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Classification of reservoir fluids

2.3 Reservoir fluids

2.3.3 Classification of reservoir fluids

O currículo é um gênero oficial de ensino, ou seja, é produzido a partir de fonte oficial e se caracteriza por expressar posições pedagógicas e políticas de órgãos públicos reguladores da política educacional” (SILVA; FRADE, 1998, p. 97). Seu principal interlocutor é o/a professor/a. Este documento orienta as ações pedagógicas e, dependendo do entendimento que os professores possuem acerca dele, as práticas pedagógicas podem ser

conduzidas de modo a reproduzir as relações de dominação em nossa sociedade, ou, ao contrário, possibilitar mudanças em tais relações.

Em uma quarta-feira, dia destinado à coordenação pedagógica coletiva na escola, reuniram-se em uma plenária de professores de várias escolas a fim de discutirem o Currículo da SEEDF. Algum tempo depois, a Secretaria de Educação enviou às escolas um quadro- síntese das principais declarações dos/as professores/as. Por se tratar de um dia que é destinado à coordenação pedagógica coletiva, consideramos relevante analisar as representações dos/as professores sobre o Currículo neste evento. No dia da plenária, foram discutidas as seguintes questões:

1. Que aspectos precisamos recuperar no Currículo do ensino fundamental anos iniciais como elementos importantes de um trabalho comprometido com a qualidade do ensino na escola pública?

2. Como podemos aproximar a cultura acadêmica e escolar que correspondem às definições que constituem o Currículo e a cultura experiencial, adquirida individualmente pelos alunos em seus intercâmbios espontâneos?

3. Quem são os sujeitos para quem organizamos o Currículo do ensino fundamental nos anos iniciais? Qual a concepção de desenvolvimento humano a ser considerada?

4. Quem são os professores que implementam o Currículo do ensino fundamental?

5. O que é ensinar e aprender? Qual a nossa concepção de ensino e aprendizagem?

6. Qual o espaço da educação física, arte e ensino religioso no Currículo dos anos iniciais do ensino fundamental?

7. Como avaliamos os conhecimentos privilegiados no Currículo do ensino fundamental anos iniciais? O que incluímos e retiramos do Currículo? Em que nos baseamos?

Tais questões deveriam ser analisadas sob três aspectos em relação à elaboração do Currículo: potencialidades, fragilidades e alterações propostas.

As potencialidades dizem respeito aos “pontos fortes” do Currículo segundo a opinião dos professores, ou seja, referem-se ao que teoricamente não precisa ser modificado no texto do currículo. As fragilidades são aspectos que, segundo os professores, não possui uma relevância para a prática escolar ou até mesmo conteúdos que não foram abordados no Currículo, mas que deveriam constar no mesmo. As alterações propostas partem de aspectos (ou conteúdos) que devem ser reformulados ou acrescentados ao texto do currículo. Esse campo trata também de possíveis mudanças estruturais no sistema de educação do Distrito Federal, sugeridas pelas escolas.

Por se tratar de representações docentes sobre o currículo e, principalmente, sobre o que os professores sugerem como mudanças no Currículo das escolas públicas do Distrito Federal, analisamos, como no estudo das DPB, a modalidade, especificamente a modalidade deôntica, nas representações, a fim de investigar o que os/as professores consideram que deve ser modificado no currículo:

(17) O professor às vezes trabalha gramática e o que o aluno precisa é sair lendo, escrevendo e interpretando.

(18) Precisamos de psicopedagogos, psicólogos, assistentes sociais, grupo de apoio especializado.

(19) É necessário que o currículo resgate a identidade da escola pública do DF. É muito extenso, mas falta a nossa identidade, não aborda os anseios da nossa comunidade, deve ser o currículo da nossa sociedade.

(20) Precisamos de biblioteca estruturada.

(21) O currículo tem que ser mais flexível e menos cansativo. (22) Formação continuada tem que continuar.

(23) Colocar na escola a função social da escola, pois isso está diretamente ligado ao currículo; também precisamos discutir o papel do professor.

(24) Não trabalhar gramática, pois o papel do aluno de primeira a quarta é ler, escrever e compreender.

O modalizador deôntico “precisar”, presente nos Exemplos 18, 20, 22 nos mostra o que os/as professores/as consideram de mais urgente nas escolas e que influencia diretamente na prática pedagógica. Podemos constatar por meio desses exemplos que professores/as se posicionam criticamente em relação às condições precárias de trabalho, como a falta de profissionais especialistas nas escolas por exemplo.

Nota-se nos Exemplos 17 e 20 a preocupação dos/as professores/as com relação à leitura e escrita dos alunos, reivindicando bibliotecas que possam colaborar para o melhor desempenho das competências de leitura e escrita. No Exemplo 20, os/as professores/as referem-se às condições de trabalho precárias, que encontramos na maioria das escolas brasileiras. Falar em qualidade em educação requer condições mínimas de trabalho para que os professores possam trabalhar de forma digna. Ao dizer que as escolas necessitam de bibliotecas estruturadas, o/a professor/a refere-se ao fato de estarmos em um país que, teoricamente, incentiva a leitura e sequer disponibiliza bibliotecas aos alunos para que possam ler e realizar suas pesquisas. Lembramos, também, que nas duas escolas pesquisadas não há biblioteca, há uma sala de leitura que é utilizada também para a realização da coordenação pedagógica.

A dizer que o currículo tem que ser mais flexível, e menos cansativo, em 21, o/a professor/a está avaliando o currículo de forma negativa, pois demonstra seu ponto de vista e sua incompreensão em relação ao texto, que é cansativo, pois exige uma leitura minuciosa e aprofundada para a sua compreensão.

Há também, segundo os/as professores/as, a necessidade de formação continuada que não seja interrompida, que seja constante, conforme nos mostra o Exemplo 22. Isso porque no contexto educacional, o/a professor/a precisa lidar com os desafios que se apresentam diariamente. Em meio às mudanças e imposições globais, os/as professores/as necessitam repensar, constantemente, suas práticas pedagógicas e sua própria identidade, conforme nos mostra o Exemplo 23. Qual o seu papel? Sabemos que nos dias atuais o professor assume vários papéis que precisam ser discutidos pela sociedade, pois ele mesmo demonstra ter incerteza com relação a sua própria identidade e às funções por ele desempenhadas.

No Exemplo 24 temos uma negação categórica em ensino relação ao ensino da gramática e, em seguida, uma afirmação categórica (ambos, modos que revelam alto grau de comprometimento do/a locutor/a com o que enuncia) sobre o papel do aluno, que é de saber ler, escrever e compreender o texto, demonstrando um posicionamento crítico em relação ao ensino e aprendizagem do português como língua materna: “o papel do aluno de primeira a quarta é ler, escrever e compreender”. Vale ressaltar que durante a observação realizada nas escolas, constatamos que os professores ainda não estão certos quanto à necessidade, ou não, de se trabalhar a gramática em sala de aula também como devem “ensinar”, ou não, aspectos gramaticais aos alunos.

A análise do quadro-síntese resultante da plenária de professores nos mostra que a discussão e reflexão sobre o currículo se caracteriza como uma prática de letramento ideológico (STREET 1995, cf. Cap. 2), ou seja, que assume que o significado de letramento depende das instituições sociais nas quais está inserido, uma vez que possibilita aos/às professores/as, por meio de sua participação, posicionarem-se criticamente em relação ao currículo e às condições precárias de trabalho existente nas escolas, que são ocultadas no discurso hegemônico dos documentos oficiais. A discussão sobre o currículo nos remete à importância da efetivação da agência de professores/as, que segundo Fairclough (2003, p. 161), “depende da natureza do evento e sua relação com as práticas e estruturas sociais e as capacidades do agente”.

Segundo as categorias avaliação e modalidade, pudemos compreender as representações dos/as professores/as acerca do currículo na plenária regional, o que eles/elas consideram como necessário que seja modificado nas escolas com vistas à operacionalização do currículo

bem como o que é necessário que seja modificado em relação ao seu texto, que é, por diversas vezes, incompreendido pelos/as professores/as devido ao alto grau de complexidade. Os exemplos de modalidade analisados demonstram que os professores/as posicionam-se de forma crítica e explicitam, algumas vezes, um alto grau de comprometimento em suas falas no que tange às condições precárias de trabalho das escolas públicas, como a falta de especialistas e de infraestrutura. Além disso, as representações docentes reiteram que a formação continuada deve ser permanente, corroborando para a necessidade da formação profissional acerca do currículo acontecer de forma permanente.