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Results from CFD simulations and determination of minor losses . 87

Inicialmente procurei a melhor maneira de me apresentar ao grupo que seria o meu contexto de pesquisa. Como já havia definido que faria o estudo na mesma escola em que trabalhava como professora, optei por trabalhar com uma turma de alfabetização composta por crianças de seis anos. A primeira ação foi falar de meu propósito para a diretora da escola e explicar como realizaria a pesquisa. De pronto, a diretora se mostrou aberta ao trabalho e se dispôs a colaborar. O próximo passo foi identificar uma das professoras que estavam trabalhando com turmas de alfabetização e apresentar o meu projeto de pesquisa. Conversei com duas professoras e elas concordaram em fazer parte deste trabalho. Fiquei com a professora M. pelas razões já descritas.

Como trabalharia com os pais (ou outros membros da família), solicitei a ajuda da diretora para lhes ser apresentada. Isso foi feito na primeira reunião com pais. A diretora me apresentou, falou da relevância do meu trabalho, da confiança que tinha em minha pessoa e da importância da colaboração de cada um, foi neste momento que falei sobre o trabalho que pretendia realizar. Esse fato foi bastante significativo para a pesquisa e facilitador da minha entrada na casa de cada um deles. Por ter sido estabelecido um grau de confiança, eles foram convencidos a colaborar sem dificuldades. Participei de outras reuniões com pais e responsáveis pelos alunos da professora M. sempre contando com o apoio de cada um, e, sobretudo da professora para o andamento da pesquisa.

A turma é composta de 31 alunos, sendo 18 meninas e 13 meninos. A maioria desses alunos reside nas proximidades da escola. Um mora do outro lado da cidade e se desloca de ônibus na companhia da irmã mais velha que estuda em uma escola próxima. Outro reside em uma cidade do Goiás, próxima à Santa Maria e, geralmente, vem de bicicleta com a mãe.

Para a maioria dessas crianças este é o segundo ano de escolaridade. Elas freqüentaram o segundo período da educação infantil em 2006. Porém, segundo o relato da professora, os alunos começaram o ano letivo sem apresentar “conhecimentos relacionados às letras, aos conceitos básicos ou mesmo aos aspectos referentes à socialização do grupo”.

Já para trabalhos relacionados à pintura, a professora afirma que eles os realizam com entusiasmo e familiaridade.

Os critérios para a formação da turma foram idade e o nível de aprendizagem apresentado no teste da psicogênese realizado no final do ano letivo. A professora afirma que, mesmo sendo o segundo ano de escolaridade, a turma mostrou pouca adaptação ao ambiente escolar. Alguns alunos apresentaram problemas em permanecer no período de aula e insegurança na realização das atividades escolares.

A partir do conhecimento da composição da turma da professora M., procurei conhecer os familiares dessas crianças e explicar melhor o trabalho que estava sendo realizado. No primeiro momento parece que não houve uma real compreensão do trabalho, mas, à medida que ia adentrando a casa dos sujeitos colaboradores da pesquisa, ia ficando mais clara a intenção do estudo. As primeiras visitas não foram fáceis: chegar à casa dos alunos parecia naquele momento mais complicado do que eu imaginara. O receio de não ser compreendida tomava conta de mim. Era como se estivesse invadindo a privacidade das pessoas.

Vencida essa primeira impressão, vieram as dúvidas: o que observar realmente para dar conta do objeto de estudo? Como observar? Que ações seriam mais relevantes? Embora a minha pesquisa não estivesse com hipóteses definidas a priori, a entrada em campo exigia objetivos claros. Tinha como objetivo principal perceber o envolvimento dos familiares com eventos de letramento em situações reais e perceber que fatores e práticas sociais contribuem para a inserção das crianças no mundo da escrita.

Para dar conta do objetivo proposto, busquei conhecer a história de vida das pessoas que participam deste estudo. Isso foi feito a partir de entrevistas semi-estruturadas, com possibilidades de respostas em forma de narrativas. Dessas entrevistas vieram as primeiras respostas que definiram os dados mais relevantes para o trabalho: origem das pessoas; escolaridade; circunstâncias em que ocorreu a escolarização; atitudes em relação aos estudos dos filhos; profissionalização ou não; participação religiosa; presença de materiais escritos no lar e envolvimento com a escrita. Outros fatores também foram relevantes para conhecer essas famílias, tais como: situação sócio-econômica e variedade

lingüística usada por elas, entre outros. Sempre que possível gravava a conversa com os participantes. Anotações de campo, durante a conversa ou logo depois, foram extremamente necessárias.

Cada visita consistia em observação participante, os lugares comuns para os membros do grupo pesquisado tornavam-se para mim fontes de dados. A maioria dos encontros ocorreu dentro das casas dos colaboradores, mas não deixaram de ser importantes quando aconteciam na rua, no supermercado, na loja de calçados ou até mesmo dentro do ônibus; tudo isso era significativo para entender os modos de vida dessas pessoas e compreender melhor suas atitudes frente à cultura letrada.

O outro contexto da pesquisa foi a escola em que as crianças estudam, com observações em sala de aula e em outros ambientes promovidos no espaço escolar. Precisava perceber como as crianças vão-se apropriando do mecanismo da escrita e que atitudes da professora são relevantes para que isso ocorra. Nesse contexto, na maioria das vezes, fiz uso da câmera de vídeo, fotografias e diário de bordo.

Nas primeiras aulas gravadas, as crianças se entusiasmaram muito com a presença da câmera, mas não demorou muito para se acostumarem. A relação de confiança entre mim, a professora e as crianças foi fundamental para perceber as ações significativas para o estudo. A cada dia que chegava à sala de aula era recebida com alegria pelos alunos, principalmente por aqueles a quem já havia visitado em casa.