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Segundo alguns autores, ter-se-iam realizado nesta igreja as primeiras cortes de Portugal para a coroação de Afonso Henriques.

“Se Afonso Henriques esteve em Lamego e suas imediações (Britiande) e até em Cosconhe (Piães - Cinfães), quer durante a sua maioridade, quer como detentor do Condado Portucalense, quer ainda como rei de Portugal, é lógico inferir-se que o local mais apropriado, para a realização dessas Assembleias, seria em Lamego, por aí, também, residir D. Egas Moniz (Britiande), um dos mais fervorosos mentores da independência nacional e ligado ao novo rei pelos mais entranhados laços de amizade” (Monterey 1984, 55-56).

Apesar de nunca se terem encontrado provas de que as cortes se realizaram aqui, a lenda persiste e ainda nos “nossos tempos, nos dias festivos a vemos engalanada com as bandeiras da fundação do reino “ (Laranjo 1996, 33).

O debate que se instalou à volta da hipotética realização das primeiras cortes de Portugal nesta igreja, faz com que, ainda hoje, seja visitada por causa desse facto histórico. O monumento, adquiriu, assim, uma particular singularidade, em relação aos restantes.

• A História de Santa Maria de Almacave

O nome de Almacave é susceptível de alguma discussão. Alguns autores afirmam que se trata de um antropónimo registando o nome do responsável pela edificação da mesquita que ali existiu. Para outros, Almacave deriva da palavra árabe almacava que significa cemitério (Laranjo 1996, 35).

• Alterações efectuadas em Almacave ao longo dos séculos

Sofreu a primeira alteração na sua estrutura no século XIV, quando “acrescentaram-se duas capelas de invocação de S. João, que em 1485 recebeu um legado, e Santa Ana, esta ricamente dotada pelo fundador cujo nome ignoramos” (Costa 1979, 43).

A capela-mor, a casa da Irmandade e a capela do Santíssimo Sacramento foram erguidas em 1847 (Acta da Irmandade do Santíssimo Sacramento, cit. por Laranjo 1996).

O adro, sem vedação, funcionava como logradouro público e cemitério. Porém, à maioria dos defuntos dava-se sepultura dentro da igreja (Costa 1979).

A Igreja de Almacave foi murada em 1843. As obras de ladrilhamento só foram realizadas em 1882 (Laranjo 1996, 35). Nestes melhoramentos, andava empenhado o Presidente da Junta de Paróquia que achava necessário “não só por parecer mal, mas (…) porque tinham de receber Sua Magestade (El-Rei Dom Luiz I) na igreja (Laranjo 1996, 36).

No que diz respeito ao pórtico principal da igreja, através da análise dos colunelos, “evidencia-se a deterioração das bases destas peças que estiveram soterradas pelo menos a partir do século XVIII” (Laranjo 1996, 34). Assim, nãotinha os actuais degraus, uma vez que “o pavimento apenas foi descido com os trabalhos de restauro na primeira metade do presente século” (Fig. 3.18 e 3.19) (Laranjo 1996, 36).

Sobre o pórtico, abre-se uma janela, rasgada para iluminação do coro, como tantas que se encontram nas fachadas laterais. Supõe-se que sejam anteriores às construções anexas ao templo, mesmo as da capela-mor.

No cimo do pórtico, encontra-se uma Cruz ou estrela de seis braços vasados (Fig. 3.20), sendo um vertical, que é cópia de uma peça antiga, que se encontra guardada no Museu de Lamego.

Figura 3.1826 – Fachada com escadas soterradas Figura 3.1927 – Entrada com escadas visíveis

Fonte: Kymagem (s/d)

A torre sineira, embora não fazendo parte integrante da obra de origem do monumento “ foi erguida possivelmente no século XVI(…) conseguindo certo equilíbrio estético com o corpo da igreja” (Laranjo 1996, 37).

Classificado como Monumento Nacional em 1910, a Igreja de Santa Maria de Almacave teve várias obras levadas a cabo pela DGEMN. A varanda e o arco foram removidos, tendo-se encontrado vestígios muito seguros de uma antiga porta românica do mesmo estilo da porta principal, com idêntico axadrezado, mas apenas com duas arquivoltas (Figueiredo 2002).

A DGEMN fez, praticamente, um novo portal, pois são poucas as pedras primitivas que hoje se podem observar. Ainda durante as obras de restauro, foram alteradas as dimensões de alguns bens, como o púlpito, que foi reduzido, bem como a janela lateral exterior do monumento (Fig. 3.21).

O tímpano50, que actualmente decora este pórtico, é uma cópia do original exposto no

Museu de Lamego (Figueiredo 2002).

Mais acima, ficava a Capela do Espírito Santo. Os alicerces da capela foram abertos em 1593, e foi edificada em 1596. Abaixo dela estava o altar das Almas (Laranjo 1996).

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Figura 3.20 – O novo Portal Figura 3.2128 – Janela Suprimida

No lugar da capela construiu-se a Sacristia e Casa do Despacho da Irmandade das Almas. Esta obra ficou concluída em 1780, como regista a gravação existente na cornija, entre as duas janelas.

Contígua às instalações da Casa da Irmandade fica a Sacristia. Circundando o monumento, podemos, facilmente, encontrar uma lápide romana, na parede externa da capela-mor (Fig. 3.22).

Figura 3.2229 – Santa Maria de Almacave

No interior do templo, sobre o coro alto e do lado norte da igreja, até à capela do Senhor da Agonia, corre um tapete de azulejos, com padrão policromo de maçarocas do século XVII, onde se combina o azul com o amarelo.

Na capela anteriormente referida, e daí até ao altar do Sagrado Coração de Jesus, e ainda na Capela-Mor, entre as portas laterais e o arco cruzeiro, bem como na parede sul do coro da igreja e frente do coro, o padrão de azulejos é do tipo laçaria e rosas (Fig. 3.23). Um

Sacristia Casa da Irmandade

outro desenho, também do século XVII, foi usado para decoração do cilhar da Capela-Mor, aos lados do altar (Laranjo 1996).

Figura 3.2330 – Azulejos do século XVII da Igreja de Almacave

No século XVIII, foi edificada a Capela do Senhor da Agonia, ou do Santíssimo Sacramento, ou de Nossa Senhora de Fátima da Igreja de Almacave (Laranjo 1996, 49).

No altar podemos observar um Cristo Jansenista (Fig. 3.24), tipo de representação de Cristo pouco comum.

O maior sino da Igreja51 veio do Castelo de Lamego, quando foram feitas obras de restauro, já no século XX (Laranjo 1996). Em 1988 ocorreu um incêndio que provocou graves danos no altar-mor (Fig. 3.25 e 3.26), não existindo até hoje uma solução de restauro que agrade, quer a quem gere a Igreja, quer ao IPPAR.

Figura 3.25 – Altar Antes do incêndio de1988

Figura 3.2632 – Altar a seguir

ao incêndio de 1988

Figura 3.2733 – Altar estado

actual

Fonte: DGEMN (2003) Fonte: kymagem (1988)

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Ver Figuras 3.18. e 3.19, onde é possível ver o Castelo com as Torres Sineiras e posteriormente, depois da intervenção sofrida, a torre com as ameias e sem os sinos.

• Estado de conservação actual

No seu interior, de um modo geral, a igreja de Almacave está a necessitar de intervenções. O altar (Fig. 3.27), está num estado lastimável. Esta situação deve-se ao facto de não haver entendimento entre o IPPAR e a igreja de Almacave. Ainda se vê o tecto carbonizado e a capela do Senhor da Agonia está cheia de humidade.