3 The committee’s assessment
3.2 Research production and quality
Esta parte da pesquisa foi totalmente baseada no livro Retrato de uma comunidade eclesial de base dos padres Domingos Barbé e Emmanuel Retumba 248. Relatos colhidos com participantes daquelas comunidades também estão aqui mencionados. O relato trata de uma comunidade da Vila Yolanda, bairro periférico da cidade de Osasco também na periferia da grande metrópole de São Paulo. Na ocasião Osasco era uma cidade com grandes indústrias e era parte da Arquidiocese de São Paulo. Os padres operários franceses ali chegaram por volta de 1964, para trabalhar e evangelizar o povo pobre, desnutrido e analfabeto.
246 ALVES, Marcio Moreira. A Igreja e a política no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1979, p. 162.
247 BARREIRO, Álvaro. Comunidades Eclesiais de Base e Evangelização dos Pobres. São Paulo: Loyola,
1977, p. 91.
248 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Em 17 de agosto de 1964, Paulo Xardel, padre e torneiro, com 34 anos é esmagado por um caminhão na saída da fábrica, onde trabalhava. Paulo morre cinquenta dias após sua chegada ao bairro da Vila Yolanda para aí residir e trinta e quatro dias após ter começado a trabalhar na fábrica: a morte de Paulo será o germe de onde nascerão esses grupos, essas comunidades evangélicas e fraternas (é a mesma coisa) 249.
Os padres franceses em número de três haviam escolhido esse bairro para viver, trabalhar e evangelizar, sem nenhum conhecimento prévio ou apoio logístico. O bairro era formado por migrantes e imigrantes, resultante do imenso êxodo rural, que se deu no Brasil nas décadas de 50 e 60 (ver capítulo 1) em função da industrialização. A urbanização, organizada com um mínimo de serviços públicos, era inexistente. A grande maioria era analfabeta ou frequentava cursos de alfabetização de adultos, dados por estudantes que vinham de São Paulo, distante 4 horas de ônibus. As casas eram precárias e as condições de vida péssimas, com enorme mortandade infantil.
a morte é familiar e nada mais comum do que um cortejo de vinte ou trinta crianças, de seis a doze anos, acompanhando um irmãozinho ou uma vizinha ao cemitério. Eles mesmos carregam o caixão. Um caixão de espessura de uma caixa de charutos de luxo, fechado por um simples fecho de latão, exatamente igual as dessas caixas, apenas um pouco mais resistente 250.
Aos dois padres restantes, juntaram-se outros que se sentiram chamados a seguir o trabalho iniciado por Paulo. Três irmãs de caridade, brasileiras, mais tarde também se juntaram ao grupo. Por último chegou o padre Domingos Barbé, que deixou escrita essa experiência de vida eclesial e comunitária.
A experiência de Vila Yolanda foi essencialmente missionária, os padres operários não tinham a incumbência de organizar e administrar uma paróquia, mas apenas uma capelinha, onde rezam a missa para o povo no domingo e duas vezes por semana. Não atendiam aos sacramentos do batismo e casamentos. Durante mais de um ano os padres “apenas” conviveram com o povo, para conhecer seus costumes e jeitos de vida. “não há Missão sem uma precedente amizade e descoberta mútua” 251. Após esse período iniciou-se um esforço de evangelização e não de catequese, com cerca de 50 pessoas que mais tarde tornaram-se 25. As comunidades são pequenas por excelência, não pretendiam ser estruturas grandiosas, com poder e riquezas visíveis. Eles, os participantes que
249 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p. 8.
