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4.14 - Samlebånd og kontrollflyt

In document av Rune Vistnes MINIKOMPENDIUM (sider 33-38)

A abordagem sistêmica é considerada um avanço em relação à abordagem clássica, por assumir que a realidade é formada por sistemas

“abertos”, que emergem da relação entre as partes. Assim, ela enfoca o “todo”, que é o sistema, e leva em consideração o seu “contexto”. Essa abordagem é fundamentada, basicamente, em duas teorias: a Teoria Ge- ral dos Sistemas e a Cibernética. A Teoria Geral dos Sistemas nasceu de um antigo embate entre a biologia mecanicista, que enfatiza as partes, e a biologia holística, que enfatiza o todo (CAPRA, 1996). De um lado, os biólogos mecanicistas, fundamentados na abordagem clássica, susten- tam que um organismo pode ser entendido pela análise das propriedades físico-químicas das partes menores que o constituem. De outro lado, os biólogos holísticos, ou sistêmicos, defendem que o organismo é uma totalidade integrada, que não pode ser compreendida pela redução às suas partes.

Os biólogos sistêmicos, por sua vez, subdividem-se em duas cor- rentes distintas: os vitalistas e os organísmicos (CAPRA, 1996). Os vita- listas acreditam que a organização do todo é causada por uma força ou campo não físico, enquanto que os organísmicos consideram que o todo é uma propriedade emergente das relações organizadoras entre as partes. Das duas correntes, somente a organísmica conquistou credibilidade científica. Isso ocorreu com o surgimento do modelo do organismo co- mo um sistema aberto.

O modelo do sistema aberto foi desenvolvido na década de 1930, pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy (1901-1972). O modelo considera que os organismos são sistemas abertos, que realizam trocas materiais e energéticas com seu meio e, por isso, ao contrário dos sistemas fecha- dos, são capazes de evitar o aumento de entropia (desordem) e de man- ter-se em um estado de equilíbrio ou homeostase (ordem) (VON BERTALANFFY, 1968). O modelo considera, ainda, outras proprieda- des que distinguem os sistemas abertos dos sistemas fechados. Uma de- las é a equifinalidade, segundo a qual um sistema aberto pode alcançar um mesmo estado final a partir de diferentes condições iniciais e se- guindo diferentes caminhos (VON BERTALANFFY, 1968). Von Berta- lanffy almejava aplicar os princípios do modelo do sistema aberto, que é fundamentalmente matemático, às demais disciplinas acadêmicas. Para isso, ele criou a Teoria Geral dos Sistemas, uma ciência geral da totali- dade, cujo objetivo era o de identificar princípios gerais de organização que pudessem ser aplicados a qualquer classe de sistemas (CAPRA, 1996; FRANÇOIS, 1999).

Alguns dos conceitos do modelo do sistema aberto foram funda- mentados por outra teoria, que surgiu e se desenvolveu de forma inde- pendente da Teoria Geral dos Sistemas – a Cibernética. A Cibernética é uma teoria de comunicação e controle de sistemas, criada pelo matemá-

tico Norbert Wiener (1894-1964) nos anos 1940s. Wiener estabeleceu a teoria a partir de sua experiência com o desenvolvimento de servomeca- nismos, um tipo especial de sistema mecânico (CAPRA, 1996). O que distingue os servomecanismos de outras máquinas é o fato de seu com- portamento ser orientado para um objetivo. Esse tipo de comportamento requer um mecanismo de controle – o feedback negativo – que neutrali- za os desvios do seu curso em relação ao objetivo proposto (ROSENBLUETH et al., 1943). Essa regulação é circular e ocorre da seguinte forma: o sistema recebe uma informação do meio a respeito do estado atual do objetivo e, com base nela, corrige seu comportamento no sentido de obter uma maior aproximação do objetivo. Em função da cor- reção, a informação que o sistema recebe do meio é alterada, um novo ajuste de comportamento é realizado, e assim por diante, até o objetivo ser atingido. Diz-se, assim, que os servomecanismos são sistemas autor- regulados: eles são capazes de produzir determinado resultado, apesar das perturbações do ambiente (JOSLYN; HEYLIGHEN, 1999).

A autorregulação requer uma comunicação eficiente entre o sis- tema e o meio, bem como no próprio sistema. Por isso, Wiener incorpo- rou em sua teoria alguns dos conceitos da teoria da comunicação de Shannon e Weaver (1964). Essa teoria é uma teoria matemática que trata dos problemas técnicos de precisão na transmissão de sinais de um e- missor para um receptor, em um canal de comunicação (SHANNON; WEAVER, 1964). Uma das técnicas utilizadas por Wiener foi a quanti- ficação da informação, uma prática necessária para o tratamento de ruí- dos na comunicação dos sistemas (WIENER, 1970). A quantidade de informação, na teoria da comunicação, é representada por uma expres- são matemática igual à entropia negativa. Ou seja, se a entropia é uma medida de desorganização, a quantidade de informação é uma medida de organização (WIENER, 1970). Com isso, Wiener e outros teóricos concluíram que os servomecanismos são sistemas organizados. Eles são formados por um circuito informacional, por onde flui certa quantidade de informação. Uma das consequências disso foi que os organismos vi- vos passaram a ser modelados a partir dos princípios da Cibernética (ATLAN, 1992). Um exemplo é o fenômeno da homeostase, cujo prin- cípio subjacente foi atribuído ao mecanismo da autorregulação (CAPRA, 1996).

