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5. METHODOLOGY

5.2 C RITERIA FOR INCLUSION AND EXCLUSION

Weber (1982, 1993) tinha uma visão de democracia como procedimento e de política como luta. Política significava para ele a participação no poder ou a luta para influir na distribuição do poder, seja entre Estados ou entre grupos dentro de um Estado. Considerava a maioria dos eleitores incapazes de contribuir para o processo político. O perigo de uma democracia de massas reside, em sua avaliação, na possibilidade de haver um predomínio forte de elementos emocionais na política. “A massa só pensa até depois de amanhã”, advertiu (WEBER, 1993, p.128).

De acordo com Held (1996), Weber parece ter imaginado o eleitorado como incapaz de fazer escolhas entre políticas e capaz apenas de realizar algum tipo de seleção entre possíveis líderes. Consequentemente, diz Held, Weber retrata a democracia como um teste para líderes potenciais. Democracia para ele é como o mercado, um mecanismo institucional para eliminar os mais fracos e firmar aqueles que são mais competentes na luta competitiva (HELD, 1996, p. 172).

Para Weber (1993), uma política bem-sucedida, especialmente a política democrática, é feita com a mente, com a racionalidade, e predominará nas decisões responsáveis, tanto mais: quanto menor for o número de participantes na decisão; quanto mais claras forem as responsabilidades atribuídas a cada um deles e aos seus liderados. Considerava que a “massa desorganizada, a democracia das ruas, é completamente irracional do ponto de vista político”. Essa massa é mais poderosa em países que tenham parlamento sem poder ou desacreditados politicamente. Isso ocorre, sobretudo, em países nos quais não existem partidos organizados racionalmente (WEBER, 1993, p. 129).

Observador atento do processo de racionalização em curso nas sociedades de massa, Weber via na burocratização – que tanto crescia no âmbito do Estado como na esfera privada – um sinal dessa tendência. No campo da política, afirmava que o Estado e o partido de massa constituíam o terreno clássico para a burocratização (WEBER 1982, 1993).

Do ponto de vista de sua estrutura interna, todos os partidos, no decorrer das últimas décadas, estão se tornando organizações burocráticas, racionalizando crescentemente a sua técnica de campanha eleitoral (WEBER, 1993, p. 48).

A burocratização, segundo Weber, era uma tendência irreversível para um mundo que presenciava o avanço do modo capitalista de produção. Mesmo a eliminação do capitalismo privado – como ansiavam os marxistas – não acabaria, alertou o autor, com a burocratização crescente, mas, ao contrário, a reforçaria, pois o Estado passaria a ser dominado por burocratas que controlariam o sistema de produção. Trata-se, portanto, de um sistema de “enjaulamento”, que a tudo anexava.

Embora percebesse a inexorabilidade e irreversibilidade do tipo de “dominação racional-legal” no mundo moderno, Weber não via acriticamente essa tendência, materializada na burocratização. Esse tipo de dominação, fundado nas regras e regulamentos e na possibilidade de previsibilidade dos processos e ações, contrapõe-se aos privilégios e benefícios diferenciados concedidos por critérios meramente pessoais, uma característica das dominações carismática (baseado no carisma do líder) e tradicional (fundada nos laços ou nas relações de tradição), de acordo com a tipologia proposta pelo autor.

No que se refere às questões políticas, Weber aponta ainda limitações quanto à utilização do referendo popular como meio de eleição e de aprovação de leis porque, como afirmou, trata-se de uma modalidade de participação política que só permite respostas do tipo “sim e não”. Quando se trata da aprovação de leis tecnicamente complexas, advertiu que a utilização de um plebiscito poderia fazer com que o resultado servisse facilmente aos propósitos de interessados hábeis, mas velados (WEBER, 1993, p. 125). O seu esforço é para defender o papel e a importância do Parlamento, especialmente no período de guerras vivido pela Alemanha. Para ele, os referendos não podem substituir a tarefa mais importante do Parlamento que é a aprovação do orçamento de cada país. Os referendos não conduziriam a acordos em torno de leis de interesses conflitantes, algo essencial em estados com fortes contradições, ao contrário do que propicia o Parlamento.

O referendo não conhece o acordo, princípio sobre o qual repousa a maioria das leis em todo Estado de massas com fortes contradições estruturais regionais, sociais, confessionais e outras. Os princípios plebiscitários enfraquecem a influência pessoal dos dirigentes partidários e a responsabilidade dos funcionários (WEBER, 1993, p.123).

Weber aposta também na liderança pessoal do político, e o Parlamento é, para ele, o local privilegiado para formação de lideranças políticas. A saída, segundo Weber, para os impasses da Alemanha pós-derrota na 1ª Guerra Mundial e atraso industrial

passaria por um modelo de confronto e complementaridade entre um líder carismático com características excepcionais (paixão, responsabilidade, senso de proporção) e uma burocracia tecnicamente competente, mas refratária a interferências em suas ações e incapaz de dar a direção política para o país.

Só há, porém, a escolha entre a democracia com liderança, com uma máquina, e a democracia sem líder, ou seja, o domínio dos políticos profissionais sem vocação, sem as qualidades carismáticas íntimas que fazem o líder, e isso significa aquilo que os insurgentes de um partido habitualmente chamam de domínio de grupo. No momento, na Alemanha, temos apenas a segunda forma (WEBER, 1993, p. 79).

Held (1996) afirma que Max Weber (1864-1920) e Schumpeter (1883-1950) compartilharam uma concepção de vida política em que havia pouco espaço para participação democrática e desenvolvimento individual ou coletivo e onde, qualquer que fosse esse espaço, estaria sujeito a ameaça de constante erosão por poderosas forças sociais. Os dois autores tendiam a afirmar um conceito de democracia muito restrito, considerando a democracia, em uma visão “muito positiva”, como um meio para escolher tomadores de decisão e restringir seus excessos.