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The roots of the core competence approach (Prahaled & Hamel, 1990) can be traced back to the resource-based view of the finn, and is based on the same assumption that the uniqueness

2.3.3 Review of competence-based perspectives on economic organization

O professor palestrante da área de Administração Pública deu início ao evento. Começou contando sua trajetória de vida: filho de professores universitários, prestou Economia na USP. Seus pais haviam dito a ele e a seus irmãos para que escolhessem fazer o curso que quisessem desde que não fosse em sua cidade natal já que, como eles eram professores famosos, não queriam que seus filhos ficassem conhecidos apenas como seus filhos, eles queriam que o mérito pessoal de cada filho fosse atribuído a eles mesmos e não ao fato de serem filhos de quem são. (Neste aspecto, pode-se pensar aqui em uma banalização das trajetórias sociais em função da valorização de uma trajetória individualizada).

Na época, estava em dúvida entre os cursos de Economia e Administração Pública. Prestou Economia na USP e Administração Pública na FGV por considerar que seriam as melhores faculdades para se estudar as respectivas áreas. Foi bem nos dois vestibulares, mas como havia esquecido de colocar o título da redação na prova da FGV, foi desclassificado. Acabou passando em Economia na USP e ingressou lá. No terceiro ano fez estágio no Citibank da Av. Paulista na área de Recursos Humanos. No entanto, sempre se indagava o motivo de querer fazer Economia ou Administração Pública, que era tentar ajudar a resolver os problemas do Brasil.

Quando foi trabalhar no banco, percebeu que não estava ajudando a resolver problema nenhum, estava apenas criando mais problemas do ponto de vista da desigualdade. “Os donos do Citibank estavam cada vez mais ricos e a gente tinha um problema, isso em 2001, 2002, uma desigualdade enorme no Brasil”. Como estava em crise com o trabalho e curso, resolveu

prestar de novo Administração Pública na FGV. Passou no vestibular, largou o Citibank e fez mais um ano do curso de Economia na USP. Relatou que decidiu ficar na FGV desde a sua 1ª aula. Deixou a USP, fez graduação, mestrado e doutorado em Administração Pública na FGV e é professor do curso atualmente.

Durante sua fala, citou um colega que estudou na FGV que lidera um projeto do governo federal que tem como meta acabar com a fome do Brasil. O programa é o “Brasil sem miséria”, cujo um dos eixos é o programa “Bolsa Família”. Além disso, citou empresas como a Votorantim, ONG’s e instituições internacionais como UNESCO, UNICEF etc., nas quais os/as alunos/as da FGV possuem boa inserção.

Salientou que a FGV busca aliar tradição e inovação, principalmente ao se levar em consideração que uma parte do curso deve ocorrer fora da sala de aula. Há 3 momentos do curso em que é obrigatória a imersão dos alunos em outras localidades: 1) 1 semana no 3º semestre - imersão em Brasília em um Ministério, pesquisando a criação de políticas públicas; 2) 10 dias (imersão local): experiência na prática em estados do Brasil que tiveram projetos de políticas públicas bem implementados (implementação de política pública bem sucedida); 3) conexão sul-sul: 7° semestre - 40 dias no exterior, em países ou da América Latina ou China, África etc. (países em desenvolvimento) para entender as políticas públicas desenvolvidas em outras localidades com problemas semelhantes ao Brasil.

Ao dizer o valor da mensalidade, que custava à época R$ 3.100,00, salienta que 95% da população brasileira não teria acesso à instituição. No entanto, enfatizou a existência de bolsas de estudos: falou que apesar de a instituição não ter parceria com o governo federal, ela conta com um fundo de bolsas, assim como a maioria parte das faculdades norte-americanas. O fundo de bolsas permitiria que o/a aluno/a começasse a pagar as mensalidades após se formar.

Ressaltou que a FGV possui bolsas integrais (5 bolsas), destinada às 5 pessoas mais pobres que entram pelo vestibular. “Nenhum aluno deixa de estudar na GV por falta de oportunidade financeira. Isso é um compromisso da escola”, disse. Além disso, haveria 10 bolsas para os cursos de Administração de Empresas e Pública financiadas pelo Grupo Pão de Açúcar, que ofereceria aos alunos selecionados, por mérito, o valor da mensalidade mais uma ajuda de custo para gastos relativos à alimentação e despesas extras com materiais.

O professor ressaltou que pela 1ª vez (em 2014) a FGV iria aceitar alunos com notas do Enem (5 vagas de 50 para Administração Pública). Segundo o professor, a FGV quer atrair alunos/as de escola pública e de outros estados. De acordo com ele: “A gente acha que é

muito importante essa diversidade dentro do corpo discente que estuda na GV. Claro que é muito legal a gente ter alunos do Santa Cruz, do Vera, do Bandeirantes sim, mas a Administração Pública é mais complexa [...]”.

Segundo o professor, estudar na FGV não é problema de renda: ao falar que os alunos de baixa renda teriam oportunidade de estudar na instituição ele ressaltou que: “Passar no vestibular é um problema de vocês, permanecer na GV é problema nosso.” (Para informações institucionais sobre bolsas de estudos, ver Anexo 1).

Sobre o ponto acima apresentado, percebe-se entre outras coisas a existência de um discurso baseado na já batida ideia da meritocracia, aspecto que será explorado mais adiante na Seção 5. Entretanto, cabe notar como este discurso de inclusão social está permeado implicitamente por mecanismos de dominação simbólica: um/a aluno/a de classe menos favorecida mesmo que contasse com bolsa de estudos integral, ainda sim não compartilharia (ou teria uma inserção dificultada) das redes sociais cultivadas pelos/as demais estudantes ao longo de suas trajetórias, seja via relações familiares e/ou relações construídas no âmbito das escolas de elite paulistanas. Isto é possível de se apreender quando se percebe que os hobbies majoritariamente praticados pelos/as estudantes da FGV-EAESP incluem participar de festas caríssimas, de clubes restritos e também de viagens ao exterior, entre outros fatores.

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