2.1.2.2 Características

Ontologia. A abordagem sistêmica presume que a realidade é constituída de sistemas abertos, que emergem das relações organizado- ras entre as partes (CAPRA, 1996). O bloco de construção da realidade

não é o objeto material isolável, como na perspectiva clássica, mas as relações abstratas que formam o sistema (HEYLIGHEN et al., 2006). Essa visão da realidade é sustentada pela ideia, oriunda da física quânti- ca, de que as partículas elementares não são unidades irredutíveis, mas se constituem em sistemas formados pela interação de partículas ainda menores (MORIN, 2005). Uma das características de um universo for- mado por sistemas é sua disposição hierárquica na forma de um “siste- ma de sistemas”: os sistemas são totalidades emergentes, ao mesmo tempo em que são partes de um “todo maior”, um metassistema (HEYLIGHEN et al., 2006). Cada nível hierárquico possui leis e propri- edades próprias, as quais não são observadas no nível inferior (CAPRA, 1996). Assim, as propriedades dos materiais são irredutíveis às das mo- léculas, que são irredutíveis às dos átomos, que são irredutíveis às das partículas subatômicas, e assim por diante.

Causalidade. Duas causalidades são verificadas na abordagem sistêmica. A primeira é fundamentada no conceito de adaptação. Nela, o movimento para o futuro é causado por mudanças ambientais (STACEY et al., 2000). As mudanças ambientais perturbam o sistema que, através do mecanismo de feedback negativo, reage e adapta-se às novas condi- ções ambientais. A adaptação do sistema envolve a organização de no- vas relações entre as partes, uma vez que o seu comportamento emerge dessas relações (HEYLIGHEN et al., 2006). Portanto, há uma relação de causa linear entre o ambiente e as relações internas do sistema: altera- ções ambientais causam mudanças na configuração interna do sistema. Como consequência, dois sistemas influenciados por um mesmo ambi- ente tendem a ser idênticos (homogêneos). Por outro lado, a finalidade da adaptação é o restabelecimento do equilíbrio, condição que garante a integridade (sobrevivência) do sistema. Em suma, o movimento para o futuro é provocado por mudanças ambientais e a sua finalidade é a res- tauração do equilíbrio do sistema.

A segunda causalidade é baseada no conceito cibernético de pro- grama. Um programa corresponde a instruções e ordens que acionam, inibem e coordenam operações (MORIN, 2005). Essa causalidade as- sume que o movimento para o futuro é causado pela computação de programas inscritos no interior dos sistemas (MONOD, 1976). Os sis- temas desenvolvem-se para estados futuros pré-determinados pelos seus programas internos. Portanto, nessa causalidade, o movimento para o futuro é provocado pela computação de programas internos aos sistemas e sua finalidade é a realização do “plano” codificado nos programas.

Natureza Humana. Há duas visões da natureza humana alternati- vas às da abordagem clássica. A primeira substitui a noção de homo e-

conomicus por outra mais complexa, a qual assume que o homem é um ser racional e emocional. Ele é um indivíduo social e incentivado pelas relações interpessoais e de grupo. Como consequência, o seu sistema de motivação é mais complexo do que o baseado exclusivamente nos inte- resses econômicos e individuais (KATZ; KAHN, 1978).

A segunda visão se origina do cognitivismo. Essa teoria admite que o comportamento não é uma consequência direta dos estímulos do ambiente, como defendem os behavioristas, mas mediado por processos cognitivos (GARDNER, 2003). O comportamento, segundo o cogniti- vismo, ocorre através da relação input–processamento–output, a qual é mais complexa do que a relação input–output do behaviorismo. O pro- cessamento ocorre na mente, vista como um computador digital, que forma representações mais ou menos perfeitas da realidade. A mente estrutura a realidade em padrões ou modelos mentais e evolui através de adaptações à realidade pelo mecanismo de feedback negativo (STACEY et al., 2000; STACEY, 2001).

Epistemologia. A epistemologia sistêmica assemelha-se à do pen- samento clássico em um aspecto fundamental: o conhecimento é uma representação da realidade externa, que deve ser justificado independen- temente do sujeito. Porém, as duas epistemologias não são idênticas e distinguem-se em ao menos dois pontos. O primeiro é quanto à natureza da ordem. Enquanto no pensamento clássico a ordem está relacionada ao arranjo espacial das partículas elementares, no pensamento sistêmico ela diz respeito aos padrões de organização dos sistemas (HEYLIGHEN et al., 2006).

O segundo ponto de distinção diz respeito à relação do pesquisa- dor com a realidade. Segundo o cognitivismo, a mente do pesquisador é constituída de modelos mentais que formam representações mais ou menos perfeitas da realidade externa e eliminam essa diferença através do mecanismo de feedback negativo (STACEY et al., 2000). Desse mo- do, o grau de exatidão da representação da realidade depende do desen- volvimento dos modelos mentais do pesquisador. Teoricamente, quanto maior a exposição do pesquisador à realidade, mais bem ajustada à rea- lidade é a sua mente e mais exata a representação que dela faz.

Metodologia. A investigação é realizada pelo método “contextu- al” (CAPRA, 1996). Nele, as relações entre as partes do sistema são determinadas em função do contexto, isto é, do todo emergente. Seme- lhantemente ao reducionismo, ele envolve o teste de hipóteses do tipo “se – então”, exequíveis por métodos quantitativos; mas, desta vez, o que se pretende identificar são relações entre as partes que otimizem o comportamento do sistema como um todo (PHELAN, 1999). Dessa

forma, o método contextual efetua um reducionismo no sentido oposto ao do método clássico. Nele, as partes são reduzidas ao todo (MORIN, 2005).

2.1.3 Abordagem da Complexidade

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