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1. BACKGROUND

1.1 G IARDIA LAMBLIA

empreiteiros, em janeiro de 1928, adentrou com um requerimento na Câmara Municipal de Uberabinha, solicitando a aprovação de uma lei que regulamentasse a profissão de constructor

e empreiteiro na cidade, dificultando a entrada de forasteiros e “amadores” na concorrência desta atividade. No teor da lei, caso fosse aprovada, entre outras exigências que a Câmara deveria cobrar dos futuros construtores e empreiteiros licenciados, estava a cobrança de uma taxa de 500$000 (quinhentos mil réis), ou seja, meio conto de réis anuais. (CÂMARA MUNICIPAL, Uberabinha, Minas Gerais. Acta da sessão ordinária realizada no dia 05

demais custos da construção. Ribas também recebia da Sociedade alguns fretes que, ora bancava do próprio bolso, ora terceirizava.

3.4 Algumas Curiosidades Sobre a Construção

A construção do prédio, sob-responsabilidade da Sociedade, destinado ao funcionamento do Gymnasio de Uberabinha, iniciou-se, segundo o Diário da Sociedade, em 18 de junho de 1919 (p. 18) com a compra do primeiro terreno, adquirido do Sr. José Thomaz de Rezende pela quantia de 3:000$000 (três contos de réis) e encerrou-se em 20 de julho de 1921 (p. 81) com o pagamento da última folha de jornaleiros126 :

13 Edifício do Gymnasio 99 (a) Caixa

Pago folha pessoal jornaleiro

encerrado hoje 87$500 Fonte: Diário da Sociedade, 20 Julho 1921, p. 81.

Todo o processo de construção do prédio ocorreu dentro deste período (18 de junho de 1919 à 20 de julho de 1921), ou seja, desde a compra do terreno, elaboração do projeto e planta da construção, compra de materiais, contratação de mão de obra, ampliação do capital com novos sócios, empréstimos, até o momento da limpeza do prédio e aluguel do imóvel transcorreram 735 dias, ou seja, pouco mais de dois anos.

Escolhemos a compra dos terrenos como apontamento ao marco inicial da construção, contudo, as obras iniciaram em meados de novembro de 1919, quando já se consolidavam a compra do terreno, a planta do prédio e mão de obra efetivada, sendo que em 24 de novembro de 1919 pagou-se a primeira

folha relativa aos primeiros jornaleiros (operários) da obra no valor de 76$000

(setenta e seis mil réis). Considerando o final do ano, a construção reinicia, seguindo em ritmo constante a partir de janeiro de 1920127.

126 Jornaleiros: Quem trabalha por jornada, por dia. (in: FERREIRA, Aurélio Buarque de

Holanda. Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa. 3. ed. Rio de Janeiro. Nova Fronteira, 1999.)

Os lançamentos, no Diário da Sociedade, referentes à movimentação financeira com a construção do prédio totalizam 384 citações, ocupando 63 páginas sendo referenciadas entre as páginas 18 a 81 do mesmo Diário, num universo de 138 páginas, correspondendo 45,65% do total de lançamentos contidos neste documento128.

No gráfico a seguir, apresentamos as 384 citações separadas em 27 grupos distintos onde, cada grupo representa um tipo de serviço prestado durante a construção deste prédio.

Gráfico 2: Número de vezes em que cada material é citado no Diário da Sociedade durante o

período de construção do Prédio (1919 a 1921).

Fonte: Diário da Sociedade, p. 18-81.129

128 Este fato demonstra que o período da construção do prédio foi também o período de maior

mobilização, de maior conturbação e maior movimentação da história da Sociedade.

