Preliminary experiments
5.5.1 Respiratory Synchronization
Para Powell (1990), redes de empresas são como arranjos funcionando de acordo com fluxos interdependentes laterais (horizontais) de troca recíproca em termos de comunicações e transações, constituindo-se em um sistema viável de organização econômica.
Na definição de Perrow (1992), as redes seriam novas formas de organização econômica, operando através de estruturas descentralizadas e constituídas de pequenas empresas, com três aspectos significativos: produção de confiança, distribuição de forças na sociedade e uma alternativa ao predomínio do modelo empresarial, baseado na grande empresa. Perrow (1992) afirma que o surgimento das redes de pequenos negócios com no
Custos de transação Integração/hierarquia Estruturas Híbridas Mercado quase integração influência liderança confiança Especificidade de ativos
máximo dez funcionários, especialmente a partir dos anos 70/80, deve-se essencialmente ao fenômeno das novas tecnologias que favorecem a descentralização das operações e dão condições de competitividade para os pequenos negócios frente aos grandes. Assim, surgem as redes que se aproveitam das economias de escala, referentes aos investimentos realizados e informações e pessoal compartilhados entre seus integrantes. Para Perrow (1992), estes pequenos negócios conseguem manter sua independência e porte reduzido porque, como pequenos, conseguem reagir mais rapidamente e de modo mais efetivo as mudanças tecnológicas e de mercado, devido, entre outros fatores, a menor distância existente entre concepção e execução.
Portanto, o motivo real de reunião de pequenos negócios em rede não pode ser justificado em termos da busca de algum poder de oligopólio ou cartel, pressuposto encontrado no arcabouço teórico da economia tradicional, ou mesmo redução de custos de transação, mas sim em motivações mais relacionadas com obtenção de maior flexibilidade, inovação e poder de resolução de problemas. Além disso, mais importante do que as novas tecnologias segundo PERROW (1992) é investigar as economias de escala derivadas da rede, o fato da confiança e cooperação poderem substituir ou mesmo coexistirem com a competição e os efeitos benéficos que as redes trazem para um determinado território.
Em Fliegstein (2001), no livro “The Architeture of the Market”, encontra-se a exposição das teorias de controle corporativo nas sociedades capitalistas e, na seção dedicada às teorias sociológicas de controle, são apresentadas quatro abordagens gerais para as teorias sociológicas da firma em contraposição às teorias econômicas. Dentre estas abordagens, tem- se a de redes de empresas. As redes são definidas como arranjos que visam o aumento da competitividade, em resposta a alguma influencia sobre o ambiente. Nesta concepção, as redes de empresas poderiam levar à resultados positivos, cumpre apenas saber quais seriam as condições ambientais que favoreceriam o surgimento destas redes.
Fliegstein (2001) também faz referência ao exemplo das empresas do vale do silício como um tipo de rede regional onde se tem a utilização de especializações flexíveis e normas de reciprocidade. Neste arranjo, a eficiência das redes parece estar ligada à possibilidade de as firmas obterem acesso a mercadorias e serviços – pelos quais, do contrário, elas teriam que competir – em um ambiente instável.
Assim, alguns contextos favoráveis ao surgimento do arranjo em redes são: - Segmentos onde o aprendizado e a inovação são críticos, onde seria possível existir uma comunidade tecnológica comum com troca de idéias e de pessoas, a exemplo da indústria da biotecnologia.
- Grupos de negócios com uma estrutura de autoridade que coordena as atividades empresariais e estas atividades, por sua vez, baseadas na propriedade comum ao negócio, como se vê nos conhecidos Keiretsus no Japão, ou os Chaebols na Coréia.
- Situações empresariais que formariam alianças estratégicas e joint ventures, com ganhos comuns para as firmas (situação mais próxima do objeto de estudo deste trabalho).
Por fim, Fliegstein (2001) considera de maior relevância a idéia de que competição e cooperação entre firmas dependem da natureza do ambiente no qual elas se inserem. Se os ambientes importam, redes devem surgir e operar de maneiras distintas. Assim, alguns autores direcionam seus estudos para as construções de tipos de redes e em certas estruturas de governança, suas condições de estabilidade institucional e uma série de procedimentos operativos.
