4. Helse og omsorg
4.1 Sammendrag
A Escala de Experiência Sexual, no original The Cowart-Pollack Scale of Sexual Experience 82, foi traduzida para português por Maria João Alvarez, Patrícia Pascoal e Rui Henriques 70, a quem foi solicitada autorização para o uso deste
instrumento, pedido por sua vez aceite. É composta por uma versão masculina com 31 itens e uma versão feminina com 30 itens, com uma duração de aplicação de 10 minutos, podendo ser aplicada individualmente ou colectivamente.
Cada item é avaliado, numa escala de Guttman, com “Sim” correspondendo a um valor de 1, ou “Não” correspondendo a um valor de 0. A obtenção de uma resposta “Sim” confirma que a pessoa já experimentou o item em questão, uma resposta “Não” indica que nunca experimentou o item em questão. Os valores totais podem ir de 0 a 30 na versão feminina, ou 31 na versão masculina, sendo os valores mais elevados indicadores de uma maior experiência sexual em termos de reportório comportamental.
A adaptação portuguesa foi realizada com estudantes universitários com idades compreendidas entre os 18 e os 21 anos82.
Num estudo subsequente realizado em Portugal, os valores de teste-reteste obtiveram valores de reprodutibilidade entre 0,85 e 0,88 para a escala masculina e entre 0,87 e 0,88 para a escala feminina. Os coeficientes de alfa de Cronbach para a escala feminina foram de 0,96 e de 0,95 para a masculina70.
Os itens são ordenados segundo os resultados obtidos na sua tradução. Os autores assumem que os indivíduos seguem uma progressão nos comportamentos, isto é, se apresenta um comportamento menos comum, com menos respostas no total, terá passado por uma série de outros comportamentos mais comuns. Assim, a ordem dos itens começa com comportamentos mais típicos até chegar a comportamentos mais atípicos, que serão os últimos da lista.
Em certa medida é expectável que quem afirma ter já experimentado o último item tenha também respondido afirmativamente a todos anteriores, ou quase todos os anteriores. Espera-se, também, que o número de indivíduos a responder “Sim” aos últimos itens seja inferior aos que respondem positivamente aos primeiros itens.
Os resultados do estudo original são apresentados nas tabelas seguintes, divididos por escala, com a percentagem de respostas afirmativas para cada item. Não aparece a numeração dos itens porque alguns são apresentados em posições diferentes nas duas escalas.
Tabela 11 - Itens da escala da Versão Masculina da EES e percentagens de resposta
Comportamento escala masculina % Sim
Apalpar os seios nus da mulher 98
O contacto da boca com os seios nus da mulher 94 Ver materiais eróticos vendidos livremente nas bancas 93
Penetrar a vagina com o dedo 92
Observar a parceira nua 91
A parceira observar o seu corpo nu 91
Deitar-se em cima da mulher sem penetração 87 Contacto da boca da mulher com o seu pénis 86
Manipular a vulva da mulher 84
Relações sexuais, homem por cima. 83
Masturbação 81
Manipular o clítoris da mulher até ela atingir o orgasmo 78 A sua boca em contacto com a vulva 77 Relações sexuais, parcialmente vestido 77
Penetrar a vagina com a língua 76
Manipular com a língua o clítoris 75 Estimulação oral mútua dos genitais até ambos atingirem o orgasmo 74 Relações sexuais, face a face, de lado 73 Exposição a materiais eróticos pornográficos 72 Relações sexuais, mulher por cima 71 Tomar duche ou banho com a parceira 68 Manipular com a língua os genitais da mulher até ela atingir o orgasmo 66 Relações sexuais, penetração da vagina por trás 63 Contacto da mão com a região anal da parceira 61
Relações sexuais, de pé 48
Relações sexuais, sentados 48
Penetrar o ânus da parceira com o dedo 39 Uso de dor moderada durante os contactos sexuais 16
Nos homens, 16% referem ter experimentado o “Uso de dor moderada durante os contactos sexuais”, sendo este o item com menos respostas positivas. O item seguinte refere-se a “Penetrar o ânus da parceira com o dedo” com 39% de respostas positivas. O item mais frequente é o “Apalpar os seios nus da mulher” com 98% de respostas positivos.
Tabela 12 - Itens da escala da Versão Feminina da EES e percentagens de resposta
Comportamento escala feminina % Sim
Os seus seios apalpados por um homem 91 O contacto da boca do homem com os seus seios 91 Penetração da vagina pelo dedo do homem 83 O homem deitar-se em cima de si sem penetração 83 O parceiro observar o seu corpo nu 80 Manipulação do clítoris pelo homem 79
Observar o seu parceiro nu 78
Manipulação da vulva pelo homem 77
Manipular o pénis do homem 76
Relações sexuais, homem por cima 67 Contacto da sua boca com o pénis 67 Boca do homem em contacto com a sua vulva 66 Manipulação do clítoris pela língua do homem 66 Penetração da vagina pela língua do homem 66 Relações sexuais, face a face, de lado 60 Tomar duche ou banho com o parceiro 58 Ver materiais eróticos vendidos livremente nas bancas 58 Relações sexuais, parcialmente vestida 56 Manipulação do clítoris pelo homem até ao orgasmo 55
Relações sexuais, mulher por cima 55
Masturbação 54
Relações sexuais, penetração da vagina por trás 46 Estimulação oral mútua dos genitais até ambos atingirem o orgasmo 45 Manipulação dos genitais pela língua do homem até atingir o orgasmo 45 Contacto da mão com a região anal do parceiro 40
Relações sexuais, sentados 37
Relações sexuais, de pé 28
Exposição a materiais eróticos pornográficos 24 Penetrar o ânus do parceiro com o dedo 19
Relações sexuais anais 13
No caso das mulheres, os comportamentos mais atípicos são “Exposição a materiais eróticos pornográficos” com 24% de respostas positivas, “Penetrar o ânus do parceiro com o dedo” com 19% de respostas positivas e “Relações sexuais anais” com 13% de respostas positivas.
É possível verificar que as mulheres apresentam mais comportamentos atípicos, ou seja mais itens com percentagens de resposta positiva baixas, em comparação com os homens. Por exemplo, os homens apresentam apenas 4 itens com respostas positivas inferiores a 50%, enquanto no caso das mulheres são 9 os itens abaixo dessa percentagem.
À partida, este seria o instrumento que mais problemas poderia levantar por questionar directamente a pessoa sobre as suas experiências sexuais. Assim, e por se tratar de uma aplicação em grupo, tentou-se que fosse mantida uma distância entre os envolvidos espalhados pela sala de aula para manter a maior intimidade possível.