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Begrunnelser for statlig eierskap

Del III Statens eierskap forvaltet

6.1 Begrunnelser for statlig eierskap

grande, toca piano” (Mourinho, cit. Ilharco e Lourenço, 2006)

Compreendemos que o modelo positivista assenta num esquema que preconiza o estudo do problema em causa através da sua separação e divisão em partes para, a partir de um entendimento detalhado dessas mesmas partes e da sua posterior junção, se tentar então explicar o todo. Também ao desporto e às metodologias de treino chegou o pensamento cartesiano, analítico e mutilante, com o intento de simplificar a complexidade que lhe é inerente, fazendo com que este sofresse uma fragmentação, uma descontextualização das suas diversas dimensões (física, técnica, táctica e psicológica) e um isolamento dos vários momentos (momento ofensivo, defensivo e respectivas transições defesa-ataque e ataque-defesa), não considerando o principio de “Inteireza Inquebrantável” (Frade, 1990) inerente ao próprio jogo. Assim exibiremos alguns dos reflexos herdados desta linha de pensamento e consequente aplicação prática nos processos de treino utilizados nos Jogos Desportivos Colectivos.

Filipe Martins (2003) identificou a existência de várias tendências de treino: a originária do Leste da Europa (LE), a originária dos países do Norte da Europa e América do Norte (NE), a originária dos países Latino-Americanos (TI) e por último, uma “tendência” denominada de “Periodização Táctica”.

A primeira tendência, oriunda dos países de Leste da Europa, caracteriza-se pela divisão da época desportiva em «períodos», estruturados para atingir «picos de forma» em determinados momentos competitivos. Para além disso, este modelo de preparação confere primazia à variável «física», assente numa preparação geral e sem qualquer ligação com a forma de jogar, Deste modo, preconiza um processo abstracto centrado nos «factores de carga física», através de métodos analíticos.

A segunda tendência de treino, com origem nos países do Norte da Europa e América do Norte (NE), tentou transcender o carácter universal da primeira tendência, dando grande importância ao desenvolvimento das capacidades «físicas» exigidas na competição, definindo-as de «específicas». A partir daqui, exacerbou-se a avaliação das «cargas» através dos testes «físicos» procurando conhecer assim, a «forma» dos jogadores. Para além disso, esta tendência de treino caracteriza-se por desenvolver a variável «física», técnica e psicológica em separado.

Sem grande dificuldade percepcionamos as influências de conceitos como a redução, o recorte das realidades globais transformadas em factores de rendimento que se incrementam em separado, para mais tarde serem reagrupados e aplicados na competição. A exercitação das capacidades condicionais de forma fragmentada é bem vincada na visão analítica, procurando que o desenvolvimento das mesmas promova uma melhoria no desempenho colectivo da equipa. Reduzir o desporto ao físico, seria nesta perspectiva, o perpetuar do positivismo. Neste sentido Tani e Corrêa (2006, pag.17) afirmam: “O facto de o desporto colectivo caracterizar um sistema dinâmico e complexo implica que os jogadores não somente necessitem de ter energia para manter a sua estabilidade ou restabelecê-la após instabilidade, mas também saber como utilizá-la. Esse é o papel da informação. Por outras palavras, não adianta uma equipa de jogadores bem condicionados fisicamente se eles não conseguem lidar com a informação, isto é, criar incerteza no

sistema adversário e reduzir as incertezas por eles criadas no seu sistema.” Vítor Frade (2003, cit. Gaiteiro, 2006) afirma a este respeito, que a maioria das pessoas ainda não compreendeu que os grandes erros conceptuais se prendem com o perpetuar de conceitos como fases, períodos, etapas e cargas. Neste sentido, Óscar Schmidt (2008), considerado por muitos como o melhor jogador da história do basquetebol brasileiro, quando questionado sobre quem eram os seus ídolos no início da sua prática desportiva responde: “(…) meu grande ídolo de carreira era o Larry Bird, não corre, não pula e joga como os melhores”. No mesmo sentido Mourinho (cit. Ilharco e Lourenço, 2006) declara: “Qual é o homem mais rápido do mundo? Vamos supor que é o Francis Obikwuelu, que faz menos de dez segundos em cem metros. É muito rápido e não conheço nenhum jogador de futebol que o consiga igualar numa corrida de cem metros. No entanto, numa partida de futebol, numa equipa por mim treinada, 11 contra 11, o Obikwuelu seria o mais lento! Dou ainda outro exemplo: um caso paradigmático de um jogador lento actual é o Deco. Se o colocássemos numa corrida de cem metros com os homens do atletismo, faria uma figura ridícula. É descoordenado a correr, não tem velocidade terminal, muscularmente de certeza que está carregado de fibras de contracção lentas e nada de fibras de contracção rápidas. No entanto num campo de futebol, é um dos jogadores mais rápidos que conheço, porque velocidade pura não tem nada a ver com a velocidade no futebol. A velocidade no futebol relaciona-se com a análise da situação, reacção ao estímulo e capacidade de o identificar”.