Powell e Smith-Doerr (1994), fazem uma classificação de redes de acordo com as áreas de atuação, considerando como principais quatro áreas, como se segue:
Redes como Acesso e Oportunidade: Trata-se de uma visão mais informal que encara as redes como mobilização coletiva e transmissão de informações. Com relação, por exemplo, a obtenção de empregos, estes são obtidos através de um eficiente monitoramento de oportunidades proporcionado pelas ligações fracas (GRANOVETTER, 1974). Neste sentido, a ligação fraca entre ex-colegas de classe, por exemplo, seria mais interessante do que amigos e parentes de convivência mais forte porque estes tenderão a ter as mesmas ligações, restringindo as possibilidades de captação de oportunidades (redundância de informações). Em outras palavras, um conhecido menos próximo é uma ponte para novos contatos. Com relação às empresas e a aclimatação de recém-chegados ao emprego, nas empresas menores, as pessoas tem ligações mais fortes e o novo empregado provavelmente já conhece as pessoas, nas grandes empresas, o menor conhecimento é compensado por filtros de padronização (como a mesma escola de origem), facilitando a sobrevivência de longo prazo e diminuindo o turnover, através da contratação e promoção de semelhantes. Mesmo nas classes mais baixas e menos favorecidas, as redes (nesta perspectiva mais individualizada) trazem vantagens como as advindas das redes de imigrantes em um país estranho. A comunidade vai se fortalecendo com o fluxo migratório, tornando-se forte com reforço mútuo, diversificando os riscos para as famílias provenientes do terceiro mundo, concentrando-se em determinadas ocupações, com reforço para os que chegam e orientação das contratações para os de mesma origem. Em termos de mobilização de recursos (acesso a capital e informações), o cultivo de relações pessoais é a chave para se obter estes recursos. A diversidade de ligações
proporciona acesso a pessoas chave. Aqui as relações fracas proporcionam informações (recursos) importantes. Exemplos de postos importantes seriam os brokers (corretores de informação), firmas de venture capital, firmas de advogados, pessoas estrategicamente localizadas, redes e associações profissionais. Mesmo em competição, colegas em outras firmas são fontes importantes de informação, criando-se uma relação de reciprocidade discreta. Assim, uma carreira depende de suas ligações externas à firma (clubes, associações, etc.). Quanto a difusão de informações, esta se dá de maneira importante em redes profissionais, onde se difundem a padronização de procedimentos em redes que envolvem fornecedores, clientes chave, agencias reguladoras, onde as melhores práticas se constituem em exemplos para os demais participantes. Nas redes interorganizacionais, especialmente em hospitais, bancos e escolas, a legitimação da informação proporciona um processo de isomorfismo. Associações geram difusão de soluções organizacionais padronizadas (ex: políticas de recursos humanos ou publicação de balanços). Se ganha eficiência, mas, por outro lado, é retardada a mudança devido à interdependência dos associados.
Redes como Poder e Influência: O poder é definido como uma autoridade formal e/ou influência informal que alteram a ação, consequentemente refletindo-se em processos de dominação evidente (por punição ou recompensa), que envolvem instruções e ordens a serem seguidas sem contestação. No caso das redes, o poder surge da posição estrutural ocupada por determinado participante na mesma. A grande importância é entender as posições e as relações entre estas posições, sendo que o padrão destas relações vai condicionar o seu comportamento em uma rede, com a informação e recursos escassos transferidos de um ator para outro. Neste sentido, as redes como poder e influência têm sido utilizadas para estudar a questão do poder aplicada aos comportamentos individuais, à análise das relações interorganizacionais e ao relacionamento entre diretorias superpostas. Experimentos em laboratórios revelaram a relevância das posições relativas e a abordagem de redes, neste caso, trata o poder organizacional como algo que se dá em meio a uma estrutura de relacionamentos interorganizacionais (ligações diretas e indiretas) e da posição da firma nesta estrutura, o que vai definir sua própria estrutura e estratégia. As relações interorganizacionais são também importantes para entender o comportamento de seus participantes, podendo ir desde uma estrutura burocratizada e formal com uma firma central até uma estrutura mais fragmentada, característica de indústrias mais competitivas. As relações entre os atores (indivíduos e firmas), podem ser classificadas em conteúdo (tipo da relação) e forma (força e intensidade da relação). No caso do conteúdo, é considerado o fluxo de recursos e informações entre as organizações, seu posicionamento na rede, resumido nos
conceitos de centralidade e autonomia. O conceito de centralidade se refere à extensão das ligações entre um ator e os demais de um sistema e a autonomia está relacionada à capacidade da firma de agir sem constrangimentos de outras. Na perspectiva de classe social, tem-se o poder e influencia de uma elite sendo exercido através de diretorias sobrepostas e mesmas posições em vários conselhos. No caso dos comportamentos individuais, um exemplo relacionado às redes de compras seria a análise das relações de poder entre os associados da rede e a liderança exercida por um determinado grupo. Quanto às relações interorganizacionais, um desenvolvimento interessante seria a forma como se estruturam as relações de poder no âmbito da APAS – Associação Paulista de Supermercados, que de certa forma encampou grande parte das redes existentes no estado de São Paulo, liderando e influenciando sobremaneira o desenvolvimento destes arranjos, inclusive realizando um congresso e uma feira anual.
