Esse subcluster (GRAF.11) é dominado pelo movimento Xingu Vivo e denota a ligação entre entidades locais do norte e nordeste do Brasil com ONGs transnacionais, como a International Rivers e a Conservation Strategy.
GRÁFICO 11 – Subcluster a3
Fonte: Dados da pesquisa
São actantes que trabalham em colaboração. O Xingu Vivo, no fluxo dos magmas das relações, é via central de informações para um coletivo de organizações sociais ambientalistas da região de Altamira que historicamente se opuseram à instalação da barragem de Belo Monte no rio Xingu. Seu site tem PageRank 5 e é linkado por 298 outros sites, segundo o índice Alexa. Sua atualização é diária e utiliza widgets de redes sociais (Facebook e Twitter) e vídeos de sensibilização pública, como o do menino indígena
91 MILANO, Miguel. ECO92 à Rio+20: parte III, a utopia amaina mas persiste. 2012. Disponível em:
<http://www.oeco.com.br/convidados-lista/26156-eco92-a-rio20-parte-iii-a-utopia-amaina-mas-persiste>. Acesso em: 12 jan. 2013.
pedindo a presidenta Dilma que impeça a construção de Belo Monte, que replicou como meme em outros sites.
O conceito de economia verde para o Xingu Vivo é negativo, pela contradição de grandes barragens serem consideradas positivas, sendo que nos quesitos culturais e humanos elas são negativas:
Ademais, a caracterização de barragens como “energia limpa” para uma economia verde que parece fazer parte de uma tendência para “soluções de mercado” definido pelos interesses dos principais atores do setor privado, onde a relevância dos direitos humanos, políticas públicas e das instituições democráticas tem sido cada vez mais menosprezada. (MILLIKAN, 2012, on-line)92
Outros blogs importantes que tratam dessa questão são os de Telma Monteiro, com o slogan “Energia elétrica, ambiental e socialmente limpa” e Cândido Neto, o Língua Ferina, que trouxe a reportagem “Economia verde e alterações no Código Florestal facilitam a internacionalização da terra”, com essa significativa ilustração da terra transformada em código de barras. (FIG. 10).
FIGURA 10 –Terra transformada em código de barras
Fonte: CUNHA NETO, 2012.93
92 MILLIKAN, Brent. Além do mito das barragens como “energia limpa”, 2012. Disponível em:
<http://www.xinguvivo.org.br/2012/06/06/alem-do-mito-das-barragens-como-energia-limpa-por-brent- millikan/>. Acesso em: 18 jun. 2012.
93
CUNHA NETO, Cândido. Economia verde e alterações no Código Florestal facilitam a
A mesma linha negativa para o conceito segue o blog de Rogério Almeida, O Furo. Ele explica no título do blog sua motivação, a esperança de construir um canal de informação entre um ambiente local e outro global:
Furo na geografia é o canal de comunicação entre um rio e seu afluente. No jornalismo é o gol de placa, o fato anunciado em primeira mão. O Furo em questão deseja ser um canal de comunicação entre a Amazônia e o resto do mundo.
(ALMEIDA, 2012,on-line)94
Almeida (2012) recebeu e respondeu o comentário para seu artigo intitulado: “Economia verde, existe?”, mostrando a necessidade da ‘vigilância’, do estar atento ao que está acontecendo na gestão da natureza.
FIGURA 11 – Comentários do blog de Rogério Almeida
Fonte: ALMEIDA, 2012, on-line.95
A frase deixada no comentário revela a síntese do conceito de economia verde por uma usuária, que talvez já tenha percorrido outros blogs desse lado da rede para formar a sua crença.
Outro destaque que segue essa linha contra a economia verde e a política desenvolvimentista de Lula e Dilma é o blog ‘Como estão as coisas por aqui’96, da pedagoga e mestra em Extensão Rural Adrica Coelho. Publicação independente, desde 2009 divulga informações sobre o que acontece no Pará, especialmente nas regiões do rio Tapajós e Xingu. Faz cobertura fotográfica íntima das localidades: garimpos ilegais, conflitos de terras,
economia-verde-e-alteracoes-no-codigo.html>. Acesso em: 3 ago. sto de 2012.
94 ALMEIDA, Rogério. Furo. Disponível em: <http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com.br/>. Acesso em: 30
out. 2012.
95 ALMEIDA, Rogério. Economia verde existe?. Disponível em: <http://rogerioalmeidafuro.blogspot.com.
br/2012/02/economia-verde-existe.html>. Acesso em: 4 abr. 2012.
extração ilegal de madeira etc. É um radar local/global de todas as notícias em torno, pois utiliza o RSS de mais 40 sites e blogs relacionados, desde as de caráter nacional, como MST, MAB e CPT a outras mais ‘locais’, como o Colegiado de Desenvolvimento Territorial da BR 163.
Nesse subcluster (GRAF.12) temos exemplos de inserção semântica dos conceitos de economia verde como algo positivo pelo Instituto Socioambiental (ISA), que faz a conexão entre a1, a2 e a3. Em relação à rede inteira, está numa posição central, o que não surpreende, por sua importância histórica no movimento ambientalista brasileiro. Formado em 1991, com membros importantes como Eduardo Viveiro de Castros e João Paulo Capobianco, recebem verbas de parceiros internacionais como a Interchurch Organization for Development Cooperation97 e Norwegian Church Aid98, a Embaixada da Noruega, a Fundação Gordon & Betty Moore, as Nações Unidas e a Rainforest Foundation. No Brasil, recebe ajuda da Fundação Banco do Brasil, Natura, da Vale do Rio Doce e outras. Entre os parceiros que doam recursos para projetos, a maioria é de actantes bem locais, como a Associação das Mulheres Indígenas da Bacia do Içana e a Associação Remanescentes de Quilombo do Bairro Ivaporunduva (entre outros). Do ponto de vista do pragmatismo, publicar os nomes dos patrocinadores internacionais dá legitimidade ao trabalho do ISA, por outro lado, publicar o nome de pequenas instituições prova aos parceiros globais que a favorece pequenas comunidades. Outro fato agregador de credibilidade para essa ONG, que talvez seja a mais importante no contexto atual no Brasil, é que seu site funciona como um banco de notícias da questão ambiental e repositório de conteúdos geográficos e sócio-culturais das florestas e populações indígenas.
Embora o foco principal seja a questão indígena, outros conteúdos relacionados à gestão da natureza pela economia verde são recorrentes no site. A matéria ‘Resolução abre caminho para que consumidores gerem sua própria energia’99, que esclarece as vantagens dos consumidores investirem em geradores de energia, atividade regulamentada por lei, com crédito da Informação dada ao Greenpeace. Isso já denota uma proximidade discursiva com a economia verde, uma presença que pode disseminar uma tendência positiva para o conceito, como o site O Eco.
97 Disponível em: <www.icco.nl>. Acesso em: 10 dez. 2012. 98
Disponível em: <www.nca.no>. Acesso em: 10 dez. 2012.
GRÁFICO 12 – Rede ego-centrada no Instituto Socioambiental
Fonte: Dados da pesquisa