PRIMEIROS QUADROS DE FORMATURA
Os quadros de formatura da década de 1920 (FIGURA 3) apresentam-se em seus suportes de madeira, como uma coleção de fotografias de alunas, paraninfos e personalidades homenageadas. Diversos autores estudam o uso das imagens no trabalho historiográfico. Entre eles podemos destacar os estudos de Leite (2001, p.26-27), que descreve as dificuldades de quem trabalhara com imagens na pesquisa histórica. Para a autora a interação com os mais diversos documentos imagéticos remete o espectador a muitos desafios na busca por respostas que não passam de partículas ou apenas intenções de verdade. Dentre a diversidade de fontes, a fotografia tem ganhado espaço entre na pesquisa histórica, mas seu uso ainda assinala para a necessidade do domínio de alguns conhecimentos e técnicas específicas. De acordo com a autora
“As fotografias devem ser consideradas pelos historiadores da mesma forma que outra prova qualquer – avaliando mensagens que podem ser simples e óbvias ou complexas e pouco claras. Nunca contém toda a verdade e muitas vezes se limitam a registrar aspectos visíveis, de matéria-prima a ser elaborada”
As fotografias podem ser interpretadas como vestígios do passado, nos quais ficaram registrados detalhes materiais ou não, frutos de jogo de lembrança e esquecimento capazes de construir memórias individuais e profissionais, legitimar trajetórias e consagrar instituições. Desse modo, os quadros de formatura e suas fotografias podem ser analisados como componentes de um circuito de produção para dar visibilidade a uma ação educacional do CCJ em que se deve atentar para os mecanismos que envolveram sua produção, circulação e consumo. Mas como utilizar as fotografias como documento? Como ler sua narrativa imagética? Trata-se de um desafio que ainda desperta receios e muitos questionamentos, para muitos historiadores, habituados com a tradição dos textos escritos, a fotografia raramente ultrapassa a função de evidência histórica para reforçar algum argumento ou fato apresentado.
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O historiador Peter Burke (2004) discute o uso das imagens na pesquisa histórica e conclui que,
relativamente poucos historiadores trabalham em arquivos fotográficos, comparado ao número desses estudiosos que trabalham em repositórios de documentos escritos ou datilografados. Relativamente poucos periódicos históricos trazem ilustrações e , quando o fazem, poucos colaboradores aproveitam essa oportunidade. Quando utilizam imagens, os historiadores tendem a tratá-las como meras ilustrações, reproduzindo-as nos livros sem comentários. Nos casos em que as imagens, são discutidas no texto, essa evidência é frequentemente utilizada para ilustrar conclusões a que o autor já havia chegado por outros meios, em vez de oferecer novas respostas ou suscitar novas questões.(BURKE, 2004, p. 12)
A presença da fotografia não pode ser ignorada nos quadros de formatura do colégio, pois ocupam papel central na montagem da composição dessas estruturas. Símbolos de um período movido pelas inovações tecnológicas da Segunda Revolução Industrial, a imagem fotográfica prometia congelar o tempo e eternizar personagens. Os quadros de formatura produzidos e colocados em circulação pelo CCJ, fruto desse estudo, podem ser entendidos como uma estratégia de promoção e divulgação das ações e do ensino dessa Instituição que se firmava entre as famílias mais abastadas da cidade de Florianópolis e como forma de dar visibilidade a objetos de momentos que mereciam ser lembrados.
