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S TRENGTHS AND WEAKNESSES

5. DISCUSSION

5.1 S TRENGTHS AND WEAKNESSES

Para elucidar esse debate é necessário discutir e entender a categoria trabalho. E quando nos propomos a esta tarefa nos deparamos com um paradoxo, uma contradição inerente à própria categoria trabalho, ou seja, ao mesmo tempo em que o trabalho proporciona a construção do homem ele também o destrói. Assim é imprescindível analisar os aspectos que fazem do trabalho um fator positivo para a estruturação dos homens enquanto seres

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sociais e por conseqüência, dos grupos sociais, bem como o modo que este mesmo trabalho constitui-se em fator de negação da potencialidade humana.

O trabalho é a categoria central a partir da qual, pode-se pensar o indivíduo, a sociedade, com seus sistemas políticos, jurídicos, ideológico. É um espaço onde o homem se afirma. (MARX, 1989). Dessa maneira o trabalho se constitui no elemento que media a relação entre o Homem e a Natureza no processo de produção e reprodução de sua existência, tendo em vista que através dele é possível que atue sobre a natureza a transformando de acordo com suas necessidades e ao mesmo tempo sendo transformado.

A importância da categoria trabalho está em que ela se constitui como fonte originária, primária, de realização do ser social, protoforma da atividade humana […] entendendo-o enquanto criador de valores de uso, na sua dimensão concreta, como atividade vital, como necessidade natural e eterna de efetivar o intercâmbio entre homem e natureza. (ANTUNES, 2002, p. 167)

O trabalho é uma atividade essencialmente humana, na qual, a luta pela sua existência, através do trabalho, o ser social produz e reproduz a sua vida em sociedade e nesse processo, cria e renova as próprias condições de sua reprodução. É esse aspecto que dota o trabalho de uma dimensão teleológica (LUKÁCS, 1984). Isso quer dizer que o homem concebe um projeto previamente planejado de forma intencional pela sua mente visando uma determinada finalidade. É esse o fator que o diferencia o trabalho humano do trabalho animal, justamente o fato da intencionalidade.

Dessa maneira, diferente do homem que adapta a natureza em função da satisfação de suas necessidades o animal adapta-se a natureza tendo que desfrutar das condições que esta lhe oferece. Como ilustrou Marx (2005) através das metáforas do pássaro João de Barro, da abelha ou da aranha, mostra que semelhante ao homem, o animal tem a capacidade de construir sua moradia através de seu trabalho, contudo, não há sentido teleológico no segundo caso.

Ou seja, o trabalho animal é resultado objetivo de uma ação instintiva cuja lógica é imutável. Já a construção realizada pelo homem é oriunda de um projeto previamente concebido, que se complexifica a todo o momento, ao passo que o homem sempre o aperfeiçoa através de suas projeções mentais (LUKÁCS, 1984). Dessa forma pode-se dizer que tal construção resulta da materialização de sua subjetividade que é constantemente influenciada e determinada pelas relações sociais a que está inserido.

43 Como coloca Previtalli (2009), é nesta atividade fundante da existência humana em que o trabalho adquire forma e atributos condicionados sócio-historicamente. É no momento em que o homem interage com a natureza alterando-a para a satisfação de suas necessidades essenciais e alterando concomitante sua própria natureza, que os homens entram em relações uns com os outros com o mesmo fim, ou seja, instituem relações sociais de produção.

É justamente nesse movimento que se manifesta a dimensão do trabalho como fator de negação da potencialidade humana, é esse o momento divisor aonde os homens se dividem socialmente em classes, mais especificamente em duas classes, com interesses antagônicos. Uma chamada de capitalista que detém a propriedade dos meios de produção e a outra denominada proletária, que possuem somente sua força de trabalho. A relação entre ambas, por seu turno, confere dinamicidade e movimento à história.

O capitalismo traz consigo uma série de contradições, muitas delas relacionadas ao mundo do trabalho. Ao mesmo tempo em que o trabalho é a fonte de humanização e é o fundador do ser social, sob a lógica do capital se torna degradado, alienado, estranhado. […] O trabalho perde a dimensão original e indispensável ao homem de produzir coisas úteis (que visariam satisfazer as necessidades humanas) para atender as necessidades do capital. Por conseguinte, o resultado final do trabalho não pertence ao trabalhador; o trabalho então tem caráter exterior ao do trabalhador. Essa é então, uma manifestação de alienação. Para o trabalhador proletário, o trabalho é algo penoso, que o remete ao sacrifício. (NAVARRO, PADILHA, 2007, p. 15)

A característica mais expressiva desta relação é a desigualdade econômica e social, que é consequência direta de uma estrutura social dividida em classes. Estas, por excelência, são antagônicas e conflitantes ao passo que os sujeitos necessitam, da mesma forma, satisfazer suas necessidades naturais, seja por meio da exploração do trabalho alheio ou do seu por outrem.

Antunes (2002) ilustra essa situação colocando dois fenômenos permanentes nessa relação: primeiro é que o trabalhador proletário trabalha sobre o controle do capitalista e o segundo é que o produto produzido diretamente pelo proletário não é propriedade dele, mas sim dos capitalistas.

