Conceituar juventude é algo que denota certa complexidade, observa-se uma gama de estudos empreendidos em torno de buscar definição para o termo juventude. Neste cenário, são apresentadas diferentes temáticas, olhares e interesses como perspectiva central de juventude, o que nos remete a percepção de que há diferentes juventudes, isso por que definir juventude (s) abrange, envolve diferentes aspectos de acordo interesses de quem a estuda e a define.
Assim, juventude passa a ser definida a partir de específicos interesses e em contextos diversos como: contexto econômico, social, histórico e cultural o que nos impele a percepção da existência de diferentes e variadas juventudes, as quais são formadas a partir de elementos híbridos que vão muito além da faixa etária denominada como ‘juventude’, que segundo padrões internacionais, compreende de 15 a 24 anos de idade, no Brasil, até aos 29 anos.
Segundo Islas (2009) o conceito para a juventude moderna tem suas bases em Rousseau, que faz desabrochar uma visão mais sociológica no campo da juventude. Em seu livro “Emílio”, publicado em 1762, Rousseau consegue separar concepções entre criança e o adolescente do adulto pautado em uma visão mais sociológica. Islas (2009) também assevera que o conceito de juventude nasceu de uma disputa de saberes, na maioria das vezes impregnados da perspectiva adulta. No entanto, também confirma que muitos autores têm evidenciado a importância de olhar a juventude a partir de sua própria perspectiva.
Avançando mais um pouco no contexto sócio-histórico tem-se no fim do século XIX, o termo adolescência, que foi marcado pelas classes burguesas, resultado de uma sociedade capitalista e industrializada, na qual o termo adolescência passa a marcar o início da segunda infância, que se configurou para além dos 13 anos. Está sociedade segundo Guimarães e Grinspun (2008) determinou uma juventude que desejava a maturidade precoce, pois se envergonhava da sua condição de ser jovem.
Dayrell e Corrochano (2009) compreendem os jovens como pertencentes a uma geração que vive em determinado contexto social, econômico e político considerando sua diversidade nas várias dimensões: de classe social, sexo e trajetórias de vida. Os autores chamam a atenção para uma juventude pouco vista, ‘a maioria silenciosa de jovens’ que de acordo com os autores, por percorrerem uma trajetória considerada socialmente ‘normal’, ou ‘regular’, tornam-se praticamente ‘invisíveis’. Geralmente estes jovens estão acima de 18 anos de idade, terminaram o ensino médio, não participaram de projetos coletivos ou organizações juvenis, mas também não se envolveram com ações ilegais.
Para Abramoway (2006) ser jovem é ser autônomo, é passar com segurança da condição de ser criança para a condição de adulto. Para a autora essa é uma passagem bem complexa, pois inclui vários aspectos, condições e mudanças. Assim, resume juventude como uma etapa da vida em que as pessoas passam da infância à condição de adultos e, neste período, produzem mudanças biológicas, psicológicas, sociais e culturais. Tais mudanças variam de acordo com as condições diferenciadas que se configuram pelas sociedades, pelas culturas, etnias-raça, gênero, dentre outras referências objetivas e subjetivas.
Para Sandoval (2002), definir juventude é algo complexo, pois depende de fatores temporais, espaciais e culturais. Assim, resume que a juventude é concebida como uma categoria etária - categoria sociodemográfica - como etapa de maturação, nas áreas sexual, afetiva, social, intelectual e físico- motora e também como subcultura.
Islas (2009) nos sinaliza a presença da ‘teoria normativa’. De acordo com o autor, nesta teoria, a adolescência é considerada como uma fase universal do desenvolvimento psíquico, nela o ambiente social e cultural assume um lugar secundário. Esta tendência chega a gerar uma confusão total entre o conceito de adolescência e o de juventude.
Islas (2009) aponta o contra ponto desta leitura, quando fala na teoria que aborda o período correspondente à juventude, como sendo um segmento
da população ou grupo(s) com características próprias de acordo com os espaços sociais onde se encontram, e que vai se modificando e diversificando historicamente como produto das transformações da própria sociedade e de suas instituições.
A partir desses elementos comuns, começarão a diferenciar-se as explicações conceituais sobre a multiplicidade dos grupos juvenis, seu lugar na(s) sociedade(s) e o tipo de relação adotada com as instituições adultas com que interagem, bem como suas formas organizativas e de expressão social, econômica, cultural e política. (ISLAS, 2009, p. 18).
