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S OCIO - ECONOMIC EFFECTS OF THE TWO MINES

7. CONCLUSION

7.2 S OCIO - ECONOMIC EFFECTS OF THE TWO MINES

A cidade de São Paulo foi extremamente beneficiada pela franca expansão do complexo cafeeiro paulista, em virtude da sua excelente posição geográfica: na porção oriental do Estado, no planalto próximo à Serra do Mar, tornando-se uma passagem obrigatória para

37 A cafeicultura em crise conjuntural liberava, portanto capitais, direta ou indiretamente, para a indústria. Claro

que enunciada dessa maneira, a tese é bastante deficiente, pois, como se sabe, um processo de industrialização não se faz só com capital. (LAPA, 1983, p. 36).

chegar a Santos (o principal porto do Brasil desde o final do século XIX). Nesse momento a comercialização do café predominava na cidade, razão pela qual, todas as outras atividades exercidas em São Paulo circulavam em torno deste produto.

O café propiciava elevadas margens de lucros nos períodos de auge e margens moderadas nos períodos de crise, o que abria a possibilidade de altas taxas de investimentos na indústria, através de transferências de recursos da economia cafeeira. O desdobramento da acumulação cafeeira acabaria por de desenvolver sérios problemas de infra-estrutura, como o de transportes ferroviários, do porto marítimo, de comunicação e de urbanização, além de via de imigração, montar e desenvolver vasto mercado de trabalho. (NEGRI, 1996, p. 33).

Para escoar a produção da rubiácea foi construída, na segunda metade do século XIX, uma eficiente infraestrutura na qual se destacava a malha ferroviária que fazia conexão do interior com o litoral, tendo a cidade de São Paulo como o mais importante entreposto.

Dessa maneira, essa que é a maior área de São Paulo (alta mogiana), e que no primeiro quartel do século XX era desconhecida dos mapas ainda ocupada por índios, vai sendo devassada com relativa rapidez. Foram-se emparelhando as regiões ocupadas: Alta Mogiana (Companhia Mogiana de Estradas de Ferro); Alta Araraquarense (Companhia de Estradas de Ferro Araraquara); Alta Paulista (Companhia Paulista de Estrada de Ferro), Alta Sorocabana (Companhia Sorocabana de Estradas de Ferro). (LAPA, 1983, p. 41).

Obviamente a expansão e a solidificação da ampla rede ferroviária, tendo a cidade de São Paulo como o principal elo de articulação entre o porto e o interior, também foi decisiva para o estupendo crescimento da cidade de São Paulo, acarretando o aumento populacional e, sobretudo atraindo a população de outras regiões do Brasil, além dos imigrantes que permaneceram aqui. Por isso, a cidade ofertava grande quantidade de oportunidades de trabalho na indústria de transformação, com ênfase nos bens de consumo não duráveis. A cidade conseguiu por intermédio de sua elite monopolizando elevadas taxas de lucros, garantir a transição de importante entreposto comercial do café, para em poucas décadas consolidar a sua posição como o mais importante polo industrial do Brasil e da própria América Latina. Não obstante, ao longo da malha ferroviária que se expandiu pelo interior do Estado de São Paulo em sintonia com a expansão da cafeicultura, floresceram várias cidades que eram identificadas nos primeiros momentos com o auge da cafeicultura. Pode-se citar: Campinas38 que chegou a rivalizar com a cidade de São Paulo o posto de capital da antiga província, obviamente que não podemos deixar de citar importantes cidades como: Ribeirão

38 Mas a febre amarela que assolou Campinas por diversas vezes entre 1880 e 1890 acabou decidindo o debate a

favor de São Paulo. Essa doença parecia ter chegado de Santos, onde era comum na forma endêmica. De qualquer modo, Campinas foi decididamente julgada como tendo um clima pouco saudável, pondo fim as discussões. Desta convém reter o fato de São Paulo não ter ainda assumido aquela altura toda a sua importância como centro de comunicações – uma função que foi adquirida progressivamente, a medida que o povoamento do Estado foi se distribuindo mais eqüitativamente no seu interior, e que se foram intensificando suas relações com o Rio de Janeiro. (MONBEIG, 2004, p. 46)

Preto, Araraquara, São Carlos, Jundiaí, São José do Rio Preto e Taubaté entre outras que a partir do café dinamizaram as economias locais e regional, além de impulsionar a posteriori a indústria.

Subjacente a isso, no final do século XIX e início do século XX, ocorreu uma forte expansão da rede de serviços da cidade com moderno sistema de água e esgoto, redes de iluminação, linhas de bondes e algumas usinas hidrelétricas. Contudo outras condições estavam postas para fomentar a indústria tais como o imigrante e o trabalho assalariado, o mercado consumidor e os capitais disponíveis, a princípio concentrados na cidade de São Paulo.

Diante dessa conjuntura, a capital paulista reuniu todas as condições para agregar e liderar o surto industrial que por sua vez aproveitou a situação favorável gestada pela produção cafeeira, favorecida por meio do mercado consumidor, mão de obra, eletricidade, transporte e o sistema bancário que na ocasião era sólido para financiar as lavouras de café, ferrovias, máquinas para indústrias, etc.

Na época que a Light começou suas atividades em São Paulo, as circunstâncias eram favoráveis ao surgimento da função industrial. Entre 1900 e 1943 estava grassando uma crise de superprodução de café. Começou então a parecer evidente que a economia de todo o país não poderia mais ficar vinculada a uma única cultura comercial. O governo federal, sustentado pela opinião pública, estava preocupado em reduzir as importações a partir da criação de uma indústria têxtil nacional apta a transformar o algodão então produzido nos Estados do Nordeste. Já uma vez, por ocasião da abolição do escravismo (1888), uma elevação das tarifas aduaneiras sobre as importações de tecidos de algodão havia inaugurado uma política protecionista favorável à fundação de tecelagens nacionais. E, em 1900, essas tarifas voltaram a ser aumentadas. (MONBEIG, 2004, p. 68).