Nessas condições a maneira como o processo de trabalho se realiza no capitalismo causa a alienação do trabalhador. Como ponto de partida do processo de humanização do ser social, passa na sociedade de classes capitalista como trabalho degradado e aviltado. Como salienta Antunes (2002, p. 126), “[...] o que deveria se constituir na finalidade básica do ser social, a sua realização no e pelo trabalho, é pervertido e depauperado. O processo de trabalho se converte em meio de subsistência”. Nessa perspectiva homem, agora proletário, se torna

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estranho ao produto de seu próprio trabalho, não é mais o seu sujeito, não tendo, portanto poder para decidir sobre o que, como e muito menos para quem produzir.

Para Marx (2005), a atividade produtiva no sistema capitalista, fruto de uma sociedade dividida em classes, é acentuadamente marcada por um caráter alienado que nega o homem e o trabalho enquanto atividade de manifestação humana. Assim, para Marx (2005, p. 148), “desfigurado, o trabalho torna-se meio e não primeira necessidade de realização humana. […] o trabalhador decai a uma mercadoria e à mais miserável mercadoria, torna-se um ser estranho a ele, um meio da sua existência individual”. Portanto, apesar de o processo de alienação do trabalhador ocorrer por diversos modos, o estranhamento é a forma peculiar de estranhamento no sistema capitalista.

A alienação do trabalhador em seu produto significa não somente que seu trabalho se converte em um objeto, em uma existência estranha, mas que existe fora dele, independente, estranho que se converte em um poder independente frente a ele, que a vida que emprestou ao objeto o enfrenta como uma coisa estranha e hostil. (MÉSZAROS, 1981, p.16)

Nessa perspectiva “[...] o processo de estranhamento do trabalho não se efetiva apenas no resultado […] mas abrange também o próprio ato de produção, ele é o efeito da atividade produtiva já estranhada” (ANTUNES, 2002, p. 126). Assim pode-se inferir que ocorre uma coisificação do homem ao passo que há uma humanização da coisa. E é justamente nessa relação cria-se um processo de fetichismo da mercadoria e conseqüentemente a desumanização dos trabalhadores envolvidos nesta relação.

O trabalho não produz apenas mercadoria, produz-se também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e justamente na mesma proporção com que produz bens [...] com a valorização do mundo das coisas, aumenta em proporção direta a desvalorização do mundo dos homens. O trabalhador torna-se uma mercadoria tanto mais barata, quanto maior o numero de bens que produz. (MARX, 2005, p. 111)

Historicamente, pode se observar que há uma dose de alienação em todas as formas de relação travadas no contexto que se instaura o capitalismo. Pode-se até mesmo afirmar que a alienação surge como um resultado necessário de tais relações (MÂNGIA, 2003). A sociedade capitalista caracteriza-se pela apropriação privada do trabalho coletivo e pela distribuição desigual dos produtos desse trabalho. O trabalho é coletivo enquanto produção e é privado enquanto apropriação. A apropriação do trabalho humano e seus excedentes são a base da alienação.

45 Nesse contexto, aos capitalistas, proprietários dos meios de produção, interessam unicamente a força de trabalho do operariado, enquanto que para estes, alienados no e, pelo processo de trabalho no qual eles estão inseridos, resta vender seu único bem em troca de uma quantia mínima, para que possam ter condições de prover o sustento deles e de suas respectivas famílias. É nesse sentido que se expressa a dimensão negativa do trabalho, através da qual ele é revelado como fator de coisificação da potencialidade humana no capitalismo, como atividade sacrificada, objetificada, que é uma conseqüência direta da sobreposição de sua dimensão quantitativa em relação à qualitativa.

O que distingue as dimensões positivas e negativas do trabalho remete-se ao “quantum” socialmente materializado na mercadoria, que é o que interessa no capitalismo (ANTUNES, 2002). Por fim, o resultado de todo esse contexto traz como conseqüências o fato do trabalhador não se reconhecer enquanto sujeito do produto de seu trabalho, que acaba por negar sua dimensão de ser social, e também pelo fato de seu trabalho pertencer a outrem e não a ele mesmo.

Contraditoriamente, a atividade trabalho continuaria condensando todo seu caráter vital na medida em que nela estaria presente um enorme potencial emancipatório. O princípio educativo do trabalho reside nesse caráter vital e, especialmente, nesta contradição: de um lado, negando o homem numa relação alienante; de outro, condensando todo um potencial emancipatório. (FIDALGO; MACHADO, 2000, p. 335)

O trabalho no capitalismo assume, portanto, sua dimensão negativa no que se refere ao caráter de negação do homem, uma vez que o trabalhador não tem o direito de controlar o trabalho que executa e, além disso, o produto de sua ação não lhe pertence.

Na percepção de Nosella (2009), enquanto a sociedade estiver sob os moldes do sistema capitalista de produção e sob os imperativos de políticas econômicas centradas na liberdade do mercado, sempre haverá, de um lado, a formação técnica, limitada aos cursos profissionalizantes que mesmo que eficientes, não promovem o desenvolvimento político, filosófico, artístico. Por outro lado, tem-se também, as raras escolas humanistas, preocupadas com a formação em políticas, artes e filosofia, entretanto, incompatíveis com o mundo do trabalho. E, além disso, aquelas que muito pouco ensinam, que são as assistencialistas.

A discussão aqui desenvolvida toma como posicionamento, a manutenção da tensão entre a materialização da formação omnilateral e a realidade concreta. Pois ainda que para superar essa tensão, seja necessária a superação da sociedade de classes. Enquanto isso se acredita na potencialidade dessa luta de classes, espaço fundamental para que as próprias

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características e elementos do sistema capitalista, germinem as possibilidades de sua autodestruição.