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In document NORGES BANK (sider 84-92)

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Note 7 Risiko

Segundo Vygotsky (1987), citado por Kozulin (2003), o desenvolvimento cognitivo do ser humano é promovido pelas relações sociais interiorizadas por si e resulta do trabalho desenvolvido e da relação estabelecida com os objetos culturais, pelo que o contexto social de aprendizagem (conhecimentos, dificuldades, interesses, cultura, entre outros), valorizado no presente estudo, terá influência sobre a aprendizagem dos alunos. Essa aprendizagem passará, naturalmente, por processos constantes de ação e de comunicação que emergem de sistemas de mediação, por vezes complexos. No presente trabalho, a mediação pressupõe a necessidade de conduzir os alunos à construção do novo conhecimento matemático, a partir de conhecimentos que esses já possuem. Essa mediação não se centra, apenas, na condução das tarefas durante a sala de aula e no esclarecimento de eventuais dúvidas, como também na elaboração da própria tarefa, através da qual se pretende estimular os alunos à observação e investigação de regularidades e relações, no sentido da generalização e da aplicação de formas diferenciadas e criativas de resolução.

Bussi e Mariotti (2008), valorizando a mediação semiótica, também se referem ao processo de internalização descrito por Vygotsky. Para estas investigadoras a mediação semiótica constitui um processo de construção individual, concebido pela partilha de experiências sociais e que tem uma dimensão comunicacional e envolve a interpretação e a produção de signos. As investigadoras consideram que a relação entre os processos internos – cognitivos – e os externos – interação social – é estreita e forte, assumindo dois aspetos relevantes: (1) é essencialmente social, tendo uma dimensão comunicacional e (2) é guiado por processos semióticos, envolvendo a interpretação e a produção de signos. Relativamente à utilização de signos, estes poderão estar

relacionados, essencialmente, com a resolução da tarefa e com o processo de interpretação e de comunicação desenvolvidos pelos alunos.

Segundo esta perspetiva, e considerando que a aprendizagem é também uma construção social, o professor deve preocupar-se com a forma como elabora determinada tarefa e como a conduz em contexto sala de aula. Essa tarefa deverá contemplar a mediação semiótica, valorizando o conhecimento que o aluno já possui, a habilidade para explorar e processos alternativos e criativos de resolução. A construção centra-se, como tal, no conhecimento que o aluno possui e mobiliza, na mediação que estabelece com o artefacto desenvolvido e na partilha e comunicação que estabelece com o grupo de pares e com o professor.

Relativamente ao processo de ensino e aprendizagem, Vygotsky (1987) faz também referência ao uso de artefactos, considerando que esses estão direcionados para o exterior, e às atividades mentais, suportadas e desenvolvidas por meio de signos que são produtos dos processos de internalização e que estão orientadas para o interior. Nesse âmbito, o investigador valorizou a mediação como forma de desenvolvimento do ser humano, destacando dois mediadores – signos e instrumentos. Os signos serão os mediadores na formação da consciência e os instrumentos serão os reguladores das ações sobre os objetos.

Os signos, também designados pelo investigador como "instrumentos psicológicos", são marcas externas que permitem fazer a interpretação da realidade e auxiliam os alunos nas tarefas que requerem memória ou atenção, estando orientados para o próprio sujeito e associadas ao controlo de ações psicológicas.

Rabardel (1995) distinguiu artefacto de instrumento, partindo da análise individual das potencialidades do artefacto. Definiu artefacto como sendo o material ou objeto simbólico utilizado na realização de determinada tarefa e que possui potencialidades ao nível prático, podendo contribuir para o desenvolvimento cognitivo. Acrescenta que o instrumento é uma entidade mista constituída por artefactos e componentes esquemáticas – esquemas de utilização que surgem da utilização dos artefactos – que evoluem através de um processo longo e complexo designado por génese instrumental. Os esquemas de utilização são elaborados progressivamente ao usar-se o artefacto na realização de uma tarefa concreta, sendo, como tal, uma construção individual com forte ligação ao contexto dentro do qual ele é originado e se desenvolve. A génese instrumental constitui um longo e complexo processo de elaboração e evolução dos instrumentos, podendo ser articulada em dois processos: (1) instrumentalização, ou seja, evolução dos diferentes componentes do artefacto, verificando-se o reconhecimento progressivo das suas potencialidades e limitações e (2) instrumentação, relacionado com a emergência e desenvolvimento dos esquemas de

utilização. Os dois processos são orientados do sujeito para o artefacto e vice-versa, dependendo das duas faces. O investigador considera ainda que a seleção do artefacto nunca é isenta, pois pode intencionar a reorganização e mobilização de capacidades cognitivas do aluno que possibilitem a resolução de determinado problema. No presente estudo, o artefacto desenvolvido pela professora procura conduzir os alunos à construção do novo conhecimento matemático e, em particular, ao desenvolvimento do pensamento algébrico.

Bussi e Mariotti (2008) utilizam o termo artefacto num contexto geral, considerando que esse abrange diversos tipos de objetos produzidos pelo ser humano, tais como sons e gestos, utensílios e apetrechos, expressão oral e escrita, textos e livros, instrumentos musicais e científicos e ferramentas tecnológicas de informação e comunicação. Segundo esta perspetiva comunicação, oral e escrita, assumem um papel central entre os artefactos produzidos e elaborados pelo ser humano, sendo responsável pela evolução das formas de pensamento. Por sua vez, as investigadoras estabeleceram uma analogia entre artefacto e signo, considerando que ambos estão implicados no processo de mediação, no sentido em que o artefacto pode promover a utilização ou criação de signos associados ao conteúdo matemático que se pretende explorar. Por esse motivo valorizam os signos, considerando que esses podem ser utilizados intencionalmente pelos professores para explorarem processos semióticos e promoverem a aquisição de significados por parte dos alunos, designadamente a construção do novo conhecimento matemático. Por sua vez, consideram também a existência de uma ligação particular entre o artefacto e a tarefa e entre a tarefa e o conhecimento matemático específico, designando essa ligação por polissemia de um artefacto.

O processo de mediação semiótica é valorizado no presente estudo, estando associado ao desenvolvimento do pensamento algébrico e à produção individual e coletiva do novo conhecimento. Os alunos utilizam como artefacto principal a tarefa desenvolvida pelo professor, intencionando a identificação de regularidades, a criação de relações numéricas e a partilha de conhecimentos e raciocínios. A tarefa, mediada pelo professor, envolve a interpretação e produção de signos que podem contemplar o uso de linguagem simbólica, conceitos e partes estruturais da própria tarefa. O artefacto, tarefa, proporciona a utilização e desenvolvimento de signos associados à construção pretendida e promove a aquisição de significados por parte dos alunos.

Síntese. A mediação estabelecida pelo professor na construção do novo conhecimento

matemático, incentivando a utilização de artefactos e a construção de signos matemáticos, e favorecendo a comunicação e a partilha de conhecimentos e raciocínios desenvolvidos pelos alunos, é essencial para a construção do novo conhecimento matemático. No processo de construção privilegia-se o artefacto selecionado ou construído pelo professor, bem como os instrumentos desenvolvidos pelos alunos

durante o processo de construção e que permitiram a construção de novos signos matemáticos.

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