4. Overordnede anbefalinger
4.4. Forskningsbevilgninger
Entendemos por ambientes de aprendizagem qualquer espaço no qual se efetive ou se proponha processos de ensino e de aprendizagem. Assim, atualmente temos diversos meios de comunicação e ambientes vários que disponibilizam condições para que isso ocorra: TV, jornais, Internet etc. O diferencial entre esses ambientes, onde pode ou não promover situações de aprendizagem, e as instituições de ensino, encontra-se na intencionalidade, citada anteriormente. As escolas e as universidades são instituições que possuem essa intencionalidade e esse compromisso com o processo de ensino e aprendizagem. Os sujeitos envolvidos nesse universo encontram espaço para participarem intencionalmente desse processo. Através da tecnologia, podemos criar esses ambientes. Estamos em espaços e tempos diferentes na leitura
desse texto, por exemplo. Assim, cada um de nós poderá fazer essa leitura em qualquer ambiente, e no horário que quiser. Por seu turno, a Didática teoriza áreas diversas para responder às questões educacionais de forma interdisciplinar (novo paradigma). Mas é vista também muito relacionada às estratégias de ensino. Muitos educadores buscam nela modelos prontos para a ação de ensinar. Também sabemos que modelos, enquanto receitas, não existem. No entanto, alguns caminhos são propostos no sentido de levar os ensinantes a refletirem sobre sua prática pedagógica e encontrarem outros percursos. Esta pesquisa tem o objetivo de refletir alguns destes caminhos (estratégias), especialmente afeitos à didática para ambientes de aprendizagem via on-line, à luz de estratégias que contribuam para o favorecimento da
aprendizagem do adulto.
Não é possível separar a Didática do educador, uma vez que ela envolve a prática, não no sentido global, mas local e contextual, do educador em ação (ANTOLI, 1998). Uma Didática que favoreça a aprendizagem do adulto educador abrange o pensamento e as concepções deste educador e sua prática. Compreendemos as estratégias como os meios, as técnicas e as formas pensadas nos cursos e nos programas, e utilizadas pelo educador a fim de favorecer a aprendizagem. Elas estão articuladas ao processo da aula como um todo, para se alcançar os objetivos propostos.
As estratégias estão atreladas aos cinco aspectos apresentados por La Torre (ver figura 2): Acepções/significados, definições, objeto, metateorias e, mais especificamente, os conteúdos (ação didática). A postura do professor e a relação professor-aluno são temas que permeiam todos estes aspectos e as estratégias refletem sobretudo as abordagens propostas e as utilizadas pelo professor. As propostas podem não corresponder às utilizadas, uma vez que, nem sempre, a estratégia apresentada num curso é efetivamente assumida pelo professor em sua ação didática com os alunos. Desse modo, podemos ter uma estratégia proposta e outra praticada. Esse aspecto pode ocorrer com facilidade em cursos via on-line, nos quais as estratégias são pré-determinadas e
apresentadas aos professores para que as coloquem em prática. Este fato, quando ocorre, interfere significativamente em outro aspecto: a interação3.
A interação, como relação de reciprocidade entre os sujeitos envolvidos na ação didática, é condição essencial para o processo de aprendizagem. Nesse sentido, no paradigma contemporâneo, a postura do professor e as relações entre professor e alunos, bem como entre alunos e alunos, devem se fundamentar numa visão sócio-interacionista e afetiva, que, segundo Moraes (2003, p. 158), “pressupõe a existência de processos dialógicos e cooperativos que permitem a troca intelectual que atua como fator necessário ao desenvolvimento do pensamento”. O princípio da alteridade deve nortear as relações dos sujeitos em interação. Portanto, as estratégias não são separadas desse processo, mas harmonizadas com a postura do professor (suas concepções, as abordagens adotadas etc.), com a interação (relação professor aluno e entre alunos) e com outro fator fundamental: a mediação, de que
trataremos no capítulo 4.
Muitos livros apresentam diversas técnicas e estratégias para o professor diversificar sua prática. São interessantes, mas nem sempre eficazes. Por quê? Para elucidar essa questão, devemos retomar a reflexão a respeito da teoria e da prática do professor. Assim como o professor não reconhece em sua prática as teorias propostas e não tem clareza sobre a teoria que a sustenta, muitos dos livros didáticos, na mesma direção, refletem teorias que divergem tanto da teoria quanto da prática do professor. Cada educador tem sua experiência de vida, marcada pelos processos filo e ontogênicos. A partir destas vivências, constróem relações e interconexões. Aprendem modificando o meio, mas também o meio os modifica e, assim, co-constróem a aprendizagem. Além disso, temos experiências como aprendizes que fomos/somos. Sabemos o que é ser aluno e o que é ser professor. Tivemos muitos professores em nossa vida escolar. Vivenciamos com cada um deles as mais diferentes situações.
