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5.3 Causal mechanisms

5.3.1 Framing and entrepreneurship

Este estudo foi realizado no contexto dos Cursos Extracurriculares de Francês da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (a partir de agora FFLCH) da USP. Os cursos extracurriculares são administrados pela faculdade através do Serviço de Cultura e Extensão, que oferece cursos à comunidade universitária e não-universitária e em que monitores-professores (que têm vínculo com a USP, seja no nível de graduação – alunos que estão cursando licenciatura ou já tenham uma graduação concluída ou pós-graduação) atuam e podem realizar estudos diversos, aplicados nos cursos oferecidos.

Os cursos de extensão da faculdade fazem parte de um do chamado tripé da Universidade, que é composto de 1) ensino; 2) pesquisa e 3) extensão universitária; e esses cursos têm portanto, ligação com a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade.

Nos Cursos Extracurriculares, somente os alunos que têm vínculo com a universidade podem se tornar professores-monitores. Eles são oficialmente denominados monitores- bolsistas, porque não têm vínculo empregatício com a faculdade e, por conseguinte, com a universidade, recebendo uma bolsa que os remunera por hora de trabalho. Essa remuneração auxilia os alunos a obterem uma certa renda que os auxilie sem que precisem cumprir uma carga horária extensa, o que poderia vir a prejudicar seus estudos realizados na Universidade. Assim, diversos setores da FFLCH e também da Universidade recebem monitores-bolsistas em seus departamentos, seja em setores administrativos ou, como em nosso caso, seja desempenhando a função de professor. No 2º.semestre de 2012, os Cursos Extracurriculares contavam dezessete monitores-bolsistas de idades variadas, de 19 a 33 anos, em sua maioria. Com grande frequência, os estudos realizados na pós-graduação da faculdade, sobretudo em didática de línguas, são realizados nesse contexto. Nosso estudo enquadra-se nessa realidade.

Os cursos de francês devem ser coordenados por um professor do departamento de letras modernas da faculdade. Desde 2009, eles são coordenados por uma professora doutora, que promove uma formação em didática de línguas através de diversas atividades. Os monitores, que ocupam a função de professores nos cursos, participam, assim, de reuniões, jornadas de formação e cursos de língua para o aperfeiçoamento dos cursos oferecidos e de seus conhecimentos linguísticos.

A existência desses cursos de francês depende das diretrizes dadas pelo coordenador e do trabalho de seus auxiliares. Um ambiente de formação inicial e continuada, instaurado desde 2009, promoveu uma nova fase para os cursos extracurriculares, pois, a cada ano, vê-se um crescimento no número de alunos e, ainda, esse ambiente torna-se referência em formação

de professores de francês. Comparando-se um registro de 349 alunos no 1º.semestre de 2009 com o de 692 alunos do 1º.semestre de 2012, conta-se, em três anos, um aumento de 98% no número de alunos.51

Os cursos são oferecidos em dias de semana, de segunda à quinta-feira, em dois horários, no horário do almoço, durante 1h30, para cursos oferecidos duas vezes por semana e durante as tardes, a partir de 14h30, para os cursos que têm duração de três horas e tem oferecimento uma vez por semana. Aos sábados, há cursos pela manhã, também com a duração de três horas. Ainda são oferecidos cursos de férias, que ocorrem nos meses de janeiro, fevereiro ou julho, e são, geralmente, cursos para níveis mais iniciantes e ainda cursos específicos com temáticas variadas que podem estar ligados às pesquisas desenvolvidas no programa de pós-graduação da área de estudos de língua francesa da faculdade. A carga horária dos cursos de língua geralmente compreende 45 horas de aula, por semestre de curso e por nível completado. Os alunos só são aprovados se obtiverem 85% de presença sobre essa carga horária e média final sete, após duas avaliações semestrais. As turmas possuem no mínimo 10 alunos pagantes, pois há sorteios de vagas gratuitas para a comunidade USP (uma para aluno, uma para professor, uma para funcionário) e para a Terceira Idade (três vagas sorteadas); compondo 20 alunos no máximo para cada grupo. Há ainda descontos para estudantes da faculdade e monitores-bolsistas que trabalham em áreas administrativas, sendo gratuito para docentes e funcionários da FFLCH.

