7. Forslag til behandling
7.5. Rens
No novo cenário mundial, as transformações ocorridas, particularmente, nas áreas que envolvem as tecnologias, influenciaram e influenciam avanços e mudanças significativas em todas as esferas da vida social. De forma progressiva, porém bastante célere, observa-se a imposição de novas exigências, novas posturas, diferentes formas de se comunicar com um mundo que a cada instante mostra-se melhor informatizado e globalizado em todos os setores. Nesse contexto, não há dúvida que o acesso às informações fica cada vez mais rápido e está acessível a um maior número de sujeitos sociais.
Essa acessibilidade ao grande número de informações torna-se possível devido às mediações tecnológicas que a cada dia renovam-se e, consequentemente, conquistam os públicos, especialmente, o juvenil. Grande parte deste público se mostra fascinado e atraído pelas novidades do mercado tecnológico que, quase sempre, o torna um consumidor ativo e, por vezes, refém desses novos aparatos oferecidos pela era digital.
As tecnologias da era digital, em especial, aquelas utilizadas pelos jovens, nas redes sociais interativas, possibilitam criação ou (re) criação de formas de linguagens que notoriamente geram comunicação e interação entre eles. E, falar de formas de linguagens é, conseguintemente, falar de gêneros textuais, pois linguagens e gêneros textuais estão estreitamente ligados, visto que os gêneros textuais dependem da linguagem e vice-versa e, ambos caminham na mesma direção, a direção da comunicabilidade eficiente.
No entanto, objetivando uma visão mais ampla, dissociada, porém não fragmentada, esta pesquisa tenta conceituar em diferentes tópicos os dois temas propostos, mas certamente será observado, em dados momentos, os entrelaçamentos dos mesmos.
Não há como falar de gêneros textuais e linguagens sem relacioná-los ao estudioso Bakthin (2003) que com seus estudos empreendidos nas áreas do conhecimento e, em especial na linguística, possui relevante concepção de linguagem vinculada a conceitos como enunciação, polifonia, dialogismo e a
própria noção de gêneros. Tais conceitos Bakthinianos serão retomados ao longo da pesquisa, mas precisamente, para clarificação acerca de linguagem.
Além de Bakthin (2003) destacam-se Todorov (1980), Bronckart (2003), Marcuschi (2003, 2008), Xavier (2005), Adam (2008), Oliveira (2009), dentre outros pesquisadores com relevantes estudos sobre gêneros e linguagens textuais que direcionam esta pesquisa a entendimentos e esclarecimentos concernentes aos tópicos propostos a serem aprofundados neste capítulo.
2.6.1. Gêneros Textuais: definições
Os gêneros textuais ou gêneros discursivos, assim denominados por alguns, são temas que vêm sendo pesquisados por importantes teóricos e estudiosos a fim de identificar e entender novas formas de linguagens que surgem gradativamente conforme a evolução humana, pois a linguagem é viva e como tal evolui e transforma-se continuamente. A busca por esse tema percorre diferentes áreas e atinge todas as esferas da sociedade.
Bakthin (2003) entende os gêneros discursivos a partir da abordagem interacionista, pois afirma ser o enunciado, ou seja, o que o sujeito produz por meio da linguagem - um produto da interação social que ocorre num dado contexto linguístico.
Nesse contexto cada palavra caracteriza-se como produto de trocas sociais, isto por que a linguagem sofre influência mútua dos sujeitos sociais inter-relacionados.
Diante dessas conjecturas, vale ressaltar que essas trocas sociais acontecem num dado contexto sócio-ideológico linguístico, o que desencadeia variadas produções de linguagens que Bakthin (2003) as designa de tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais são definidos pelo conteúdo temático (objeto do discurso); pelo estilo, (estrutura formal) e pela construção
composicional (subjetividade na seleção e opção de vocabulário, preferências gramaticais etc.), tudo isso se configura em ação comunicativa.
Esses enunciados padronizados, relativamente estáveis, marcados por aspectos sociais, históricos e temporais de seu meio, assim o são por refletirem as finalidades e condições específicas de cada instituição que, à medida que cresce em complexidade, amplia o seu repertório de gêneros discursivos. Por isso, embora pareça eternamente estável, o gênero assim não o é. (DIAS et. al. 2011, p.145.).
Para Marcuschi (2002) os gêneros textuais configuram-se por meio de textos materializados, textos estes que estão presentes no cotidiano e apresentam características sócio-comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais e outros aspectos relevantes ao ato comunicacional. O autor mostra a diversidade dos gêneros textuais os quais se expandem continuamente, pois são fenômenos sócio-históricos. Ele traz alguns exemplos, a saber: telefonemas, cartas comerciais, cartas pessoais, romances, reportagens jornalísticas, reunião de condomínio, notícia jornalística, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais dentre muitos outros e, os enfatiza como entidades comunicativas.
Todorov (1980) procurando definir a origem dos gêneros, diz que:
Um novo gênero é sempre a transformação de um ou de vários gêneros antigos: por inversão, por deslocamento, por combinação. Um “texto” de hoje (também isso é um gênero num de seus sentidos) deve tanto à “poesia” quanto ao “romance” do século XIX, do mesmo modo que a “comédia lacrimejante” combinava elementos da comédia e da tragédia do século precedente. Nunca houve literatura sem gêneros, é um sistema em contínua transformação e a questão das origens não pode abandonar, historicamente, o terreno dos próprios gêneros: no tempo, nada há de “anterior” aos gêneros (TODOROV, 1980, p. 46).
Trazendo para nossa proposta de pesquisa e relacionando a fala de Todorov a exemplos atuais, observa-se essa transformação nas conversas que ocorrem no ciberespaço – mensagens virtuais - que denotam uma identidade própria dos sujeitos que estão inseridos naquele contexto, por assim dizer, naquela comunidade. Identidade essa, vinculada às condições evolutivas: social, cultural, histórica e tecnológica.
Nesse contexto e, respaldando-se na semiologia de Barthes (1978), a linguagem, apresenta-se cada dia mais flexível, pois é determinada pelos sujeitos que compõem o próprio ambiente, (re)criando formas comunicativas conectadas às significações: imagens, gestos, sons, formas em movimento que são atribuídas aos fatos da vida social.
[...] os gêneros existentes mudam a partir de modificações na situação social na qual exercem uma função ou novos gêneros podem surgir a partir de transformações ostensivas daqueles já existentes. (PAGANO, 2001, p. 87).
Embora, algumas teorias e conjecturas nos levem à percepção de que os gêneros textuais desenvolvem o papel de estruturar a linguagem e, consequentemente, produzir ações comunicativas, Marcuschi (2002) mesmo timidamente, se contrapõe a essa assertiva quando afirma que os inúmeros gêneros textuais, mesmo sendo estratégias utilizadas para a organização e estruturação da linguagem não garantem a função comunicativa.
2.7. GÊNEROS E DIFERENTES LINGUAGENS NO CIBERESPAÇO