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Særskilt om forvaltning av

Del III Statens eierskap forvaltet

7.2 Fullmakter

8.1.4 Særskilt om forvaltning av

“O que observamos não é a natureza em si, mas a natureza exposta ao nosso método de questionamento” (Heisenberg, cit. Capra 2000)

“Para sobreviver, a humanidade precisa de uma nova maneira de pensar” (Einstein, cit. Fortin, 2005)

As grandes realizações da biologia molecular, descritas como “a quebra do código genético”, resultaram na tendência para representar o genoma como um arranjo linear de genes independentes, cada um deles correspondendo a uma característica biológica. No entanto, pesquisas têm demonstrado que um

único gene pode afectar um amplo espectro de características, e que, inversamente, muitos genes separados se combinam com frequência para produzir uma única característica. Torna-se evidente que o estudo das actividades coordenadoras e integradoras de todo o genoma é de importância suprema, mas esta tem sido seriamente dificultada pela perspectiva mecanicista da biologia convencional (Capra, 2000).

Maciel (2008) referindo-se a este projecto, vulgo “segredo da vida”, afirma que este representa a metáfora perfeita das limitações do cartesianismo, uma vez que este, não atendendo que o verdadeiro segredo se encontra nas conexões e nos padrões de organização do todo, apresentava-se à partida, capaz de conhecer o Homem a partir das suas partes, no caso os genes. O mesmo autor declara que esta situação se revelou uma ficção, pois apesar dos animais de uma mesma espécie serem geneticamente iguais, o que se observa, é que é a diversidade que nos caracteriza. Uma diversidade que tem por base, a forma como os genes, se expressam, ou seja, a sua interacção individualizante. Sendo que se quebrarmos o padrão que une todas as rubricas de conhecimento, destruiremos automaticamente toda essa qualidade.

Venter (cit. Lourenço & Ilharco, 2006) defende que, relativamente a esta temática, há dois erros que devemos evitar; por um lado o determinismo, ou seja, a ideia de que todas as características de uma pessoa são determinadas pelo genoma, e o reducionismo, isto é, a ideia de que com o conhecimento total da sequência do genoma humano é apenas uma questão de tempo até que o conhecimento das funções e das interacções dos genes, nos proporcionem uma descrição causal total da variabilidade humana.

As limitações do modelo reducionista foram evidenciadas de maneira dramática pelos problemas do desenvolvimento e diferenciação. Nos primeiros estágios do desenvolvimento dos organismos superiores, o número de células aumenta de um para dois, para quatro, e assim por diante, duplicando a cada passo. Uma vez que a informação genética é idêntica em cada célula, como

podem estas especializar-se de diferentes maneiras, tornando-se musculares, sanguíneas, ósseas, nervosas e assim por diante? O problema básico do desenvolvimento, que aparece em muitas variações por toda a biologia, foge claramente diante da concepção mecanicista da vida. Por outras palavras, poderemos afirmar, que se conhece o alfabeto genético, mas quase não se tem ideia da sua sintaxe. É assim evidente que a maior parte do ADN, pode ser utilizado para actividades integrativas, a respeito das quais é provável que os biólogos permaneçam ignorantes, pelo menos enquanto continuarem presos a modelos mecanicistas (Capra, 2000). Neste sentido poderemos afirmar, que a relação entre as partes é mais importante que a soma das partes (Cunha e Silva, 2008).

O que pretendemos evidenciar, aproveitando o exemplo do “projecto do genoma humano”, é que o que é basilar não são só os genes. Um ser vivo não é determinado pelos seus genes (que o levariam a agir), mas nos seus genes (que o limitam nas suas acções). Desta forma o que conta bastante e de uma forma complexa são as relações entre esses mesmo genes – são as ligações, entre um e outro gene e um e outro conjunto, as conexões entre redes de componentes, os padrões de comportamento biológico, físico, cultural é que causam que cada ser vivo aquilo que é. Assim podemos afirmar, que os nossos genes não deliberam quem somos. O que nos torna dissemelhantes são as ligações entre os nossos genes, a forma como se relacionam entre si. Esta observação é global e aponta para a complexidade do comportamento do ser humano. Teremos pois de contemplar o fenómeno e assimilar que entre genes ou entre homens são determinantes as ligações, as relações, as conexões, os padrões de comportamento.

No mesmo sentido pretendemos evidenciar que uma equipa de basquetebol não o é apenas em função dos seus jogadores, é também a forma como esses mesmos jogadores estão e são juntos: as suas ligações, comportamentos, relacionamentos, padrões de actuação. Neste comprimento

de onda defendemos que são as conexões, as relações recorrentes entre vários elementos, que fazem o todo ser aquilo que é, que lhe dá identidade e que o distingue como dada entidade, sendo que a interacção entre diversos componentes é a actividade mais forte e mais eficaz (Benkirane, 2002). Assim compreendemos que o que de mais forte uma equipa pode ter é jogar como uma equipa (Mourinho, cit. Oliveira, 2006). Alcançando esta forma de reflectir não nos deixaremos surpreender, sobre o facto de Gershenfeld (2002) se ter apercebido de que, ao ligar entre si um grande número de pequenos computadores integrados em redes, se tornava possível fazer com que as máquinas efectuassem coisas que um grande computador não consegue devido ao seu isolamento. Assim, sendo se o jogo é resultado da interacção entre indivíduos pensantes, o que se pretende é que exista uma linguagem comum. Advogando que isto só se consegue se todo o processo de treino for concebido numa perspectiva de organizar comportamentos que criem essa mesma linguagem (Faria cit. Ilharco & Lourenço, 2006).

