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As fronteiras linguísticas são bem visíveis na clusterização dos gráficos de referência a idiomas utilizados (GRAF.26). Os sites em inglês tendem a se concentrar no cluster C (embora diversos desses estejam também no cluster B), enquanto os sites em português são predominantes no cluster A.

As três categorias de gestão da natureza (GRAF.26) correspondem às categorias de idiomas, uma indicação da validade de cada classificação. O fato de ambos, linguagem e gestão da natureza serem consistentes revela correlação entre os dois.

Em particular, em ecologia social parece predominar uma abordagem brasileira, enquanto ecologia profunda é mais popular nos sites falantes da língua inglesa. Economia verde domina a categorização entre os sites do cluster B, é lá que estão os sites mais internacionais (com ao menos 4 idiomas). É o caso da maioria das instituições das Nações Unidas.

A grande incidência de sites em inglês se justifica por ser a língua mais falada no mundo e pela ONU centralizar seus debates em inglês.

GRÁFICO 26 – Comparação entre categorias de gestão da natureza e linguagem

Fonte: Dados da pesquisa

No entanto, a segunda colocação para a língua portuguesa se justifica pelos eventos Rio+20 e Cúpula dos Povos terem acontecido no Rio de Janeiro. O alto índice de sites (terceiro lugar) que utilizam ao menos quatro idiomas, se justifica porque a maioria das publicações dos sites das Nações Unidas e das ONGs transnacionais são em muitos idiomas (árabe, chinês etc.).

A terceira categorização da rede foi em relação ao estatuto institucional (GRAF.27). À princípio, definir isso pode parecer fácil, mas nem sempre, corre-se o risco de um pouco de arbitrariedade na classificação.

GRÁFICO 27 – Partição em relação à natureza institucional da rede

Fonte: Dados da pesquisa

A primeira pista para essa classificação foi o próprio domínio do site. Como a grande maioria é “.org” ou “.com”, seria fácil dizer ‘organização não governamental” ou ‘comercial’. Mas, organização não governamental por si só é muito abstrato, significa somente que não é governamental (Individual? Educacional? Social?), então a extensão do domínio não serviu muito como referência.

Quase metade da rede é de ONGs. Procuramos classificar como ONG128 as associações, institutos, oscips e ou instituições que têm regulamento e ação centrada na sua própria identidade. São as clássicas WWF, Greenpeace, IUCN, Mongabay, Sócio- ambiental, Rainforest Foundation, mas outras nem tão transnacionais, como Amigas do Peito e a Fase.

Esse alto número da ocorrência de ONGs na rede, especialmente no caso do Brasil, é coerente com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE)129. De 1996 a 2005, observou-se um forte crescimento no número de organizações da sociedade civil por 100 mil habitantes, passando de 66,5 para 184,4, aumento de aproximadamente 270%. São consideradas organizações da sociedade civil as fundações privadas e as associações sem fins lucrativos.

O censo informa que, em 2010, havia 290,7 mil Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos (Fasfil) no Brasil, voltadas, predominantemente, à religião

128

A denominação organização não-governamental começa a aparecer em documentos da ONU desde a segunda metade da década de 1940, do século XX, no pós-guerra. Neste momento o termo era utilizado se referindo às organizações internacionais, que se destacaram a ponto de possuírem direito a uma presença formal na ONU, contudo não representavam governos. (ACIOLI, 2008, p.9)

129 INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA IBGE. Disponível em:

<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=

2161&id_pagina=1>. Acesso em: 18 jun. 2012. É o último censo disponível sobre o assunto.

48%   11%   8%   7%   6%   6%   5%   5%  2%  2%   Ongs Trans-institucionais Educational Individual Eventos Movimentos Sociais Governamentais Media

(28,5%), associações patronais e profissionais (15,5%) e ao desenvolvimento e defesa de direitos (14,6%). As áreas de saúde, educação, pesquisa e assistência social (políticas governamentais) totalizavam 54,1 mil entidades (18,6%), já as entidades voltadas para a temática ambiental são quase inexistentes, 0,8%. As Fasfil concentravam-se na região Sudeste (44,2%), Nordeste (22,9%) e Sul (21,5%), estando menos presentes no Norte (4,9%) e Centro-Oeste (6,5%)130.