250 Ibidem, p. 9. 251 Ibidem, p. 23.
perseveraram, aceitaram “reformar sua fé e tradições que, embora respeitáveis, tinham poucos pontos comuns com o Evangelho (devoções múltiplas, culto predominante dos santos, fé passiva e supersticiosa que ignorava Jesus Cristo)” 252. Essa etapa foi fundamental para o trabalho dos padres operários, formar os participantes na leitura do Evangelho; assim como uma casa precisa de bom alicerce, aqui é a mesma coisa, não havia um pensamento imediatista, mas a casa seria bem construída, ainda que demorasse muito tempo. Após essa etapa, uma vez bem consolidada foi sugerido aos participantes que fizessem reuniões em casas e não mais na capelinha. Após discussões de prós e contras, umas poucas famílias aceitaram, mas as reuniões, por pedido dos leigos, teria que ter um padre assistindo. No dizer de Domingos Barbé, temos aqui dois pontos importantes:
a) A casa torna-se o ponto de partida da Missão e não mais a igreja ou o padre. A família, célula básica da Igreja, começa a perceber que, enquanto tal, ela tem um papel missionário a desempenhar em relação aos vizinhos e amigos. b) À hora oportuna, fazer os responsáveis revelarem-se e assumir cargos. Isto sempre provoca surpresas e escusas 253.
Aqui se nota a diferença entre uma paróquia tradicional e a comunidade, o leigo sem preparo, sem conhecimento, sem condições financeiras, sem estruturas adequadas foi formado e preparado, isso levou anos de perseverança e apenas aconteceu por que os leigos confiavam nos padres. Os padres por sua vez não assumiram cargos de liderança ou, pior, não assumiram que eram os únicos que podiam evangelizar. A comunidade nascente certamente era muito frágil, com muito caminho a percorrer, mas já havia nascido e como um ser humano iria passar pelas angustias e dificuldades da vida 254. As reuniões nas casas aconteciam quinzenalmente e eram divididas em duas partes: 1- os acontecimentos da semana, após uma oração inicial ou a leitura de um salmo, os participantes compartilham fatos de sua vida, o que aconteceu naquela semana. Por que gastar tempo da reunião falando sobre pontos aparentemente insignificantes? O autor nos responde:
a) Porque a equipe é uma família e os membros de uma família devem ter notícias uns dos outros.
b) Porque os tímidos e os que têm suas preocupações permanecerão calados, com suas preocupações e complexos, se não ajudarmos a se exprimirem sobre coisas muito simples. Os pobres são aqueles que nunca são escutados no detalhe
252 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p. 23.
253 Ibidem, p. 24. 254 GS 1.
de sua vida simples e escondida. Por isso também eles não sabem escutar-se uns aos outros. Habituamo-nos com a miséria quando nascemos nela. O pobre é aquele que escuta todo mundo: o padre, o professor, o polícia, o chefe da fábrica, o prefeito, etc. e a quem ninguém escuta...como diz a Bíblia, ninguém dá valor à palavra do pobre.
c) Enfim a terceira razão é missionária. A equipe é uma comunidade de cristãos missionários. É normal prestar contas aos membros da equipe de sua missão da quinzena, um pouco como o fizeram os 72 discípulos, ao voltar para junto de Jesus.255.
Vemos a importância de um novo modo de ser igreja, muito difícil de acontecer em uma grande reunião paroquial. Aqui há o sentimento de pertença à comunidade, nada é imposto, nada que venha de fora. As soluções ocorrem de modo natural e faz bem ao ser humano, que se transforma e se humaniza na caridade cristã. Há uma profunda troca de experiência de vida real, consequentemente um aprendizado cotidiano, participativo, não egoísta e sem preocupações em obter benefícios próprios. Fazer as pessoas saírem de seu anonimato, de seu mundo interior, pode ser uma grande riqueza para os que estão escutando. “grande parte da educação da fé faz-se nessa primeira parte da reunião: ensinar os participantes a escutar, a reconhecer e educar as atitudes evangélicas, vividas pelos que prestam contas de sua semana” 256. Fala-se sobre qualquer assunto, livremente, sem preparação, é a vida sendo compartilhada.
A segunda parte consistia no estudo em comum do Evangelho, “os que sabem ler ajudam os que não estão ainda alfabetizados. Depois, cada um diz o que entendeu do que foi lido. O responsável dirige e procura dar o sentido principal do texto. Para os humildes de coração, o evangelho não é estranho à vida” 257. Os participantes entendem e passam os exemplos para sua vida, eles se veem no pobre Lázaro, na viúva de Naim, nos doentes que Jesus curou.
