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The  Role  of  Knowledge  Management  in  Innovation

2   Theoretical  Overview  and  Model  Framework

2.3   The  Role  of  Knowledge  Management  in  Innovation

Em 2009, ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, o Estado Português solicitou às Nações Unidas o alargamento da plataforma continental de Portugal7 para além dos

limites atuais das 200 milhas náuticas. Refira-se que, na adenda apresentada às Nações Unidas em 20178, o Estado português propõe novos limites. Caso as NU respondam favoravelmente à pretensão

solicitada pelo Estado português, o mesmo terá a responsabilidade de gerir 4.128 milhões de km², em vez dos 3.8 milhões km² apresentados inicialmente. Os valores para além das 200 milhas aumentam para 2.400 milhões Km². Sublinhe-se ainda que, de acordo com os novos cálculos, a plataforma continental correspondente à Zona Económica Exclusiva (ZEE) aumentou para 1.728 milhões Km².

Embora esta circunstância represente, para Portugal, a oportunidade estratégica de reafirmar as várias dimensões da sua vocação marítima, ela representa também um desafio considerável à sua capacidade de gerir um espaço que se confronta com um conjunto de ameaças ambientais e de segurança do uso do mar.

Neste sentido, a Marinha Portuguesa, enquanto sistema sócio-ecológico responsável pela autoridade do Estado no mar, oferece um campo de investigação privilegiado enquanto interface entre a dimensão social e a dimensão ambiental que o mar representa.

No âmbito dos estudos realizados por civis em intuições militares, Ribeiro (1998) considera que a escassez desta categoria de investigação está relacionada, por um lado, com um certo grau de secretismo da atividade e, por outro lado, com uma tradição antimilitarista que se aliou ao quadro intelectual do liberalismo, afastando o cidadão comum das questões relacionadas com a defesa e a segurança. Todavia, nestes últimos anos temos assistido a um incremento em matéria de trabalhos de investigação civis em assuntos militares (Ramos, 2004; Champonnois, 2012; Goffi, 2015). O nosso interesse pelo estudo da resiliência no setor da defesa deve-se ao facto de termos estudado inúmeros cenários de catástrofes, para além de manifestar uma responsabilidade social pelos assuntos relacionados com a segurança das populações em geral9. Com efeito, em vários cenários de

7 Designada por Plataforma Continental Estendida.

8Disponível em http://www.un.org/depts/los/clcs_new/clcs_home.htm .

9 A investigadora facilitou a implementação da Plataforma Nacional de Redução de Risco de Catástrofe (UN/ISDR, 2010) e no mesmo

catástrofes naturais e ambientais de grande amplitude, os militares são os únicos profissionais que têm a capacidade, os meios e o treino para lidarem com eventos disruptivos, corroborando assim a perspetiva de Sun Tzu10 que afirma:

“Realizar qualquer trabalho físico ou mental significa vencer a resistência que a oposição apresenta. Na guerra, esse atrito torna-se difícil e extremamente desgastante. Os militares existem para trabalhar em tais situações. Além de representarem o princípio da proteção, as forças armadas são o meio pelo qual uma sociedade concentra os seus recursos para lidar com tempos de crise e profunda mudança, estas crises podem ser calamidades naturais, quando o inimigo é a enchente ou a fome” (Sun Tzu, 2001, p. 102).

Na literatura, as organizações que lidam com elevados fatores de risco são categorizadas como Organizações de Alta Fiabilidade, mais conhecidas em inglês por High Reliability Organizations (Weick & Sutcliffe, 2007).

A decisão que nos levou a escolher especificamente a Marinha Portuguesa para a realização do nosso trabalho de investigação foi pautada por um conjunto de circunstância agregadoras. Na fase preliminar do projeto de dissertação, a abordagem inicial orientada para as alterações climáticas e a redução de risco de catástrofe11 originou um convite12, por parte de um docente do ISCTE, para

apresentar uma comunicação sobre a Estratégia Internacional de Redução de Catástrofes. Esta comunicação enquadrou-se numa conferência subordinada ao tema “África e o Mar no séc. XXI”, onde se encontravam vários palestrantes oficiais da Marinha. Tendo em conta o estudo realizado acerca da ação dos militares em situações de catástrofe, algumas semanas depois foi-nos sugerida a participação no exercício Lusíada 1013 (EMGFA, 2010). Durante os trabalhos de preparação do

exercício, a observação do comportamento dos oficiais da Marinha levou-nos a considerar a Marinha como sendo o ramo das Forças Armadas que mais se ajustava ao perfil, sensibilidade, convicções e valores para desenvolver este trabalho.

Destacam-se ainda vários fatores que justificam a escolha da Marinha enquanto objeto de investigação:

 Interesse pessoal pela temática relacionada com o território marítimo;

 Interesse pessoal nas questões relacionadas com a segurança, o ambiente e a sustentabilidade;  A responsabilidade da Marinha na segurança e defesa do mar e zonas ribeirinhas;

10 Esta obra data de 2.500 anos a.C.

11 Designadamente, o temporal na ilha da Madeira em 20 de fevereiro de 2010, vitimando 48 pessoas e com impactos significativos sobre

o ambiente e a sustentabilidade da ilha da Madeira.

12 O convite surgiu por parte de um professor do ISCTE para apresentar uma comunicação numa Conferência “África e o mar” em março

de 2010.

13 O Exercício Lusíada é um exercício organizado pelo Estado-Maior-General das Forças Armadas. Envolve o treino conjunto dos três

ramos das Forças Armadas e está orientado para uma operação de assistência humanitária e uma operação de evacuação de não- combatentes.

 O facto de o combate à poluição do mar ser uma das áreas de responsabilidades da Marinha;  O futuro papel da Marinha no âmbito da segurança e defesa da Plataforma Continental

Estendida;

 A ausência de literatura sobre a resiliência da Marinha;

 A ausência do conceito de resiliência na documentação oficial da Marinha;  O interesse da Marinha nesta investigação.