Uma Rede de Acordos Internos e Externos à Firma: As redes também podem ser analisadas dentro de uma perspectiva interna da firma, onde a mesma passa ser definida como uma rede de acordos. Dentro de uma perspectiva interna a firma, se coloca o conceito de organização informal, como as ligações espontâneas e flexíveis entre seus associados, guiada por sentimentos de interesse, com algum padrão hierárquico. Estas redes são muito fluidas para serem controladas, porém necessárias para a operação formal. Toma-se as firmas como um conjunto de coalizões, que atuam na firma defendendo e atacando posições, ou como constelações de trabalho com interdependência entre o formal e o informal. A empresa é, neste caso, constituída de redes sociais onde a burocracia depende da informalidade para lubrificar a máquina. Observa-se que, em alguns setores, tais como produtos únicos baseados em projeto, o arranjo informal é preferido e suplanta o formal (filmes, publicidade, construção pesada) e que, de modo geral, o formal e informal estão interligados. Em termos externos e com relação às corporações verticalizadas e centralizadas, observa-se uma desagregação das grandes corporações na direção de redes mais horizontais com especialização de fornecedores e clientes em cadeias de produção descentralizada e flexível. As organizações verticais são rígidas enquanto as redes horizontais são flexíveis podendo ser redefinidas o que lhes dá uma vantagem. A rede viria então de encontro a diminuição do ciclo de vida dos produtos e aumento da tecnologia na competição internacional que exigiria uma coordenação horizontal, mas sem a perda de controle e poder.
Com relação à lógica das redes, a necessidade de aprendizado gera a colaboração interorganizacional. As redes seriam então formas intermediárias entre a hierarquia e o mercado que seria menos rígida e mais multilateral. Ocorre a reunião de conhecimento
anteriormente disperso no sentido de se criar a necessária colaboração para a inovação. Esta sinergia é observada principalmente em empresas de base tecnológica (biotecnologia, novos materiais e informática) com conhecimentos complementares num mútuo e rápido aprendizado e sem dependência. Além da vantagem do aprendizado, existe uma diminuição de riscos e de custos de entrada, limitando a irreversibilidade dos investimentos. Mencionando as redes globais de produção, temos quatro componentes: a exemplo da indústria automobilística, composta de um componente central ligado a outras empresas secundárias, emprego de just-in-time com base em uso de computador, utilização de alianças e subcontratação em outros países e maior colaboração da gerencia com empregados de difícil reposição. Por fim, com relação a rivalidade entre hierarquia e redes (alianças rivais) constata- se que os muros entre as firmas caem e as relações informais geram uma colaboração mais formal que ultrapassa a mera soma de relações bilaterais, por exemplo, o ramo da biotecnologia nascido da relação entre cientistas, formando grupos que foram sustentando posteriormente o processo. As firmas aumentam a sua capacidade através de relações próximas (mas não exclusivas), sendo que pode ocorrer competição entre alianças rivais (redes rivais), onde as empresas colaboram em um projeto e competem em outros. Isso modifica a identidade da firma, que passa a ser analisada como um conjunto de projetos cujo sucesso passa a ser avaliado de acordo com a capacidade dos parceiros Finalmente, junto com a mudança na identidade da firma, os mercados financeiros passam a avaliar o valor das redes sendo que a capacidade de cooperação (e a reputação) é considerada um ativo importante.
