4. Overordnede anbefalinger
4.6. Nasjonal arbeidsdeling
A aprendizagem, enquanto objetivo primeiro do ensino, encontra na Didática teorias, elementos e condições para que o conhecimento seja construído e a prática efetivada. Mas o que compreendemos por ensino? Ensinar, do latim insignare, significa “por uma marca”, deixar um sinal
(HOUAISS, 2001) e aprender, do latim apprehendere, significa agarrar, segurar,
compreender (CUNHA, 1986). Mallart (2001) pontua o condicionamento entre os processos ensinar e aprender, destacando seu significado em outros idiomas, como inglês, francês e russo, em que a palavra ensinar pode ao mesmo tempo significar aprender ou ensinar. Entretanto, compreendemos que, apesar de
interligados, esses dois processos são de naturezas distintas. Ensinar, verbo bitransitivo, leva-nos a questões essenciais: ensinar o quê? E ensinar a quem? Podemos ainda incluir outra questão: ensinar como? Partindo destas perguntas, identificamos duas vertentes de respostas, originadas a partir do conceito que temos sobre ensinar.
Se conceituarmos ensinar como instruir, fazer saber, comunicar conhecimentos, transmitir experiência, dirigir etc., como processo centralizado no professor, em suas qualidades e habilidades, teremos uma concepção pautada no antigo paradigma, ou paradigma tradicional, que não oferece aderência aos dias atuais. Ainda neste sentido, podemos encontrar a visão exógena de ensino, por meio da qual ele é concebido como algo que vem de fora para dentro do indivíduo ou então, e também de forma tradicional, uma visão endógena, em que o ensino vem de dentro para fora. Por outro lado, se nosso conceito de ensinar estiver relacionado à idéia de incentivar, instigar, provocar, desafiar, problematizar, investigar, contextualizar, atribuir significados etc., estaremos diante de um conceito baseado no novo paradigma, que percebe a dinamicidade do processo de ensinar como criação de condições para a aprendizagem, com ação e integração entre professor e aluno e, como diriam os piagetianos, uma construção simultânea dos objetos de conhecimento e das estruturas cognitivas e coordenações internas.
o ensino se refere, intrinsicamente, ao processo de aprendizagem: quando o docente estrutura sua tarefa precisa pensar no outro que aprende, estabelecendo parâmetros e objetivos que considerem não somente a natureza dos conteúdos, mas fudamentalmente, as dinâmicas de acessar, apropriar e produzir conhecimento. (BATISTA, 2004, p. 65) Retomando as primeiras questões sobre ensino (o quê, a quem e como ensinar?), compreendemos que a ação de ensinar está vinculada a elementos que qualificam a aprendizagem: a) a intencionalidade do ensinante e do
aprendente, embora ensinar e aprender sejam de naturezas distintas; b) a
interação, cujo enfoque é relacional; c) a atividade normativa, que busca, pela
trabalha com valores sócio-culturais e condições éticas e; d) a ação reflexiva,
que parte da reflexão sobre a ação dos sujeitos envolvidos nesse processo, compreendendo o currículo, as estratégias dos docentes e a própria formação dos professores (MALLART, 2001; TORRE, 1993). Neste sentido, o processo de ensinar tem como meta o processo de aprendizagem, uma vez que o segundo é objetivo do primeiro. Ensinar apresenta uma característica muito interessante por sua impossibilidade de auto-aplicação. Podemos falar e vivenciar, como pontua Torre (1993), a auto-aprendizagem, a autodidaxia, a auto-formação, mas não a “auto-ensinagem”. Isso porque, ensinar contém a necessidade da existência de um outro: ensinamos algo para alguém. Eu ensino alguma coisa a
alguém, mas não posso me ensinar, embora possa aprender “sozinho”.
