• No results found

4. NORGE I KINA

4.1 M ILJØSAMARBEID MELLOM N ORGE OG K INA

O que segue nesta seção é um estudo sobre as plataformas CAPES (Banco de Teses e Dissertações) e IBICT (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia), no repositório da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações, na intenção de realizar uma revisão da literatura já constituída através de teses e dissertações que tratam sobre os temas que trazemos aqui.

Elaborei um quadro para visualização das produções acadêmicas que envolvem os descritores “gestão pedagógica”, “acompanhamento da sala de aula” e “prática reflexiva”. Como é de interesse da investigação, pesquisei outros descritores como “registro reflexivo” e “círculos dialógicos”.

As descobertas que seguem servirão como brainstorming16, que articula as

faces que foram descritas até aqui e encaminha as próximas, como uma ponte de

16 Brainstorming significa tempestade cerebral ou tempestade de ideias. É uma expressão inglesa

compreensão e leitura, pois retoma a importância e relevância do tema de trabalho e encaminha para as escolhas metodológicas, iluminando e sendo utilizada posteriormente para articular os resultados e a discussão.

Os critérios empregados para a análise das produções acadêmicas foram: 1) a quantidade de produção feita sobre os descritores; 2) a aplicabilidade daquilo que foi pesquisado como aspectos a serem considerados neste trabalho de pesquisa. Na análise dos dados, observamos que a maioria dos trabalhos inscritos na CAPES reaparecem na base de dados do IBICT. Outra observação relevante é que, na plataforma da CAPES, pode-se recorrer ao trabalho na íntegra somente a partir do ano de 2013, posteriores à implantação da Plataforma Sucupira, que disponibiliza os textos online. Por isso, nos deteremos com maior detalhamento no critério 2, nos resultados do IBICT. Na análise, elaborei quadros que se encontram no apêndice desta apresentação.

Dos trabalhos aplicáveis, resgato alguns recortes que trazem as contribuições sobre os descritores que depois seguirão fundamentados por outros autores.

Destaco o trabalho de Santos (2016) intitulado A formação participativa como

itinerário metodológico do coordenador pedagógico para implementação de inovações. A pesquisadora enfoca no plano de ação do coordenador pedagógico,

construído com a colaboração dos professores, no exercício do diálogo que apresente os dilemas vividos por eles e que precisam ser verbalizados para que a coordenação possa atuar de forma mais efetiva. Santos (2016) apresenta como hipótese inicial no seu trabalho que "a participação dos professores no planejamento da própria formação contribua para a implementação de inovação curricular" (SANTOS, 2016, p. 17). Também defende que práticas de colaboração e construção coletiva, quando elaboradas com a participação efetiva dos professores, tendem a gerar condições para o desenvolvimento profissional.

Apesar de não ser o foco do trabalho que venho a apresentar, a leitura dessa dissertação me ajuda a pensar sobre a emergência de abrir possibilidade de diálogo entre coordenação pedagógica e professores na busca pela aproximação de planos de ação mais condizentes e contextualizados.

tempestade. Fonte: Disponível em: <https://www.significados.com.br/brainstorming/>. Acesso em: 02 maio 2017.

Ainda sobre a gestão pedagógica, mas flexionando sua atuação no acompanhamento na sala de aula, Silva (2015, p. 87), que disserta sobre o trabalho

A gestão pedagógica e o IDEB: metamorfoses em sala de aula, retoma que

a gestão pedagógica está voltada para o objetivo primordial da escola, que é o processo de ensino-aprendizagem, em que todas as demais dimensões da gestão da educação devem estar voltadas para ela, e o papel do gestor é acompanhar as ações que estão diretamente relacionadas ao planejamento, ao ensino e à sala de aula (SILVA, 2015, p. 87).

Silva (2015) contextualiza discorrendo sobre as formas de trabalho a partir dos índices do IDEB e dando ênfase à sala de aula no que tange ao trabalho em disciplinas que são avaliadas pela Prova Brasil e SAEB. O que está presente na pesquisa descrita aqui é o desdobramento da sala de aula a partir do olhar da coordenação pedagógica em diálogo, em todas as disciplinas, independentemente das que são mais teóricas ou mais práticas, como é o caso dos laboratórios e da educação física.

