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Samarbeid med næringsliv

9 Samarbeid og nettverk

9.4 Samarbeid med næringsliv

Para poder compreender o processo de instauração do enunciado do vídeo Paradox, faz-se necessária, em minha opinião, uma breve reflexão a respeito dos conceitos de autor e autoria. Por ser eu, além de pesquisador, também o autor do vídeo Paradox, preciso deixar claro quais são os conceitos teóricos que permeiam a noção de autoria, no intuito de colher subsídios para a interpretação do vídeo e orientar o interlocutor na leitura dessa interpretação.

Para Volochínov (1926), a autoria de uma obra diz respeito a um autor pessoa – o escritor, o artista – e a um autor criador – a função estético-formal engendradora da obra. Este autor criador é a forma pela qual se materializa uma relação axiológica6, ou valorativa, com o herói -- ou objeto da obra -- e seu mundo.

De acordo com Faraco (2005), resgatando Bakhtin e seu círculo, o autor criador assume sempre uma posição de valor perante o objeto de seu discurso, olhando-o com “simpatia ou antipatia, reverência ou crítica, etc.” (p. 38). Faraco (2005) aponta que “o objeto estético materializa escolhas composicionais e de linguagem que resultam também de um posicionamento axiológico” (2005: 38). Assim, o autor criador de uma obra não apenas estabelece relações de valores éticos com a temática ou os personagens retratados, mas imprime à

6 Axiología (do grego valor, dignidade + estudo, tratado). Teoria do valor. Ramo

da Filosofia que tem por objeto o estudo da natureza dos valores e juízos valorativos, especialmente, os morais. Considera-se a Ética e a Estética como partes constituintes. Axiologia refere-se assim, a uma reflexão sobre os valores. Dito de outra forma, ela consiste num estudo, num saber ou numa disciplina filisófica que tem por objeto os valores (disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Axiologia).

representação dessa temática opções estéticas, que também representam um sistema de valores.

Essa voz criativa, a do autor criador é, segundo Bakhtin e seu círculo (apud Faraco 2005), uma segunda voz, “um ato de apropriação refratada de uma voz social qualquer para poder ordenar o todo estético” (Faraco, 2005: 40). Nesse sentido, ao ver incorporadas suas idéias à obra, o autor pessoa as vê transformadas em imagens ou idéias artísticas, sendo assim a refração das idéias desse autor pessoa. Mesmo a autobiografia, para Bakhtin e seu círculo (apud Faraco, 2005: 43), não pode ser um mero discurso direto do autor sobre si mesmo. É preciso haver um distanciamento e um posicionamento axiológico perante os atos vividos, tornando-se o autor pessoa um outro com relação a si mesmo.

O autor criador materializa sua voz através da refração de uma voz do autor pessoa, que por sua vez refrata as múltiplas vozes das relações dialógicas, numa complexa ressignificação contextualizada. O autor criador, segundo Faraco (2005: 39), não registra passivamente os eventos da vida, mas, a partir de certa posição axiológica, recorta os elementos da vida e os reorganiza esteticamente. Há sempre um viés valorativo na transposição dos planos da vida para os planos da obra. Essa posição valorativa manifesta-se, na obra, através do relacionamento do autor com o herói, ou coisa retratada. Nas obras áudio-verbo-visuais, como Paradox, tal relacionamento se dá por meio das escolhas imagéticas, composicionais formais, de movimento, de escolhas lexicais, sintáticas, musicais, etc. Cada elemento do enunciado reflete e refrata uma posição valorativa em relação aos eventos da vida e aos eventos da obra, compondo a voz criativa.

Ainda segundo Faraco (2005: 40), citando Bakhtin e seu círculo (1924/ 1988), essa voz criativa, do autor-criador como elemento estético-formal é uma segunda voz: o discurso do autor-criador não é a voz direta da pessoa que elaborou a obra, mas um ato de apropriação refratada de uma voz social qualquer a modo de poder ordenar o todo estético. Em outras palavras, o posicionamento axiológico do autor criador não necessariamente equivale à

visão do autor pessoa, mas é um posicionamento escolhido por ele para imprimir o caráter da obra. As idéias do autor pessoa, quando se inserem na obra, transformam-se em imagens artísticas de idéias, ou seja, são a refração das idéias do escritor (Faraco, 2005:40).