129 *Operário contratado para trabalhar por jornada, por dia; **Materiais diversos não

discriminados; ***Fretes contratados sem discriminação da carga. ****Não enquadrou em

2 3 3 3 5 5 6 6 6 7 7 8 9 10 11 13 14 15 16 16 24 24 27 32 34 38 67 Pintura Telhas Cordas Materiais Elétricos Cimento Serviços Sanitários Vidros Pregos e Prarafusos Reboco de Parede Ferros Assoalho Terrenos e Plantas Portões e Janelas Taboas Metais Diversos Madeira Nomes avulso***** Tijolos Sem Classificação**** Cal Sobras de Materiais Pedras Mão de Obra e Empreiteiros Fretes (a vulso)*** Materiais Diversos** Areia Jornaleiros*

Em pouco mais de um ano de construção, o prédio havia consumido um capital superior ao proposto no início do projeto de 90:000$000 (noventa contos de réis) - rateados entre os primeiros associados - chegando ao final do ano, segundo o balancete de 31 de dezembro de 1920130 ao custo de 141:988$560 (Cento e quarenta e um contos, novecentos e oitenta e oito mil, quinhentos e sessenta réis) e nos próximos sete meses, consumiria outros 90:000$000 (noventa contos de réis).

O valor total do prédio então, relatado no segundo Balancete Geral da

Sociedade (ANEXO X), contido no Diário da Sociedade131 e publicado no jornal

A Tribuna em 31 de Agosto de 1921132, foi de 235:796$000 (duzentos e trinta e cinco contos, setecentos e noventa e seis mil réis), superando em quase três vezes o valor previsto. Estes valores foram gastos da seguinte forma:

nenhuma categoria particular; *****Nomes de pessoas não enquadradas em nenhuma categoria particular. Para este gráfico, consideramos algumas citações que aparecem em mais de um grupo, aumentando de 384 para 411 citações.

130 Diário da Sociedade, p. 39-43. 131 Diário da Sociedade, p. 86-90.

Gráfico 3: Discriminação do capital desprendido na construção do prédio da Sociedade (1919 a 1921).

Fonte: Diário da Sociedade, p. 18-81.133

133 O valor total encontrado no Diário da Sociedade, somando todos os lançamento com

referência a construção do prédio foi de 193:728$990 (cento e noventa e três contos, setecentos e vinte e oito mil e novecentos e noventa réis), o valor total declarado no Balancete Geral foi de 235:796$000 (duzentos e trinta e cinco contos, setecentos e noventa e seis mil reis), sobrando então uma diferença de 42:067$.010 (quarenta e dois contos, sessenta e sete mil e dez réis). O livro caixa, ou Diário da Sociedade, é de interpretação técnico-contábil, assim, acreditamos que essa diferença pode ter ocorrido por alguns motivos: 1) diferença na análise do documento; 2) por alguma forma de financiamento ou empréstimos oriundos de outras fontes, como sócios mais ricos. Esta última, suspeita se baseia nos lançamentos referentes a conta “a Contas Correntes”, como por exemplo os valores encontrados no Diário da Sociedade (p. 33) que referem-se “a Conta Correntes” em nome de Custódio da Costa Pereira, Carmo Giffoni, Carneiro e Irmãos, Melazo e Comp., Marciano de Ávila Júnior, Joaquim

25.000 66.000 169.700 480.000 638.500 888.400 1.026.400 1.413.400 1.443.700 1.686.000 1.833.200 2.029.100 2.235.200 2.428.200 2.854.000 2.887.000 3.375.700 7.857.450 9.229.000 11.711.300 12.021.800 12.690.150 14.850.000 15.274.300 20.038.100 20.044.040 42.067.010 44.533.350 Cordas Pintura Pregos e Prarafusos Telhas Materiais Elétricos Assoalho Portões e Janelas Sobras de Materiais Reboco de Parede Cimento Ferros Fretes (a vulso) Taboas Cal Serviços Sanitários Areia Vidros Metais Diversos Pedras Madeira Mão de Obra e Empreiteiros

Tijolos Terrenos e Plantas

Nomes avulso Materiais Diversos Sem Classificação Não Declarados ou não encontrados*

Abaixo, segue um demonstrativo montado com as informações do Diário da Sociedade, sendo possível quantizar uma relação aproximada134 da quantidade de material gasto na construção durante este período:

Quadro 8: Demonstrativo aproximado da quantidade de material gasto na construção do Prédio.

Demonstrativo aproximado135 da quantidade de material desprendido

na construção do Prédio do Gymnasio de Uberabinha pela Sociedade Anonyma Progresso de Uberabinha

Tijolos 133.150 tijolos Telhas 1500 telhas