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KAPITTEL 5................................................................................................................................... 59

5.2 Samfunnsmusikkterapi

De 2005 a 2012, a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo realizou esforços na implantação do programa Ler e Escrever em todas as escolas de Ensino Fundamental da rede, cujo o objetivo é unir o compromisso dos vários componentes curriculares, e não só a Língua Portuguesa, com a apropriação pelos estudantes dos conhecimentos necessários para o domínio das competências escritora e leitora. Outros projetos do período foram: Toda Força ao 1º ano e Projeto Intensivo no Ciclo I (SÃO PAULO, 2007).

Em 200649, se inicia o processo de elaboração de documentos para subsidiar a proposta do Ler e Escrever em todas as áreas. Para a sua construção, participaram a equipe do DOT, especialistas de cada área de conhecimento e professores da rede que compuseram os chamados Grupos Referência.

O Grupo Referência era composto por docentes indicados pelas diversas Diretorias Regionais de Ensino. Cada componente curricular tinha o seu grupo que se reunia uma vez por mês nas dependências da SME para discutir e elaborar um material de apoio que subsidiasse o trabalho pedagógico com componente na direção do programa Ler e Escrever. No caso da Educação Física, inicialmente, o grupo contou com a presença de uma pessoa contratada pela SME que havia tido a experiência de participar da escrita dos Parâmetros Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, para auxiliar na construção do documento. Contudo, em certo momento o trabalho não

49 Neste ano, o prefeito José Serra renuncia o cargo para se candidatar na disputa pelo governo do Estado

se desenvolveu da forma esperada pela DOT. Assim, alguns professores participantes do Grupo Referência que acessaram o recém-lançado livro Pedagogia da Cultura Corporal (de Marcos Garcia Neira e Mário Luiz Ferrari Nunes) indicaram o material para a DOT que optou por convidar os autores do livro para apoiar a produção do documento (MALDONADO, 2012)

A partir de reflexões com o grupo, compreendendo a Educação Física inserida na área de linguagem, surge o Referencial de expectativas para o desenvolvimento da competência leitora e escritora no ciclo II do ensino fundamental para o componente50.

Dando continuidade ao trabalho, em 2007 o Grupo Referência volta a discutir e auxiliar na construção de um currículo com mais elementos para subsidiar a prática pedagógica. Paralelo ao grupo, os assessores conduziam ações formativas nas 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) do município, abrangendo um coordenador pedagógico e um professor de Educação Física por escola (MALDONADO, 2012)

Para Alexandre Alves Schneider, secretário municipal da Educação da época, o processo de elaboração curricular aconteceu de forma coletiva. Foram envolvidos especialistas de diferentes áreas de conhecimento que elaboraram um texto inicial, grupos de professores, supervisores e representantes das DREs, que analisaram e apresentaram propostas de reformulação do texto. Outros profissionais da escola foram, posteriormente, convidados a avaliar e discutir o material.

Durante o ano de 2007 o documento teria passado por várias idas e vindas, com leituras críticas e retorno de contribuições. No final do mesmo ano, dentro do Programa de Orientação Curricular do Ensino Fundamental, são divulgadas as Orientações Curriculares e Proposição de Expectativas de Aprendizagem para Educação Física.

Cabe destacar, em entrevista a Maldonado (2012), que um dos assessores do documento expôs que o processo de elaboração foi envolvido por discussões e resistências, tanto sobre a concepção de Educação Física, relacionando-a, muitas vezes, a visões de lazer e saúde, distante da noção da disciplina enquanto linguagem, quanto por questões políticas. Tais embates permaneceram até a finalização da proposta51.

50 Ancorados na perspectiva cultural, o documento aponta a concepção de Educação Física adotada, suas

possibilidades e relação com o ler e escrever, como também, com intuito de subsidiar os professores apresenta relatos de experiências.

51 Para compreender melhor o processo de construção do documento curricular seria necessário ouvir

outras vozes, outros sujeitos. No entanto, este não é o objetivo da presente investigação. Apresentamos esses pontos no sentido de apenas demonstrar que o processo de construção curricular está envolvido por diferentes forças, sentidos que são negociados. Trata-se do que Macedo (2006, p.163) aponta em relação aos textos escritos, são produções culturais, ou seja, "algo produzido num processo em que posições foram negociadas num misto ambivalente de controle e resistências".

Em 2008, iniciou-se o processo de implementação do documento com sua distribuição nas escolas e para todos os professores, com ações de formação continuada e divulgação de vídeos para apoio à formação. Se esses mecanismos atenderam à demanda é uma questão a se investigar, mas não se pode negar que sua publicação via internet, bem como a disseminação de ações formativas nas quais a versão impressa era distribuída aos professores, facilitou o acesso.

Em relação ao Grupo Referência, ao mesmo tempo em que os seus integrantes continuavam com a participação das reuniões na SME, eles conduziam as formações com os colegas de área em uma instância criada pelas DREs chamada Sala do Professor (FRANÇOSO, 2011).

No entanto, a formação de professores, no ano de 2008, não ocorreu da forma como se esperava. Alguns dos participantes do Grupo Referência já não concordavam com a concepção defendida e houve, via SME, a abertura de um edital que possibilitava às DREs contratarem formadores que não pertenciam à rede, o que levou à contratação de pessoas sem nenhuma relação com a visão do documento curricular. (MALDONADO, 2012)

A partir de 2009, o Grupo Referência passou por um processo de mudanças e novos participantes compuseram a equipe. Além do mais, as DREs tiveram menos liberdade na contratação de professores formadores, pois os cursos passaram a ser ministrados pelos novos integrantes do grupo e seus assessores.

Em 2010 ocorreu uma reunião, divulgada em diário oficial, convidando professores interessados em aderirem o grupo para participarem de um processo seletivo. O Grupo Referência de Educação Física se reestrutura e permanece até o ano de 2012. Foi o único que se manteve até o fim da gestão52. Outras ações importantes para aproximar os professores, ao menos os ingressantes, das discussões do documento foram o atrelamento da bibliografia de dois concursos para Professor de Educação Física às Orientações Curriculares e a realização de duas reuniões iniciais formativa com os novos ingressantes da rede municipal.