Para entender Jesus não é necessário ter conhecimentos especiais; não é preciso ter livros. Jesus lhes falará a partir da vida. Todos poderão captar sua mensagem: as mulheres que põem fermento na massa de farinha e os homens que voltam para casa depois de semear o trigo. Basta viver intensamente a vida de cada dia e ouvir com coração simples as ousadas consequências que Jesus dela extrai para acolher um Deus Pai 258.
255 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, pp. 26-27.
256 Ibidem, p. 27. 257 Ibidem, p. 29.
258 PAGOLA, José Antonio. Jesus aproximação histórica. Tradução: Gentil Avelino Tritton. Petrópolis:
“Esse estudo do evangelho, não se trata de uma catequese, mas de uma meditação coletiva da Escritura, na qual cada um se exprime conforme a graça que recebeu” 259. Pela leitura do Evangelho, pelo melhor conhecimento do Evangelho, os participantes da comunidade transformam sua maneira de pensar e procuram ter uma visão de vida baseada na leitura da Palavra. O Evangelho insere as pessoas na vida social, com preocupação comunitária, deixando de lado sua religiosidade pessoal e resignada. Uma entre tantas citações descritas no livro: “Luis vive heroicamente a vida cristã há 20 anos. Sua vizinha quer se tornar prostituta. Ele vai visitá-la, convida-a para a reunião da equipe e procura salvá-la pela amizade” 260. As leituras são estabelecidas pela equipe dirigente (padres) e pretendem ser uma síntese da fé, por isso sempre começam pela Ressurreição. Tudo deve ser visto à luz do mistério Pascal. A evangelização, baseada na leitura do Evangelho segue o seguinte esquema:
1) tenho um amigo, Jesus, que viveu há 2000 anos, mas que ressuscitou e vive até hoje. 2) Jesus é o homem mais extraordinário que já encontrei na vida. 3) Jesus é misterioso: ele se diz Salvador e Filho de Deus. 4) Jesus fala muito de alguém que diz ser seu Pai. 5) ele anuncia a vinda de uma pessoa a quem chama de Espírito Santo. Vai-se assim do exterior para o interior, penetrando sempre mais no mistério do Deus vivo, revelado em Jesus de Nazaré.
O conhecimento profundo do Jesus Ressuscitado, modifica o jeito de pensar da comunidade e isso passa para a sua vida e para refletir sobre os problemas que afetam suas vidas. Desse modo, a forma de agir resignada e de acordo com os poderosos, exemplificada nas frases: “Pobre não tem vez; Só Deus pode nos ajudar; é vontade de Deus” passam a não serem cristãs,
se com elas se quer dizer que é preciso esperar passivamente um milagre caído do céu para resolver dificuldades que realmente parecem insuperáveis. Mas não é essa a atitude cristã. Com a Força que ressuscitou Jesus, atacaremos essas dificuldades, cientes de que nossa ação se apoia sobre o poder divino que venceu a própria morte 261.
A nova forma de ser Igreja, dentro de uma comunidade de base, parte de algumas premissas básicas, que seriam muito difíceis de serem reproduzidas em outro tipo de ambiente clerical. A primeira delas é que a comunidade tem um sistema de colegiado
259 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p. 30.
260 Ibidem, p. 31. 261 Ibidem, p. 49.
efetivo que realmente funciona e isso depende fundamentalmente dos padres que conduzem a comunidade, pois os leigos aceitam facilmente a liderança e o exercício do poder por parte dos padres. Os padres, por sua vez, têm que acreditar muito em sua missão para não se sentirem tentados ao poder terreno que naturalmente brota em qualquer comunidade, mesmo em uma comunidade eclesial. Isto sempre irá depender do clero, pode-se ter uma comunidade com um padre que seja realmente participativo mas, caso ele seja substituído, por qualquer motivo, e se o próximo não comungar dessas ideias tudo voltará para trás. No caso da comunidade da Vila Yolanda, os padres tinham plena consciência deste fato, tanto que sempre tiveram a preocupação para que a comunidade trabalhasse no sentido de uma autonomia que estivesse estabelecida e menos dependente para quando os padres fossem embora. Medidas tomadas:
1. Um núcleo que funcionava como um conselho deliberativo e executivo da comunidade. Era composto por dois representantes de cada equipe de base, presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretários, e um dos padres da equipe. Todas as reuniões tinham pautas dos assuntos a serem tratados e uma ata do que foi deliberado. O presidente, assessorado pelo vice-presidente, é realmente alguém que vai se formando para ser responsável pela comunidade, se um dia deixarmos o bairro 262.
