consolidação de conhecimentos e experiências profissionais convida a diversificar a

39 Os professores de Língua Portuguesa / História do 2.º ciclo pertencem quer ao departamento de Línguas, quer

estrutura do currículo, as estratégias pedagógicas, as modalidades de avaliação etc.; por outro, uma "consciência mais aguda dos factores organizacionais que contrariam esse desejo", que o faz questionar e participar mais vivamente na administração educacional.

Vejamos agora os gráficos n.os 3, 4 e 5, que dizem respeito às questões 5, 6 e 7 do questionário, que visavam obter informações acerca dos conhecimentos e atitudes dos professores relativamente à área das TIC.

Quanto aos conhecimentos na área da informática, da análise dos inquéritos sintetizada no gráfico n.º 3, podemos concluir que muito poucos professores tiveram formação nesta área durante o ensino básico e secundário, bem como em cursos dinamizados por empresas particulares ou organismos estatais. As maiores percentagens dizem respeito aos autodidactas e àqueles que aprenderam com a ajuda de outros utilizadores. Há depois um número significativo que contactou com as TIC em acções de formação contínua e no ensino superior (deste último grupo está excluída a quase totalidade de professores com mais de 45 anos de idade e serviço).

O gráfico n.º 4 mostra que a esmagadora maioria dos professores desta escola manifesta interesse pelas TIC (apenas 3,4% contrariam esta tendência). Analisaremos este aspecto com mais atenção no capítulo 4.2., quando comentarmos as lógicas de sobrevivência profissional dos professores.

Para terminar esta caracterização sumária da literacia informática do universo inquirido, reportar-nos-íamos ao gráfico n.º 5, que apresenta o grau de utilização de algumas aplicações informáticas mais relevantes para a consecução de tarefas relacionadas com a administração educacional.

Em primeiro lugar, destaca-se o processador de texto, que é a base dos modelos de actas, convocatórias, relatórios, projectos curriculares, planos de apoio, registos de ocorrências disciplinares etc.

Seguem-se os programas para acesso à Internet e as aplicações de gestão escolar — note-se que a percentagem dos professores que usam este software com muita facilidade baixa consideravelmente e aumenta a dos que usam normalmente. Desde há anos que a World Wide Web tem vindo a ganhar um maior número de utilizadores; não é, por isso, de admirar que se multipliquem os sites, institucionais ou não, com recursos relevantes e permanentemente actualizados para a realização do trabalho administrativo dos professores, por exemplo, disponibilizando notícias, legislação, espaços para a partilha de material ou para a troca de impressões (fóruns e salas de conversação). Os programas de correio electrónico também ocupam um lugar de destaque entre os programas mais utilizados. Como teremos oportunidade de ver, constituem um meio muito importante não só na comunicação interpessoal dos docentes, mas como via de contacto institucional privilegiada.

Quanto aos programas para gestão da assiduidade/avaliação dos alunos, já referimos o papel gradualmente crescente que têm vindo a ganhar não só na escola em análise, mas em praticamente todos os estabelecimentos de ensino do país.

Os programas ligados aos serviços centrais do Ministério da Educação — por exemplo, para a realização dos concursos de professores ou para o registo dos casos de alunos com planos de apoio (recuperação, acompanhamento ou desenvolvimento) — estão também entre as aplicações com que os professores se sentem mais familiarizados.

Quanto à plataforma Moodle, há mais de metade dos docentes que confirma uma utilização normal desta ferramenta, havendo uma parcela significativa que a utiliza com dificuldade.

Com as folhas de cálculo, como o Excel, embora haja um número superior de professores que as utilizam com muita facilidade, mesmo adicionando a sua percentagem aos que a usam normalmente, continuam a ser em maior quantidade os docentes que nunca as usaram ou usam com dificuldade.

Para compreendermos o grau do impacto sofrido pelos professores devido ao contacto com as TIC ao serviço da administração educacional, consideramos necessário recorrer a uma descrição dos principais acontecimentos que ocorreram a este nível desde o início do funcionamento da Escola EB 2,3 Irineu Funes.

A nossa perspectiva ficaria incompleta se ignorássemos a forma como os acontecimentos decorridos na unidade de análise seleccionada foram sendo influenciados por diversas entidades e projectos, no âmbito quer das estratégias políticas gerais dos diferentes governos constitucionais, quer das medidas concretas adoptadas pela administração central da educação ou por organismos particulares. A este respeito, gostaríamos de salientar que os instrumentos básicos de implementação da ciberadministração educacional — equipamento e formação — surgiram nesta e em outras escolas quase completamente direccionados para o trabalho pedagógico. Os órgãos de direcção e gestão das escolas, para disponibilizarem hardware para o trabalho administrativo, muitas vezes tiveram de fazer um esforço suplementar na distribuição rigorosa do material informático disponível de modo a que uma parte pudesse ser utilizada fora do contexto de sala de aula.

