• No results found

Responsible investment efforts

In document The Government Pension Fund 2019 (sider 53-57)

A distribuição espacial dos recursos de solos, como uma das principais componentes das terras, mereceu uma atenção especial na abordagem metodológica do presente trabalho. Assim, desde a preparação dos reconhecimentos de campo até à distribuição espacial dos solos, foram levadas a cabo vários procedimentos que se enquadram nas técnicas de cartografia dos solos. Segundo Dent & Young (1981), a cartografia de solos é um processo sistemático de observação, descrição, classificação e distribuição dos mesmos numa área determinada. Na cartografia de solos pretende-se identificar a distribuição dos solos como entidades naturais através da descrição das suas propriedades (Soil Survey Staff, 1993).

A cartografia dos solos compreendeu a (i) caracterização das unidades cartográficas e a (ii) delimitação das unidades cartográficas. Descreve-se a seguir de maneira resumida a abordagem metodológica adoptada.

A distribuição espacial dos solos no campo e as técnicas e instrumentos de cartografia dos solos foram efectuadas numa abordagem que se pode considerar como de cartografia integrada (Zonneveld, 1989). A interpretação da distribuição dos solos na paisagem foi efectuada pela análise dos factores condicionantes da evolução e das características dos solos, nomeadamente, o clima, a rocha-mãe, a topografia e os organismos (vegetação).

As escalas de trabalho e nível de pormenor cartográfico adoptados foram os seguintes: nos reconhecimentos de campo foi utilizada a escala de 1/100.000; aquando da aquisição, importação e processamento dos dados em SIG trabalhou-se (provisoriamente) à escala de 1/250.000; finalmente, a escala de publicação adoptada foi de 1/500.000.

Entendeu-se que a variação espacial dos solos está correlacionada com a das unidades fisiográficas básicas, isto é, áreas homogéneas individualizadas de formas de relevo, numa formação geologia específica, que é utilizada no planeamento do uso da terra, de acordo com o pormenor e a escala de trabalho (Godfrey, 1977). No presente trabalho, a unidade fisiográfica básica foi considerada como uma unidade de paisagem relativamente homogénea quanto aos factores do meio que condicionam os solos e as terras incluindo o clima, a geologia, as formas do terreno, a vegetação natural e o uso da terra.

Como foi anteriormente dito a distribuição dos solos não teve o suporte da fotointerpretação e, por isso, a localização dos perfis, ao longo dos percursos dos acessos possíveis, foi efectuada com base na documentação disponível, incluindo cartas topográficas na escala 1/100.000 e o mosaico Landsat, mencionados no ponto 4.1.1., complementada com os mapas de solos referidos no ponto 3.5. A seguir procedeu-se à interpretação da distribuição espacial dos solos.

Tendo sido adoptada no reconhecimento de campo a escala semi-detalhada de 1/100.000, atendendo a que a área não estava coberta por fotografia aérea e que os acessos são limitados, foram adoptadas as unidades fisiográficas para base cartográfica da distribuição espacial dos solos, à escala de 1/500.000. Assim, a partir dos dados das observações dos perfis (incluindo as características morfológicas e os dados analíticos) e das informações relativas ao meio em que os mesmos se inserem, foram estabelecidas as unidades pedológicas ou taxonómicas, as quais foram identificadas através dos perfis representativos (típicos) ou modais. Os passos subsequentes foram executados com apoio de um SIG (ponto 4.3), tendo sido adoptados os procedimentos que a seguir se descrevem:

Os factores de formação dos solos, incluindo a geologia, o relevo e a precipitação,

foram utilizados como camadas (layers) de informação para a diferenciação das unidades fisiográficas básicas e para a interpretação dos padrões de distribuição espacial dos solos.

Os atributos espaciais dos perfis dos solos foram adicionados por sobreposição às

unidades fisiográficas. Nas unidades fisiográficas onde não foram efectuadas observações de solos assumiu-se que, em grande medida, os solos são os mesmos onde quer que os três factores (geologia, clima, relevo) considerados sejam os mesmos; isto é, em ambientes similares os solos são semelhantes. Assim, foi comparada a composição das unidades cartográficas que foram constituídas com base nas observações de solos no terreno com as que não dispunham de informações do terreno e por verosimilhança foram atribuídos os solos dominantes para a constituição das unidades cartográficas das mesmas. Foi essencialmente usada a informação do modelo digital de terreno SRTM (NASA & NGA, 2006) como uma fonte expedita dos factores de formação dos solos para a atribuição de unidades cartográficas de solos nas áreas em que não se dispunha de observações dos mesmos (Jensen, 2005).

Como foi anteriormente dito, as unidades cartográficas dos solos foram definidas em correspondência com os solos dominantes das unidades fisiográficas representadas por

uma unidade pedológica ou pela associação de duas unidades pedológicas. Esquematicamente, cada unidade cartográfica de solos está associada a uma unidade fisiográfica, à escala de 1/500.000 – a escala adoptada como escala de apresentação do Esboço da Distribuição Espacial dos Solos. Portanto, o conceito de unidade cartográfica está associado apenas às unidades pedológicas dominantes ao nível das unidades do sistema WRB.

A simbologia das unidades cartográficas foi estabelecida de acordo com o procedimento utilizado na Carta de Solos e Aptidão das Terras da Zona Interior Centro de Portugal (Geometral & Agroconsultores, 2004). Cada unidade cartográfica foi representada por um símbolo cartográfico composto por duas letras maiúsculas indicativas do grupo de referência (GR) da WRB correspondente à unidade pedológica dominante, seguida do número de ordem do GR. No caso de ocorrer mais do que uma unidade pedológica, as duas letras fazem-se acompanhar de dois índices numéricos, estando em primeiro lugar o número de ordem do grupo de referência da unidade dominante, e em segundo lugar o número de ordem do grupo de referência da outra unidade dominante; no caso de existirem duas unidades pedológicas do mesmo GR, o número de ordem deste repete-se.

A significativa representatividade de afloramentos rochosos foi tida em consideração na delimitação das unidades cartográficas. As áreas de afloramentos rochosos proeminentes como os “inselberg” ou ilhas de pedras e nos casos em que os afloramentos rochosos ocorrem em proporção superior a 70% ou mais – as unidades cartográficas foram representadas pelo símbolo R.

As unidades cartográficas dos solos foram consideradas associações ou complexos. No geral, as associações de solos incluíram associações de duas unidades pedológicas dominantes e, sempre que se considerou necessário, foram também consideradas unidades subdominantes como será apresentado em detalhe na descrição do Esboço da Carta dos Solos (Capítulo 5).

In document The Government Pension Fund 2019 (sider 53-57)