Outro trabalho que ajuda na aplicabilidade da pesquisa que apresento é a dissertação de Souza (2012) intitulada Ressonância de uma ética da escuta: no

entremeio da formação docente e sala de aula. O trabalho traz presente a força

potente das relações dialógicas a partir da escuta e observações e do acompanhamento da sala de aula. A dissertação da pesquisadora reflete sobre as formas de operar na sala de aula atrelada a uma ética da escuta. A metodologia utilizada foi a partir de filmagem da performance dos professores em sala de aula, das anotações da observação em sala de aula através do registro no diário de bordo e das narrativas dos professores em grupo de estudos, na busca pela convergência em aprendizagem significativa, demonstrando a importância do registro e das narrativas como prática que possibilita a reflexão.

Sobre a prática reflexiva, trago a pesquisa de Matos (2015) intitulada Narrativa

profissional: a curiosidade na produção de conhecimento em sala de aula, que

traz à tona as memórias dessa prática pedagógica durante atuação na produção de conhecimento e na autorreflexão do docente no seu processo de (auto)formação, assim como, suas implicações na prática pedagógica, considerando a relação indissociável entre os modos de ser e de fazer-se docente, pessoa/profissional, num resgate de si, no seu processo de construção identitária para a tomada de consciência, assim tornar-se autor de seu protagonismo pessoal/profissional (MATOS, 2015, p. 12).

Esse trabalho objetiva compreender como o processo autorreflexivo contribui para a prática docente, recuperando a trajetória pedagógica por meio da narrativa profissional como processo autorreflexivo na tomada de consciência.

Sobre o registro, trago a pesquisa intitulada Uma experiência de formação

continuada: o papel do coordenador pedagógico e do registro reflexivo na formação de professores de educação infantil, de Bartholomeu (2016), que se propôs “a

investigar a atuação da coordenação pedagógica no processo de construção de registros reflexivos como uma estratégia de formação continuada, em serviço para as professoras da Educação Infantil”. Esse trabalho é aplicável à pesquisa que proponho porque também acredito na potência que o registro reflexivo pode representar no grupo de professores. As diferenças entre a dissertação de Bartholomeu (2016) e aquela que proponho são o público-alvo, a forma de registro, também a modalidade da escrita.

A pesquisa de Fioravante (2014) intitulada Escrita reflexiva na formação inicial

de professores: vivências no curso de pedagogia da FURG objetivou contribuir para

o “pensar a respeito do lugar que as práticas de escrita reflexiva ocupam no curso de Pedagogia”, enfocando a escrita reflexiva na constituição de professoras em formação através da construção de portfólios e outros materiais de registro teorizados pela contribuição de Waschauer e o caráter descritivo presente no registro reflexivo, o qual auxilia na qualificação, na avaliação e no planejamento da prática docente por meio de elementos possibilitados pela descrição de atividades. Esse último trabalho e outros referidos nesta revisão poderão ser retomados na elaboração do texto da presente pesquisa, qualificando ainda mais diferentes aspectos que podem ser apresentados quando se fala sobre gestão pedagógica, acompanhamento da sala de aula, prática reflexiva e registro reflexivo.

Finalizo esta parte trazendo duas pesquisas que utilizaram a metodologia que utilizei: os Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos.

Começo pela dissertação de Patrícia Dalmaso Poglia intitulada A escola como

espaço/tempo de auto(trans)formação permanente e mudança da prática docente. O

trabalho trata-se de um estudo de caso que apresenta a pesquisa desenvolvida em uma escola, no ensino médio, no município de Caçapava do Sul. Poglia (2016, p. 53) destaca que a metodologia dos Círculos Dialógicos vem sendo estudada desde 2007 pelo “Grupo Dialogus – Educação, Formação e Humanização com Paulo Freire, CE/UFSM, coordenado e mediado pelo Prof. Dr. Celso Ilgo Henz”, e traz, segundo a

pesquisadora, “um novo olhar para a formação permanente e continuada dos professores”. Os Círculos Dialógicos, nesta pesquisa, foram organizados por temáticas que surgiram dos resultados das entrevistas dos professores. Segundo a pesquisadora, a proposta dos círculos dialógicos

visa também encorajar os professores a refletirem sobre si e suas práticas, buscando mudanças que possam contribuir também para a humanização e cidadania [...]. Por ter características de pesquisa-formação, ela perpassa o tema central de que os sujeitos são os pesquisados e ressalta o conceito de sujeitos interlocutores da pesquisa, pois na dialogicidade presente nos encontros é que se dá a verdadeira reflexão sobre si, no outro e com o outro (POGLIA, 2016, p. 53).