Todas as outras categorias de estatuto institucional ficaram com menos de 12%. Em seguida estão as trans-institucionais (11,22%), sendo a ONU o actante central (mais bem referenciado da rede) e todas suas instituições agregadas, por promoverem essa interação de instituições mais estruturadas, com identidade institucional bem definida.

Os grupos de cientistas, universidades e centros de pesquisas foram classificados como educacionais (7,97%). Caso do Real Climate e do Skeptical Science. No Brasil, é o caso da Rebea, rede brasileira de educação ambiental. Uma que poderia ser ONG, por estar na fronteira, mas que classificamos como educacional foi o Instituto Ingá, pela sua forte atuação em cursos de educação ambiental e técnicas agrícolas.

Os sites de indivíduos estão em quinto lugar (6,99%), com destaques importantes como os blogs de Telma Monteiro, Altino Machado, Lou Gold e Denis Delbecq. Nessa categoria, havia também actantes nas fronteiras entre duas naturezas institucionais.

Na categoria eventos (6,02%) está o site com mais referências na rede, o da Conferência Rio+20, seguido por outros como a Cúpula dos Povos. Os sites dessa categoria geralmente têm vida limitada, mas se as edições são periódicas, geralmente o mesmo site é utilizado a cada período, como o caso da pequena comunidade do Hidroworld, que tem versões brasileira, russa, indiana e mundial (cluster ‘I’).

As redes de ONGs que se articulam em fóruns e funcionam pela interação de indivíduos em listas de discussão foram consideradas movimentos sociais (5,53%), como o MST, Via Campesina, MAB, Racismo Ambiental, Xingu Vivo, Fórum Carajás e Fórum Social Mundial, e também redes de instituições de apoio ao evento da Rio+20, como o caso do Road to Rioplus20.

Os governamentais (5,37%) incluem o IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Cultura, Ministério do Desenvolvimento Agrícola, Itamaraty e Iphan. E estrangeiros como a Casa Branca, Agencia Ambiental dos Estados Unidos, governo da Colômbia, da França etc. Um padrão entre esses sites é a extensão “.gov”.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/fasfil/2010/default.shtm>. Acesso em: 12mar. 2013.

Os sites governamentais foram selecionados por pautarem com frequência a conferência Rio+20, pela presença no evento e por fazerem referência ao site oficial, mesmo que sua presença nessa rede possa causar algum embaraço. Foi o caso do Ministério da Cultura, quando convidado a responder o survey da pesquisa, respondeu: “O Ministério da Cultura agradece a sua mensagem e informa que não produz informações com a temática ambiental, o que nos impossibilita em ajudá-la com o questionário.”

Os sites de mídia são poucos (4,72%) porque todas as grandes empresas de mídia foram recusadas na rede, para não desarmonizarem o desenho com seus nós super referenciados, característicos da parte alta da web. Nessa classificação, portanto, restaram sites como o Centro de Mídia Independente, o Global Voices131 e o Brasil de Fato. O blog Dotearth132, do New York Times, foi registrado por ter um domínio diferente do veículo que o acolhe.

Religiosas (2,28%) foram classificadas, sobretudo, as que têm uma mensagem mística sobre a questão ambiental, como o caso da Indigenize, Cáritas, Adital e Actalliance. Em ‘Negócios’ (2,28%) foram classificadas as empresas de energia, como a Eletronorte (que faz o blog oficial de Belo Monte) e o Banco Mundial.

Por fim, o único actante identificado com o estatuto institucional ‘político’ foi o Partido pelo Descrescimento, francês, que atua desde 2006 na França com o slogan: “une croissance illimitée dans un monde limite est une absurdité”133.