Kapittel 2 Problembildet
2.7 Samarbeid mellom barnevern og andre etater
___________________________________ Segurança ___________________________________ Escuta aberta
“eu achei assim muito bom que tivesse ele, como lá é um programa que todos colaboram né”
“quando eu vi que tinha uma enfermeira aí eu falei assim: Ah eu estou segura!” “já sabia que tinha que ter cuidados com a minha saúde, mas ela reforçou me explicando tudinho, dos cuidados que preciso ter mais ainda[...]. Parecem professores preocupados e ensinando seus aluninhos a se cuidarem”
Entrosamento
___________________________________
Segurança
Educação para saúde
Questão 427
“eu digo que mudou quase tudo na minha vida [...] eu me sentia muito triste e invalida e sem coragem para nada, hoje me sinto muito mais a vontade, converso mais e dificilmente fico triste agora”
__________________________________ “tenho um lugar aonde eu vou pra conversar [...] eu passo horas felizes.”
___________________________________
“
consegui me envolver mais com aspessoas ao meu redor, então eu acho que agora eu faço, assim, parte da sociedade de novo” Mudança subjetiva __________________________________ Interação social __________________________________ (Re)inserção social 26 Como a senhora observou o trabalho desempenhado pelo profissional enfermeiro?
Como na discussão dos dados do Sr. João, após a leitura atenta dos códigos, procedi a sua unificação em subtemas para, em seguida, identificar os temas estruturantes do dizer da Sra. Cecília. Abaixo, apresento o quadro esquemático desse movimento de interpretação:
Inicio a discussão dos dados, obtidos nesta entrevista, por uma primeira consideração: via de regra, a Sra. Cecília não ia diretamente ao cerne da questão que lhe foi dirigida e aproveitava a vez para reiterar o quanto o “encontro com o outro” (profissional ou leigo participante dos grupos) foi significativo para ela. Em nenhum momento, considerei que esse gap pudesse ser justificado com o resultado obtido na avaliação cognitiva (sugestivo de uma demência em curso). Ao contrário, ao se pronunciar, a Sra. Cecília dava mostras de quanto prezava a vida em grupo e a relação social. Apóio, também, essa minha consideração no seguinte segmento de fala: “eu quero sair do anonimato”. Lembro que ela afirmou várias vezes, a importância, para ela, do reconhecimento do outro.
CÓDIGOS SUBTEMAS TEMAS
Interação Social
Relação com o outro
___________________ Vida x Morte Impacto existencial Reconhecimento social Morte Subjetiva Escuta Aberta
Educação para saúde
Interação Social Relação com o outro Impacto existencial
Segurança Competência para
cuidar Integralidade no cuidar Escuta Aberta Entrosamento Competência para cuidar Integralidade no cuidar Segurança
Educação para saúde
Mudança Subjetiva
Bem-estar Impacto existencial
Interação Social (Re)inserção social
Talvez se possa afirmar que a disposição para a “vida de relação”, associada à falta de opção para dar-lhe vazão, estivesse em causa no tempo anterior à sua inserção no Programa; sustentando, de algum modo, suas queixas relativas à solidão e às dificuldades para comer (essencial para satisfação de uma necessidade vital). A vida biológica, nesse tempo, estava sob risco, mas uma espécie de morte subjetiva estava em processo. É esse o significado que atribuo à sua afirmação de que “eu tava morrendo em vida”. Vale ressaltar aqui, também, que ela considerava sua saúde boa, como relatada pela assistente social.
Arrisco-me, portanto, a dizer (porque não sou psicóloga e porque isso não foi tema aprofundado na AGA ou nas reuniões com a psicóloga) que a Sra. Cecília ansiava por “outra vida”. A sua participação nas atividades do Programa tiveram como efeito, então, um importante resgate subjetivo e social. Ele é ponto nodal das seguintes afirmações: (1) “eu digo que mudou quase tudo na minha vida [...] eu me sentia muito triste e inválida e sem coragem para nada, hoje me sinto muito mais a vontade, converso mais e dificilmente fico triste agora”; (2) “consegui me envolver mais com as pessoas ao meu redor, então eu acho que agora eu faço, assim, parte da sociedade de novo”. Não é sem razão que apenas dois temas dão sustentação ao seu dizer ao longo da entrevista: impacto existencial e integralidade no cuidar.
No que diz respeito especificamente a esse último, enfatizo que quando ele emerge na fala da Sra. Cecília, vem articulado com a necessidade de se fazer escutar pelo profissional que cuida dela. Ela reitera, portanto, o ponto de vista do Sr. João sobre o que seria um dos pré-requisitos fundamentais para um bom atendimento na área da saúde. Ela não deixa de lado, ainda, a necessidade de “colaboração” entre os vários membros da equipe, indicando aí, também, que o diálogo entre profissionais está na base do que vislumbra ser um cuidado com qualidade.
Há que se dizer, ainda, que o tema da “educação para saúde” emerge nesta fala, mas não é aprofundado, talvez porque ela “já sabia que tinha que ter cuidados com a
minha saúde”. Aproveito a oportunidade para assinalar que o “saber” é condição
necessária, mas não suficiente, para engendrar mudanças. Parece mesmo que, no que diz respeito à educação em saúde, um “algo a mais” que a transmissão mecânica de um saber específico está em causa. Não seria esse “algo a mais” a determinar o que se espera de mudança de posição frente aos cuidados com a própria saúde? A Sra. Cecília nos indica o caminho para a resposta, quando diz: “ouve e são, todos, profissionais
muito importantes para ajudar a gente a melhorar a saúde”. Faço notar que nesta consideração está a chave para a mobilização em direção ao autocuidado.
Surpreende, entretanto, que a Sra. Cecília não faça qualquer referência à competência técnica que está em jogo no cuidado profissional com a saúde. Seus dizeres, inclusive sobre sua avaliação da contribuição do enfermeiro, giram insistentemente em torno da questão da escuta. Um gerontólogo não pode marginalizar a importância desses reiterado apelo, esteja ele alocado no espaço de exercício de uma clínica ou não (como por exemplo, aqueles que se encontram comprometidos com a estruturação de políticas públicas para o segmento idoso).