Desta forma, José Mourinho, enquanto utilizador da “Periodização Táctica” justifica a ultrapassem de métodos analíticos e procede à promoção de uma abordagem de desígnios diferentes, em que a velocidade ganha uma nova dimensão numa perspectiva metodológica diferente, numa perspectiva Específica. Analisando desta forma a velocidade, um jogador lento do ponto de vista mecanicista, pode ser, um jogador rápido numa perspectiva complexa, porque vai deslocar-se num momento que os adversários não esperam, num

tempo correcto, num momento em que o companheiro com bola precise que ele se desloque (Lourenço & Ilharco, 2006).

Nottale (2002) completa, citando Galileu, que o “movimento é como o nada”, sendo que este não existe em si mesmo, defendendo que só o movimento relativo entre dois objectos possui sentido, que apenas existe o intra-movimento, apontando que “é uma propriedade do par (da equipa) e não do objecto”. Assim rejeitamos liminarmente a alienação do jogo e a pretensão de resolver os problemas do jogo fora dos quadros das relações de cooperação e oposição, intrínsecas a um jogo de colectivo como é o basquetebol (Graça, 2004), sendo que neste contexto jogar com ou sem velocidade representa uma decisão relacionada, respectivamente, com a eficácia com que o fazemos e com a experiência e a preparação anterior de cada equipa (Araújo, 2004). Logo a velocidade que pretendemos evidenciar, no nosso processo de treino é uma velocidade Específica, não de cada modalidade mas sim de cada «jogar».

Contrariando este carácter analítico, surge nos países Latino- Americanos uma tendência designada de “Treino Integrado” onde os aspectos físicos, técnicos e tácticos são desenvolvidos conjuntamente. Deste modo, procura promover uma maior semelhança com as exigências da competição conferindo uma grande importância ao jogo e à sua especificidade (Martins, 2003).

Mas mesmo o designado “Treino Integrado”, empenhando-se na unificação dos factores de rendimento, não contempla o ambiente nem as características dos elementos, podendo ser adjectivado de “holismo abstracto”, visto fazer referência ao jogo geral, neste caso sinónimo de modalidade (sendo esta a sua especificidade), a partir do qual se realiza a operacionalização de todo o processo.

O princípio metodológico das propensões, neste caso, resumira-se ao aumento da densidade do tempo de jogo com bola, ou da modalidade. Ficou fragmentado, reduzido, permanecendo muito longe de evidenciar a sua

verdadeira dimensão, que se concretiza na “Periodização Táctica” na sua constante interacção com os restantes princípios metodológicos. Procuramos sim um aumento na densidade de princípios de acção (referentes ao nosso Modelo de Jogo), não de tipos de esforço, não de técnicas base, não de capacidades condicionais, visto que se os princípios de acção, atrás referidos, forem Específicos do nosso «jogar», todas as outras dimensões serão desenvolvidas na consequência do incremento dessa densidade, tornando-se específicas do «jogar» da nossa equipa.

Tentando perceber as limitações do “treino integrado”, atentemos às palavras de Alpert (1984, cit. Cunha e Silva, 1999), “A performance está profundamente ligada ao imaginário visual. O lugar visualizado pede ao corpo para ser vivido, convoca-o para uma «passagem ao acto».” Completa Mourinho (cit. Ilharco & Lourenço, 2006): “… o que é o estímulo? É a posição no campo, a posição da bola, é o que o adversário vai fazer, é a capacidade de antecipar a acção, é a percepção daquilo que o adversário vai fazer, é a capacidade de perceber que espaço é que o adversário vai ocupar para receber a bola sozinho.” Fora do contexto de uma “ecologia das imagens”, abordada na sua sensibilidade caológica, o olhar (e consequentemente o corpo) corre o risco de se dissolver e de se corromper na indiferença multimediada (Cunha e Silva, 1999).