O crescimento pela procura pelos cursos de francês da faculdade deve-se também, provavelmente, ao valor do curso, mais acessível do que em outros contextos. Pode-se dizer que o valor estipulado para um semestre de curso de língua francesa na FFLCH pode equivaler ao valor mensal cobrado por algumas escolas ou instituições que oferecem o ensino da língua francesa na cidade de São Paulo. E em nenhuma dessas instituições ou escolas, haverá a emissão de um certificado ligado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo. Somente essa ligação permite que exista esse valor mais reduzido, por provavelmente haver auxílio dessa instância da Universidade na promoção do ensino ligado à extensão universitária.

Essa instância ainda promove uma aproximação da Universidade com pessoas da

Terceira Idade, em um programa denominado “Universidade Aberta à Terceira Idade”, que

convida, através de divulgação frequente por meios digitais e/ou impressos, esse público a participar de atividades promovidas por diversas faculdades da Universidade. Esse fator

51 Fonte: banco de dados do Serviço de Cultura e Extensão da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências

explica o fato dos cursos de francês serem bastante procurados por alunos da terceira idade, além de outros fatores, já assinalados.

O público alvo dos Cursos extracurriculares compreende alunos universitários ou não, aposentados, professores geralmente de ensino público, além de egressos do ensino médio de ensino. Esse público tem como característica marcante a heterogeneidade, em vista da formação e da idade dos alunos (variando de 18 a 80 anos aproximadamente).

O material didático principal atualmente utilizado é o livro Alter Ego 1, 2 ou 3 e o livro Le Nouvel Edito para turmas mais avançadas. Os níveis existentes vão do nível 1 ao nível 12.

A presente pesquisa foi realizada através de dados coletados em um curso que foi oferecido no mês de julho de 2012, no período de férias, e que teve como alunos estudantes de francês de nível A2 do quadro comum europeu de referência para o ensino de línguas. Para participar do curso, os alunos deveriam ter terminado o nível 4 dos Cursos Extracurriculares de Francês. Intitulado “Ateliers de escrita em francês – descobrindo o anúncio publicitário, a

notícia e o relato de viagem”, o curso objetivou trabalhar habilidades comunicativas em

francês desenvolvendo um comportamento discursivo consciente através de situações de escrita, a partir da perspectiva dos gêneros textuais. Outras duas pesquisadoras elaboraram sequências didáticas e aplicaram-nas também para coletar seus dados de pesquisa nesse contexto. Nosso intuito mais global foi o de observar o desenvolvimento das práticas de linguagem escrita dos alunos, a partir das atividades propostas para comunicação em sala de aula. O curso todo teve a carga horária de 45 horas, como de hábito nos cursos extracurriculares, mas para cada gênero, houve uma divisão equitativa de horas, tendo cada oficina, uma média de 12 horas efetivas para o ensino/aprendizado de cada gênero.

Cinco meses antes, também no período de férias, um projeto piloto de curso foi realizado, com o intuito de aplicar uma primeira sequência didática elaborada para o ensino do gênero fait divers, juntamente com as mesmas pesquisadoras. Esse curso foi desenvolvido para colocarmos em prática algumas atividades que havíamos elaborado e encontrar as dificuldades na aplicação delas, com vistas a melhorar a sequência didática para uma futura aplicação, ocorrida em julho52. Pelo motivo de ser apenas um curso piloto, mas que fez parte do processo de elaboração da sequência de atividades utilizada no mês de julho, levamos em conta a experiência trazida nesse primeiro momento para que pudéssemos optar pela análise dos dados dos alunos somente deste segundo, em que as atividades estavam melhor

52 Com relação aos dois cursos de extensão oferecidos, os programas divulgados em site do Serviço de Cultura e

estruturadas. Acreditamos que o resultado desse segundo curso teve maior expressividade para este estudo, por isso, escolhemos trabalhar com os dados coletados somente nesse segundo momento.

Faz-se importante assinalar, entretanto, que a experiência do curso piloto foi de grande importância para o desenvolvimento do trabalho de transposição didática, já que nesse primeiro curso, uma análise do funcionamento das atividades elaboradas depois de uma primeira aplicação em sala de aula, permitiu uma substancial melhora para o entendimento da formulação de enunciados e estruturação dessas atividades na elaboração da sequência didática, para que o objetivo de ensinar o fait divers fosse potencializado nas atividades que constituíram a SD do curso de julho, momento em que a coleta de dados para esta pesquisa foi feita.

As características do grupo que participou desta pesquisa serão abordadas no item seguinte, que trata de seus participantes.