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5. Comparative and theoretical perspectives

5.3 Religious economies and the CBD churches

As zonas de exsudação de gás ocorrem no interior de uma estrutura sinformal com caimento para NNE e balizada a oeste pela Falha do Rio Borrachudo. As emanações podem ser observadas tanto na região de Porto de Corredeira e proximidades da Represa de Três Marias, quanto em córrego a SW da Serra Vermelha, onde as rochas do Grupo Bambuí encontram-se fracamente deformadas (Anexo 02).

Quando posicionados em seções sísmicas, as exsudações de Porto de Corredeiras e das proximidades da Represa de Três Marias relacionam-se a pequenas falhas de empurrão enraizadas na porção inferior do Grupo Bambuí. Embora mostrem geometria similar à flor positiva na seção, estas falhas parecem refletir a compressão na zona axial interna de dobramento suave (Fig. 5.1), gerado na fase de deformação D2. Os seepages de Serra Vermelha, por outro lado, guardam alguma relação

descontinuidades que cortam apenas a porção superior do Grupo Bambuí. Tais estruturas, aparentemente, associam-se à Zona Transcorrente de Serra Vermelha (Fig. 5.1, Anexo 02).

Em mesoescala, as emanações orientam-se, preferencialmente, segundo a direção NW, sendo localmente associados a dobras suaves e de proporções até decamétricas (Fig. 5.2-a). Por vezes, são descritas exsudações alinhadas em torno de N-S. Ambas as orientações de escape podem ser diretamente relacionadas com estruturas pré-cambrianas, bem como descontinuidades cretácicas que afetam o Grupo Bambuí. Conforme discutido anteriormente, a direção NW corresponde tanto à orientação das juntas trativas da fase de deformação D2 (Fig. 4.9) quanto à direção de maior extensão relacionada ao campo de

tensões cretácico (Fig. 4.17). Por outro lado, em torno da direção N-S orientam-se as falhas normais e juntas de cisalhamento (com componente normal) associadas à fase de deformação D3 (Fig. 5.2-d).

C on tr ib uiçõ es às C iê ncia s d a T er ra 113

Figura 5.1 Seção sísmica 0240- 0293 em tempo duplo (TWT/ms). As linhas tracejadas destacam as descontinuidades (traço pontilhado) próximas às zonas axiais das dobras regionais e relacionadas às zonas de exsudação de gás natural (estrelas). Note que, na região de Porto Corredeiras, estas descontinuidades se assemelham a estrutura em flor positiva e, aparentemente, relacionam-se a acomodação da deformação durante o dobramento. É notável ainda, que todas as zonas de emanação de hidrocarbonetos ocorrem associadas ao alto do embasamento. I: Embasamento; II: Unidades pré-Bambuí; II: Grupo Bambuí (inferior e superior BI e BS, respectivamente). TM: Três Marias; Ti: Tiros; Mn: Morada nova de Minas e Co: Corinto.

Figura 5.2 Exsudações de gás em córrego na região de Serra Vermelha (Morada Nova de Minas) (a e b) e no baixo

Rio Indaiá (c). As setas vermelhas indicam os pontos de emanação. Em (a) é possível observar os seeps alinhados segundo a direção NW e sua relação com flanco de antiforme suave ao fundo. (d) Falha normal oblíqua cretácica (fase de deformação D3) em arenito da Formação Três Marias, cuja direção parece influir localmente na orientação

das exsudações de hidrocarbonetos.

Tal cenário mostra importante controle estrutural no escape dos gases ao longo das regiões analisadas. Os dados apresentados sugerem que, com a migração de zonas mais profundas, os fluidos tendem a emanar em superfície aproveitando, preferencialmente, estruturas de caráter distensional. Conforme mostrado, estas descontinuidades foram geradas tanto durante a fase de deformação compressional D2 (neoproterozóico) quanto durante a fase distensional pura D3 (Eocretáceo).

Contribuições às Ciências da Terra

115

favorecer o escape dos gases e sua consecutiva visualização em superfície.

É importante notar que, quando analisados em mapa (Anexo 02), parte dos seepages documentados orienta-se conforme a direção do Rio Indaiá (N30E). Como discutido no Capítulo 4, esta forte orientação da drenagem pode se relacionar tanto à estruturas eocretacicas (Hasui & Haralyi 1991 in Sgarbi et al. 2001) quanto a elementos gerados em tectonismos posteriores à fase D3. Tal fato sugere a

influência de mais de duas gerações de estruturas no controle de escape dos gases. Por outro lado, a orientação em mapa pode, simplesmente, ser conseqüência da dificuldade de visualização das emanações fora de cursos d’água.

Outro ponto interessante, também revelado pelo exame das zonas de exsudação em mapa, é que todos os pontos de ocorrência de gás descritos, bem como os apresentados pelo Projeto METAMIG- PETROBRÁS (1989 in Signorelli et al. 2003), distribuem-se ao longo do ápice da Saliência de Três Marias. Segundo Macedo & Marshak (1999), quando visualizados em planta grande parte dos campos de hidrocarbonetos em bacias foreland em torno do mundo ocorrem segundo a culminação de saliências controladas pela bacia. Os autores atribuem tal associação às diversas similaridades compartilhadas entre os pré-requisitos geológicos para a geração e acumulação dos hidrocarbonetos e os fatores controladores das saliências, como a espessura sedimentar e a estruturação dos depósitos. Ao mesmo tempo em que o espessamento estratigráfico favorece o maior volume de rochas geradoras/reservatório, o mesmo controla a localização do ápice da saliência e culminações de dobras regionais. Este tipo de estrutura comumente funciona como trapa em sistemas de hidrocarbonetos.