Desta forma a abordagem “integrada” transforma-se em abordagem não- específica de cada “jogar”, apresentando limitações no alcance de elevados níveis de performance, fazendo referência a um jogo global, a um jogo- modalidade, face à ausência de uma finalidade, de um modelo de jogo. As decisões tomadas pelos jogadores nos diversos momentos não são reguladas por coordenadas gerais comuns, o que não permite que em cada momento os jogadores possam pensar em sintonia e assumirem o comportamento colectivo que pretendemos que aconteça em todos os instantes. Por outro lado, sabemos que quando tomamos decisões, somos influenciados pelo que vimos

no imediato, mais o que projectamos no futuro (ou seja a intencionalidade) e pelas recordações provenientes de experiências anteriores. Logo a melhoria da qualidade do nosso processo de tomada de decisão depende acima de tudo de muito treino e respeito prévio por princípios claros (Araújo, 2008), ou seja, a forma como os jogadores tomam decisões realiza-se através de ideias e conceitos (Maciel, 2008). Gomes (2006) completa, afirmando que as decisões dos jogadores resultam de dados contextuais mas são configurados por “regras” colectivas que os levam a optar por determinadas escolhas em detrimento de outras. Estas regras não são mais que os princípios de jogo, constituintes do Modelo de Jogo, e é o treino destes que condiciona as escolhas dos jogadores no sentido pretendido, desta forma a tomada de decisão não é abstracta porque tem repercussões no contexto onde se inscreve. A decisão do jogador não se reduz em si mesma, tem influência na dinâmica das relações com os seus colegas, adversários portanto, no contexto da dinâmica colectiva ou seja, no jogo. O treino em Especificidade deverá, desta forma, ser o máximo director do “jogar” de uma equipa pois será ele o responsável pelo sentido da familiaridade e reconhecimento que conduzem aos mesmos padrões de activação no que às decisões dizem respeito (Campos, 2007).

Para finalizar, atentemos às declarações de Carlos Carvalhal (2004, cit. Amieiro, 2005): “Há dois tipos de trabalho com bola: o integrado e o sistémico. No primeiro a bola está presente, mas não de forma subordinada ao modelo de jogo. Nós preconizamos o outro género, em que a bola está presente desde o primeiro, segundo dia de trabalho, com o intuito de modelar os jogadores, colectivamente e individualmente, à nossa forma de jogar”, assim, “A equipa está a ser organizada para jogar desde o primeiro dia e, ao mesmo tempo, está a ser modelada a todos os níveis: físico, técnico e psicológico. Nós damos atenção a todos os factores (dimensões) (…) mas quem coordena todo o trabalho, físico, técnico e psicológico, é a organização, o trabalho táctico (leia-

se Táctico).” Aceitamos que as metodologias têm vindo a evoluir e a melhorar bastante ao longo do tempo, mas a origem continua a ser a mesma: uma metodologia fragmentadora, que exercita os diferentes aspectos do jogo de forma analítica e descontextualizada e que mesmo no caso do treino “integrado” apresenta as mesmas prioridades das demais (Tamarit, 2007). Se por outro lado o objectivo for a melhoria da qualidade de jogo e de organização, esses parâmetros só se conseguem concretizar através de situações de treino onde se consiga trabalhar essa mesma organização (Faria, 2003, cit. B. Oliveira et al, 2006). Assim, “estar em forma é jogar bem, é a equipa jogar como eu pretendo. A interpretação de um modelo de jogo, não de uma forma individual mas sim colectiva, é a base de sustentação da forma da equipa e das oscilações individuais da forma de cada jogador. Por isso é que eu digo que a base da sustentação da boa ou má forma de um jogador é a organização da equipa. Por exemplo, a «má forma» de um jogador pode ser disfarçada pela organização da equipa” (Mourinho cit. Oliveira et al., 2006:98).

3.2. Para actuar sobre o mundo, precisamos de primeiro o perceber: