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Resulted design - Diabetes Diary version 3

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6.2.2 Resulted design - Diabetes Diary version 3

O primeiro indicativo das intenções e do porquê da existência do curso, ou da reforma do currículo do curso, está colocado nas Justificativas apresentadas nos fundamentos. Dos 40 cursos pesquisados, 31 apresentaram algum tipo de discurso que justifique sua existência. Assim, na Tabela 5, podem-se observar as justificativas apresentadas para a criação do curso.

Tabela 5:

Justificativas para criação do curso (por quantidade de trechos sobre a justificativa citada) Justificativa Quantidade de trechos das justificativas para criação do curso (n) % Relação ao Total de Justificativas dos PPCs % Relação aos cursos

Responder a problemas e demandas sociais 44 34,1% 68,8% Responder a demanda mercadológica 36 27,9% 56,3% Responder a Demandas administrativo-burocráticas 26 20,2% 34,4%

Promoção de Saúde e/ou Qualidade de Vida

9 7,0% 15,6%

Importância da Psicologia 4 3,1% 12,5%

Atualização profissional 10 7,8% 15,6%

A análise da justificativa permite apreender as diferentes “vocações” e demandas locais, responsáveis pela criação dos cursos. Dos cursos que apresentam justificativas (n=32), as relativas às Respostas a Problemas e Demandas Sociais provaram-se mais presentes, totalizando 68,8% dos cursos. Em análise mais depurada, observa-se também que é ela quem possui maior peso nos textos dos PPCs (ocupa maior parte dos textos e tem maior recorrência), compondo 34,1% de todos os trechos que versam sobre justificativa nos cursos, o que pode indicar um alinhamento do discurso das instituições com os postulados das DCN e discussões anteriores no campo da formação do psicólogo que priorizam a produção de um profissional compromissado socialmente. Ou seja, não só é a justificativa que mais aparece nos cursos, como é a que tem o maior peso dentro das justificativas apresentadas pelos PPCs.

O discurso do compromisso social se mostra como o mais atrativo para justificar os cursos de Psicologia. O que antes era pauta de reinvindicações das entidades, como

discurso diferencial de alguns dos cursos, sobretudo os da iniciativa pública, agora se torna hegemônico. Alguns trechos abaixo podem ilustrar melhor essa variável:

De forma geral, foi constatado que a graduação em Psicologia apresenta dificuldades quanto a uma adequada intervenção numa realidade socioeconômica singular que é a da população brasileira, e mais especificamente a nordestina, caracterizadas por pauperização e desigualdade social elevadas. O Curso XV reflete esses óbices, apresentando ainda limitadas alternativas de ação que se revertam em benefício da maioria da população. Maior relação Universidade- Comunidade e uma formação pedagógica voltada para a cidadania tem sido metas consensuais dos que fazem o Curso XV. (Curso XV)

Diante desse quadro a formação do psicólogo deve estar pautada no preparo para atender as demandas sociais, sendo- lhe exigida uma postura crítica e comprometida com o desenvolvimento social. (Curso ix)

Este Projeto Pedagógico do Curso de Psicologia e sua matriz curricular foram constituídos a partir de um conjunto de atividades que estruturam o processo ensino- aprendizagem, a extensão e a pesquisa para a formação profissional em um novo contexto social e histórico. No contexto regional destaca- se a necessidade de envolvimento com as questões sociais, os

direitos humanos, a cidadania e o maior compromisso com a justiça social. (Curso VII)

Outro discurso oficializado das instituições para justificar a criação dos cursos parte de questões que estão relacionadas, em tese, ao mercado educacional – o qual seria materializado na falta de curso na região. Essa ausência de cursos acaba transparecendo como uma resposta às demandas mercadológicas: 56% das instituições afirmam que criam os cursos por haver uma demanda de mercado, seja pelo baixo número de profissionais, seja por existirem poucos cursos, como ilustrado no trecho abaixo:

Necessidades regionais. A região geoeducacional abrangida pelo Curso I compreende os municípios de Taquara, Parobé, Nova Hartz, Araricá, Sapiranga, Novo Hamburgo, Igrejinha, Três Coroas, Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Santo Antônio da Patrulha, Cambará do Sul, Jaquirana, Rolante e Riozinho. Essa região conta com uma população de 668.814 habitantes, conforme Censo do IBGE - 2007. A economia dessa região é constituída, principalmente, pela indústria de calçados, além de metalurgia, eletrônica, química, malhas, móveis, alimentos, celulose e ferramentas. O comércio, atuando em todos os setores, e a área de prestação de serviços, com órgãos públicos e instituições particulares, também marcam a região, assim como também o fazem a agricultura e a pecuária. O turismo, vocação muito expressiva da população e das organizações, está em permanente crescimento, com predominância nas cidades de Gramado e

Canela, conhecidas mundialmente pelo adequado aproveitamento de seus recursos naturais e humanos. A rede hoteleira da região, conforme estimativa da Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, em 2008, tinha capacidade hoteleira, considerando a abrangência de 70 a 150 km de Porto Alegre, constituída de 366 hotéis, 12.066 unidades habitacionais e 30.300 leitos. (...) Nesse contexto, os egressos do Curso de Psicologia têm a perspectiva de trabalho em toda a rede de atendimento em saúde, como também um amplo campo de atuação nas empresas da região. Além disso, podem atuar em instituições não governamentais, escolas, órgãos do governo e projetos comunitários. O Curso I sente-se na responsabilidade de capacitar profissionais psicólogos para que atenda, de forma competente, aos novos desafios impostos por uma sociedade com múltiplas diversidades. (Curso I)

E a outra relevante justificativa presente refere-se à questão das reformas administrativas e burocráticas pelas quais as IES precisam passar para, em sua maioria, adequar-se as políticas impostas, com destaque para as DCNs. De fato, 34% dos cursos que apresentam justificativas, o faz evocando a necessidade de atualização dos currículos para adequar-se a legislação vigente das políticas de ensino superior brasileiro.

Em menor proporção, outras três justificativas foram citadas: a Promoção de Saúde e/ou Qualidade de Vida, justificando a presença do curso a partir da importância que o psicólogo tem na melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das pessoas; da

Importância da Psicologia, que é uma justificativa tautológica, o curso existe porque a Psicologia é uma ciência importante, e há uma tradição de ensino (sem explicitar em como se daria essa importância); e Atualização Profissional, justificando a presença do curso como um espaço onde a população pode se qualificar profissionalmente, a fim de ascender socialmente e aprimorar seus conhecimentos sobre os seres humanos e seu universo “psíquico”.

De forma geral, percebe-se que as instituições agregam diversas justificativas para a criação do curso. Várias das justificativas listadas aparecem de forma concomitante nos PPCs, o que pode indicar uma tentativa de construção de um argumento sólido para a existência da formação em Psicologia, tendo em vista o grande número de graduações já existentes no Brasil.