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Resümee der Resultate mit Schlussbemerkung

4. Resümee mit Schlussbemerkung

4.1 Resümee der Resultate mit Schlussbemerkung

Entrevista 1

P: Você é professora na Prefeitura de Diadema e no Estado de SP. Há quantos anos trabalha em cada um destes locais?

R: Na Prefeitura, trabalho há 3 anos. Na Rede Estadual, menos de um ano. P: Você já era professora antes?

R: Já. Antes de entrar na Prefeitura, trabalhei dois anos e meio numa escola particular. P: Qual é a sua formação?

R: Eu tenho Magistério, o antigo Normal, e Licenciatura em Língua Portuguesa e Língua Inglesa. Agora, estou cursando Administração Escolar.

P: Descreva resumidamente como é o seu trabalho na Prefeitura?

R: Nesta escola da Prefeitura onde estou trabalhando, nós atendemos crianças de 4 a 6 anos. Mas há algumas escolas que atendem desde bebês até seis anos. Eu já trabalhei com bebês também, fazendo o trabalho de higiene, alimentação etc. Agora, tenho apenas crianças de 4 a 6 anos. O primeiro trabalho é de acolhimento das crianças, pois elas estão saindo do ambiente familiar para uma situação nova. O primeiro momento, portanto, é de adaptação e socialização com o grupo, os professores e os coleguinhas. Depois, o trabalho vai evoluindo.

P: Vocês também fazem alfabetização?

R: Não é o nosso principal objetivo, mas nós procuramos, através das brincadeiras e da arte, trabalhar com a linguagem escrita e oral.

P: A escola tem quantas crianças? R: Cerca de 600.

P: Em algum momento, você teve acesso a algum balanço sobre quantas, destas 600 crianças, são alfabetizadas?

R: A direção não nos cobra, mas incentiva o profissional a ter um controle sobre isso. Nós procuramos, de início, fazer uma sondagem junto à criança para ver em qual fase ela se encontra, em relação à expressão silábica, nos desenhos, na socialização. De

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três em três meses, fazemos esse balanço. Quando chega o final do ano, nós temos um quadro geral.

P: Quando as crianças completam 6 anos e vão para a escola estadual ou particular, em geral estão alfabetizadas? É possível ter um índice disso?

R: No ano passado, eu trabalhei com 28 crianças de 6 anos. Destas, creio que 12 já estavam... eu não diria alfabetizadas, mas bem desenvolvidas nesse sentido. Neste ano, já me encontrei com alguns pais dessas crianças e eles dizem que elas estão indo bem na primeira série, já estão lendo e escrevendo, com um caderno maravilhoso etc. P: E os outros 16?

R: Saíram com uma boa noção. Na Prefeitura, há uma discussão sobre qual é a função da educação infantil, se alfabetizar ou não. Nossos alunos não saem alfabetizados, mas sim preparados para o mundo geral. O objetivo não é diferenciar todas as letras e os números, escrever bala ou casa, mas sim fazer uma leitura do mundo. Trabalhamos bastante com valores, a questão cultural. Nós mostramos cartazes, por exemplo, para que elas saibam identificar as imagens, entender e decodificar o que significam, mesmo sem saber ler as palavras.

P: A quantidade de alunos atrapalha o seu trabalho? São 32 alunos... R: No máximo 32. Agora, estou com 28 crianças. Não é o número ideal. P: O que você considera como número ideal?

R: O ideal seriam 20 ou 23, no máximo.

P: O seu rendimento com 25 alunos, por exemplo, é melhor do que com 32? R: A gente acaba se descabelando e sempre quer dar conta de tudo. Mas é claro que dá para notar que o rendimento seria melhor com menos alunos. O atendimento poderia ser mais individual. À medida em que a gente vai promovendo as atividades, dá para ver que eles vai se desenvolvendo, mas é claro que poderia ser melhor.

P: Você considera que a escola de educação infantil tem uma organização e condições materiais boas? Que oferece a você as condições para fazer um bom trabalho?

R: De todas as escolas que eu passei, essa (da Prefeitura) é a que mais favorece. Nós temos brinquedos... não tudo, é claro, mas temos qualquer material que a gente peça, tanto pedagógico, quanto brinquedos, uma tinta diferente, um pincel...

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R: Só professores e direção. Há alguns ATP s (Assistentes Técnicos Pedagógicos) que passam às vezes auxiliando um pouco o trabalho, mas não ficam o tempo todo na escola.

P: Tem psicólogo ou pedagogo?

