• No results found

3. Interview und Schulbücher

3.1 Interview von drei Lehrerinnen

Desde a Conferência de Jomtiem, na Tailândia, em 1990, denominada de Educação para Todos, o capitalismo internacional, através de suas agências internacionais, vêm propondo um conjunto de medidas que é resultado de uma luta histórica entre as classes sociais que compõem a sociedade.

O que o Banco Mundial propõe para o Brasil, por exemplo, é, em grande medida, resultado das pressões sociais por uma educação de qualidade e a serviço de toda a população, juntamente com a tentativa de implementar medidas que visem à adequação dos parâmetros educativos à nova etapa do capitalismo para este novo século.

Dessa forma, propostas de participação das comunidades na gestão das escolas, na democracia como condição para uma educação de qualidade e para todos, na representatividade de todos os setores sociais no processo educativo, no acesso à educação pelas parcelas das populações mais necessitadas etc, são resultados de inúmeras lutas internas nos países pobres para a conquista destas reivindicações.

O que o grande capital propõe é a incorporação destas reivindicações para o seu projeto político de sociedade e de educação. A grande retórica internacional, assimilada quase que integralmente pelos governos nacionais, é a saída encontrada pelos executivos a serviço da educação para o capitalismo do século XXI, para justificar suas ações políticas na educação em todo o mundo.

Com isso, estamos diante de uma luta teórica. E é através desta luta que se definirão os rumos da educação no capitalismo deste século.

89

O grande capital internacional tenta apropriar-se de todas as lutas e os valores da Pedagogia Crítica e de seus autores para aprisioná-la como um elemento a seu favor para o estabelecimento de uma nova educação neste novo século, criando novas teorias e novos fazeres para os agentes educacionais em todo o mundo.

Até este momento, impera a confusão política entre grande parte dos educadores, os movimentos sociais e as populações pobres dos países atrasados, bem como entre os excluídos dos países desenvolvidos. Cabe a nós, que nos propomos refletir e discutir sobre estas questões, contribuir para desvendar a situação. É preciso colocar as coisas em seu devido lugar.

O Reprodutivismo em educação e o estabelecimento da Pedagogia Crítica são resultado das lutas contra a sociedade capitalista e a tentativa do capital em apoderar- se da escola e da educação para a manutenção do sistema. Estamos diante de mais um round desta luta. Agora, é a tentativa de absorção das teorias críticas para a manutenção do mesmo sistema. É a tentativa que faz o capitalismo para apoderar-se das tradições históricas e das lutas dos educadores em todo o mundo para incluí-las dentro do mercado mundial globalizado, como se não houvesse mais divergências em relação à sociedade que queremos construir e sobre qual educação almejamos para esta sociedade.

Outra tarefa que se apresenta é mostrar que, em nome de todas as propostas de atendimento à população, nunca se excluiu tanto em nome da inclusão social e da democracia. Assim, também, nunca tantas verbas públicas foram cortadas em nome dos investimentos em educação.

90

4. São Paulo, um exemplo mundial

A indiscutível importância do estado de São Paulo para o Brasil e para a América Latina revela-se na comparação de quaisquer dados.

Na produção de riqueza, por exemplo, o estado mais rico do país apresenta um PIB de 592 bilhões de reais (dados da Fundação Seade, de 27/4/2005), o que representa 33,4% do PIB brasileiro e, aproximadamente, 13,8% do PIB de toda a América Latina, incluindo o México. Além disso, tem 39.949.487 de habitantes, o que corresponde a 22% da população do Brasil, sendo maior do que 178 países em todo o mundo. Em termos populacionais, somente é ultrapassado pela Colômbia, entre os países da América Latina. Em São Paulo, residem cerca de 11% de todos os sul- americanos.

É obvio que, com números desta envergadura, o estado de São Paulo assume uma importância extraordinária para o capitalismo nacional e internacional e, conseqüentemente, para a educação em seus diferentes níveis.

Em uma década (1995-2004), a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo promoveu inúmeras mudanças na educação fundamental e média, através de um conjunto de medidas que atingiram em cheio os professores, funcionários, pais e alunos e as escolas de um modo geral.

Em vários artigos, textos e entrevistas nos meios de comunicação, os responsáveis por estas mudanças sempre enfatizaram que o cerne das propostas era defender o ensino público para todos e proporcionar uma escola de qualidade para 100% das crianças em idade escolar no estado mais importante econômica e politicamente do país.

91

Os homens e mulheres à frente deste processo de mudança reiteraram, em inúmeras oportunidades, que a questão principal não era somente o corte de gastos e o estabelecimento do novo orçamento da Secretaria da Educação. Eles enfatizaram que, em sua maior parte, as propostas eram exclusivamente pedagógicas, técnicas, tendo como objetivo principal melhorar a auto-estima dos alunos, proporcionar uma educação de qualidade, tudo isso dentro dos novos paradigmas curriculares que a sociedade atual e suas novas tecnologias impunham a todos.

Desta maneira, a secretária da Educação Rose Neubauer e o governador Mário Covas, num primeiro momento, passaram a desenhar uma nova escola pública para as crianças e adolescentes e para os professores e especialistas do estado de São Paulo. A continuidade das mudanças implementadas pelo governo do PSDB está, atualmente, sob o comando do governador Geraldo Alckmin e do secretário da Educação Gabriel Chalita.

Como já enunciamos no capítulo anterior, as resoluções implementadas pelo governo paulista foram amparadas em resoluções, leis, decretos, deliberações e pareceres, que se sustentaram através de amplos argumentos favoráveis à educação de qualidade e para todos, além de mencionarem um número infinito de vezes autores como Paulo Freire e outros expoentes da Pedagogia Crítica.

O principal objetivo destas mudanças, segundo seus autores, era a garantia da inclusão das crianças de 7 a 14 anos na escola pública e o fim da repetência como fonte da exclusão de milhares de crianças e jovens do ensino em São Paulo.

No entanto, aqueles aspectos considerados apenas pedagógicos ou técnicos, que sustentaram as medidas implementadas pelo governo estadual, estão na

92

contramão de tudo aquilo que podemos analisar como uma educação emancipadora, democrática e de qualidade para todos.

Uma análise mais detalhada nos leva à constatação de que este conjunto de medidas está, justamente, contribuindo decisivamente para os baixos resultados obtidos pela escola pública em São Paulo.

Se a escola é uma expressão da própria sociedade, a organização das escolas estaduais paulistas está em contradição com aquilo que precisamos hoje para educar as crianças e os adolescentes.

93