Volochínov (1926) ao defender um método sociológico para a análise de qualquer criação ideológica, ou de arte, afirma que todos os produtos da criatividade humana nascem na e para a sociedade humana, como por exemplo, a arte, imanentemente social. Dessa forma,

“(...) ela se torna arte apenas no processo de interação entre criador e contemplador, como o fator essencial dessa interação. Qualquer coisa no material de uma obra de arte que não pode participar da comunicação entre criador e contemplador, que não pode se tornar o meio de sua comunicação, não pode igualmente ser o recipiente de valor artístico” (Volochínov, 1926/2000: 4).

Por acreditar que o valor e a possível apreciação da obra se dão nessa esfera de interação entre o autor e o fruidor como parte de um contexto social é que busco neste trabalho a compreensão de como se deu o processo de criação de Paradox, a partir da perspectiva pessoal do designer, de seu contexto instrucional de realização e aplicação e também no âmbito da experiência de diversos professores de vários contextos.

Uma obra poética está intimamente atada ao contexto da vida. Esse contexto envolve o falante, o ouvinte e a temática da obra. A esse respeito é ilustrativa a posição de Volochínov (1926):

“Julgamentos de valor, antes de tudo, determinam a seleção de palavras do autor e a recepção desta seleção (a co-seleção) pelo ouvinte. O poeta, afinal, seleciona palavras, não do dicionário, mas do contexto da vida onde as palavras foram embebidas e se impregnaram de julgamentos de valor.” (p. 11).

A própria seleção de palavras, portanto, já é uma atividade negociada, já que o sentido a elas atribuído se dá no âmbito do social. Além disso, a temática escolhida também incorpora uma carga avaliativa, compartilhada com o destinatário. Segundo Volochínov (1926) “a seleção do conteúdo e a seleção da forma constituem um e o mesmo ato, estabelecendo a posição básica do criador” (p. 12).

Para Volochínov (1926), “o autor, o herói e o ouvinte devem ser compreendidos não como elementos externos à própria percepção de uma obra artística, mas como entidades que são fatores constitutivos essenciais da obra” (p. 13). Nesse sentido, a biografia do autor e a caracterização censitária dos ouvintes não devem se constituir em elementos de análise da constituição da obra. Servem apenas para situar a obra cronológica e historicamente, mas permanecem em seu exterior.

O ouvinte, para Volochínov (1926), é alguém com quem o autor dialoga, levando-o em conta para engendrar o discurso; conseqüentemente, o ouvinte acaba por co-determinar a estrutura da obra. Não é esse ouvinte, portanto, uma pessoa ou um grupo de pessoas reais, mas uma posição valorativa que o autor assume. Essa posição valorativa é assumida não apenas com relação ao ouvinte, mas também na direção do conteúdo da obra.

Um outro fator que, para Volochínov (1926), caracteriza o estilo da obra é o “grau de proximidade recíproca” (p. 14) entre o criador e o herói (ou temática). As escolhas lexicais feitas pelo autor podem assegurar uma maior ou menor distância com relação ao herói e ao ouvinte. Bakhtin e seu círculo citam como exemplo as chamadas formas “inclusiva” e “exclusiva” do plural em algumas línguas. O uso do nós, por exemplo, no discurso poético, pode ser uma forma de aproximação identitária entre o autor e o herói.

Outra forma de aproximação pode se dar, ainda segundo Volochínov (1926), no estilo e entoação pela qual o autor articula o enunciado. A forma de narração objetiva, de saudação, de oração, hino, confissão, autobiografia, declaração lírica, são determinadas, na obra, “pelo grau de proximidade entre o autor e o herói” (p. 14).

Se tomarmos como participantes da obra, em primeiro lugar, o autor, em segundo, o herói ou a temática, temos também que levar em consideração, como terceiro elemento constitutivo da forma artística, o ouvinte. Para Volochínov (1926):

“O ouvinte deve ocupar uma posição especial, e mais ainda, uma posição bilateral com respeito ao autor e com respeito ao herói, posição que tem efeito determinativo (sic) no estilo de um enunciado” (p. 16).

Todas essas questões são pertinentes a uma interpretação do vídeo Paradox. Para que essa interpretação fosse feita, foi necessária uma posição valorativa com relação a quem era o autor, em que contexto ele se inseria, como modulou seu discurso para atingir seu destinatário e qual foi sua posição axiológica com relação ao objeto ou personagens de sua obra. Tais questões são retomadas nos dois capítulos de interpretação: aquele que lidará com a visão que o pesquisador tem hoje do material que concebeu, produziu e aplicou, por um lado; e, por outro lado, aquele que discutirá como se deu o diálogo de vários professores de inglês com o vídeo Paradox.