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S AMMENLIGNING MED ANDRE LIGNENDE UNDERSØKELSER

6. SVAR PÅ SPØRREUNDERSØKELSE: NORSKE BEDRIFTERS INSENTIVER TIL Å

6.5 S AMMENLIGNING MED ANDRE LIGNENDE UNDERSØKELSER

A partir do presente estudo, fomos buscar metodologias condizentes com a proposta de intervenção na busca de respostas às questões da pesquisa. Entre as possibilidades, estabelecemos que um dos critérios seria que houvesse oportunidade de diálogo e construção coletiva, buscando implicar a todos os envolvidos numa perspectiva autogestora e autoformativa desses momentos de escuta.

Nessa perspectiva, buscou-se uma abordagem participativa de pesquisa que será apresentada a partir de agora: os Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos, que se apresentam como uma dessas possibilidades de construção coletiva numa perspectiva autoformativa e de participação pesquisante.

Desta forma, reconhecendo que a pesquisa anuncia uma proposta de intervenção problematizadora, buscamos uma estratégia que conseguisse responder aos objetivos elencados na pesquisa num processo coletivo e dialógico. Trata-se dos “Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos”, proposta desenvolvida pelo grupo de pesquisa Dialogus, da Universidade Federal de Santa Maria, criada a partir dos pressupostos de Freire (2010) e Josso (2010).

A proposta metodológica dos Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos17 é

preconizada pelo grupo e coordenada por Henz e Toniolo (2015), inspirada na referência de Freire e à proposta dos Círculos de Cultura. Brandão explicita seu entendimento sobre Círculos de Cultura, na perspectiva freireana, destacando que participação nessa forma de construção coletiva desperta para relações igualitárias de diálogo e de construção de novos saberes. Segundo o autor,

[...] o círculo de cultura dispõe as pessoas ao redor de uma “roda de pessoas”, em que visivelmente ninguém ocupa lugar proeminente. O professor que

17 Segundo Toniolo & Henz (2015, p. 190), “várias dissertações vêm ensaiando a construção de uma

sabe e ensina quem não-sabe e aprende aparece como monitor, o coordenador de um diálogo entre pessoas a quem se propõe construírem juntas o saber solidário a partir do qual cada um ensina-e-aprende. Era o ponto de partida a ideia de que apenas através de uma pedagogia centrada na igualdade de participações livres e autônomas seria possível formar sujeitos igualmente autônomos, críticos, criativos e conscientes e solidariamente dispostos a três eixos de transformações: a de si-mesmo como uma pessoa entre outras; a das relações interativas em e entre grupos de pessoas empenhadas em uma ação social de cunho emancipatoriamente político; a das estruturas da vida social (BRANDÃO, 2008, p. 77).

Inspirada nos Círculos de Cultura, a proposta dos Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos oportuniza o conhecimento que revela um posicionamento político na medida em que confere a oportunidade de fala, de voz, de escuta e de construção coletiva através do diálogo. Os autores explicam que

trata-se de uma proposta epistemológica-política eminentemente dialética e construtivista com vistas à transformação, na qual “todas as pessoas que participam do estudo qualitativo são reconhecidas como sujeitos que elaboram conhecimentos e produzem práticas adequadas para intervir no problema que identificam (CHIZOTTI apud HENZ & TONIOLO, 2015, p. 19).

Assim, essa modalidade de pesquisa apresenta-se como possibilidade justamente por representar oportunidade de desenvolvimento profissional através da prática reflexiva, que é um dos objetivos desta investigação. Nesse viés, promover os Círculos Dialógicos vai contribuir para a reflexão sobre os contextos escolares, conferindo, ao professor, a oportunidade de assumir “um papel importante para uma nova práxis pedagógica epistemologicamente-política” (HENZ; TONIOLO, 2015, p. 20).

Mesmo considerando certos riscos no desenrolar da pesquisa qualitativa de metodologia diferenciada, sustenta-se a ideia de que trazer para a investigação tal metodologia legitima a busca da própria pesquisadora em conhecer e aprofundar-se sobre os pressupostos metodológicos dos Círculos Dialógicos, como possibilidade de implementar uma metodologia que pode contribuir para prática reflexiva, encontrando na pesquisa acadêmica um apoio para desencadear a proposta.

Essa intenção justifica a apresentação dos objetivos da pesquisa, previamente liberada18 pela instituição e autorizada pelo Comitê de Ética. Foi apresentada aos

professores em uma reunião pedagógica, sendo explicadas as questões metodológicas envolvidas, tais como o funcionamento dos Círculos Dialógicos

Investigativo-Formativos e a proposta do registro no diário, que os docentes receberam em outro momento. Essa apresentação seguiu de um convite para livre participação nos Círculos.

