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seus pares num processo de apreensão de significados culturais (OLIVEIRA, 2012). Para que haja comunicação, interação e, conseguinte socialização entre os indivíduos, a linguagem é, sem dúvida, o primeiro e essencial elemento neste processo. No entanto, a tessitura de linguagem, língua e signo constitui infinitas possibilidades de sentidos o que gera interação, diálogo, troca de informações, ou seja, de forma sintética, gera comunicação e socialização.

Comunicar-se e viver em ‘sociedades’ são necessidades intrínsecas, naturais dos indivíduos que vivem em constante interação com a realidade do mundo que os cerca e com seus pares, com os quais dividem, compartilham experiências diversas. E, de acordo com o contexto sócio-histórico cultural, esses indivíduos buscam formas de linguagem que promovam a socialização nos diferentes grupos sociais, dentre eles: comunidades, clãs, tribos, castas, classes, redes sociais etc. Desta forma, a linguagem se apropria da língua e

suas variações na tessitura da comunicação e interação que desencadeia no processo de socialização.

Por sua vez, a língua é algo vivo e se constitui independentemente de regra padrão, e como tal, ela evolui concomitantemente às gerações e ao progresso, o que a configura como um conjunto de variedades padrão ou um conjunto de variedades não padrão, posto que a língua se forma desassociada de regras, ou seja, indiferente aos paradigmas linguísticos, o que vem ao encontro do discurso de Geraldi (1997) que sinaliza a língua como uma ‘sistematização aberta’.

A língua por assim dizer é alvo de amplos e flexíveis conceitos, mas em síntese ela se configura como um sistema de signos convencionais, também denominado de código linguístico. Signos estes, usados por grupos sociais que convencionam e utilizam um conjunto organizado de elementos que envolvem todas as manifestações individuais, não podendo ser confundida com a fala que é um modo individual, singular de cada indivíduo na utilização da língua em seu grupo social e diferentes ambientes.

Vale enfatizar que a evolução da língua e da linguagem está relacionada a interesses e fatores sociais, históricos político-administrativos, dentre outros e, como exposto, anteriormente, independente de normas exigidas. No entanto, dentro da variedade padrão ou não, a língua carece da linguagem que por sua vez se apropria de alguns elementos que levam à comunicação e à sociliazação - necessidades natas do indivíduo “[...] a língua se deduz da necessidade do homem de expressar-se, de exteriorizar-se. A essência da língua, de uma forma ou de outra, resume-se à criatividade espiritual do indivíduo” (BAKHTIN, 2000, p.289).

De acordo Jakobson (2005), Martins e Zilberknop (2005), os elementos que levam à comunicação encontram-se apresentados da seguinte forma: fonte (de onde parte a mensagem); emissor (quem transmite a mensagem); mensagem (ideia que se quer transmitir); canal (meio pelo qual a mensagem é passada/transmitida – meios naturais ou tecnológicos); código/signos (conjunto de sinais estruturados e usados por uma comunidade linguística configurada

pela linguagem verbal ou não verbal); receptor (recebe a mensagem e tem o importante papel de repassá-la) e destinatário (a quem a mensagem se destina).

Além desses elementos Jakobson (2005) nos apresenta seis funções de linguagem, a saber: enfática, referencial, metalinguística, poética, emotiva e conativa relacionando cada uma delas com um dos componentes do processo comunicativo. Ele assevera que dependendo da finalidade da fala, há predominância de um dos elementos da comunicação, bem como de uma das funções da linguagem.

Os elementos: fonte, mensagem, canal, código também denominado signo, receptor e destinatário promovem a comunicação entre os indivíduos, mas para que ocorra tal fenômeno, os indivíduos se apropriam, principalmente, de uma das diferentes funções da linguagem, dependendo do objetivo da fala. Não significa afirmar que em um ato comunicativo tenha-se apenas uma função da linguagem, pois as funções não se excluem e, raramente, em uma mensagem, é possível ser observada apenas uma das funções, bem como parece ilusório pensar que todas as funções estejam presentes simultaneamente em uma mesma mensagem (JAKOBSON, 2005).

A linguagem é a capacidade que o homem tem de se comunicar por meio de uma língua. Assim, um indivíduo que recebe e compreende uma mensagem, ele concorda plena ou parcialmente com a mensagem, completando-a, adaptando-a, modificando-a constantemente durante o processo de audição e compreensão, pois “[...] toda compreensão é prenhe de resposta e, de uma forma ou de outra, forçosamente a produz: o ouvinte torna- se locutor” (BAKHTIN, 2000, p.290).

Por sua vez a língua é caracterizada por um sistema de signos convencionais, um código linguístico. Os signos que se apresentam organizados culturalmente permitem aos indivíduos construírem, criarem e recriarem seus próprios sistemas de signos, uma espécie de filtro, por meio do qual interagem e decifram o mundo e ambientes em que estão inseridos. “Um signo é uma coisa que, além da espécie ingerida pelos sentidos, faz vir ao

pensamento, por si mesma, qualquer coisa”. (BARTHES 1992, p.39). O autor pontua o signo linguístico como uma composição de significante e significado, em que no plano dos significantes é constituído o plano de expressão e o no plano dos significados é constituído o plano de conteúdo.