R: Não. Mas nós temos, aqui em Diadema, uma parceria com o CAIS - Centro de Atenção à Inclusão Social -, que faz o atendimento às crianças com dificuldade de aprendizagem, física ou neurológica.

P: Quantas horas trabalha?

R: Minha carga horária é de 22 horas, sendo 19 horas com alunos. Eu trabalho de manhã, das 7h às 10h30. E nós temos 3 horas aglutinadas, que seria o HTP na escola estadual. Nós trabalhamos um sábado a cada três meses, como parte da carga horária. P: E às 10h30 você vai embora?

R: Às vezes sim, às vezes fico para o HTP. Toda quarta-feira, por exemplo, os professores ficam até as 13 horas. Das 10h30 às 11h, para atendimento aos pais. Depois, até às 13h, em reunião com a direção.

P: E o que vocês discutem nesta reunião?

R: Às vezes, discutimos um texto, ou o que vamos trabalhar durante a semana, se vai haver alguma festa ou não etc. É o único tempo que a gente tem para sentar em conjunto e planejar a semana.

P: Você considera que esse horário, o HTP, é mais produtivo na Prefeitura do que no Estado?

R: Sim. Não só porque é um tempo maior, mas porque no Estado a gente fica mais resolvendo os problemas.

P: O HTP, no Estado, virou discussão dos problemas de alunos?

R: Isso mesmo. Já na Prefeitura é possível não só discutir os problemas, mas também planejar as aulas, ou uma atividade diferente para os alunos.

P: Nesse ponto, você nota uma distância grande entre a pré-escola da Prefeitura e o Ensino Fundamental do Estado?

R: Bem grande. Na Prefeitura, a gente divide o tempo. Há uma parte dedicada à questão administrativa e outra à questão pedagógica. Às vezes, algum problema toma mais tempo, mas em geral há um equilíbrio e é bem produtivo.

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P: Você acha que, no Estado, isso é uma deficiência? Isso atrapalha o seu trabalho?

R: Acho que sim. Isso dificulta muito o nosso trabalho aqui na escola. Eu sinto falta desse tempo maior. Na Prefeitura, eu levo pouca coisa para casa, o que não acontece no Estado.

P: Vamos avaliar as quintas séries que recebemos este ano não só a 5ª H, que é uma sala de alfabetização mas todas as outras. É claro que estes alunos não passaram por você na pré-escola, visto que ainda não era professora. Portanto, são alunos que fizeram a pré-escola e, quatro anos depois, já na faixa dos 11 anos, eles nos chegam na quinta série. O que você acha que aconteceu com eles neste intervalo de quatro anos, em que cursaram as primeiras séries do Ensino Fundamental?

R: Em primeiro lugar, acho que ele (o aluno) se depara com uma grande falta de recursos e de estrutura. Ele sai de uma pré-escola em que há uma boa estrutura e entra numa escola do Estado em que a dificuldade é imensa, falta material, não há o básico para trabalhar. Dá a impressão que é uma escola sem um planejamento, onde os professores entram e saem todos os dias e é sempre a mesma coisa, não acontece uma discussão, um plano... sei lá. Não é igual à da Prefeitura. Então, a criança sente isso. Ela não sabe o que é, mas sente isso.

P: Na pré-escola ou na escola do Estado, você deve ouvir falar de Paulo Freire, Vigotski e outros. Você tem noção de quem sejam estes autores? Já teve algum contato com eles?

R: Sim, já participei de algumas discussões sobre isso.

P: Você tem a impressão de que aquilo que eles defendem poderia ser aplicado na escola?

R: Com essa estrutura, acho que seria difícil. No geral, os professores são desmotivados. Acho que fica difícil fazer um trabalho diferente. Os professores da prefeitura acham que Paulo Freire é bom, mas um pouco só discurso, não aplicação prática, é para outro tipo de escola ou de organização. Talvez para quando as coisas forem diferentes na sociedade.

P: Você acredita que, se houvesse um incentivo do governo e da direção da escola, criando as condições para que fosse feito um trabalho diferente nas escolas estaduais, os professores ficariam motivados?

R: Talvez, no início, houvesse alguma dificuldade, mas depois eu creio que seria possível.

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R: Sim. Quanta coisa poderia ser feita na escola...

P: A quantidade de alunos por sala, aqui nesta escola, atrapalha o seu trabalho? R: Eu procuro fazer sempre uma aula diferente, usando a música, um exercício diferente, mas é evidente que seria mais produtivo com menos alunos, pois seria possível um atendimento mais individual. A própria estrutura da sala é ruim, pois não dá para fazer uma roda, uma atividade diferente, nada. Tudo é apertado, com cadeiras e mesas todas amontoadas para os alunos sentarem.

