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While learning is still in an analytical vacuum (as well as empirical) in the competence perspective, a few theoretical studies have been concerned with combining a static competence

A Chicago Booth School of Business50 é uma escola privada de negócios norte-

americana, localizada na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos da América (EUA). Primeiramente conhecida como University of Chicago Graduate School of Business, a

Chicago Booth School of Business é a segunda universidade mais antiga dos Estados Unidos

da América51, tendo sido a primeira a ofertar um programa de MBA (Master Business Administration) Executivo52 e ainda Doutorado em Negócios. A escola, localizada na cidade

de Chicago, também possui outros campi em Londres e na Ásia (primeiramente localizado em Singapura, e após 2013, transferido para Hong Kong) e tem como principais programas de pesquisa, as áreas de Finanças, Economia, pesquisa quantitativa de mercado e contabilidade. Tendo sido considerada, em 201353 e em 201454, pela revista The Economist como a melhor

escola de negócios do mundo, a Chicago Booth School of Business também é uma das mais caras: o valor anual de um curso de MBA chega a US$ 98 mil55.

Não é ignorado, contudo, que os rankings de classificação, bem como os indicadores sociais são construídos socialmente56, de modo que podemos pensar que os critérios de

avaliação também são criados arbitrariamente. Entretanto, olhar para tais rankings é importante na medida em que estes são capazes de transmitir determinadas crenças para aqueles que buscam este tipo de informação, como por exemplo, as pessoas que desejam se candidatar a um MBA nos EUA.

Neste sentido, a escolha da Chicago Booth como campo empírico não foi arbitrária, mas se pautou principalmente no fato de esta instituição ser, em conjunto com outras instituições americanas como Harvard e Stanford, responsável pela difusão de crenças

mainstream no campo mundial da economia e da administração (LEBARON, 2012).

50 A pesquisa realizada junto à Universidade de Chicago foi possível graças ao financiamento do projeto “A

produção de crenças pelos profissionais do management norte-americano: um olhar sobre a Chicago Booth

School of Business” pela FAPESP através da Bolsa de Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE).

51 Fonte: http://www.chicagobooth.edu/about/history. Acesso em 17 nov. 2014.

52 Fonte: http://www.emba.org/about_anniversary_history.htm. Acesso em 17 nov. 2014. 53Fonte: http://migre.me/sCPLb. Acesso em 17 nov. 2014.

54Fonte: http://migre.me/sCPNs. Acesso em 17 nov. 2014

55 Ver em: http://www.chicagobooth.edu/programs/full-time/admissions/tuition-financial-aid. Acesso: nov. 2015. 56 Para melhor aprofundamento desta questão, ver: Lebaron (2012), Sartore (2012).

Quando falo em crenças, estou me referindo a um conjunto de assertivas que estas escolas negócios criam ou incorporam para se legitimarem dentre outras, como no caso da legitimidade proporcionada pelos rankings educacionais.

Por exemplo, quando um “porta-voz legítimo” (BOURDIEU, 2008) da EAESP-FGV diz que esta é melhor que a FEA-USP pelo fato de a última ser uma instituição pública na qual existem muitos entraves ideológicos quando o assunto é a inserção de executivos como professores e que, entre outras coisas, este fato impossibilitaria a construção de redes (networking) entre os estudantes, este porta-voz está criando uma crença de que a EAESP- FGV é melhor do que a instituição pública de maior prestígio no campo da Administração brasileira e ao mesmo tempo reforçando outra crença, de que o setor privado é mais eficiente do que o público no Brasil.

Entender o papel que tais crenças possuem no âmbito da Chicago Booth nos interessa por três motivos principais: 1. Por conta da possibilidade de analisar comparativamente a produção de crenças tanto pela Chicago Booth quanto pela EAESP-FGV; 2. Pelo fato de haver estudantes brasileiros de MBA na Chicago Booth que fizeram cursos de graduação em Administração no Brasil e 3. Por conta de entre as instituições brasileiras que possuem parceria com a Chicago Booth, uma delas ser a própria EAESP-FGV.

Ainda sobre as possíveis correlações apontadas acima, é importante frisar, assim como Jardim (2011), que:

Ao se olhar as especificidades das configurações nacionais, é possível identificar singularidades que um olhar mais generalizante não teria condições de identificar; ao olhar o fenômeno da globalização/mundialização pela perspectiva de seus atores, de suas elites e de suas ações, fica mais fácil compreender suas nuanças e sua essência, evitando leituras onde o fenômeno tem caráter de uma “mão invisível”. (p. 14)

Outrossim, como já apontado por Dezalay e Madsen (2013), estudos pautados por uma metodologia comparativa, mostram-se significativos à medida em que visam contribuir para a discussão sobre a dimensão internacional das práticas nacionais, contribuindo também para sanar fragilidades e raridades presentes em análises sociológicas de tal escopo. Neste sentido, entender a formação das elites é fundamental para a compreensão de formas de dominação, sejam simbólicas ou efetivas. Num plano macro, esse estudo se junta aos esforços já existentes na sociologia econômica e sociologia das elites, os quais buscam compreender o capitalismo contemporâneo, assim como suas formas simbólicas de dominação. (GRÜN, 2007; DONADONE, 2012; JARDIM, 2009, por exemplo).

Assim como a Chicago Booth School of Business, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), também é classificada como a melhor escola de negócios do país e da América Latina , além de contar com um programa de MBA incluso na lista dos melhores do mundo . Em busca de entender melhor o espaço social em que a EAESP-FGV está inserida e o qual busca ampliar constantemente através das parcerias internacionais que firma com outras instituições de ensino, é que, entre outras coisas, atenta-se para as possíveis interconexões que um estudo sobre a Chicago Booth School of Business poderiam suscitar para se compreender as próprias dinâmicas da EAESP-FGV e das ciências do Management na formação das elites no Brasil contemporâneo.

Como é possível observar em seu site institucional, a EAESP-FGV possui parceria de intercâmbio com a Chicago Booth School of Business e, além disso, observa-se a existência de professores da EAESP que também frequentaram a instituição norte-americana, como por exemplo, o Prof.º Claudio Vilar Furtado, graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Administração pela FGV, Master of Business Economics e Doutor em Finanças pela Universidade de Chicago, e profissional de carreira permanente na EAESP desde 1974, ministrando aula nos programas de graduação e pós-graduação nas disciplinas “Estratégia de Investimentos”, “Finanças Corporativas” e “Private Equity” e “Venture Capital” .

Tendo a EAESP-FGV e a Chicago Booth School of Business como os interlocutores desta pesquisa, o que cabe destacar é a importância de se entender as interconexões entre os discursos das ciências da gestão brasileiras e os do Management norte-americano, de modo a compreender de que forma as elites paulistas se apropriam e ressignificam suas falas e comportamentos nesta relação, ou melhor, como aponta Bourdieu (2002), cabe entender o sentido no qual circula o capital simbólico, uma vez que o sentido e a função presente nestes discursos, são determinados tanto pelo campo de recepção quanto pelo campo de origem.

Assim, na busca de tentar analisar as duas instituições comparativamente no que diz respeito à produção de crenças, através dos discursos de professores, alunos e funcionários de ambas, é que tentarei esboçar nas páginas seguintes pontos de similaridade e afastamento entre as duas.

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