A presença da fotografia é majoritária nos quadros de formatura. No caso dos quadros de formatura, a análise pode deter-se ao óbvio da representação ou ao mais complexo. Nesse caso, o óbvio dos quadros fabricados na década de 1920 pode ser identificado como a intenção do CCJ de registrar e perenizar seu nome como instituição de ensino de formação de professores pela solenidade da formatura, cujo registro se dá a ver nos quadros. Ao estudar os quadros de formatura de escolas do Rio Grande do Sul, Werle (2006) entende esses artefatos como registros históricos de um momento que não deveria ser esquecido. Quem os projetou e concebeu desejava perenizar:
“um importante momento de funcionamento das instituições escolares, destacada referência por comprovar os atos pedagógicos de sucesso processados em seu interior. Ela é o momento final de um processo de formação, significando uma graduação, um avanço reconhecido publicamente em escala de escolaridade, que diferencia os que a obtiveram das demais pessoas e que, no caso de cursos de formação profissional, marca uma prerrogativa de trabalho.” (WERLE, 2006, p.3)
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Figura 3 - Quadros de formatura do Colégio Coração de Jesus (1922-1929)
Acervo do Colégio Bom Jesus (antigo Colégio Coração de Jesus) Montagem a partir do acervo fotográfico do autor (2011)
Os quadros de formatura produzidos pelo CCJ durante década de 1920 comportam uma coleção fotográfica. Ao todo são compostos por seis artefatos de um total de vinte e dois – construídos entre os anos de 1922 e 1964 – pertencentes a uma coleção formada pelos objetos que compõem o acervo da instituição. Dessa forma podemos interpretá-los como objetos que foram adquiridos, assim como os demais, ao longo da trajetória do colégio e passaram por um processo de construção, circulação e consumo permeado de escolhas e classificações. Os critérios de escolha e classificação derivam das relações estabelecidas no contado cotidiano com esses objetos. Segundo Gonçalves (2009), os objetos materiais não são apenas uma contingência da História, muito menos desempenham uma mera função simbólica e sua existência vai muito além das demarcações de mobilidades sociais. De acordo com o autor, “os objetos materiais desempenham função constitutiva, dando forma e materialidade à nossa autoconsciência individual e coletiva” (GONÇALVES, 2009, p. 66). Para o autor, os objetos encontram-se em uma dimensão que transpõe a condição de suporte das trocas sociais ou suportes materiais de relações simbólicas. Os objetos, nessa perspectiva assumem uma função além, exercendo forte influência sobre os indivíduos e seu contexto e por isso podem ser analisados como entidades dotadas de força e vontade. São materialidades físicas que assumem a condição de extensões dos corpos dos usuários ou até mesmo, relíquias que, ao serem construídas, desejadas e colecionadas fundem-se ao imaginário dos mesmos. O autor
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dialoga com diversos antropólogos sobre as significações que os objetos assumem no cotidiano das sociedades e conclui que os objetos portam uma conexão entre as diversas dimensões temporais, pois é relevante compreender “os objetos materiais enquanto pontes entre o passado, o presente e o futuro. Em outras palavras, no trabalho de formação dessas subjetividades, o vínculo com o tempo é fundamental” (GONÇALVES, 2009, p. 68).
Assim como o universo de objetos do acervo, os quadros de formatura pertencem a um grupo de coisas utilizadas pelo colégio e que por algum motivo foram eleitas para serem guardadas, mas não descartadas. Essas eleições passaram por um processo de escolhas de preservação pautadas, entre outros critérios, talvez na força de sua representação para a instituição escolar como parte de sua consciência individual e coletiva na cidade de Florianópolis em um momento de afirmação institucional. Abrigam em suas molduras desgastadas uma vida própria e um conjunto de intenções que lhes transferiu o poder de preservação em uma época ávida por descartes e inovações.
Transformam-se em “objetos-relíquia”3 que constituem um corpo material e imaterial que contribuem para sustentar ou justificar a existência do colégio até os dias atuais. De alguma forma os objetos do acervo possuem e despertam sentidos que coadunam com as crenças e valores ainda presentes na instituição. Sentidos que provavelmente estão vinculados à capacidade de acionarem memórias e provocarem o reconhecimento de uma longa jornada de trabalho de formação pedagógica.
