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Resource mobilization, lobbying and political opportunities

5.3 Causal mechanisms

5.3.2 Resource mobilization, lobbying and political opportunities

Esta seção pretende detalhar os participantes da pesquisa; primeiramente a professora- monitora que aplicou as atividades elaboradas e em seguida, os alunos que participaram do curso. É importante assinalar o procedimento ético que precedeu a participação dos alunos: cada um foi informado de que sua participação poderia originar um estudo científico e publicações advindas deste; além disso, foi apresentado um termo de consentimento, em que foi esclarecido que, se porventura algum participante não quisesse participar do estudo, estaria livre para recusar fazê-lo. 53

2.2.1. A professora-monitora

Fui professora-monitora54 pelo Serviço de Cultura e Extensão da FFLCH, de início de 2011 a final de 2013, participando ativamente de todas as atividades desenvolvidas nesse contexto, frequentemente lecionando nos cursos de férias, como o que originou a coleta de dados para este estudo.

53 Cópia do termo de consentimento apresentado aos alunos encontra-se nos apêndices desta pesquisa.

54 Utilizamos o termo professora-monitora, pois, no contexto apresentado no item precedente, dissemos que os

professores de francês dos cursos extracurriculares são administrativamente denominados monitores-bolsistas; porém, como são professores, guardamos as duas noções no termo utilizado para nos referirmos aos professores desses cursos.

Elaborei e apliquei as atividades para esta pesquisa; por esse motivo, ela insere-se na chamada pesquisa-ação, em que a pesquisadora desempenha um papel ativo no equacionamento dos problemas encontrados (THIOLLENT, 2005, p.17). Como principais

aspectos elencados por esse autor, temos que se trata de uma “estratégia metodológica da pesquisa social” em que “os pesquisadores assumem os objetivos definidos e orientam a

investigação em função dos meios disponíveis” (THIOLLENT, 2005, p. 19). Leva-se em conta a situação social e há explícita interação entre pesquisadora e pessoas implicadas na situação investigada. Porém, deve haver também o distanciamento e a racionalidade do pesquisador, sendo ele um sujeito autônomo e autor de sua prática e de seu discurso. (BARBIER, 2007)

Finalizei os estudos de graduação em 2005, realizei estudos de licenciatura até 2007 e, em 2008, realizei um intercâmbio acadêmico com uma universidade francesa, a Université Paris-X – Nanterre, atualmente de nome Paris Ouest Nanterre La Défense. Nesse contexto, realizei estudos na área de Ciências da Linguagem.

Sou professora de língua portuguesa e francesa desde o fim de minha graduação, trabalhando em institutos de idiomas e escolas de línguas. A partir de 2009, comecei a lecionar para grupos de mais de oito alunos, em escolas de idiomas ligadas a faculdades da USP, e me vi confrontada com uma nova dinâmica de ensino. Ingressando na pós-graduação em 2011 em didática do francês, busquei sempre conhecer e estudar os assuntos que a envolvem e que contribuíssem para minha formação como professora e como pesquisadora. Comecei a lecionar nos cursos extracurriculares da FFLCH no mesmo momento em que ingressei na pós-graduação, ensinando a língua a grupos de nível 1 a 7.

Nesse novo contexto de trabalho, em que a formação de professores se faz presente, diferentemente dos contextos em que trabalhei, percebi a importância de promover, em maior recorrência, um ensino de línguas através de documentos autênticos, que melhor preparem o aluno para atuar no universo de prática da língua estudada. Além disso, não tive acesso, em minha formação na Universidade, a elementos ou teorias que me auxiliassem a refletir sobre o material didático adotado, de maneira a produzir atividades que o complementassem ou mesmo substituíssem. Em minha prática, percebia a necessidade de preparação desse material para contribuir para um melhor aprendizado dos alunos. Porém, apesar de sempre procurar elaborar atividades, elas não tinham um suficiente embasamento teórico, o que não favorecia adequadamente o desenvolvimento dos alunos, por exemplo, através de atividades elaboradas com o uso de textos autênticos da Internet, vídeos, ou mesmo músicas do universo da língua francesa. Aprendendo a produzir material didático de apoio, pude também iniciar um processo

individual de desenvolvimento como professora, podendo mais propriamente contribuir para o aprendizado e desenvolvimento dos alunos, uma vez que determinados objetivos de ensino seriam melhor traçados e estratégias para sua aplicabilidade, melhor apropriadas. Assim, pude complementar minha formação, conhecer uma nova fundamentação em teorias de ensino de línguas e ainda, desenvolver-me como professora e pesquisadora.