Essa pesquisa é aplicável como reflexão e referencial teórico na minha proposta uma vez que ressalta a importância do diálogo e da prática reflexiva através do desenvolvimento dos Círculos Dialógicos Investigativo-Formativos, além de conter informações importantes sobre a organização da metodologia. Assim como a pesquisadora, também compreendo que o docente, o educador, precisa ter espaço e oportunidade para exercitar a reflexão sobre a prática pedagógica, de forma compartilhada, para desenvolver um saber mais crítico.

Poglia (2016 p. 43) registrou na sua pesquisa “a necessidade de que a formação docente seja constituída através das vivências e experiências a partir do contexto da escola e de seus professores, sob uma ótica de interação e troca de saberes mútuos”. Nessa perspectiva, corrobora a ideia de que a escola precisa se tornar um espaço de autoformação docente onde os professores consigam regular suas próprias atividades de pensamentos e possam aprender a aprender, consigo e com os outros, no ambiente e diante dos diferentes contextos.

Destaco que, apesar das semelhanças, a pesquisa de Patricia Poglia se difere da que eu apresento quanto aos sujeitos (pois meu foco é com os professores dos anos finais do Ensino Fundamental), ao cenário (a escola que também é meu lugar de trabalho) e às temáticas a serem discutidas, que suscitaram da observação da sala de aula. A expectativa é de que, como o trabalho de Poglia (2016, p. 133), possamos “reconstruir práticas pedagógicas” que sejam frutos da auto(trans)formação docente, individual e coletivamente.

Outra dissertação que conheci na revisão da literatura e que se utilizou dos Círculos Dialógicos foi a construída por Ana Claudia Ferreira Rosa, intitulada Desafios

teórico e metodológicos para a humanização e formação permanente de professores.

Nessa dissertação, Rosa (2015) realizou

uma pesquisa-formação em torno das questões epistemológicas da formação docente, se utilizando de narrativas autobiográficas dos seus sujeitos, de entrevista com a utilização de questionário e dos diálogos mediados por temas geradores que se realizaram em dispositivos que chamamos de Círculos Dialógicos (ROSA, 2015, p. 13).

A pesquisadora explica que os Círculos Dialógicos foram inspirados nos Círculos de Cultura, fazendo a distinção de ambos.

Os Círculos Dialógicos foram realizados seguindo a metodologia dos Círculos de Cultura utilizados por Paulo Freire nos encontros com os adultos em alfabetização. Utilizamos a denominação Círculo Dialógico como adaptação para diferenciar o processo que agora não se faz com sujeitos em alfabetização, mas sim como ação-reflexão-ação de professores em processo de formação (ROSA, 2015, p. 57).

Desta forma, a pesquisadora enfatiza os Círculos Dialógicos como possibilidade de ação-reflexão-ação dos professores que também estão para a pesquisa como pesquisadores. Pois, como lembra Rosa (2015), o caráter de pesquisa-formação envolve de tal forma os sujeitos de maneira que “o pesquisador é também um sujeito da pesquisa e os pesquisados são também pesquisadores” (ROSA, 2015, p. 52).

A pesquisa-formação apresentada nessa dissertação anuncia possibilidades de leitura e fundamentação teórica que serão retomadas para a escrita da presente pesquisa e proposta de intervenção, pois aponta para o Círculo Dialógico como dispositivo mediador da formação de professores com experiências, histórias, expectativas e visões diferentes que contribuem para a construção coletiva de práticas reflexivas.

Deste momento em diante, retomo alguns dos descritores que constituem a pesquisa e proposta de intervenção a fim de fundamentá-las sem ter a pretensão de esgotar as abordagens teóricas dos temas.