O primeiro quadro de formatura do CCJ, construído no ano de 1921 desapareceu do acervo, por isso não será analisado neste capítulo. Várias buscas já foram realizadas e ninguém sabe explicar o seu sumiço. A única fotografia que restou desse artefato se encontra no livro de Bopré (1989), já citada anteriormente, permite uma análise parcial, já que a imagem em preto e branco e em baixa resolução não oferece segurança para a interpretação. Apesar do desaparecimento do quadro, o jornal O Estado de 16 de dezembro de 1921 noticiou a formatura e através de sua leitura é possível encontrar mais detalhes sobre o evento. Segundo a nota veiculada, “as cerimônias de encerramento das aulas e entrega de diplomas tiveram início às 13 horas, com a presença do Sr. Dr. Hercílio, acompanhado de seu ajudante de ordens. Sr. Capitão João Cancio de Souza Siqueira, D. Joaquim Domingues, Bispo Diocesano e muitas pessoas de distinção em nosso meio e famílias das alunas do colégio”. No
3Esse termo foi cunhado por Orest Ranun (1991, p. 215), para quem “as intimidades transitam sob três
rubricas: os lugares privilegiados, adequados às relações com o outro; os objetos-relíquias, capazes de fazer lembrar alguém pelo qual se nutriu ou nutre algum sentimento; e os registros da existência íntima, conservados pela imagem ou pela escrita”.
43 quadro de formatura aparecem as fotografias do governador Hercílio Luz, como paraninfo da turma e posicionado na parte central superior do quadro. Hierarquicamente o quadro posiciona todos os personagens, logo abaixo da fotografia do governador encontram-se as fotografias dos dois homenageados: Henrique Fontes, lado esquerdo e Olavo Freire Junior, lado direito do quadro.
Figura 4 - Quadro de formatura de 1921 Autor: Maria Regina Bopré.
Ainda de acordo com o referido jornal, as formandas de 1921 eram: “as senhoritas Maria da Conceição Guimarães, Olga Neves, Evangelista Tavares da Cunha Mello, Heliette Gomes Romagem, Luiza Celestina Carvalho, Diamantina Vieira e Dorothea Livramento Carvalho”. O texto descreve que as alunas vestiam um paletó preto, sobre uma camisa branca, ornada com uma gravata borboleta branca no pescoço. Os cabelos são curtos deixando os pescoços a mostra. Além das fotografias das alunas é possível observar na fotografia do quadro de formatura traz duas imagens do colégio cortadas em dimensões diferentes. Tudo leva a crer que são imagens fotográficas coladas na parte inferior esquerda da composição e apresentam duas cenas diferentes: a maior delas foi fixada na base da composição e mostra uma sala de aula do colégio com as alunas sentadas. Não foi possível verificar se essas alunas são as formandas de 1921, pois a fotografia no livro não está nítida e foi reproduzida na publicação em preto e branco. Acima desta foi fixada uma fotografia menor que apresenta o
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Colégio Coração de Jesus sobre o pico do inglês, apelido da elevação sobre a qual foi construído o colégio. No alto do quadro encontra-se o nome do colégio ladeado a direita pelo nome da cidade e na parte inferior direita a inscrição: “Professoras de 1921” identifica a cena representada. Todas as fotografias estão margeadas por molduras desenhadas a mão e no lado direito um ramo de uma planta não identificada, aparentando uma folha de palma margeia quase toda a extensão vertical do quadro. O primeiro quadro traz logo abaixo das fotografias das formandas o desenho de um livro e de uma caneta tinteiro, alusão ao ofício do ensino que deverá ser desenvolvido pelas professoras que se formavam na ocasião. As molduras aparentemente construídas em madeira maciça de cor escura e seus entalhes e acabamentos foram confeccionados em linhas retas.
Não é possível verificar as dimensões do quadro, já que não foram informadas no livro e aparentemente nenhuma assinatura está presente no quadro de formatura de 1921. Não se pretende fazer aqui uma análise deste quadro, pois não se encontra no acervo, mas sua descrição pode colaborar para a análise dos demais, pelo fato de ser o primeiro de uma série e algumas de suas características se perpetuaram nos quadros que o sucederam.
O segundo quadro produzido pelo colégio no ano de 1922 é o primeiro remanescente da década de 1920, presente no acervo atual do colégio e por isso será o primeiro quadro da análise. Nesse quadro (Figura 4) as fotografias das normalistas dividem a cena com as fotografias do paraninfo e homenageados. Os retratos fixados nessa composição podem ser interpretados em um primeiro olhar como provas fiduciárias de um evento relevante para a instituição. As fotografias das normalistas atuariam no momento de criação da composição como registros testemunhais incontestáveis da realização da solenidade de colação de grau. A formatura de normalistas ainda não era um fato corriqueiro neste período e comportava em sua materialidade as simbologias e crenças em que giravam em torno do processo de formação de professores.
