• No results found

O desenvolvimento do ciberespaço possibilitou o aparecimento das comunidades virtuais e dos contatos interpessoais a distância. É no ambiente do ciberespaço que as redes sociais na Internet encontram solo fecundo para sua proliferação. Lévy (2000) caracterizou o termo Inteligência Coletiva como o espírito da era digital, o qual seria “[...] a participação de todos os atores sociais contribuindo para o desenvolvimento da sociedade dentro da cibercultura e do próprio ciberespaço” (LÉVY, 2000, introdução).

Através do advento da comunicação mediada pelo computador e sua influência na sociedade e na vida cotidiana, as pessoas estariam buscando novas formas de conectar-se, estabelecer relações e formar comunidades já que, por conta da violência e do ritmo de vida, não conseguem encontrar espaços de interação social (RECUERO, 2009, p.136).

Neste contexto da inteligência coletiva, a internet parece desenvolver-se rumo a um espaço de construção e compartilhamento de informações e experiências. Trata-se de um momento na história da Internet denominado web 2.0. Tim O’Reilly, considerado o precursor do termo, explica:

Web 2.0 é a mudança da internet como plataforma, [...] procurando desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se tornarem melhores, quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência coletiva (O’REILLY, 2003 apud VAZ, 2009, p.44).

De acordo com Recuero, o conceito de redes sociais está ligado à ideia de atores sociais e suas conexões. “Uma rede, assim, é uma metáfora para observar os padrões de conexões estabelecidas entre diversos atores” (2009, p. 24). Segundo a autora, atores sociais são as pessoas envolvidas na rede e têm como função dar forma às estruturas sociais. Ao tratar as redes sociais na Internet, Recuero afirma que “[...] os atores no ciberespaço podem ser compreendidos como indivíduos que

agem através de seus fotologs, weblogs e páginas pessoais, bem como através de seus nicknames” (idem, p. 25).

As conexões as quais a autora se refere seriam as formas de comunicação e interação entre esses atores.

Em termos gerais, as conexões em uma rede social são constituídas dos laços sociais, que, por sua vez, são formados através da interação social entre os atores. De certo modo, são as conexões o principal foco de estudo das redes sociais, pois é sua variação que altera as estruturas desses grupos (RECUERO, 2009, p. 30).

O conceito de comunidades sociais virtuais surge de um adensamento de redes sociais na internet. As comunidades pressupõem um estreitamento de interesses ou afinidades. É importante deixar clara a diferença entre interesses e afinidades, pois nem sempre as comunidades se constituem de laços sociais afetivos. Podem também formar-se a partir de laços associativos, com algum interesse momentâneo a ser suprido, de natureza não afetiva.

As comunidades virtuais são agregados sociais que surgem da Rede (Internet), quando uma quantidade suficiente de gente leva adiante essas discussões públicas durante um tempo suficiente, com suficientes sentimentos humanos, para formar redes de relações pessoais no ciberespaço (RHEINGOLD, 1995 apud RECUERO, 2009, p. 137).

Para a massificação e disseminação de comunidades virtuais, foram criados os sites de rede social. De acordo com o conceito de Boyd & Ellison (2007), os pré- requisitos básicos de um site de rede social são: criação de um perfil, interação e exposição da rede pessoal.

Sites de redes sociais foram definidos por Boyd & Ellison (2007) como aqueles sistemas que permitem i) a construção de uma persona através de um perfil ou página pessoal; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede social de cada ator. Os sites de redes sociais seriam uma categoria do grupo de softwares sociais, que seriam softwares com aplicação direta para a comunicação mediada por computador (RECUERO, 2009, p.102).

Figura 3 – Facebook. (fonte: página do Facebook da autora)

Dentre os sites de redes sociais mais conhecidos hoje podemos citar o Facebook, Myspace, Orkut e Linkedin. Existem também as redes sociais privadas, desenvolvidas por empresas para maior interação entre os funcionários. É importante ressaltar que blogs e fotologs também são considerados sites de redes sociais.

A interação que ocorre nos sites de redes sociais é do tipo híbrido (síncrona e assíncrona), pois permite que os interagentes se comuniquem por mensagens em tempo real, ou deixem mensagens expostas em quadro de mensagens ou caixa de mensagens particulares. Na maioria das redes sociais, as mensagens que ficam expostas são públicas a todos que pertencem àquela rede, ou a todos os interagentes cadastrados como “amigos”. Percebe-se, portanto, um alto grau de exposição do indivíduo, que encontra nesse espaço um ambiente propício para expor suas opiniões, registrar suas impressões e, também, de se relacionar, de forma pública, compartilhada com todos da rede.

Essas apropriações funcionam como uma presença do ‘eu’ no ciberespaço, um espaço privado e, ao mesmo tempo, público. Essa individualização da expressão, de alguém ‘que fala’ através desse espaço é que permite que as redes sociais sejam expressas na Internet (RECUERO, 2009, p. 27).

As interações mediadas por redes sociais saem do espectro privado e partem para o público, para a exposição consensual do indivíduo, com ou sem consciência das consequências da sua livre expressão em rede. Para Recuero (2009, p. 81), essas consequências fazem parte da dinâmica das redes sociais, as quais não são estáticas e dependem do contexto em que estão inseridas.

Conflito, cooperação, competição, ruptura e agregação, assim como, auto- organização e adaptação, são características das redes sociais que comprovam sua natureza dinâmica e contextual. Nota-se, portanto, que as redes sociais virtuais priorizam a comunicação de um para muitos em detrimento de diálogos de um para um, ao contrário dos e-mails e dos aplicativos de mensagens instantâneas.