Um dos requisitos para a utilização de um SIG é os dados estarem em formato digital. Nesta etapa, os trabalhos tiveram lugar em quatro fases, designadamente, (i) preparação dos dados, (ii) georreferenciação dos dados, (iii) criação da base de dados e (iv) reestruturação e edição dos dados.
Preparação dos Dados
De acordo com a proveniência, os dados que foram compilados podem ser classificados em três grupos: dados de campo, dados de base e dados de detecção remota. Descreve-se a seguir o tratamento que foi dado a cada um destes três grupos de dados.
a) Dados de campo
Para apoio às observações do terreno foram criados, previamente, mosaicos georreferenciados de imagens de satélite Landsat etm+ e das folhas S e T da Carta de Angola. Em SIG, por interpretação visual, foram assinalados os locais de amostragem previstos e posteriormente descarregados (upload) para o receptor de GPS. Os mosaicos com os pontos assinalados e carregados no receptor de GPS, serviram de apoio à orientação no campo, mormente para a localização, abertura e descrição dos perfis e de outros dados biofísicos. No caso da geologia, os mapas mais detalhados (1/100.000) que cobriam apenas aproximadamente 50% da área de estudo (faixa oriental), serviram apenas para apoio nos trabalhos de campo (Capítulo 3). Do mapa à escala 1/1.000.000, com cobertura total da área de estudo, obtiveram-se mapas ampliados que serviram, igualmente, para apoio às observações de campo.
Os dados de campo e os dados das análises laboratoriais dos solos foram registados em folhas de cálculo (Ms Excel) para posteriormente serem importados pela base de dados do SIG.
b) Dados de base
A maior parte das informações sobre os recursos naturais agrários de Angola foram produzidas há mais de três décadas e encontram-se em formato analógico. No caso do presente trabalho, a reestruturação de toda a informação incidiu sobre os mapas, como é o caso da topografia e da geologia, bem como sobre os dados estatísticos quantitativos. Estes últimos foram introduzidos em tabelas de folhas de cálculo e, posteriormente, importados pela base de dados do SIG. As cartas analógicas dos dados biofísicos, incluindo topografia, solos, vegetação e geologia, foram digitalizadas por edição de polígonos sobre imagens obtidas por scanning e, posteriormente, georeferenciadas. As informações relativas à altitude, cotas do clima, geomorfologia e aspectos socioeconómicos associadas a cada perfil, foram inseridas em Excel com vista ao posterior cruzamento com os dados espaciais.
Sobre uma imagem obtida por scanner da Carta Geológica de Angola (1:1.000.000), por digitalização de polígonos, foi obtida uma carta geológica de 15 classes com representação na área de estudo. Para uma melhor adequação à interpretação dos padrões de distribuição das unidades geológicas, o mapa de 15 classes foi, posteriormente, generalizado para uma versão de 9 classes (Figura 4.3). Esta variável espacial contribuiu para a definição das unidades fisiográficas.
c) Dados de detecção remota
Os dados raster do modelo digital de terreno, clima e vegetação foram descarregados de bases de dados internacionais encontrando-se, desta forma, a priori habilitados para serem integrados num SIG, requerendo apenas, em alguns casos, a conversão do sistema de coordenadas. Os dados de coberto Landsat foram exportados do programa ENVI em formato Imagine e, depois, importados pela base de dados do SIG.
Georreferenciação dos dados
Em linha com o facto da cartografia de Angola utilizar o sistema de coordenadas
Universe Transverse Mercator (UTM), neste trabalho foi adoptado o sistema de
Elipsóide de Clark, sistema de projecção – UTM e sistema de coordenadas – Camacupa UTM Zona 33 S. Assim, todos os conjuntos de dados que se encontravam noutros sistemas sofreram conversão de coordenadas efectuada no SIG.
Criação das bases de dados
As bases de dados do SIG foram criadas no formato geodatabase (ESRI, 2011) sobre Ms Access e são constituídas por diversos conjuntos de dados. Uma geodatabase (combinação de geo – espacial e database – base de dados) é um repositório de dados espaciais a que corresponde um ficheiro único (neste caso em formato Ms Access). As
geodatabases podem armazenar dados em formato raster ou vectorial. As principais
vantagens das geodabases são:
armazenar volumes apreciáveis de dados espaciais numa localização centralizada;
manter a integridade dos dados espaciais numa base de dados consistente;
permitir a definição de relações e regras topológicas entre dados espaciais;
operar em ambientes multiuso (incluindo multi-edição) dependendo da aplicação para gestão da base de dados utilizada.
Para além do conjunto de dados relativos aos solos, foram criados 10 conjuntos de dados em formato raster e 17 conjuntos de dados em formato vectorial, sendo dez de polígonos, quatro de linhas e três de pontos. Destaca-se a seguir o conjunto de dados relativo aos solos pela complexidade da sua criação.
a) Conjunto de dados dos solos
Foi criado um conjunto de pontos, geograficamente referenciados, caracterizados por propriedades dos solos consideradas relevantes para este trabalho, obtidos através de observações de campo e análises laboratoriais. Aplicou-se o conceito de que o solo, como uma das componentes da terra, é o resultado de processos de interacção de factores físicos, biológicos e sociais que evoluem ao longo do tempo. O
desenvolvimento desse conceito, segundo o qual o solo é formado a partir de entidades naturais, permite estabelecer as relações dos aspectos fisiográficos com os solos individuais (UNEP et al., 1995).
Quadro 4.6 – Extracto da base de dados dos solos.
ID perfil X_Long Y_Lat Z_alt idLab Horiz profCm pHH2O CaCO3_Kg cacmolKg Código
WRB 179 P109 12,8783 -15,6 - 51 CR1 0 – 15 7,23 1,2 2,89 LP.nt.eu 180 P109 12,8783 -15,6 - CR2 15 -34 181 P109 12,8783 -15,6 - R 34-58 183 P112 13,16427 -15,06 659 52 Ah 0 – 10 7,01 1 4,75 LX.nl.he 184 P112 13,16427 -15,06 659 53 Bt1 10 -30 6,94 3,4 6,03 185 P112 13,16427 -15,06 659 54 Bt2 30 – 70 6,92 0 7,08 186 P112 13,16427 -15,06 659 R >70 188 P113 13,16968 -15,06 642 55 Ah 0 – 15 7,04 0,8 7,29 CM.ha.eu 189 P113 13,16968 -15,06 642 56 C1 20 – 35 6,99 1,4 5,2 190 P113 13,16968 -15,06 642 57 C2 60 – 80 6,84 0 7,36 191 P113 13,16968 -15,06 642 R >80
Acima, no Quadro 4.6 que foi extraído do conjunto de dados geográficos relativos aos solos, observam-se as seguintes informações:
1. dados espaciais: pontos de localização dos perfis em coordenadas WGS84, não projectadas (graus);
2. a cada perfil ou pedon (realidade) foram associados horizontes e/ou camadas dos solos respectivas;
3. a cada horizonte/camada foi associada a informação das respectivas propriedades físicas e químicas.
Na base de dados, a tabela de solos é constituída por 339 instâncias (linhas) e 39 atributos (colunas).