Temos visto e utilizado em sala de aula algumas estratégias e certamente temos características diferentes para a ação de ensinar. Entendemos que esses são alguns dos possíveis motivos pelos quais as técnicas retiradas de livros nem sempre trazem na prática os resultados considerados por nós e pelos alunos como satisfatórios: as teorias dos livros didáticos nem sempre correspondem à teoria adotada pelo professor. Se compreendermos que somos diferentes, que queremos ser respeitados em nossa individualidade como seres humanos e profissionais e que aprendemos de formas diversas, devemos compreender que “receitas” prontas nem sempre fornecerão os resultados esperados e ou prometidos.
O reconhecimento de sua subjetividade em estreita relação com a objetividade, a compreensão de sua condição humana, de suas aspirações, de seus desejos e afetos, de suas certezas provisórias e dúvidas temporárias é o que permitirá reconhecer o outro em seu legítimo outro e viver/conviver com mais competência, autonomia e solidariedade num mundo cada vez mais instável, mutável e, ao mesmo tempo, compartilhado. (MORAES, 2003, p. 158-9)
Como profissionais, estamos sempre à procura de atualizações. Buscamos sempre oferecer o melhor para a nossa profissão e para nossos alunos. Mas sabemos também que, em se tratando de práticas em sala de aula, esse melhor deve considerar uma gama diversa de fatores e, dentre eles, o
modo de ser e de aprender de cada um. Isso quer dizer que temos que refletir sistematicamente sobre o tipo de professores que somos e sobre como queremos ser; o que está dando certo e o que não está; como podemos redimensionar nossa prática etc. Essa auto-avaliação sistemática faz parte do nosso dia-a-dia, e é esse exercício contínuo que nos levará a possíveis mudanças, inclusive alcançar a fase de integração proposta por Kolb. Tal
mudança está articulada à nossa aprendizagem. Mudar posturas faz parte de um processo recursivo em espiral, ante as reflexões que fazemos para a ação que temos em nossa prática. Esse processo é fundamentalmente individual. No limite, podemos até criar situações que o facilitem, no entanto, deve-se ter em conta que cada um o vivenciará dentro do seu tempo e possibilidades. Tal
mudança postural é bastante complexa, mas uma vez iniciada, certamente transformará as relações com os outros seres que convivem conosco e, assim, a relação professor-aluno.
Como alunos, podemos recordar algumas boas e más experiências com professores; experiências que podem nos ter levado a afinidades e ou dificuldades com determinadas áreas do conhecimento; experiências que sempre mostraram-se imbricadas com diversos fatores que influenciaram nosso aprender. Um destes fatores é a relação interpessoal que construímos com nossos professores: se não as experienciamos, ao menos já ouvimos falar de situações nas quais o aluno, apesar de estar cursando uma disciplina considerada difícil, se “apaixonou” por ela pelo fato de gostar do professor; e em outras, apesar de ter afinidade com determinada área, “pegou aversão” por ter tido uma experiência ruim com o professor. Assim, não podemos acreditar que as estratégias utilizadas ou impostas nos ambientes de aprendizagem garantirão a aprendizagem ou mesmo a “ensinagem”. Todos os aspectos estão entrelaçados e são interdependentes. Se não houver coerência, o uso de estratégias, por mais diversificadas ou competentes, poderá não trazer a mudança esperada/pretendida rumo à aprendizagem do adulto.
Os pressupostos da Didática nos permitiram mergulhar nessa área para que pudéssemos buscar caminhos para a aprendizagem do adulto. Pudemos enxergar quais as dimensões da didática serão fundamentais para a nossa pesquisa. Cabe-nos agora conhecer um pouco mais sobre o sujeito dessa pesquisa: o adulto, pois é a partir deste sujeito que serão pensadas estratégias didáticas para sua aprendizagem, via educação a distância on-line. Quando
consideramos o ser humano adulto? Como a educação se dedicou a essa área, no sentido de formar o adulto? E afinal, como pode ser o seu processo de aprendizagem?