Embora tenha como um dos seus objetos de estudo a aprendizagem, a Didática concentra no ensino suas reais possibilidades, de modo a encontrar meios (teórico-práticos) para que a aprendizagem ocorra satisfatoriamente. Entretanto, o estudo sobre a aprendizagem é condicional, na medida em que é por meio dele que a Didática terá elementos efetivos para a ação docente e, portanto, para o ensino. Segundo Masetto (2003), a aprendizagem envolve os seguintes aspectos:
– Desenvolvimento de capacidades intelectuais: pensar, raciocinar, refletir, analisar, criticar etc.;
– Desenvolvimento de habilidades humanas e profissionais: trabalhar em equipe, dialogar, comunicar-se, conhecer fontes de pesquisa etc.;
– Desenvolvimento de atitudes e valores integrantes à vida profissional: formação continuada, preocupação com a sociedade, meio-ambiente, contexto sócio-cultural etc.
Sabemos que o processo de aprendizagem está imbricado com aspectos sociais (sociabilização, cooperação, convivência, respeito mútuo, alteridade, trabalho em equipe etc.), afetivos (emoções, interesse, motivação, valores etc.) e cognitivos (percepção, atenção, memória, capacidade de generalização, compreensão e formação de conceitos etc.). No adulto educador, em especial
por acreditarmos que ele, como formador, já possui tais capacidades internalizadas, não nos preocupamos em formá-lo para desenvolver tais habilidades.
A aprendizagem, desse ponto de vista, deve: – partir do contexto, das experiências dos alunos; – usar estratégias variadas que despertem interesse; – ser instigativa (problematizadora);
– trabalhar com situações reais (cases, cenários);
– ter enfoque sistêmico;
– estimular a socialização – trabalhos em equipe, sem destituir a individualidade;
– valorizar as produções individuais e as coletivas, na mesma medida. – favorecer relacionamento interpessoal e intrapessoal, e;
– possibilitar a reflexão sobre a prática e sua retomada, de modo a experienciá-la quantas vezes forem necessárias, buscando sua autonomia.
Sistema, segundo Moraes e Torre (2004, p. 39), “é uma unidade complexa ou uma totalidade que não se reduz à soma de suas partes constituintes (...) Designa, portanto, um conjunto de relações entre os elementos integrantes de uma totalidade”. Enquanto complexidade, para esta autora, significa “aquilo que está por trás ou no fundo dos acontecimentos, dos eventos e fenômenos, não sendo um conceito, mas um fator constitutivo da vida” (Ibid.,
p. 41). Desse modo, o enfoque sistêmico envolve compreender a aprendizagem em sua complexidade, não no sentido complicador, difícil, mas amplo, total, integral e integrador, cujo conceito de plasticidade humana, que será apresentado posteriormente, possibilita e condiciona sua sistemicidade complexa. Portanto, a aprendizagem deve ser desencadeada por situações instigadoras que possibilitem aos sujeitos agirem como solucionadores de
problemas afeitos às experiências dos alunos: definindo ações e selecionando os dados e fazendo uso de ferramentas que sejam adequadas para a solução da situação posta. Diante destes aspectos, podemos perceber que falamos de situações de ensino para a aprendizagem. Os processos ensino e aprendizagem, apesar de independentes, estão inter-relacionados. Fazem parte deles os sujeitos que recursivamente interagem num processo de construção, desconstrução, reconstrução e co-construção do conhecimento, onde professor e alunos, considerando seus papéis de atuação, compartilham suas experiências e vivências em congruência com o meio, por meio de estratégias didáticas.
A esse respeito, Moraes e Torre (2004) ratificam a especificidade do ensino e da aprendizagem, destacando o papel dos atores que fazem parte destes processos como protagonistas diferentes, o que infere a afirmação de
que não há garantias entre o bom ensino e a certeza da aprendizagem, mas sim possibilidades geradas pela intencionalidade de criar situações e ambientes de aprendizagem por meio de estratégias didáticas que promovam experiências diversificadas, rumo a uma aprendizagem integrada.