2.2.2. Os alunos

Os alunos que participaram desta pesquisa eram alunos de francês nos cursos extracurriculares. Eles provieram de diferentes níveis de estudo; estavam inscritos no semestre precedente em cursos de nível 4 a 7. Esses níveis seriam correspondentes aos níveis A2 e B1 do QECR.

Para a realização desta pesquisa foi proposto um curso de férias para os alunos que quisessem desenvolver, principalmente, a produção escrita através do aprendizado de gêneros textuais. Ele foi divulgado por e-mail pelos professores de cada nível dos cursos a seus alunos, a partir do nível 4.

A partir da análise de um questionário55 pedido para preenchimento no 1º. dia deste curso sobre o perfil dos alunos e sobre o interesse deles em participar do curso “Ateliers de

escrita em francês”, pudemos fazer o levantamento de dados em seguida exposto.

O grupo foi composto de doze alunas e dois alunos, de idades que variavam entre 21 e 66 anos. Treze alunos têm curso superior completo, uma aluna tem o curso superior em curso. Cinco têm pós-graduação completa e dois a estão cursando. A heterogeneidade de formações do público dos cursos extracurriculares, também se faz presente neste curso; os participantes têm formações nas seguintes carreiras: Letras (2), Psicologia (4), Administração (2), Ciências Biológicas (1), Biotecnologia (1), Engenharia (1), História (1), Química (1), Filosofia (2), Antropologia (1), Pedagogia (1).Três dos alunos disseram ter formação em duas áreas.

Todos dizem ter admiração pela língua e cultura francesas, sendo que, para quatro dentre eles, estudar a língua era um sonho. Seis disseram que a estudam porque pretendem usá-la em viagens; quatro querem morar em um país francófono. Três precisam ler textos acadêmicos e um tem algum membro da família que fala francês. Treze disseram ter facilidade na compreensão escrita da língua; somente um aluno declarou ter facilidade na compreensão oral. Para a produção oral, 50% declaram ter dificuldades; cinco têm dificuldades na compreensão oral e o mesmo número tem dificuldades na produção escrita.

Quatro alunos afirmam não falar outros idiomas. Outros declararam poder se expressar em: inglês (8), espanhol (3), italiano (3) e alemão (3).

Em relação ao interesse em participar do curso, os alunos declararam que pretenderam desenvolver (1), melhorar (6) ou aperfeiçoar-se na habilidade de produção escrita (4). Outros quatro ainda declararam pretender se desenvolver na produção oral e dois assinalaram ter a

55 Cópia do questionário utilizado para traçarmos o perfil dos alunos participantes da pesquisa encontra-se nos

preocupação em desenvolver-se em aspectos gramaticais, pois acreditam que incorreções desse tipo sejam recorrentes em seus textos.

Quanto à produção textual em língua portuguesa, os alunos relataram produzir diversos gêneros de textos, sobretudo trabalhos acadêmicos, incluindo-se resumos e resenhas (8), técnicos, como relatórios (4) e e-mails (4). Em francês, os alunos declararam escrever textos pedidos nos cursos de língua. Uma só aluna disse comunicar-se em francês por meio das redes sociais e outra diz “trocar mensagens com colegas”, não exatamente em que suporte. A aluna que se comunica pelas redes sociais em francês diz também lidar com trabalhos acadêmicos e e-mails nessa língua.

Pretendemos analisar as produções dos alunos que participaram de todas as etapas do

ateliê “Le monde des faits divers”, no total de quatro grupos. Os textos foram coletados a

partir de produções escritas feitas em duplas ou trios, em três momentos da aplicação da SD, a primeira em produção inicial, a segunda, em produção intermediária, e a terceira, em produção final, totalizando a análise de doze textos.