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• Valor ao Acionista

Uma das correntes mais recentes procura estudar a implicação da gestão ambiental com os indicadores financeiros (Schaltegger; Burritt; Petersen, 2003); (CERES, 2002); (WBCSD, 1997); (Dow Jones; SAM, 2002); (WWF, 2001). Tais autores procuraram mensurar as implicações financeiras da gestão ambiental como um todo. A maioria das afirmações sinalizou para impactos positivos da gestão ambiental sobre o resultado financeiro da empresa, medido em termos de valor ao acionista (ou valor da ação negociada no mercado). No entanto, pode-se afirmar que os resultados são questionáveis e ainda não conclusivos, pois é difícil evidenciar que a maior rentabilidade das ações do grupo de empresas de melhor desempenho sustentável sejam atribuíveis unicamente à melhor gestão ambiental. Roy; Boiral; Lagace (2000) afirmam que a melhor gestão ambiental pode ser conseqüência da melhor gestão empresarial de uma empresa pautada pela excelência, que por este motivo tem melhores resultados financeiros. Pode-se entender o valor ao acionista como um resultado final agregado de uma série de fatores. Além disto, ele só consegue captar os resultados de ações que sejam mensuradas do ponto de vista de mercado,

deixando sem resposta as ações e os riscos mais intangíveis, como os ligados à licença para operar, aprendizado e capital humano, além de ações que sejam para estreitar relacionamentos com agentes sociais (Schaltegger; Burritt; Petersen, 2003).

O grupo CERES (2002) afirma que “existe uma correlação forte, positiva e crescente entre o desempenho em sustentabilidade e seu poder competitivo e desempenho financeiro”. Cita uma pesquisa que indica que se espera que o desempenho financeiro de um portfólio de empresas mais “sustentáveis” supere o de empresas concorrentes menos eficiente em 1,5 a 2,4%, ou mais, por ano. Uma pesquisa da Innovest citada no estudo mostra que esta diferença pode superar os 5% por ano nos setores de maior risco ambiental (p.ex. químico e de petróleo).

O WWF (2001) afirma, baseado nos estudos citados (ver anexo B, relação com valor ao acionista), que os investimentos sócio-ambientais fazem sentido financeiro, porém não há evidências comprobatórias pela falta de ferramentas adequadas de avaliação.

O WBCSD (1997) conclui que a gestão ambiental pode afetar positivamente o resultado financeiro da empresa, e cita quatro estudos desta correlação, além de quinze casos de empresas que obtiveram benefícios competitivos.

SustainAbility; UNEP (2001) conclui que na pior hipótese, o impacto da gestão ambiental sobre o valor ao acionista é nulo, e na melhor hipótese pode aumentar o seu valor.

Como conclusão, pode-se afirmar pelo discutido que a correlação é positiva entre a gestão ambiental e os resultados financeiros da empresa (custos, valor da ação), porém alguns autores afirmam que não há evidência conclusiva de relação positiva com o lucro da empresa (Walley; Whitehead, 1994); (Karagozoglu; Lindell, 2000); (Ahmed; Montagno; Naffziger, 2003); (Gunther , 2003).

• Acesso ao Capital

Pode-se concluir a partir dos estudos identificados que a correlação com a gestão ambiental de processos está se tornando mais forte, penetrando inclusive nos mercados convencionais. Ferramentas, como o DJSI, atribuem uma grande visibilidade para as diferentes partes interessadas do mercado financeiro.

Com relação à gestão ambiental de produtos, a influência é significativamente menor, mais associada aos produtos "não éticos" (como armas, fumo, etc.).