O aparente espessamento sedimentar da seção neoproterozóica (Cap. 4.5) e a ocorrência local de unidades contendo matéria orgânica no Grupo Bambuí (Cap. 3.3) na área de estudo, sugerem contexto similar ao observado por Macedo & Marshak (1999). Levando em conta estas observações, é possível presumir que a distribuição em mapa das zonas de exsudação do vale do baixo Rio Indaia e da região da Serra Vermelha parece refletir ainda, a distribuição dos sistemas de hidrocarbonetos em sub-superfície.

CAPÍTULO 6

CONCLUSÕES

Do estudo realizado na região do Baixo Indaiá podem ser tidas as seguintes conclusões: 1) Cinco unidades estratigráficas maiores ocorrem na região.

a. As unidades pré-Bambuí (Pb1 e Pb2), visualizadas em seções sísmicas, não afloram. A Unidade Pb1 é representada por refletores descontínuos, marcados por uma série de trucamentos internos, e constantes feições de crescimento, se assentando discordantemente sobre o embasamento da bacia. A Unidade Pb2 exibe poucas reflexões internas e recobre, através de uma discordância angular, a Unidade Pb1. Ambas as sucessões tendem a se espessar nos sentidos norte e leste da área estudada.

b. O Grupo Bambuí, neoproterozóico, constitui dois domínios principais em seções sísmicas: Bambuí Inferior (BI) e Bambuí Superior (BS). Estes pacotes são definidos por refletores sub-paralelos, e aparentemente, contínuos por grande parte da porção centro-sul da Bacia do São Francisco. Em superfície, o grupo é representado principalmente pelas rochas carbonáticas e pelito-arenosas plataformais das formações Lagoa do Jacaré e Serra da Saudade. Adicionalmente, esta última formação hospeda os dolomitos e biolititos de rampa carbonática do Membro Felixlândia, além de lentes pelíticas ricas em matéria orgânica. Em grande parte correlacionáveis ao domínio superior interpretado nas seções sísmicas, estas sucessões passam gradualmente, em direção ao topo, para os tempestitos arenosos e arcoseanos da Formação Três Marias, definindo um ciclo do tipo shallowing

upward.

c. Os sedimentos cretácicos do Grupo Areado correspondem, predominantemente, a arenitos eólicos, com afloramentos esparsos de depósitos aluviais e lacustres e que se assentam através de uma discordância angular e erosiva sobre as unidades neoproterozóicas do Grupo Bambuí. Estas sucessões são localmente recobertas pelas rochas vulcanoclásticas e epiclásticas do Grupo Mata da Corda, neocretácico.

2) As estruturas reconhecidas na região são relativas a três fases de deformação:

a. A fase distensional D1 envolve apenas o embasamento e a porção inferior das unidades

pré-Bambuí (Pb1). É representada por falhas normais de direção NE que, em conjunto, definem um sistema de grabens e horsts, internos ao Alto Estrutural de Três Marias. Crescimento de seções comumente associadas a estas descontinuidades sugerem alguma contemporaneidade entre o tectonismo e a deposição da Unidade Pb1.

b. A fase D2, de caráter compressivo, envolve apenas os sedimentos neoproterozóicos do

Grupo Bambuí em um cinturão epidérmico e vergente para o antepaís. Este cinturão corresponde à expressão intracratônica da Faixa Brasília e, aparentemente, se desenvolveu em nível crustal relativamente raso, com tensão principal máxima (σ1) orientada em torno

de WNW. As estrutural D2 formam uma grande saliência regional, a Saliência de Três

Marias, controlada pela geometria da bacia. Relações de corte e superimposição das estruturas permitem o reconhecimento de duas etapas distintas durante esta fase: E1 e E2.

Durante a etapa E1 foram formadas as grandes superfícies de descolamento desenvolvidas

próximo à base do Grupo Bambuí, bem como as megadobras e empurrões com direção geral N-S que compõem a Saliência de Três Marias. Estas estruturas definem um leque imbricado vergente para leste e cujo sistema de propagação de falhas se desenvolveu em direção ao antepaís (piggyback thrusting). Durante a segunda etapa de deformação (E2)

foram nucleadas as zonas de transcorrência sinistrais de direção geral NW. Estas zonas são responsáveis pela dispersão dos eixos de dobra e rotação das estruturas da etapa anterior.

c. A fase de deformação D3 relaciona-se ao desenvolvimento da Sub-Bacia Abaeté, no

Cretáceo Inferior, quando foram geradas falhas normais de direção N-S, que controlam localmente a deposição das unidades basais do Grupo Areado, além de juntas cisalhantes NNE e NW. Estas estruturas foram geradas em um campo distensional puro, com a tensão máxima (σ1) sub-vertical e a tensão mínima (σ3) horizontal e orientada segundo N33E.

3) Os dados obtidos sugerem que as exsudações de gás natural do vale do Rio Indaiá e região da Serra Vermelha são controladas por estruturas de, pelo menos, duas fases de deformação distintas. A migração sub-superficial parece ocorrer através de grandes descontinuidades associadas a

Contribuições às Ciências da Terra

119

estruturas regionais da fase D2 e o escape, ao longo juntas plumosas (trativas) e estruturas

distensionais de direção NW, das fases D2 e D3, respectivamente.

4) A íntima associação das zonas de escape de hidrocarbonetos com a culminação da Saliência de Três Marias, gerada durante a fase D2, sugere algum controle desta estrutura sobre a distribuição

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