6 RESULTATER OG DISKUSJON
6.6 Retningsfordeling av persontrafikk
3.4.4.1. No Discurso dos Professores de Inglês do EF1 na Rede Municipal
Os recursos utilizados pelos professores diferem de acordo com o contexto de atuação. No EF1, rede municipal, há uma grande carência de recursos e, assim, as canções configuram-se o meio de mediação de destaque (vide Tabela 3.7) e o uso do livro é deslegitimado como vemos a seguir. Nos EF2 e EM, contexto estadual, a ênfase fica no Caderno do Aluno, material didático representado no discurso dos professores como sendo de uso compulsório, como veremos mais adiante nesta seção.
Recursos
No Discurso das Professoras do
EF1 No Discurso dos Professores do EF2 e EM
Canções 18 Caderno do Aluno 26
Livro 14 Textos 18
Desenho 4 Canções 12
Video 3 Filmes 4
Outros 9 Outros 7
Tabela 3.7 - Recursos
Todas as professoras do EF1 de rede municipal mencionam as canções como recurso lúdico por mim interpretado como recurso essencial para a mediação da aprendizagem e desenvolvimento da criança nessa fase escolar por configurar-se como um tipo de brincar em sala de aula:
“O que eu trabalho com as crianças, eu trabalho muita música.” Melissa “Eu trabalho musiquinha com eles, coisa de criança, fácil,...” Mariana
“... eu vou pegar pra você ver, um livro com músicas. Eu trabalho com a terceira série, que é esse aqui.” Mônica
“Ensinei a música da Spider.” Miriam
“E ... o vocabulário, bastante vocabulário, essas coisas, musiquinha, muita musiquinha, essas musiquinhas pedagógicas, né? [risos] Que eles CANTAM! O trabalho é esse: diversão! Principalmente isso. É eles se divertirem e APRENDER!” Maitê
Novamente todas as professoras do EF1 fazem referência a um livro didático fornecido pela prefeitura, mas que elas não usam ou usam muito pouco, pois de acordo com as representações ele está desatualizado; os exemplares devem
retornar e, sendo assim, o aluno deve copiar o conteúdo; serve para que os professores copiem desenhos nele contidos:
“Tem um livro lá que é o Teachers Learning nem sei porque, eu usei tão pouco esse livro. Mas ele tá muito desatualizado.” Mônica
“Eu tenho livros, mas eu não uso livro. Tenho um exemplar pra cada aluno, não, 40 exemplares.”
Miriam
“Então, a escola - ela tem um material, então eles têm um livro didático, não é lá essas coisas, né, mas dá pra gente tirar uma boa base pra gente trabalhar com as crianças.‟ Maitê
Tenho. Eu uso pra copiar alguns desenhos com eles. Melissa
Por exemplo, tem o livro também, que eu uso, mas muito pouco. Porque passar o livro pro aluno pra ele ficar copiando, não gosto muito. Mariana
Nota-se a deslegitimação do uso desse material didático por meio de Racionalização Instrumental (VAN LEEUWEN, 2008, p.113), ou seja, o livro é deslegitimado por não servir ao propósito mediador do processo de ensino- aprendizagem normalmente atribuído a esse tipo de recurso.
3.4.4.2. No Discurso dos Professores de Inglês do EF2 e EM na Rede Estadual A lista de palavras em ordem de frequência trouxe, entre as 200 palavras mais frequentes no discurso dos professores do EF2 e EM da rede estadual, itens lexicais recorrentes e entre eles observamos que as escolhas feitas para nomear o material didático da rede estadual em São Paulo, Caderno do Aluno, formam um grupo de escolhas cuja soma das frequências no discurso dos professores e dos alunos é bastante significativa. As diferentes formas usadas estão relacionadas pela sinonímia que as aproxima e sinalizam o impacto desse recurso na experiência vivida tanto pelos professores como pelos alunos. A Tabela 3.8 traz as seis escolhas feitas para se referir ao material e traz também a ocorrência referente ao jornal, material didático que precedeu os cadernos.