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Figura 5 - Quadro de formatura de 1922
Acervo do Colégio Bom Jesus (antigo Colégio Coração de Jesus) Dimensão: 47 cm. X 75 cm
Fotografia do acervo do autor (2011)
A análise dos significados do uso da fotografia no quadro de formatura pode contribuir para a detecção de indícios sobre as representações pretendidas pelo imaginário social que os elaborou e consumiu. Trata-se de um difícil trabalho de investigação dos rastros ou vestígios de um evento que foi construído com um propósito próprio e quase inacessível devido à passagem do tempo. Os retratos das normalistas da turma de 1922, assim como os dos outros quadros analisados nesse capítulo faziam parte de um universo de crenças e simbologias que as elegeram como elementos centrais da cena representada. Mas que forças motivaram o uso das fotografias como elemento norteador dos registros nessas estruturas?
Os estudos de Mauad (1997), sobre os significados da fotografia sugerem que a fotografia, nas primeiras décadas do século XX suportava expectativas que envolviam muito mais do que o simples registro de um momento. Do ato fotográfico ao consumo, as imagens eram submetidas a uma operação que remete ao jogo de lembrança e esquecimento típico da memória pois,
neste caso, ela é agente do processo de criação de uma memória que deve promover tanto a legitimação de uma determinada escolha quanto, por outro lado, o esquecimento de todas as outras. Neste sentido, a produção da mensagem fotográfica está atrelada ao controle dos meios técnicos de produção cultural que, até por volta da década de 1950, ainda era privilégio quase exclusivo de setores da classe dominante. (CARDOSO e MAUAD, 1997, p. 407)
As fotografias presentes nos quadros de formatura da década de 1920 colaboram para ampliar a possibilidade da interpretação dos reastros imagéticos deixados nos quadros de formatura, nos quais provavelmente ficaram registrados detalhes materiais ou não, frutos do exercício de lembrar e esquecer que obedece, na maioria das vezes, a um processo consciente de construção e narração de um fato. Esse trabalho de seleção através das fotografias pode contribuir para delegá-las o papel de veículos de comunicação capazes de construir, legitimar e consagrar memórias individuais, profissionais e institucionais. Mas porque uma formatura deveria ser preservada em um quadro de formatura? Esse desejo de perenização pode ser considerado uma marca da época ou ainda se faz presente nos dias atuais?
No ano de 1922, “Ano patriótico” haja vista as comemorações do centenário da Independência (1822), a formatura envolvia muito mais do que uma festa de colação de grau, pois emergia como a ponta de um evento mais amplo de expectativas sociais sobre a educação. De acordo com Nagle (1991) O período histórico conhecido como República Velha
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foi marcado pela aceleração no setor produtivo e pela expansão do comércio internacional. A modernização é o emblema desse momento histórico, que no Brasil será lembrado pelo tímido desenvolvimento do setor industrial e pela intensificação do processo de urbanização. O café resistia como principal produto de exportação e o trabalho assalariado era o motor que impulsionava a expansão das cidades pelo país a fora. Os novos produtos de consumo eram disseminados cada vez mais rápido embalados pela ampliação da rede telegráfica, dos portos e das ferrovias. A convivência entre a prevalência da cafeicultura e a lentidão no processo de industrialização posicionou esse período histórico numa zona de transição entre o sistema agrário-comercial e o urbano-industrial. No campo político os discursos democratizantes eram a pauta difícil de praticar, mesmo assim era evidente o clima de abertura gerado com a extinção do poder moderador da monarquia que partiu para o exílio, além da extinção do voto censitário e da validade dos títulos de nobreza. Ainda de acordo com o autor, os ares de modernização não foram capazes de suprimir as mazelas derivadas pela permanência dos arcaísmos do modelo latifundiário e oligárquico. O coronelismo controlava a maior parte da esfera política e conduzia ao poder seus eleitos e indicados. O poder econômico encontrou formas de perpetuar-se no poder político através do controle do sistema eleitoral - “voto do cabresto” e da “política dos governadores” – que colaboraram para o monopólio político dos líderes ou afilhados das oligarquias locais.