Neste contexto histórico, temos que levar em consideração que a industrialização do país e, mais precisamente, da cidade de São Paulo, só seria viável em uma conjuntura de políticas macroeconômicas protecionistas. Os fatos relevantes do ponto de vista econômico e social no Brasil e no mundo contribuíram decisivamente para impulsionar a indústria brasileira. Por exemplo, a ascensão de Vargas ao poder central rompeu a aliança das oligarquias paulista e mineira que se revezavam no poder, levando à mudança de postura do governo que passou a investir os recursos do Estado na construção da indústria de base. Além disso, no período mencionado por Monbeig, o mundo vivenciava momentos conturbados, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, com o advento das duas Guerras Mundiais, o

Crack na Bolsa de Nova York que repercutiu na maioria dos países e a Revolução

Bolchevique na Rússia.

Por tudo isso, a conjuntura favoreceu o processo de industrialização em São Paulo que já havia constituído praticamente todos os pré-requisitos para dinamizar o seu parque

industrial, mesmo que fosse com os produtos mais simples ou a cópia das mercadorias industrializadas na Europa. Por este m, as referências foram as indústrias têxtil, de alimentação e de calçados, cujo objetivo era substituir as importações.

Sendo assim, aumentou, sobretudo, a demanda por trabalhadores oriundos do exterior e também das regiões estagnadas do Brasil para laborar em São Paulo. Neste sentido as correntes imigratórias e migratórias foram fundamentais para consolidar o mercado de trabalho na cidade. Obviamente, para substituir os negros cativos, os brancos europeus eram os escolhidos. Porém, com a diminuição da chegada dos imigrantes, os elementos nacionais principalmente do nordeste e do próprio sudeste continuavam a abastecer São Paulo com mão de obra numerosa, recebendo baixos salários.

A título de exemplo do rápido crescimento da cidade de São Paulo os dados censitários são esclarecedores do ponto de vista populacional, pois para atrair e concentrar expressivo contingente de pessoas em busca principalmente de trabalho que era ofertado no setor secundário e de serviços que absorveu após a segunda metade do século XX, milhares de trabalhadores com destaque para os migrantes oriundos das pequenas cidades do interior do Brasil com ênfase para os nordestinos e mineiros. Nas primeiras décadas do século XX, era justamente o café que necessitava de mão de obra abundante, enquanto a partir dos anos 50 a economia encontrava-se mais diversificada e complexa, exigindo trabalhadores em setores que estavam em plena capacidade produtiva. Vale explicitar a construção civil, a indústria de transformação, principalmente com a instalação das multinacionais de bens de consumo duráveis, a expansão da empresas estatais, o segmento de comércio e de serviços incluindo o setor público ancorado pela urbanização da sociedade e a mudança de hábitos que por sua vez, aumentou o contingente de trabalhadores prestando os mais variados serviços com ênfase para a informalidade.

Cidades 1872 1900 1950 2000 Belém 62,0 96,6 254,9 1.280,1 Belo Horizonte - 13,5 352,7 2.230,1 Cuiabá 36,0 34,4 56,2 483,0 Fortaleza 42,5 48,4 270,2 2.138,7 Manaus 29,3 50,3 139,6 2.138,7 Porto Alegre 44,0 73,7 394,1 1.360,4 Recife 116,7 113,1 524,7 1.421,9 Rio de Janeiro 275,0 691,6 2.198,1 5.851,3 Salvador 129,1 205,8 417,2 2.441,0 São Luís 31,6 36,8 119,8 868,1 São Paulo 31,4 239,8 2.377,4 10.406,0

Quadro 4 - Evolução populacional das principais cidades brasileiras, 1872-2000 (em mil habitantes) Fonte: Censos Demográficos, IBGE – In: (POCHMANN, 2001, p. 28)

É possível visualizar no quadro acima a evolução demográfica da cidade de São Paulo que teve considerável aumento populacional, acompanhando a acumulação na cafeicultura e a concentração das atividades comerciais e fabris na cidade. Logo São Paulo passou a atrair principalmente a população das áreas que perderam sua pujança econômica. A mão de obra era seduzida pelas oportunidades de trabalho e negócios que eram gerados nesta cidade que iniciou uma trajetória de crescimento sem paralelo no século XX. Concentrando os extremos da riqueza e pobreza no mesmo espaço, contradições típicas do sistema capitalista, desde essa época a cidade de São Paulo de forma peculiar era vista como o novo eldorado que franqueava oportunidade para os que quisessem trabalhar e progredir.

A partir de 1750, começou a ocorrer certa intensificação da urbanização na cidade de São Paulo. Mas sobretudo com o aprofundamento da economia cafeeira capitalista no oeste paulista, desde 1870, que se conformaram às condições necessárias para a construção de uma grande cidade. O abandono de estagio de cidade entreposto comercial, cultural, político, financeiro e, mais tarde, industrial marcaram a fase de modernização do antigo povoado de Piratininga. (POCHMANN, 2001, p. 29).

Obviamente a cidade de São Paulo foi a tributária do expressivo desenvolvimento do complexo cafeeiro e, por conseguinte, da consolidação do poderoso parque fabril, localizado a princípio no município e posteriormente nas áreas lindeiras que posteriormente ficaram conhecidas como a Grande São Paulo que também usufruiu do intenso crescimento com o advento da concentração industrial e a própria ida das fábricas e bairros operários para a periferia, acompanhando outros ciclos econômicos que priorizavam o transporte rodoviário em detrimento das ferrovias e do subúrbio.