Redes de Produção: Aqui as empresas embarcam em um empreendimento conjunto. Neste caso, deve-se destacar a confiança (resultado ou causa da cooperação) e outras formas de capital social, como um recurso moral e não físico (quanto mais se usa da confiança mais ela aumenta ao contrário de qualquer outro capital físico). A confiança só surge quando existe benefício para todas as partes envolvidas. Uma questão de visualização dos benefícios futuros, os arranjos baseados na confiança são valorizados como forma de redução de incertezas, com a consideração que a confiança não surge em termos de lealdade cega (fé), mas de uma avaliação visando redução da incerteza. Devido a vulnerabilidade gerada pela cooperação, surge a necessidade de mecanismos de governança, baseados em monitoramento e consulta, onde o sistema baseado em confiança apresenta grandes vantagens. São relacionados quatro tipos de redes de cooperação onde diferentes manifestações de confiança emergem. Nos distritos industriais (norte da Itália, sudeste da Alemanha e Vale do Silício), a confiança é baseada nas normas de reciprocidade e no engajamento civil da comunidade que são condicionados por uma combinação de complementaridades
espacialmente relacionadas e uma evolução social e institucional historicamente favorável (capital social). Já nas cooperações de pesquisa e desenvolvimento (firmas, pessoas e universidades), o compartilhamento entre associados da mesma esfera profissional (tecnológica, científica ou intelectual), favorece o processo de inovação inerente a este arranjo, gerando a confiança e aumentando, pela necessária união de especializações, a rapidez e efetividade da inovação. Os grupos de negócio (keiretsus no Japão e chaebols na Coréia) extraem a confiança da experiência histórica e das vantagens de pertencer ao grupo (afiliação), compondo uma comunidade de associados mais autônomos que os outros arranjos e, por fim, as alianças estratégicas (joint ventures, subcontratação), formadas em caráter temporário por motivação baseada em cálculo e oportunidades, sendo orientadas por alguns aspectos contratuais (que necessitam de monitoramento), apoiando-se nas dependências mútuas para a criação da confiança que cresce e se acumula pela repetição das interações.
Concluindo, Powell e Smith-Doerr (1994) defendem a possibilidade de uma articulação entre as várias abordagens de redes e colocam algumas possibilidades de pesquisa, como o estudo de padrões de formação de redes, a razão das diferenças nacionais e industriais em termos de freqüência e natureza das redes, o escopo, durabilidade e lógica da cooperação nas redes, em termos de conteúdo das ligações (colaborativas ou assimétricas); tamanho, amplitude e direção das ligações.
Também são sugeridas algumas questões relacionadas com a dinâmica das redes, como a diferença entre as redes que nascem baseadas em normas preexistentes de solidariedade e aquelas que crescem devido a considerações/necessidades estratégicas, as diferenças entre os participantes como ponto de partida, as diferenças entre redes de participantes equivalentes e redes com assimetrias, as origens e recursos trazidos pelos atores para a caracterização da rede, as características da interação, falhas nas redes, efeitos funestos e que prejudicam as ligações, os limites das redes, e as respostas das redes às mudanças.
Numa tipologia diversa, mas também bastante conhecida e estudada, Grandori e Soda (1995) apresentam uma classificação segundo três critérios em relação às redes: grau de centralização, grau de formalização e mecanismos de coordenação.
Sobre os mecanismos de coordenação, dada a sua importância para este trabalho como variável de análise, já foi explicitada anteriormente. Quanto ao grau de centralização, as redes podem ser classificadas como assimétricas ou simétricas. As redes assimétricas possuem um coordenador que centraliza as ações e nas redes simétricas não existe este ente centralizador, com todos administrando de maneira participativa e colegiada. No caso do grau de formalização, tem-se, por exemplo, as redes sociais, funcionando em
temos informais e as redes burocráticas, onde existe contrato com regras e diretrizes funcionando, portanto, dentro da formalização.