Essa convivência entre o velho e o novo foi pautada pelo federalismo republicano, que descentralizou o poder favorecendo as oligarquias regionais. Nos centros urbanos em expansão, alguns setores sociais procuravam sustentar-se nas novas possibilidades abertas pelas atividades comerciais, financeiras e burocráticas oferecidas pela República. Essas novas profissões, bem como o voto exigiam a escolarização e consequentemente a abertura de escolas. Os estudos de Ghiraldhelli Jr (2008) descrevem a República Velha como o período da ascensão dos trabalhos burocráticos e intelectuais. Diante disso dois movimentos de ideias sobre criação e aprimoramento de escolas ganharam força e ficaram conhecidos como “entusiasmo pela educação” que defendia a abertura de escolas e o “otimismo pedagógico” que se concentrava mais na qualidade do ensino que seria ministrado.
Em 1920 a população total do país era de aproximadamente 30.600.000 habitantes, desse total pouco mais de 3.000.000 viviam nas cidades. Os habitantes das cidades ainda eram minoria, mas o processo de migração interna e externa causaram alterações relevantes nas décadas posteriores. Essa expansão da população urbana provocou mudanças nos hábitos influenciados pela ascensão econômica dos EUA impulsionados pela crise europeia após a Primeira Guerra Mundial. Um novo modelo servia de inspiração em contraponto a influência
47 inglesa e francesa. Os novos meios de comunicação e entretenimento apresentaram ao país o
American of Life, que não demorou a fundir-se ao ideário do período. No campo educacional
a literatura pedagógica norte americana exerceu forte influência sobre o movimento do otimismo pedagógico. Essa influência veio a se somar a pedagogia praticada que, de acordo com Ghiraldhelli Jr (2008),
era uma fusão da pedagogia formalizada pelo alemão Friedrich Herbart (1776-1841) com a pedagogia que vigorou no passado com a Companhia de Jesus, e que se mantinha forte até então (através do Ratio Studiorum). Somado a isso passamos a ler, também, livros de autores norte-americanos e europeus em geral, e, depois livros ligados ao ‘movimento da educação nova’. Em meados da década de 1920 os intelectuais interessados em educação puderam ler, entre outros autores, o filósofo norte-americano John Dewey (1859-1952). Foi ele que, em 1896 nos Estados Unidos, criou a University Elementary School acoplada à Universidade de Chicago como um campo experimental da ‘educação nova’ ou ‘pedagogia nova’ ou, ainda, a ‘pedagogia da escola nova’ (o que gerou entre nós o termo ‘escolanovismo’, para identificar a doutrina desse experiência e de outras semelhantes ou não. (2008, p. 34)
Em meados da década de 1920, autores como Lourenço Filho (1930) já publicavam livros sobe o assunto. O autor teve a sensibilidade de perceber o confronto entre a proposta de inovação da “pedagogia da escola nova” e a permanência da “pedagogia tradicional”. Porém, de um modo geral, os estudos sobre a formação de professores em Santa Catarina desenvolvidos por Daros & Scheibe (2002, p.15) demonstram que
o advento da República não trouxe alterações significativas imediatas para a instrução pública no país como um todo. O quadro social, político e econômico da chamada primeira República pouco favoreceu a difusão do ensino. O Estado oligárquico, subordinado aos interesses dos grupos dominantes das regiões produtoras e exportadoras de café, e o federalismo descentralizado vigente, trouxeram um desenvolvimento educacional marcado por grandes discrepâncias entre os estados, que organizavam, ao sabor de suas condições específicas e de seus reformadores, os respectivos sistemas de ensino.
Segundo as autoras, esse contexto privilegiava o poder econômico e colocou o Estado de São Paulo em evidência colocando os outros estados da federação em sua órbita de influência.
De acordo com dados do recenseamento de 1920, o Estado de Santa Catarina contava