5. Forslag under det enkelte
5.11 Samferdselsdepartementet
As professoras entrevistadas externam que a jornada de trabalho das mulheres é prolongada, pois além da carga horária no trabalho profissional precisam cuidar do lar e dos filhos e às vezes assumem outras responsabilidades.
Eu sou casada e tenho um casal de filhos. Dou aula na UVA (Universidade do Vale do Acaraú) aos sábados e ainda dou aula de reforço. Na escola são 20 horas em sala de aula e 20 horas de EPA (Estudo, Pesquisa e Atendimento). Eu tenho uma pessoa que vem faz a faxina e vai embora, mas o dia a dia fica comigo [...] O meu esposo nunca disse nada não, sobre a minha profissão, ele acha ruim quando eu ocupo muito meu tempo e fico sem tempo. Às vezes eu estou muito cansada, então ele reclama. Professora A
De todas as professoras, a Professora A demonstrou ser a mais sobrecarregada de atividades e relatou a insatisfação do esposo com relação às suas diversas ocupações. Todas acumulam atividades familiares, domésticas e profissionais.
Eu só ensino aqui na Prata, tenho 40 horas semanais, mas tenho outras responsabilidades, tomei uma responsabilidade quando meu pai morreu, eu fiquei à frente de tudo, fui a única das filhas que ficou em casa, os outros moram fora, então fico administrando uma fazenda, lido com peões e por aí vai, e a fazenda fica a 100 km daqui. Professora B
Eu sou casada, tenho um filho e aqui na escola são 40 horas semanais de trabalho. Professora C
Eu tinha 20 horas em sala e 20 horas de EPA. Serviço de casa era tudo comigo. Tive muitos problemas com empregada, faltavam muito, e tinha vez que levava as filhas para o trabalho e levava um monte de giz de cera, elas não gostavam, mas tinha que ser. Optei por ficar só com uma pessoa que faz faxina e vai embora. Empregada, você sabe, é hoje, não é amanhã.
Professora D
Quando a mulher trabalha fora fica sem tempo para abarcar todas as tarefas tidas tradicionalmente como femininas. Por outro lado, com a carga de obrigações familiares e domésticas, também se limita na profissão.
crianças pequenas e eu não vou poder me dedicar. Então optei por ficar só no Estadual da Prata. Foi quando ele chamou um colega que terminou comigo o curso. Eu deixei a vaga na Universidade, por problemas de mulher, as dificuldades da mulher, pois se eu fosse um homem eu teria ido tranquilamente [...] Quando houve concurso na Federal, eu não pude fazer porque estava com o terceiro filho novinho. Eu dizia: Como é que eu vou para a Federal com três crianças? Professores me incentivavam, mas eu dizia: eu não tenho com quem deixar meus filhos e não quero deixar meus filhos assim [...] Eu tenho quatro filhos. No começo eu não tinha ninguém para me ajudar em casa; quando eu tive a primeira filha, abandonei dois anos de estudo porque eu tinha que cuidar de tudo [...] Quando eu retornei, eu estudava de noite, o pai ficava com ela ou então meu irmão que estudava lá em casa, que fazia Engenharia, ficava com ela, para que eu pudesse ir à noite estudar. Passava o dia inteiro com ela e de noite estudava.
Professora E
A Professora E relata a dificuldade para estudar e avançar na carreira depois que a mulher se casa e tem filhos. Isto remete à consideração de Bourdieu (2002, p.34) sobre a exclusão das mulheres:
Inscrita nas coisas, a ordem masculina se inscreve também nos corpos através de injunções tácitas, implícitas nas rotinas da divisão do trabalho ou dos rituais coletivos ou privados. As regularidades da ordem física e da ordem social impõem e inculcam as medidas que excluem as mulheres das tarefas mais nobres [...], assinalando-lhes lugares inferiores [...], ensinando-lhes a postura correta do corpo [...], atribuindo-lhes tarefas penosas, baixas e mesquinhas.
A disponibilidade das mulheres para o trabalho é influenciada pela necessidade financeira e pelo desejo de participação na esfera pública, mas é limitada por fatores como o estado conjugal e o número de filhos. Para Schiebinger (2001, p.13) o casamento, os filhos e outras preocupações, tradicionalmente associadas à condição feminina, podem colocar a carreira da mulher (e apenas recentemente a do homem) em perigo. Não se pode negar que a mulher tem diversas atribuições que a sobrecarregam.
As entrevistadas expõem que trabalhavam para se manter e também ajudar em casa, mas não são elas as provedoras de seus lares.
Eu tive que trabalhar, quando já fazia o terceiro ano do Médio, na fase que eu mais precisava, quando meu pai resolveu dar uma volta, deixou a gente em casa, mas não era uma coisa assim que eu precisasse, era só para comprar minhas coisas, eu não era o batente forte, mas eu tive que ajudar. Eu já tinha 17 anos, minha mãe disse: Você já está na idade de ajudar em casa. Mas, assim, para ser professora..., desde os 15 anos que eu já tinha vontade de ser professora independente da necessidade de trabalhar. Eu sempre gostava de dar aulas de reforço. Eu acredito que eu já nasci com vontade de ser professora. Professora A
A Professora A tem a preocupação de destacar que, independente da necessidade de trabalhar, ela sempre quis ser professora e gosta do que faz.
Eu trabalhava só para mim mesmo, para comprar minhas coisas, meu pai era agente fiscal e minha mãe professora primária. Professora B
Eu comecei a trabalhar quando terminei o curso, mas nunca precisei sustentar a casa. Professora C
As Professoras B e C deixam claro que não precisavam sustentar a família e a Professora B demonstra que seus pais tinham certa estabilidade financeira. Já a Professora D declara que se origina de uma família humilde e que precisava trabalhar.
Eu sempre tive que trabalhar, eu sou de uma família pobre e precisava ajudar em casa para poder sobreviver. Não tive a oportunidade que as minhas filhas tiveram, se dedicaram apenas ao estudo. Professora D
A Professora E, a mais velha do grupo, relata que precisava trabalhar para ajudar em casa, mas que depois de casada aceitou a proposta do marido para largar o trabalho, dedicando-se por algum tempo apenas ao lar.
No começo, quando eu comecei a ensinar no primário, quando eu fiz o Normal, realmente eu precisava, não para sustentar a casa, mas para me manter. Minha mãe era costureira e meu pai era agricultor. Na realidade eu precisava trabalhar. Quando eu me casei, não, inclusive o meu esposo fez questão que eu deixasse mesmo de trabalhar. Disse: deixe, que eu lhe pago o salário que você ganha. Aí foi quando eu passei sete anos sem ensinar.
Professora E