Antes da Escola EB 2,3 Irineu Funes ter surgido, já havia alguns projectos que tinham como prioridade a difusão dos meios informáticos nas escolas. O que mais marcou os primeiros anos das TIC em Portugal foi certamente o Projecto Minerva (acrónimo de Meios Informáticos no Ensino: Racionalização, Valorização, Actualização), que teve início em 1985 e terminou apenas em 1994. Com o apoio de instituições do Ensino Superior, foram introduzidos computadores em escolas do Ensino Básico e Secundário e exploradas

ferramentas informáticas como processadores de texto, folhas de cálculo, bases de dados, bem como software especificamente educacional (Ponte, 1994).

Em 1996, através da Resolução Conselho de Ministros n.º 16/96, de 21 de Março, é criada a Missão para a Sociedade da Informação (MSI), com mandato para a elaboração de um Livro Verde para a Sociedade de Informação, em Portugal, que foi assumido como "um guia que deve conduzir a elaboração de todas as políticas públicas nesta área" (S. Santos, 2006: 43-seg.). Entre várias medidas preconizadas pelo Livro Verde, salientamos a instalação, em todas as bibliotecas escolares do 5º ao 12º anos, de um computador multimédia ligado à Internet; a criação de conteúdos e serviços de informação na rede para suporte à população escolar; desenvolver projectos escolares em Telemática40 Educativa; promover a formação de professores para a Sociedade da Informação; promover a revisão dos programas escolares para contemplar a Sociedade da Informação; avaliar o impacto dos programas em Tecnologias da Informação; promover a Cultura e a Língua Portuguesas no estrangeiro, nomeadamente através da Internet.

Relacionado com estas medidas, salientaríamos ainda o programa Nónio-Século XXI. O Ministério da Educação lançou este programa em 1996, o qual teve uma acção muito importante em vários domínios: no apoio a projectos educativos das escolas dos ensinos básico e secundário, quer nas áreas pedagógico-tecnológicas, quer na área de financiamento; na formação de professores em Tecnologias de Informação; na produção e edição de software educativo; na produção de informação de interesse educativo, como conteúdos a disponibilizar na Internet etc. (cf. Livro Verde para a Sociedade de Informação).

Todavia, não existem documentos que comprovem se, de algum modo, estas primeiras iniciativas tiveram ou não impacto quando se deu início às funções da Escola EB 2,3 Irineu Funes. Segundo C.EXEC.1, nos primeiros meses, apenas havia dois computadores, um na secretaria, outro no gabinete do Conselho Executivo e todo o trabalho administrativo era feito ainda de forma manuscrita ou com máquinas de escrever. No entanto, esta situação alterou-se rapidamente: as actas do Conselho Pedagógico desse primeiro ano lectivo (1997/1998) atestam que passou a existir uma "sala de informática", onde se reunia este órgão, e descrevem algumas iniciativas que confirmam o interesse geral pelas novas tecnologias.

Um exemplo é a tentativa de informatizar as actas e as pautas dos resultados das reuniões de avaliação. O processo não foi simples. As actas acabaram por continuar a ser manuscritas e só oito anos depois se generalizariam os documentos digitais. Quanto às pautas de avaliação, o facto de grande parte dos directores de turma não ter qualquer conhecimento

40 "A Telemática diz respeito à fusão de várias tecnologias que normalmente são designadas com os termos

telecomunicações, engenharia informática, processamento de dados, técnicas de transmissão de dados, burótica e tecnologias de escritório." (Prior, 1999: 86).

informático levantou muitas dificuldades, acrescidas pelo facto de não haver um "quadro formal de voluntários" para ajudar a contornar a questão. O coordenador dos directores de turma disponibiliza-se para dar formação sobre um outro programa, desenvolvido pelo Ministério da Educação em 1992, denominado "Al"41. Devido a problemas na sua instalação, este programa acaba por não ser implementado; no entanto, mais do que os sucessos e fracassos nas experiências com o software de administração e gestão escolar, gostaríamos de salientar o processo de formação por via daquilo que, até certo ponto, se pode considerar uma reactivação informal do "ensino mútuo" ou "método de Lancaster" — em que os intervenientes aprendem para depois transmitirem aos colegas (Conde: 2005) — que constituirá um dos meios mais importantes no processo de "sobrevivência" dos professores aos desafios colocados pelas novas tecnologias.

Por outro lado, começam a aparecer notícias de formação especializada na área das TIC. No início, é muito escassa — basta ver o destaque que o Conselho Pedagógico, em Janeiro de 1998, dá a uma acção de formação dinamizada a trinta quilómetros da escola — e raramente da responsabilidade directa do Ministério da Educação: o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Fundação para a Computação Científica Nacional e entidades privadas são algumas das instituições que surgem nos documentos da escola que se referem à formação de professores em tecnologias de informação. As referências a acções de formação nas actas vão diminuindo ao longo dos anos, sinal de que se vão gradualmente vulgarizando.

Numa reunião do Conselho Pedagógico do início do ano lectivo seguinte, surge a informação sobre uma iniciativa intitulada Internet na Escola, no âmbito da Uarte (Unidade de Apoio à Rede Telemática Educativa), projecto da responsabilidade do Ministério da Ciência e da Tecnologia42. Na acta do Conselho Pedagógico de Novembro de 1998, existe uma referência a um professor que se disponibilizou para dinamizar este projecto na escola, mas não se volta a encontrar mais alusões ao assunto até ao final do ano lectivo.