P: Se houvesse uma sala ambiente, específica de inglês, seria melhor? Você organizaria do seu jeito?

R: É, seria melhor.

P: Você considera que a escola é uma no pré, outra diferente de 1ª à 4ª... e outra diferente de 5ª à 8ª?

R: São realidades muito diferentes, com propostas pedagógicas diferentes.

P: Você acha que a organização do trabalho aqui na escola dificulta o trabalho de vocês? Em todos os aspectos.

R: Acho tudo muito difícil. A gente nem vê a Coordenadora Pedagógica. Nem conversa com ela ou com os professores sobre os problemas ou as idéias que temos para melhorar. É tudo muito rápido aqui, muita aula de segunda à sexta e assim por diante. P: Você considera que, por conta disso, você faz menos do que poderia?

R: Sim. Até o rendimento dos alunos seria melhor.

P: Você não chegou a dar aula antes da implantação dos chamados Ciclos ou Progressão Continuada em São Paulo, mas foi aluna naquele período. Agora, como mestre, com uma avaliação mais conceitual do problema, você considera que os Ciclos atrapalharam?

R: Eu não acho ruim a Progressão Continuada, mas sim a maneira como tudo é feito. É só para aprovar e pronto? É isso que é a Progressão?

P: Você acha que a escola não está preparada para isso? R: Acho que não. Que ninguém entendeu direito ainda.

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Entrevista 2

P: Há quantos anos você é professora? R: Há 22 anos.

P: No Estado?

R: Sim. Tenho dois cargos no Estado. Como PEB I (Professora de 1ª a 4ª séries) e como PEB II (Professora de Educação Artística de 5ª a 8ª séries).

P: Qual é a sua formação?

R: Magistério e Educação Artística.

P: No seu caso, por estar no Estado há 22 anos, você é professora antes das reformas do governo Mário Covas e depois delas. Você nota alguma diferença muito gritante entre as duas etapas?

R: Noto. Em tudo.

P: Você trabalhava numa escola que tinha 1ª à 4ª, 5ª à 8ª e Ensino Médio. Agora, trabalha em duas escolas estaduais. Numa só tem alunos de 1ª à 4ª séries; na outra (que é esta aqui), tem alunos de 5ª a 8ª. Você acha que mudou para melhor ou pior?

R: Para melhor, por causa da faixa etária. Em termos de estrutura de escola, eu acho que meu trabalho melhorou. O fato de estarem separados (as crianças dos dois Ciclos) ajuda. Agora, as crianças do Ciclo I são mais calmas, têm melhor comportamento. P: Você tem muitos alunos em cada sala?

R: Tenho. A sala tem 45 alunos. P: 45 alunos de 1ª a 4ª série?

R: É, começou com 40, mas vão chegando novos alunos e a escola vai dando vaga. P: Quantos você considera como o ideal?

R: Uns 35 já melhoraria um pouco. Que é o que o governo diz pra ter. Menos do que isto, acho que é impossível, nunca vai acontecer. É melhor a gente se convencer e trabalhar assim mesmo.

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P: Neste trabalho de 1ª à 4ª, você acha que o fato de as escolas terem sido separadas foi bom. Além do fato de que se trata de alunos todos da mesma idade, o que mais melhorou?

R: A estrutura material. A escola primária é mais conservada do que a ginasial. Isso porque as crianças são mais disciplinadas, cuidam mais do patrimônio.

P: E o que acontece com as crianças, que as tornam disciplinadas de 1ª à 4ª e indisciplinadas de 5ª à 8ª?

R: É a falta de funcionários. A estrutura numa escola de 5ª à 8ª é muito grande e fica difícil acompanhar as crianças. O trabalho aqui na escola de 5ª a 8ª é muito diferente. P: Você considera que há mais recursos materiais para se trabalhar na escola de 1ª à 4ª do que na de 5ª à 8ª?

R: Não, porque o governo fez um investimento nas escolas de 1ª à 4ª e, agora, está fazendo na escola de 5ª à 8ª e na de Ensino Médio.

P: Qual é a dificuldade que você encontra para fazer o trabalho com uma criança de 11 anos, na 5ª série, e que você não tinha quando ela estava na 4ª série, com 10 anos?

