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S UMMARY OF FINDINGS

In document Tomra: helping the world recycle (sider 76-81)

Agrupada em uma única categoria, a imersão setorial diz respeito às descrições, reflexões e particularidades sobre o setor econômico e atividade principal que são vivenciadas e aprendidas pelo empreendedor em momentos pré e durante o seu negócio. Igualmente à metáfora do cultivo da planta, descrita pelo contador da empresa na categoria Empreendimento Regionalizado, torna-se útil ao empreendedor que este vivencie experiências, antes da abertura do negócio, com atividades similares à da sua empresa.

Essa categoria vai ao encontro dos trabalhos anteriormente publicados por Rae (2004, 2005), nos quais o autor busca evidenciar a aprendizagem por meio da imersão dentro de uma indústria como favorável para a exploração de oportunidades de negócios. Além disso, o autor afirma que, por meio dessa imersão e participação em redes locais, o empreendedor possui a oportunidade de desenvolver compreensões sociais e intuitivas de suas

necessidades e normas diárias de “porque isso funciona” (RAE, 2004), além de habilidades,

expertise e contatos, concebendo, assim, uma aprendizagem relacional (por meio de várias

pessoas), funcional (específica e operacional) e da resolução de problemas (RAE, 2005). Compreende-se isso ao notar na narrativa do autor-empreendedor que o saber associado às atividades específicas ou técnicas contribuiu para o entendimento da nova atividade e do setor: “Eu tinha um trabalho que, não era exatamente o que a gente faz, mas era uma coisa em que eu podia associar” (E211).

O autor-empreendedor teve experiências no início de um negócio trabalhando de graça em troca de aprendizagem, já que era inexperiente. Isso lhe rendeu domínio e conhecimento sobre as dinâmicas do setor de tecnologia da informação, bem como saberes relativos ao início de um negócio, o que pode ser compreendido em um trecho da fala de sua mãe: “Cezar começou a trabalhar nessa empresa. Era a (empresa de manutenção), de dois irmãos. E Cezar era funcionário, amigo dos dois (...) Eu sei que o primeiro emprego de Cezar foi nessa empresa dos dois irmãos” (Fp17).

Ao se analisar a aprendizagem empreendedora situada por meio de narrativa é possível compreender as ligações temporais e de atividades similares realizadas pelo sujeito principal, o que, de certa forma, aumentou a confiança do mesmo. Portanto, a trajetória de vida pode dizer muito, em vez de uma abordagem estritamente funcional e estática, pois concebe o empreender como agente ativo do seu processo de aprendizagem, enquanto reflete sobre o seu passado e faz ligação com o presente (KARATAŞ-ÖZKAN, 2011) e entre diversas situações.

Quando requisitado ao autor-empreendedor para descrever a sua relação com o setor econômico em que se situa, o mesmo declara uma relação de apreço pelo “mercado de TI” ser dinâmico, exigindo uma capacidade de aprendizagem. Além disso, a sua empresa precisa ter processos internos que viabilizem a inovação e a aprendizagem coletiva de seus funcionários:

“Cara, para mim o mercado de TI sempre foi uma coisa que eu gosto, porque ele avança exponencialmente. Ele não avança linear, como a maioria das coisas. Então, se você souber utilizar bem, você vai transformar as pessoas mais rápidas, transformar os ambientes mais rápido. Eu posso aproximar mais rápido as pessoas, eu posso ter mais conhecimento mais rápido (...) Estamos em uma mudança de era igual que teve da agrícola para industrial. Acho que agora estamos no momento que o que vale mais é a informação mesmo, entendeu? (...) Agora o que eu vou fazer como a tecnologia é o que vale hoje. É as cabeças pensantes (...) Acho que agora a gente tem que saber utilizar a TI, não mais desenvolverá TI (...) Acho que trabalhar com software em geral que é o que a gente faz, acho que não existe mais barreira, não, sabe? (...) Eu acho que a transformação exponencial não tem como prever, não. Tem como você ir acompanhando” (E225).

O envolvimento e imersão dentro do setor possuem a capacidade de gerar determinados saberes específicos. Segundo Hindle e Yencken (2004), o conhecimento tácito e a cultura do empreendedor são recursos essenciais para a ação empreendedora. Os autores afirmam que esses elementos são gerados por meio das interações entre as instituições, culturas organizacionais e ambiente externo. O conhecimento tácito advindo da familiaridade com determinado setor ou indústria pode afetar o desempenho do negócio, pois fornece compreensão tácita dos fatores-chave do setor, conhecimento especializado de produtos e tecnologias, além de relacionamento próximo com outros agentes da indústria (COOPER; GIMENO-GASCON; WOO, 1994).

O sócio-empreendedor chama atenção exatamente para esse saber situado e específico à atividade do negócio, pois determinados conhecimentos específicos ao setor de atividade não são aprendidos por meio do ensino formal, mas por meio do convívio social e da imersão setorial: “Porque essa parte da loja mesmo a gente não aprende na faculdade. A gente vai vendo o que os outros vão fazendo e a gente vai colhendo as coisas boas” (Cs42).

Por fim, a compreensão das necessidades do setor e a ação sobre esse conhecimento são considerados essenciais para a comercialização e sucesso da empresa:

“Só a mudança de nota fiscal manual para a nota fiscal eletrônica, que não foi bem em 2009, foi mais na frente. Mas essas mudanças aí obrigaram muita gente a migrar para o sistema (...) O mais importante, acho que inicialmente, foi a questão de organização. Muita gente viu que se não tivesse o sistema não tinha como ter um controle real do seu negócio. E viram que as empresas que tinham controle real do seu negócio eram aqueles em um sistema” (A.II.55).

Marvel e Droege (2010) apresentam quatro tipos de conhecimentos que são obtidos por meio da aprendizagem contextual: como servir ao mercado, que diz respeito às dinâmicas de compradores e fornecedores; problemas dos consumidores, que faz ligação com as necessidades dos clientes; conhecimento do mercado, que inclui as informações sobre os relacionamentos entre os diversos atores do setor; e conhecimento da tecnologia que está ligado à experiência pessoal com determinada tecnologia.

Ao imergir em determinado setor econômico, o futuro ou já empreendedor possui a possibilidade de compreender as suas nuanças e obter conhecimento sobre fornecedores, consumidores, relacionamentos entre concorrentes, valores compartilhados de como gerenciar uma empresa em tal indústria, sendo que tal saber só é obtido e co-construídos (há uma diferença entre os conhecimentos exatos e sociais) por meio da aprendizagem contextual e sensitiva. A próxima seção abordará a noção de que as ações empreendidas possuem a capacidade de gerar aprendizagem durante a sua execução.

In document Tomra: helping the world recycle (sider 76-81)