• Perfil de Risco

A correlação da gestão ambiental é forte para os processos de maior risco ambiental, assim como para produtos que podem poluir o meio ambiente ou afetar a saúde e segurança. A SustainAbility; UNEP (2001) cita o caso do amianto, que rendeu um alto preço em indenizações e mudanças de processo a certos grupos industriais, por conta de seus efeitos cancerígenos. Por outro lado, o estudo da SustainAbility; IFC; Ethos (2002) cita o benefício de uma empresa que se antecipou à regulamentação sobre o amianto, modificando o seu processo e eliminando totalmente o asbesto, e obteve crescimento de receitas por isto.

• Receitas, Atração/Retenção de Clientes e Participação de Mercado

O impacto da gestão ambiental de produtos pode ser forte, dependendo do setor em análise e da sensibilidade do consumidor. O impacto da gestão ambiental de processos pode afetar em segmentos específicos (p.ex. produtos orgânicos, manejo florestal), ou diante de clientes que atribuem peso maior à gestão ambiental (p.ex. Petrobras, autopeças frente às montadoras).

Os poucos estudos existentes não conseguiram identificar a correlação da gestão ambiental de produtos com a participação de mercado, com exceção do estudo da OECD (1997), que avalia a influência dos selos ecológicos no mercado. Tal fato pode ser explicado pelo difícil isolamento de seu efeito, que teoricamente se faria sentir mais fortemente em mercados de produtos ecológicos.

• Valor da Marca e Reputação

Este é um dos indicadores de sucesso empresarial com correlação mais forte com a gestão ambiental de processos, afirmado por todos os autores analisados e pelas pesquisas de opinião efetuadas junto às empresas. Com relação à gestão ambiental de produtos, os estudos discutidos mostraram uma relação menos forte, porém o autor desta dissertação assinala como tendência a intensificação desta correlação, em função do crescimento da preocupação da sociedade com os impactos a eles associados.

• Eficiência Operacional

Como visto anteriormente, este é um dos critérios cuja correlação com a gestão ambiental de processos foi mais estudada, com efeitos fortes das tecnologias e SGA's Com relação à gestão ambiental de produtos, percebe-se um grande potencial e evidências de fortes resultados relatados, conforme discutido no anexo B.

• Licença para Operar

Este critério está na raiz causal da maior parte do investimento em gestão ambiental, tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes, particularmente iniciando pela conformidade legal. A aceitação da comunidade, das ONG's e de outras partes

interessadas se mostra cada vez mais determinante do sucesso empresarial, o que atribui correlação forte para este critério.

• Inovação

O estudo da SustainAbility; UNEP (2001) mostrou uma surpreendente falta de evidências mais concretas das correlações com a gestão ambiental. No entanto, os autores analisados consideram haver uma relação forte, tanto no tocante a produtos como em processos, pensando mais na importância da inovação para a gestão ambiental, e menos nas conseqüências da gestão ambiental para a inovação empresarial. Pode-se inferir que tal relação seja maior no caso de segmentos mais dinâmicos da economia, e mais dependentes da inovação, como farmacêutico, químico, produtos de consumo, automobilístico, etc. Cabe salientar a necessidade de maiores estudos sobre esta correlação.

• Capital Humano e Intelectual

Percebeu-se uma lacuna nas correlações com os fatores ligados a recursos humanos, particularmente a mensuração do capital humano e intelectual, como vertente mais intangível e recentemente inserida com força no pensamento estratégico empresarial. Os poucos autores mencionados argumentam que existe uma influência, porém ela é limitada por uma série de fatores culturais e estruturais, tanto no tocante a tecnologias ambientais e SGA's, como em relação à gestão ambiental de produtos.

A contribuição dos dois estudos da matriz do caso empresarial se concentrou na influência da gestão ambiental na atração de talentos, o que se mostra ainda limitado para inferir sobre o indicador de capital intelectual e humano. A experiência do autor desta dissertação mostra que esta parte da correlação é positiva, e que a gestão ambiental contribui para que os funcionários se motivem. No entanto, a inferência

por uma correlação moderada no capital intelectual (aumento de conhecimentos, desenvolvimentos, patentes, procedimentos, etc.) parece questionável no momento.