2. O tesoureiro é o controlador do cofre da comunidade, do caixa comum, do controle do dinheiro para as necessidades da comunidade (material para o culto, para a capela, para as saídas da comunidade, para necessidades eventuais). Outro sinal profético dos clérigos da comunidade de Vila Yolanda, foi a sua relação com o dinheiro, sempre se preocuparam em viver na “pobreza evangélica”, não terem um sistema de vida que pudesse ofender os participantes da comunidade, vivendo uma vida de “opulência” que eles não poderiam ter.“dispensar as taxas de administração dos sacramentos, missas, etc., procurando outros meios de subsistência para o sacerdote. É melhor cada cristão dar o que ele pode dar do que ser cobrado” 263.
A ideia do núcleo é tornar as pessoas autônomas. A comunidade devia decidir por sua conta as questões financeiras e o que devia ser útil para eles e participar igualmente das decisões sobre a condução da liturgia, das celebrações, respeitando-se a devoção popular da comunidade.
O núcleo é, de fato, um dos lugares estratégicos onde, desempenhando os vários cargos – materiais ou não – faz-se o aprendizado concreto da vida comunitária.
262 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p. 36.
E isso não é fácil, tratando-se de homens e mulheres que nunca trabalharam em comum, porque até agora todo o mundo pensara e decidira por eles 264.
A reunião do núcleo constava de duas partes: na primeira, o estudo do Evangelho que será trabalhado pelas equipes de base. Na segunda, procura-se solucionar os problemas apresentados. Alguns exemplos dos problemas que foram debatidos 265:
- o que falaremos no domingo X, e qual será a logística de transporte e alimentação, quando teremos um dia em comunidade em um sítio em Cotia?
- que se pode fazer para melhorar o hospital da cidade, conhecido como “matadouro”? Falar com o prefeito?
- Abordar a questão da participação dos cristãos na “sociedade amigos de bairro”. Temos que aprender a colaborar com os demais, cristãos ou não, que trabalham pelo bem comum.
- Há uma barreira entre jovens e adultos dentro da comunidade, como superá-la?
- Problema missionário. Já temos o jornalzinho, com resumo dos textos dos evangelhos, como tornar sua distribuição mais eficiente? Distribuir no final da missa, distribuir de casa em casa, explicando do que se trata?
A vida em comunidade, sem imposições de lideranças, requer uma imensa dose de paciência. Volta-se aos pontos que já se julgava superados várias vezes. Deve-se ter a consciência que a base desse povo é de baixa formação religiosa e de pouca escolaridade, e que não estava acostumado a participar de nada em suas vidas, mas sempre serem guiados ou conduzidos.
Mas haverá um outro caminho para aprender a viver em comum e agir coletivamente? E tudo isso não é promoção humana e promoção de um laicato adulto? Através de mil pequeninas ações deste gênero, levadas a bom termo conjuntamente, revelam-se e se formam, gradativamente, os “responsáveis”, saídos realmente do meio do povo, põe-se termo à passividade resignada e se aprende a esperança. Que é a esperança teologal, senão o poder que a força de Deus nos dá de agarrar o mal, corpo a corpo, e destruir com ele tudo o que nos torna escravos, mostrando que a salvação está a nosso alcance, já que somos amigos e filhos de um Deus que age por nós, por menos que nossa alma se abra à ação de sua graça? 266.