Com o objetivo de aprofundar, ainda mais, os conhecimentos acerca de temáticas que correspondem à juventude, esta pesquisa aponta, em linhas gerais, algumas diferenças entre os termos adolescência e juventude, por perceber a necessidade de compreensão e diferenciação entre estes termos, que por muitas vezes são utilizados de forma equivocada.
Assim, torna-se também imprescindível, buscar respaldo teórico acerca de conceitualização de adolescência.
Conceitualmente a adolescência se constitui como campo de estudo dentro da psicologia evolutiva. Surge de modo incipiente apenas no final do século XIX e, com maior força, no princípio do século XX, sob a influência do psicólogo norte-americano Stanley Hall (DELVAL, 1998, apud LEÓN 2009, p. 545). Estudos sobre juventude e adolescência estão cada vez mais presentes na contemporaneidade e, temas diversos e diversificados ganham proporções extensivas, o que permite a ampliação dos focos anteriormente abordados e, conseguintemente, faz emergir novos questionamentos e desafios que chamam a atenção para políticas públicas concernentes a estes públicos. Enfatiza-se que questões relacionadas à juventude e adolescência também contam com a aceitabilidade e o apoio de entidades educativas e/ou sociais, isto, em diversas esferas: Organizações Não Governamentais - ONGs, instituições de ensino, setores privados, cooperativas etc.
De acordo com León (2009) especialmente nas últimas décadas, nota-se certa movimentação e avanço no diz respeito ao campo de estudo e
conceitualizações acerca de adolescência e juventude. No contexto sócio- histórico atual, diferenciar esses coletivos sociais torna-se inevitável e de total relevância ao desenvolvimento de determinadas políticas públicas que favoreçam e primam por interesses desses diferentes sujeitos sociais.
A partir dai, já não resulta uma novidade, mas sim uma necessidade, o pluralizar no momento de nos referirmos a esses coletivos sociais, ou seja, a necessidade de falar e conceber diferentes "adolescências" e "juventudes", em um amplo sentido das heterogeneidades que se podem apresentar e visualizar entre adolescentes e jovens. (LEÓN, 2009, p. 45) Para Coimbra (2005) a conceituação de adolescência está vinculada à lógica desenvolvimentista, sendo a adolescência uma fase do desenvolvimento em que todos os sujeitos seriam atingidos obrigatoriamente e na mesma proporção, ou seja, todos passariam obrigatórios e similarmente pela mesma etapa. Para o autor, a adolescência é caracterizada por questões comuns a todos os sujeitos como, por exemplo, a formação de uma identidade, escolha profissional, opção sexual e demais conflitos naturais.
Em busca de definições de juventude e adolescência e fazendo correlação entre os autores estudados, tem-se uma visão geral que as várias conceitualizações apontam para a diversidade de adolescências e juventudes, presentes em qualquer sociedade, em especial na sociedade contemporânea. Em síntese, tais definições parecem denotar a necessidade desses conceitos serem compreendidos levando em consideração os contextos específicos e seus múltiplos aspectos: histórico, social, cultural, econômico.
Por ser a juventude o público alvo desse estudo, optamos por investigar, com mais profundidade, eventos relacionados à mesma. Para isso, a pesquisa se respalda em conceitos de juventude (s), que em síntese é compreendida como um segmento social relevante, cuja faixa etária é de 15 aos 24 anos, conforme definição da Organização das Nações Unidas – ONU, (UNICEF, 2010). Coteja-se por meio desse estudo analisar se os contextos específicos e seus múltiplos aspectos: histórico, social, cultural, econômico refletem e/ou interferem nas formas comunicacionais, nas linguagens e nos gêneros textuais deste público.
No entanto, depreende-se que tanto os conceitos de juventude quanto de adolescência precisam ser percebidos e compreendidos em um contexto pluridimensional. O que nos remete à reflexão e pretensão de futuros estudos em que possam ser investigados, se de fato, há diferença entre estas fases e nomenclaturas e, quais suas implicações.
Vale ressaltar que o foco desta pesquisa detém-se no olhar investigativo sobre juventude, também definida como “Menos do que uma etapa cronológica da vida, menos do que uma potencialidade rebelde e inconformada, a juventude sintetiza uma forma possível de pronunciar-se diante do processo histórico e de constituí-lo”. (FORACCHI, 1965, p. 303).