É por meio da linguagem que o indivíduo revela sua condição ontológica como um ser constituinte de um lugar no universo. Motivo pelo qual a linguagem sofre as mutações advindas do espaço/tempo da própria existência do ser humano. Trazendo este discurso para o tema desta proposta de pesquisa, relacionamo-lo ao discurso de Flick (2009) ao afirmar que a internet pode ser considerada “como um lugar ou como um modo de ser” (p.246), “[...] é, ao mesmo tempo, uma cultura e um produto cultural” (p.247). Depreende-se que as variadas formas de linguagens experimentadas neste espaço podem ser consideradas como produtos culturais, pois representam as experiências dos sujeitos, suas intenções, opiniões, argumentos e disposições sociais.

A título de maior clarificação sobre linguagem optou-se, em primeiro momento, por conceitos Bakhtinianos de linguagem, por entender que as concepções do autor coadunam com a proposta desta pesquisa - tipos de linguagens vivenciadas no ambiente das redes sociais. Bakhtin (1999) analisa o processo da linguagem relacionando-a diretamente à interação. Neste processo o sujeito passa a ocupar primordial papel em toda e qualquer situação de interação, pois é a partir do sujeito que se torna possível a compreensão das diversas relações sócio-históricas, relações estas, que caracterizam uma sociedade.

Para Bakhtin (1999) o sujeito produz enunciados, ou seja, acontecimentos que exigem uma determinada situação histórica; a identificação dos atores sociais; o compartilhamento de uma mesma cultura e o estabelecimento de um diálogo, que o autor denomina de linguagem dialógica. Todo dizer perpassa por outros dizeres, e cada voz é sempre também a voz do outro e todos os enunciados se constituem a partir de outros.

Assim, o uso que o sujeito faz da língua concretiza a linguagem, que é uma manifestação social, e como tal, a linguagem em sua essência torna-se

viva, real e vista como um processo dialógico de interação. Esclarecendo que o conceito de dialógico, aqui, torna-se mais específico, pois não está no sentido estrito do diálogo, mas sob a ótica do materialismo dialético da filosofia marxista, sob o qual está embasada toda sua visão de linguagem e interação social (BAKHTIN, 1999, 2002).

A enunciação constituída de sentido/tema e significação é outro conceito desenvolvido por Bakhtin. Ela é percebida como um produto da interação que emerge em um contexto sócio-ideológico, isso significa que a realização da atividade mental é norteada por uma orientação social mais ampla. Por assim dizer, a significação é a parte genérica e abstrata da palavra que contempla sentidos dicionarizados, enquanto que o sentido/tema tem a função de estabelecer conexão entre as pessoas envolvidas no ato linguístico num dado contexto sócio-histórico. Diante de leituras acerca da teoria Bakhtiniana depreende-se que o sentido é sempre único, singular, novo, uma vez que cada interação ocorre em momentos e contextos históricos diferentes, já a significação pode ser a mesma, uma vez que se prende a conceitos etimológicos.

Bronckart (2003), em consonância com as teorias de Vygotsky e Bakhtin na perspectiva do interacionismo sócio-discursivo em que o gênero é determinado pela esfera discursiva, assevera que a linguagem surge a partir da diversidade e complexidade das diferentes práticas humanas. Tais práticas quando vinculadas às necessidades socioculturais geram diferentes tipos de textos, promovendo assim, os denominados gêneros textuais. “Os textos são produtos da atividade humana e, como tais, estão articulados às necessidades, aos interesses e às condições de funcionamento das formações sociais no seio das quais são produzidos.” (BRONCKART, 2003, p. 72).

A partir dessas evidências percebe-se que as linguagens produzidas estão relacionadas diretamente às atividades humanas, o que torna relevante o papel do gênero textual no sentido de delimitar as ações de linguagem na atividade coletiva. Bronckart (2003) julga favorável que uma ação de linguagem exija a mobilização de gêneros de textos.

Marcuschi (2002) afirma que os vários gêneros textuais como os telefonemas, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e outros se estruturam em tipos textuais, também denominados tipologia textual: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção que se configuram como estratégias utilizadas para a organização e estruturação da linguagem (CÓDIGO/SIGNOS), com vistas à comunicação e interação, mas enfatiza que nem sempre os gêneros garantem a função comunicativa.

Sobre isso, vale ressaltar que Marcuschi (2002) afirma que os gêneros textuais servem para materializar ações comunicativas as quais são produzidas por uma determinada forma de organização social e, dependendo do ambiente há um determinado domínio discursivo, ao passo que em outros ambientes e situações predominam domínios discursivos diferentes. Assim, depreende-se que ações comunicativas dependem dos sujeitos e não dos diferentes gêneros textuais.

Diante de tantas variantes sobre conceitos de língua e linguagem nos apropriamos, também, da forma sintética de Saussure (1966) que compreende a linguagem como um fenômeno multiforme e heteróclito, ao mesmo tempo em que é físico, fisiológico e psíquico, e pertencente aos domínios individual e social. Esse complexo de variantes torna sua definição ilimitada e não estanque.

Sobre língua Saussure (1966) assevera que ela não se confunde com a linguagem, pois a linguagem configura-se como uma parte da língua. Ele afirma que a língua ao mesmo tempo em que é um produto social da faculdade da linguagem é um conjunto de convenções necessárias, adotadas pela sociedade para possibilitar o exercício de tal faculdade pelos indivíduos, enquanto a linguagem é um todo em si mesmo e um princípio de classificação. Assim, na concepção saussuriana a língua é definida como um agente transformador da linguagem.