Pretendemos salientar, que o problema não reside nas ideias de Descartes, mas sim no uso irreflectido, que posteriormente se fez destas, e que nos conduziram à situação actual, que implica uma ruptura epistemológica, já encetada em algumas áreas do conhecimento, devido ao reconhecimento e ou constatação das limitações do reducionismo, uma tendência, que, deverá alargar-se às restantes ciências, sendo com base neste pressuposto, que também as Ciências do Desporto deverão encetar esta ruptura epistemológica (Maciel, 2008).

Neste sentido, o pensamento complexo situa-se num ponto de partida para a acção mais rica, menos mutiladora. Cremos profundamente que quanto menos um pensamento for mutilador, menos mutilará os humanos (Morin, 2003), e por consequência, menos mutilará o próprio mundo. A proposta da complexidade é que entendamos que o elemento relacional é fundamental para que possamos compreender (e actuar) (n)a verdadeira realidade do nosso

mundo sendo que, a própria organização da vida foi definida pela sua “conectividade”: átomos que formam moléculas, moléculas que formam células, células que formam órgãos, órgãos que formam criaturas, criaturas que formam famílias, famílias que formam comunidades (Gershenfeld, 2002).

Percebendo as limitações do pensamento vigente, sentimos ser o momento de evidenciar a necessidade de uma alteração metodológica, que atente às características reais do mundo em que vivemos. Nunca poderemos esquecer que uma alteração metodológica (mudança na forma de agir) terá sempre de ser precedida numa mudança na forma de pensar. Necessitamos de o que Capra (2005) designa de “novo paradigma”. Como entender então a vida sem recorrer aos artifícios simplificadores que facilitam e possibilitam o entendimento, aos artifícios de que a vida se serve para entender?

Compreendendo que vivemos hoje num mundo globalmente interligado, no qual os fenómenos biológicos, psicológicos, sociais e ambientais são todos interdependentes e que para descrever e compreender esse mundo apropriadamente, necessitamos de uma perspectiva ecológica que a visão do mundo cartesiano não nos oferece (Capra, 2005). Sendo que nesse sentido começa a formar corpo uma nova posição científica, pela mão de diversos autores (Capra, Maturana, Fortin, Cunha e Silva, Varela, Morin, Prigogine entre outros), que defendem o pensamento sistémico em detrimento do analítico. Boaventura Sousa Santos (1989, cit. Cunha e Silva, 1999) afirma que esta nova postura científica permite antever o aparecimento de um novo quadro conceptual, já não marcado pela arrogância totalitária de um conhecimento formatado num método pronto-a-vestir, mas sim fundada na humildade da valorização do pormenor, da especificidade, enfim, um método feito-à-medida (de cada contexto, das circunstâncias macro que dão significado à vida) necessidades e exigências do utilizador. Um caminho específico de cada treinador, de cada equipa, de cada conjunto. Acreditamos que os processos de treino devem ser equacionados à luz do pensamento sistémico para que a

partir daqui se desenvolvam metodologias congruentes com a sua complexidade.

Apoiada neste prisma surge a denominada “Periodização Táctica” que, se comporta como uma resposta das Ciências do Desporto, preconizada pelo Professor Vítor Frade à necessidade urgente de uma visão alternativa (complexa) sobre o Jogo e consequentemente sobre o treino. A periodização e operacionalização deste processo dá primado à Táctica, enquanto elo de ligação de todos os factores da performance, regulando-se no desenvolvimento de uma organização colectiva, centrando-se na aprendizagem de determinadas regularidades no “jogar” da equipa através da operacionalização dos princípios do Modelo de Jogo assumindo-se por isso num método Específico (da equipa), e por isso único. Entender esta concepção é perceber que a aprendizagem, a aquisição de conhecimentos específicos relativos a uma determinada forma de jogar, é a ocupação central da equipa (Oliveira, B. et al., 2006). Assim, este processo de treino, apresenta-se como uma emergência de uma nova forma de pensar o Jogo, a equipa, o Homem, dando resposta ao que Morin (2003) denominou de “paradigma da complexidade”, o novo paradigma. Perceber esta linha de pensamento assistir-nos-á a compreender melhor a pertinência de esta abordagem complexa, facto este sobre o qual nos debruçaremos no próximo capítulo.

3.3. Paradigma da Complexidade: Uma necessidade para