Não se dispondo de fotografia aérea, usada habitualmente na elaboração dos reconhecimentos e prospecções convencionais dos solos e de outros recursos naturais agrários, recorreu-se a informações descritivas, a mapas analógicos e a mosaicos de imagens de satélite. Foram utilizadas as cartas topográficas (IGA, 1972) da escala 1/100.000 e 1/250.000 e, com menor frequência, as cartas de 1/500.000 e de 1/1.000.000. Também foi utilizado um mosaico de cor natural de três imagens de
satélite Landsat ETM+ (USGS, 2005), composto por três cenas das fiadas (paths) e das linhas (rows) 181.71, 182.70 e 182.71. No campo, com o apoio de um receptor de GPS (Global Position System), foram efectuadas as orientações e a localização dos locais de observação e de amostragem dos perfis dos solos (Figura 4.1).
Figura 4.1 – Localização dos perfis (letra P) descritos e dos mini-perfis (letra M), considerados exclusivamente para análise do carbono orgânico, ao longo dos percursos efectuados.
Os reconhecimentos de solos foram efectuados no campo por intermédio de percursos ao longo das principais estradas e picadas (as que se apresentavam transitáveis), tendo em consideração factores determinantes da formação e evolução dos solos:
conta alguns percursos (referenciados esquematicamente por distância quilométrica) realizados durante a elaboração da Carta de Solos do Distrito de Moçâmedes (MPA, 1963). As principais actividades de campo ligadas à cartografia de solos, desenvolvidas de 2005 a 2009, foram as seguintes:
1. Março de 2004: visita do Orientador, Prof. Catedrático Manuel Madeira, à área de estudo para familiarização com a mesma.
2. Setembro de 2005: visita do consultor Sul Africano do MINADER7 Hendrick Van Den Berg (Hennie) que apoiou a formação sobre a utilização do GPS e de outros meios, como mapas diversos de inventariação de factores de formação do solo, e a preparação da metodologia de campo.
3. Abril – Maio de 2006: três equipas de técnicos do IIA efectuaram a descrição de 84 perfis de solos; uma equipa de dois docentes da Universidade Agostinho Neto (Faculdade de Ciências - FC, Faculdade de Ciências Agrárias - FCA) e um técnico do Instituto Superior de Ciências da Educação, efectuaram a prospecção e amostragem de vegetação ao longo dos percursos e junto dos perfis descritos e/ou amostrados.
4. Maio de 2007: foi efectuada a descrição de 12 perfis nas áreas sob a influência de “Inselbergs” e colhidas 77 amostras de solos anteriormente descritos, com a participação de uma equipa de três técnicos do IIA e do também doutorando João Cardoso (FCA) na descrição da vegetação.
5. Setembro de 2007: reconhecimento ao longo da Estrada Nacional (Lubango- Namibe) e Namibe-Virei-Chibia para observação e colheita de amostras de rochas com o apoio de um Engenheiro Geólogo da Direcção Provincial do Ministério da Geologia e Minas da Huíla.
6. Fevereiro de 2008: nos percursos de reconhecimento para observação e anotação da variação de factores de formação do solo (geologia/litologia, vegetação e formas de relevo), com a participação do doutorando João Cardoso, foram descritos três
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perfis e colhidas 8 amostras dos solos numa área seleccionada sobre o mosaico de imagens de satélite.
7. Agosto de 2008: com a participação de um técnico contratado propositadamente pelo IIA desenvolveram-se duas tarefas: (i) descrição de 12 perfis e colheita de 22 amostras para aumentar a densidade das observações em áreas com possibilidades de acesso; (ii) amostragem dos solos para o estudo da variação espacial do teor do carbono orgânico em duas profundidades: de 0 – 15 e 15 – 30 cm; para este efeito foram observados e amostrados 57 perfis pré-existentes que foram complementados com “mini-perfis” (exclusivamente para análise do carbono orgânico) que foram localizados entre os perfis, quando a distância entre estes era superior a 5 km. No total foram descritos 21 mini-perfis e colhidas 133 amostras (perfis e mini-perfis).