R: Eu acho que os limites são diferentes. A criança não podia fazer certas coisas na escola de 1ª à 4ª, como entrar e sair correndo da sala de aula, que pode fazer na de 5ª à 8ª. Essa criança começa a perder os limites e achar que tudo é oba oba . E ela também se depara com novos professores, cada um com um jeito de trabalhar. Essa criança sente a diferença.

P: Você considera, então, que separar as escolas de 1ª à 4ª e de 5ª à 8ª foi bom? R: Foi.

P: Mas não criou essa diferença que você acabou de falar, de que o aluno chega à escola de 5ª e vê um mundo totalmente diferente, para o qual ele não foi preparado?

R: Eu acho que melhorou no aspecto cultural. Antes, o aluno de 1ª à 4ª ficava totalmente perdido perto dos maiores. Então, foi possível equilibrar a situação na escola de 1ª à 4ª, mas na de 5ª à 8ª precisa melhorar bastante.

P: Mas você considera que há um hiato do que é feito pelos professores na escola de 1ª à 4ª com o que é feito na escola de 5ª à 8ª? Um trabalho não tem a ver com o outro?

R: Deveria ter. Como eu disse, o problema são os limites. Aqui você tem mais de mil crianças no pátio... como é que vai conseguir formar uma fila, por exemplo? Na escola

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de 1ª à 4ª, a gente forma várias filas. Uma de cada vez, elas vão subindo para as salas de maneira organizada. Pode ser uma coisa arcaica, falar em fila, mas funciona.

P: Usando um termo mais pejorativo, você acha que a escola de 5ª à 8ª é mais bagunçada, enquanto a de 1ª à 4ª é mais organizada?

R: Sim.

P: Mas, se são quase todos os mesmos professores, são todos funcionários do Estado, porque lá é mais organizado e aqui não é?

R: Porque lá a gente consegue trabalhar com regras e isso facilita. Por exemplo, numa aula de Educação Física, se um professor está usando a quadra, o outro vai para o pátio. Aqui não dá, pois são muitos alunos para pouco espaço e os dois vão ficar na quadra. Bem, esse é um dos exemplos.

P: E o que mais?

R: Tem a questão da educação. O aluno vem com problemas de educação já de casa. Por mais que a escola tente educar esse aluno, não consegue.

P: Mas o aluno de 1ª à 4ª também não vem com problemas de educação de casa? R: Sim. Mas o fato de a escola de 1ª à 4ª ter uma maior organização, com regras mais claras, ajuda o aluno a melhorar a sua postura. Mas, quando ele chega à escola de 5ª à 8ª e ao Ensino Médio, ele se perde num mundo de gente, vê muitas coisas erradas e poucas pessoas para administrar isso. Por exemplo, há escolas com mais de mil alunos e apenas duas inspetoras. Como é que elas vão dar conta disso? Além disso, falta tempo pra gente, pois a carga horária é muito apertada.

Mas tem uma coisa importante. A escola de 1ª a 4ª série é mais organizada, mas não quer dizer que ela seja melhor na qualidade do ensino, de que os alunos aprenderiam mais.

P: Como assim?

R: As dificuldades de alfabetização são muito grandes. Também é difícil trabalhar lá. Aqui o problema aumenta porque a escola é maior e eles (os alunos) estão mais livres, mais velhos e começam a apresentar outro tipo de problema, como a indisciplina, por exemplo.

P: Do seu ponto de vista, o que é melhor: de 1ª à 4ª antes das reformas implementadas pela Rose Neubauer, ou de 1ª a 4ª depois das reformas, com os Ciclos e a Progressão Continuada?

R: Eu não sou a favor da reprovação, mas tem crianças que precisam de mais tempo para assimilar os conteúdos. Não adianta dar trabalho em grupo e coisas do tipo.

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Infelizmente, ela precisa cursar as matérias de novo. Precisaria de um tempo maior para esse aluno: recuperação paralela, aula de reforço. Quando esse aluno vê que não consegue acompanhar o grupo, já começa a se sentir incapaz. O governo pensa que a reprovação frustra a criança, mas o que eu noto é que ela fica muito mais frustrada pelo fato de não poder acompanhar os colegas. Se ela tiver a oportunidade de voltar para trás e resgatar o aprendizado, as condições de seguir em frente serão bem melhores. Cada um tem o seu ritmo.

P: Todos os anos, nós recebemos na escola cerca de 450 alunos na 5ª série. Destes, de 8 a 10% são analfabetos. Na sua opinião, por que isso acontece? R: Podem ser problemas de saúde, na família. Um problema que eu vejo é que as famílias são muito distantes da criança. Se os pais não enxergarem que são parte do processo de socialização da criança, fica difícil para o professor.