No primeiro círculo, foram apresentados, detalhadamente, a proposta de pesquisa e os Termos de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE) para a participação. Sendo assim, a ideia é que os demais encontros sejam reconstruídos a partir das demandas que emergirem do espaço da sala de aula.

Estudar metodologias para o desenvolvimento do professor reflexivo se vincula aos objetivos presentes no Planejamento Estratégico da escola, como anteriormente foi referido, por isso, a participação dos professores no horário contrário às suas atividades letivas foi devidamente remunerada, o que viabilizou o desenvolvimento dos Círculos Dialógicos. A implicação financeira despendida pela escola ancora-se na expectativa, reiterada nas considerações finais, de que esta prática continue repercutindo em avanços pedagógicos e reflexivos para toda a escola, inferindo diretamente na gestão pedagógica.

Ainda sobre os Círculos, importa dizer que, no início da proposta, encaminhamos alguns possíveis temas para discussão para conferir certa “rigorosidade metódica” (Freire, 2010) sem minimizar as possibilidades de construção que, de fato, aconteceram durante o desenvolvimento dos Círculos. Assim, na figura 5, constam os temas desenvolvidos nos seis Círculos realizados.

Figura 5 – Proposta de temas de abordagem nos Círculos Dialógicos

Fonte: O autor (2017).

Os temas acima foram citados de forma resumida para apresentarem a condução e intencionalidades que moveram cada reflexão. Eles serão retomados e detalhados na apresentação dos resultados através da construção coletiva dos professores.

Antes de explorar a forma com que se deu a análise dos dados, destaco que o cronograma para a pesquisa foi desenvolvido como previsto, dando condições para reflexão dos processos durante sua realização, encaminhando para análise dos resultados e discussão que seguem logo mais.

Mencionei no início, no relato de mim, que minhas origens remontam à vivência nos grupos de jovens e, desde lá, convivo com o mistério da simbologia. Com base nisso, cultivei o desejo de criar um símbolo que demarcasse minha trajetória no Mestrado. Pensei então num logotipo. Seria um logotipo que estaria presente na minha dissertação e também nas reuniões dos Círculos Dialógicos, para demarcar e diferenciar aquele momento de reflexão de todos os outros que normalmente acontecem entre coordenação pedagógica e professores, não para torná-lo episódico, mas para diferenciar e garantir sua realização e continuidade. Foi então que pensei

num Círculo representado por várias pessoas. Depois, evolui para as pessoas que compõem o Círculo e socializei com a professora de Artes na expectativa de que ela, conhecendo a pesquisa, contribuísse com ideias para simbolizar a pesquisa.

A professora, com olhar brilhante, sugeriu que eu utilizasse rostos e que eles fossem um símbolo concreto que nos acompanharia em cada Círculo Dialógico, para demarcar aqueles momentos, espaços de reflexão. Que não viessem prontos, mas que fossem configurados na medida da aproximação, intimidade e reflexividade no Círculo. Assim sendo, escolhi três pessoas, que se encontraram na escola com a professora para a confecção das faces, que foram construídas com base no gesso, no tempo e na intencionalidade. Gesso, pois foi o material utilizado. Tempo, vinte minutos em silêncio foram preservados para a construção. Intencionalidade, escolhi três pessoas e essa escolha, registrada no meu Diário de Registros, foi movida pelo sentimento de gratidão, amor, família e competência profissional revelada na tradição e inovação.

Essas três faces estiveram durante todos os Círculos justapostas no chão, decorando o espaço usado e lembrando sobre o que se tratava a pesquisa: sobre o acompanhamento de professores, sujeitos com rostos e histórias, saberes e possibilidades; sobre a função da coordenação pedagógica, que não é mecanicista, mas, sim, humana, sensível à escuta e à palavra do outro ser humano, na “humana docência” que compartilham (ARROYO, 2000).

Na continuação do projeto de intervenção, a ideia é que o símbolo construído no último Círculo seja utilizado para fazer memória, história e proposição diante dos temas que precisam ser refletidos, de uma prática pedagógica que precisa ser constantemente revisitada.

Como coordenadora pedagógica, me encontro com os integrantes do grupo que acabaram se tornando sujeitos da pesquisa em momentos variados – no Conselho de Classe, nas Reuniões Pedagógicas e nas reuniões com as famílias. A ideia é que a presença do símbolo das faces possa ser trazido à mesa, sempre que for oportuna a organização de outros Círculos Dialógicos, legitimando sua importância e necessidade de continuidade.