8. Junho de 2009: deslocação de três professores do Instituto Superior de Agronomia para supervisão do trabalho de campo. Foi efectuada a revisão dos percursos de prospecção anteriormente realizados (excepto o percurso Tchivinguiro-Bruco, na Escarpa da Chela, e o de Cainde-Luvar, a sudeste da área de estudo). Foi passada em revista a descrição de mais de uma centena de perfis, foram descritos quatro novos perfis e efectuada a colheita de 33 amostras de solos. Também foi revista a inventariação da vegetação nas áreas circundantes aos perfis revistos e colhidas amostras de espécies presentes.
9. Agosto de 2009: foram efectuados mais dois reconhecimentos de campo; o primeiro, contou com a participação de um técnico do IIA e foi dedicado à descrição de quatro perfis (e colheita de 14 amostras) para aumentar a densidade de observações e examinar alguns detalhes das bancadas de materiais calcários que foram escavadas para possibilitar as análises pretendidas. O segundo foi efectuado pelo doutorando já referido atrás, tendo descrito quatro perfis com o propósito de colher dados de áreas seleccionadas no mosaico de imagens de satélite. Foram colhidas 26 amostras, incluindo a desses novos perfis e de outros anteriormente revistos.
No Quadro 4.1 estão resumidas as actividades de reconhecimento e de prospecção de campo que foram levadas a cabo de 2005 a 2009 e que incluíram a descrição de 135 perfis e a colheita de 321 amostras de solo e visitas para outros fins.
Quadro 4.1 – Resumo das actividades de campo desenvolvidas na área de estudo e identificação dos diferentes participantes
Mês Ano Perfis Mini-Perfis Amostras Participantes
Março 2004 - - Orientador do
doutoramento
Setembro 2005 - - Consultor Sul-Africano1
Abril Maio 2006 96 - Três equipas do IIA2 e
uma equipa da UAN3
Maio 2007 12 77 Três técnicos do IIA4 + JC5
Setembro 2007 - - Geólogo: Ministério de
Geologia e Minas Fevereiro 2008 3 8 JC Agosto 2008 12 22 57* 21 133** Técnico Assistente 7 4 8 Junho 2009 Revisão 33*** Docentes do ISA8 + JC
Agosto 2009 8 40 Técnico do IIA9
(*)
Perfis revistos; (**) Amostras de perfis revistos e dos miniperfis para determinação do carbono orgânico;
(
***) Amostras de perfis revistos; 1) E. Van Den Berg, consultor do MINADER; 2) Mateus Manuel e Daniel Dissolokele; António Neto e Jorge Muondo; Bartolomeu Pequenino e Amélia Chitwé; 3)João Cardoso (FCA), Georgina Neto (FC) e João Daniel (ISCED)4) Bartolomeu Pequenino, Amélia Chitwé e Domingos Silva; 5)João Cardoso (FCA); 6)Faria Sunda 7)Ernesto Caprindi; 8 Prof Manuel Madeira, Prof Ilídio Moreira e Prof José Carlos Costa
Durante os percursos prestou-se grande atenção às relações morfo-pedológicas e foram feitas observações dos solos em barreiras das estradas, ravinas, pedreiras de exploração de rochas ornamentais (granitos, mármores, etc). A interpretação dos padrões de variação espacial dos solos teve como referência as relações litomorfológicas peculiares às duas principais formações geológicas da área de estudo
(os granitos e os xistos), a ocorrência dos afloramentos rochosos, os montes-ilha (inselbergs), a pedregosidade e os depósitos de vertente (coluvionares).
Foram efectuadas observações in situ das rochas por exame macroscópico e colhidas amostras que foram posteriormente identificadas no Instituto Superior de Agronomia.
As análises dos solos foram efectuadas no Laboratório de Solos do Departamento de Recursos Naturais, Território e Ambiente, do Instituto Superior de Agronomia, de acordo com a metodologia que se descreve a seguir.