P: Você acha que todo aluno que chega na 5ª série analfabeto é por causa de problemas de saúde ou familiares?

R: Não. Mas isso é uma parte importante. Porque a escola não consegue modificar quando a situação em casa é ruim. A escola, nós, não temos meios para isso. A gente mal se fala, mal conhece o aluno de 5ª à 8ª série. Quando vai chegando o final da semana, vamos ficando mais cansados e eles também. Então, fica difícil fazer um trabalho assim.

P: Por que é que, na 8ª série ou no Ensino Médio, a capacidade de interpretação, leitura, cálculo etc é tão comprometida? O número de alunos nessa situação no Ensino Médio é muito maior do que o número de alunos que chegam à 5ª série analfabetos. Então, poderíamos deduzir que não se trata apenas de problemas de saúde ou familiares. Por que isso acontece?

R: Há muitos motivos para isso. A função da escola mudou. Me parece que a comunidade não vê a escola como antes, com uma função importante. A impressão é que a escola não prepara para a vida, não ensina responsabilidade. O professor até tenta, mas não consegue. Como eu disse, sou contra a reprovação, mas tem alunos que precisam de um tempo maior para acompanhar as aulas. Você não reprova aqui dentro, mas o mundo reprova lá fora.

P: Você conhece Paulo Freire, Vigotski e outros autores da chamada Pedagogia Crítica?

R: Conheço algumas concepções deles.

P: Você considera que são concepções corretas?

R: Em alguns momentos, sim. Mas, pela quantidade de alunos e pelas condições práticas que nós temos, fica difícil trabalhar com estas concepções.

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P: Todos estes autores sempre defenderam que a escola fosse mais democrática, o fim da repetência etc. Teoricamente, tudo isso entrou em funcionamento. Então, por que o ensino é tão ruim, ou temos tantos problemas?

R: Isso eu não sei dizer. Também acho que eles tinham razão em algumas coisas que eles escreveram, mas algo estava errado, caso contrário tudo estaria melhor, você não acha? Talvez, sempre vamos ter problemas.

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Entrevista 3

P: Há quanto tempo você é professora? R: Há 20 anos.

P: Qual é a sua formação? R: Sou formada em Matemática. P: Sempre trabalhou em Diadema?

R: Não, este é o segundo ano. Sempre trabalhei no interior como ACT (professor contratado), mas depois que passei no concurso me efetivei em Diadema. Fazer o quê? Não tinha vaga em outro lugar.

P: Conte um pouco como é a escola pública no interior (em Marília, cidade do meio oeste paulista) e quais são as diferenças desta aqui em Diadema?

R: Lá é um pouco melhor para se trabalhar. Acho que somos um pouco mais respeitados. O ritmo é diferente. Mas os problemas dos professores são os mesmos, viu? A choradeira na sala dos professores é mais ou menos a mesma...

salários congelados, falta de tempo para tudo. Os professores se conhecem mais lá porque a cidade é menor, tudo fica mais fácil. Aqui, estou há um ano e meio e não sei nada das pessoas. É tudo muito individual, muito corrido. Até nos HTPC, que são poucos, a gente não se fala. Que dirá falar do aluno ou do trabalho, então.

P: Depois que aconteceu a reforma, a partir de 1995, você nota que alguma coisa importante mudou?

R: Acho que mudou para pior. Parece que a escola não tem mais sentido. Os alunos não vêm para aprender e os professores, muitas vezes, não sabem como fazer o trabalho direito. Tinha que ter uma ordem melhor na escola pública.

P: Você considera, então, que o aprendizado das crianças decaiu?

R: Decaiu. Com isso, os alunos também são menos responsáveis hoje. Eles não levam a escola a sério.

P: Por que acontece isso, no seu ponto de vista?

R: Eu acho que deveriam acontecer mudanças, mas de uma forma que o aluno tivesse responsabilidade.

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R: Na verdade, não. Mas os professores, tanto aqui como no interior, estão muito confusos de como é para trabalhar agora na escola. Olha, eu tenho 20 anos de sala de aula e também estou um pouco atrapalhada. É difícil lidar com o aluno nos dias de hoje. P: Você considera que a maneira com que o professor se comporta na sala de aula também mudou?

R: Mudou, mas porque a escola também mudou. Eu acho que, hoje em dia, tem muita informação, muita novidade. É tanta coisa que mal acabamos de ter uma coisa nova e