O objetivo final desta comunidade da Vila Yolanda foi a evangelização do povo e principalmente daqueles que estavam afastados da Igreja, até porque não havia igrejas
264 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p. 36.
265 Ibidem, pp. 36-37. 266 Ibidem, p. 37.
templo na região. Os padres operários foram muito resistentes a construir igrejas-templos, antes trabalharam para “construir” nas pessoas o templo do Espírito Santo. Eles, como forma de vida, trabalhavam durante o dia em fábricas para o sustento comum da equipe clerical, incluindo as freiras que se juntaram ao grupo; elas davam aulas nos colégios particulares da região. Os padres e freiras viviam com o povo no meio do povo e da maneira do povo; estavam completamente integrados na comunidade. Eles foram em direção aos fieis, com atitudes e ações que uma paróquia não teria condições de fazer, a missão não se dirige aos cristãos que já têm fé, ou não apenas para as crianças.
a paróquia tem por finalidade e é orientada para a educação, alimentação e mesmo conversão dos que a vêm procurar. Por isso é de importância capital que a sua liturgia seja compreensível. Seu papel é insubstituível na formação dos leigos decididos a serem mais do que praticantes dos domingos...mas qualquer que seja a irradiação da paróquia, ela não pode atingir com seus raios todas as zonas de sombra, onde se encontram enormes massas da população pela qual a paróquia é responsável. É preciso enviar equipes especializadas a esses setores que ela não pode atingir. A comunidade de base pode realizar esse trabalho, pode preencher esse vazio 267.
A missão dirige-se antes de tudo aos pobres. É claro que se deve evangelizar a todos, incluindo as elites, “mas Jesus nos ensina que Deus ama com amor de predileção os pequenos, os pobres, os oprimidos, os pecadores” 268. Esta missão não tem fim, pois pobres sempre teremos. Jamais qualquer plano missionário será concluído, às vezes parece que a cristandade, como modelo de vida será eterno, mas ele sempre cai por vários fatores internos e externos à instituição, e é preciso recomeçar.
A evangelização traz em seu bojo a promoção humana dentro da comunidade. Controlando o caixa comum, as pessoas desenvolvem habilidades em controlar orçamentos em saber empregar o dinheiro com maior discernimento e isso traz melhorias para suas vidas. A busca por soluções próprias dentro da realidade, acaba com os paternalismos perniciosos e com assistencialismos que geram dependência.
esse encargo desenvolveu neles um bom número de qualidades humanas: perspicácia para julgar se o outro tem necessidade de ajuda, habilidade para administrar um orçamento, discrição, perseverança, qualidades essas exigidas
267 BARBÉ, Domingos; RETUMBA, Emmanuel. Retrato de uma comunidade de base. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 1971, p.54.
pela vida prática, podendo também ser de utilidade em outros domínios da vida operária 269.
Outros exemplos: saber ler em público nas missas, auxilia na desinibição no trabalho; quem redige o jornalzinho, desenvolve a habilidade de escrever, com começo, meio e fim, aprende a fazer uma petição com objetivos claros e bem definidos. Vários membros da comunidade davam aulas para aqueles que precisavam, à noite após o trabalho, explicavam noções de matemática para os que queriam se especializar na profissão e eram semianalfabetos. “e se eles agirem assim com o Espírito de Jesus, estaremos então salvos! Estará preparada uma geração de militantes cristãos que em 10 anos, terá um papel decisivo nas necessárias transformações...”270. Isto é promoção humana.
Na comunidade de base se descobre quem tem o dom do conselho, o que tem o dom da pregação, da distribuição dos bens materiais, etc., tudo isso desenvolvendo-se numa comunidade de tamanho “humano”, num conjunto organicamente ligado a massa do povo. Na comunidade de base faz-se a educação fundamental da Fé e o elementar aprendizado da ação através dessas pequenas funções coletivas de bairro, citadas acima. O que a paróquia não pode fazer, por ser vasta e ter sua população limitada aos cristãos, o que a Ação Católica especializada não saberá fazer, por ser muito especializada em determinado tipo de homem, em um só tipo de carismático, a comunidade de base faz. 271.