Item Lexical Pelos Professores Pelos Alunos Total de Ocorrências Freq. No Txt Freq. No Txt Apostila(s) 23 3 159 9 182 Apostilinha(s) 3 1 0 - 3 Caderno(s) 68 5 86 9 154 Caderninho 8 3 5 3 13 Livro(s) 17 4 63 9 80 Livrinho(s) 14 4 4 2 18 Total por Corpus: 133 317 450
Tabela 3.8 – Escolhas Lexicais para Nomear o Caderno do Aluno
Embora o foco e ponto de partida das análises sejam os processos materiais, no que diz respeito ao recurso Caderno do Aluno, o processo relacional ser na forma é tem grande relevância para a construção da representação desse sub-tópico uma vez que por meio do seu caráter atributivo, esse processo constrói a avaliação positiva desse recurso e traz suas limitações. O Quadro 3.8 ilustra essas ocorrências no discurso dos professores da rede estadual.
Atributo No.
ocorrências Exemplos
bom 11 “Então, o que eu tava falando pra você é que o caderno do aluno, ele não é ruim, é bom, é bom, sabe? ( ) a ideia é trazer novos conhecimentos aos alunos, né?” Estefânia
“O material é muito bom! Muito bom! É ... dá para os alunos criarem diálogos, dá para os alunos criarem roteiros. Dá pra fazer uma infinidade de coisas. SÓ QUE eles não pensaram que numa escola estadual, você tem uma problemática ENORME com relação aos alunos, (que primeiro) você tem que disciplinar, porque sem disciplina não dá!” Eduarda
dificuldade 9 “Os caderninhos. Então essa é a dificuldade. A dificuldade NO LIVRO pro entendimento DO ALUNO. A gente tem que criar estratégias, a gente cria estratégias pra conseguir aproveitar a apostila e paralelamente inserir algumas coisas, tá?” Evandro difícil 5 “Agora vêm as apostilas que a Secretaria da Educação tá
mandando. Então já vem mais ou menos - tudo é bem prontinho! Um ótimo material, mas de aplicabilidade difícil, digamos assim.”
Estela
“... eles acham, quando eles fizeram o caderno, que o aluno do Estado já estava preparado praquele tipo de texto, quando na verdade, não estão. Só que o difícil é porque você tem aquele TEMPO limitado pra terminar aquele caderno.” Estefânia
problema 6 “Eles fazem os livros achando que o aluno da escola oficial, da rede oficial, já sabe tudo aquilo, mas na realidade não é. Entendeu. Então, o único problema que dificulta é isso.” Estefânia
O caráter entendido como obrigatório do uso do Caderno do Aluno encontra- se representado nos excertos abaixo por meio do adjunto modal de obrigação tem de/que e pelo atributo imposto atribuído ao material:
“A gente canta a musiquinha dos cumprimentos, depois volta na apostila, vai fazendo uma mescla pra eles irem entrando na apostila, sabe? [...] Tem de trabalhar... a apostila, ...” Evandro
“E quando veio um material meio que imposto, né, eu, pra mim foi ótimo, o que vier pra mim é lucro porque eu não tenho material, né? Eu não tenho material pra trabalhar, então ...” Erika
Essa mesma representação é reiterada no discurso dos alunos como ilustra o exemplo a seguir:
“E todas as matérias o Estado está mandando uma apostila, só que aí que tá, eu nunca vi ela com essa apostila na aula. Todos os professor tem que seguir, não exatamente a apostila, mas praticamente tudo que tá na apostila, o conteúdo.” Eloísa
Os atributos bom e ótimo legitimam o uso do Caderno do Aluno por meio de Avaliação e de Racionalização Instrumental (VAN LEEUWEN, 2008 p. 113) que legitima seus objetivos, uso e resultados, construindo a representação positiva desse recurso mediador do processo de ensino-aprendizagem de inglês. Em contra partida, atributos como difícil, imposto e os itens lexicais dificuldade e problema legitimam por meio de Avaliação as limitações de uso desse material didático em função do perfil dos alunos, do tempo alocado. A obrigatoriedade de uso representada no discurso de professores e alunos indica a regra hierárquica que nos remete ao poder do Estado de fazer as escolhas pelo professor e que, por sua vez, não o empodera para fazer suas próprias escolhas e nele gera um possível sentimento de não-pertencimento, de não fazer parte de um corpo docente capacitado para fazer escolhas.