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Reliabilitet, validitet og generalisering

1 Innledning

3.4 Reliabilitet, validitet og generalisering

O mundo contemporâneo que se encontra numa acelerada transformação apresenta-se especialmente perturbador e inquietante, quando consideramos em particular os inúmeros problemas e dificuldades que desestabilizam o “bem-estar e a “qualidade de vida” das pessoas e afetam o seu processo de desenvolvimento. Como afirma Isabel Baptista, “calhou-nos um tempo difícil, aparentemente privado de grandes narrativas, carente de referências axiológicas e terrivelmente ameaçado por fatores de perturbação, incerteza, insegurança e imprevisibilidade associados ao progresso científico, à revolução tecnológica, à complexificação de modos de vida e à recorrência de acontecimentos violentos que ensombram qualquer esperança de felicidade ou bem-estar” (2005, p. 35). No entanto a mesma autora mantém uma réstia de esperança, quando diz que “por mais incerto e imprevisível que o tempo “por-vir” se nos apresente, importa superar a “crise do futuro” que parece ameaçar hoje toda a vida social. É que sem futuro o presente fica mais pobre e, em certa medida, ameaçado. Precisamos do futuro para viver, compreender, conhecer e reinventar o presente. Por outro lado, no entanto, importa também prevenir o “excesso de futuro”. Só um sujeito implicado no seu presente se torna capaz de futuro. Que podemos, enfim, tomar conta do tempo que nos coube viver” (2005, p. 42).

Segundo António Nóvoa, “não há desenvolvimento sem que as coletividades manifestem vontade de assumir o seu próprio futuro” (1992:19), o que nos leva a depreender que o desenvolvimento humano exige a cada indivíduo, independentemente da sua raça, religião ou posição social, uma propensão para a mudança, isto é, “exige um trabalho de educação/formação dos seres humanos ao nível das motivações, dos hábitos, das atitudes e sistema de valores que fazem parte do seu sistema de crenças, no sentido de o tornar flexível e dinâmico passível de recombinações e recriações constantes” (Antunes, 2008, p. 105). Assim, Desenvolvimento Humano e Aprendizagem ao Longo da Vida têm em conta as Metas de Desenvolvimento Humano no século XXI, como as metas “ideais” do

desenvolvimento nas sociedades contemporâneas, expressas na Declaração Universal dos Direitos Humanos (Caride Gómez, Freitas e Callejas, 2007, p. 8) e a educação como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais de paz, liberdade e de justiça social (Delors, 1996, p. 11).

Caride e Vargas advogam também que “ao educar-se, ao educar, ao aprender e a partilhar conhecimentos, as pessoas estão a fomentar e a praticar uma forma de interpretar e transformar o mundo, de aceitar ou recuar um modelo de vida e de desenvolvimento, já que neles se pressupõe e até impõe uma determinada forma de encarar a educação e, com ela, determinados modos de imaginar o desenvolvimento humano” (2002, p. 24). Desta forma, a educação, promotora dos valores da democracia e das práticas de cidadania, assume-se como um direito humano fundamental, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, inscrita na Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948).

Por outo lado, o dever de Aprendizagem ao Longo da Vida, “como toda e qualquer atividade de aprendizagem, com um objetivo, empreendida numa base contínua e visando melhorar conhecimentos, aptidões e competências, no quadro de uma perspetiva pessoal, cívica, social ou relacionada com o emprego” (Memorando da Aprendizagem ao Longo da Vida, 2000, p.3); a aprendizagem formal (reconhecida oficialmente, confere diploma); a aprendizagem não formal (contém disciplinas e conteúdos mas não confere diploma ou certificado formal) e a aprendizagem informal (acontece fora das estruturas institucionais) são oportunidades de crescimento e transformação para cada pessoa e para a sociedade de que faz parte.

A educação como um «tesouro» que tem a missão principal de gerar conhecimento humano e social é «o tesouro que permanece como mistério a descobrir e que reside no interior da pessoa, de cada pessoa» (Carneiro, 2001, p.27). Por este motivo, o ser humano, que é um ser inacabado, carece de uma constante aprendizagem, para conseguir (sobre)viver e evoluir, pois a necessidade de educação e formação ao longo da vida não é apenas um direito, mas também um dever de todo o ser humano que aspira ir mais além e aperfeiçoar-se. Isabel Baptista afirma que «a aprendizagem corresponde a um dever de cada ser humano no sentido da obrigação de procurar ir sempre mais longe no processo de seu próprio aperfeiçoamento» (2005, p. 59). A este propósito, Roberto Carneiro apoia a

EDUCAÇÃO, TERRITÓRIOS E DESENVOLVIMENTO HUMANO: ATAS DO II SEMINÁRIO INTERNACIONAL

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mesma ideia ao referir que a “educação não se confinaria apenas a uma etapa inicial da vida mas ver-se-ia omnipresente em todos os tempos e ciclos da peregrinação humana” (2001, p. 28).

Joaquim Azevedo defende que existe uma relação evidente entre educação e solidariedade, e alega que as duas “estão no início, no meio e no fim dos processos de desenvolvimento social. Porque acolhem e reconhecem as pessoas e as instituições, porque estimulam à implicação, porque sustentam a participação, porque capacitam e induzem cada ser humano e cada instituição a ser e a fazer mais e melhor, porque criam oportunidades de desenvolvimento contínuo, de reflexão e de ação, porque fomenta o exercício contínuo, ao longo da vida e na vida de uma cidadania ativa e responsável” (Azevedo, 2009, p. 22). É através desta relação de compreensão e de criação de laços entre as pessoas que se dá a participação ativa e solidária, no sentido de um bem-estar comum, para que todas as pessoas possam usufruir de todos os recursos necessários para o exercício absoluto dos seus direitos e deveres.

Considerando a Pedagogia Social, um domínio que vem adquirindo elevada importância nas sociedades contemporâneas que se encontram em constante transformação e se reflete na própria coesão social, torna-se pertinente agir perante as necessidades e as motivações individuais e coletivas. A área da Pedagogia Social que se relaciona com as questões relevantes da realidade contemporânea, numa base humanista, salienta a interação entre o individual e o social, no sentido de otimizar a qualidade de vida e a promoção sociocultural das pessoas, dos grupos e das comunidades em direção à construção de um bem-estar social. Neste contexto, são relevantes a Realização Pessoal e o Bem-Estar Social, ou seja, o desenvolvimento pleno e harmonioso das pessoas que exige uma pedagogia que invoca todos os seus sentidos e esforços. “Um desafio maior, porquanto intima a uma praxis estruturada em ordem à respeitabilidade, à honorabilidade, à liberdade, à solidariedade…” (Palmeirão, 2007, p. 126).

As experiências de aprendizagem musical vividas no âmbito do Projeto TCA – Trofa Comunidade de Aprendentes, fundamentam-se nas convicções de Candê: “Porque a música é uma arte maravilhosa onde até os profissionais mais endurecidos encontram, em qualquer idade, novas emoções, motivos de admiração e razões para aprender. (…) Nenhum sábio conseguiu ainda demonstrar as relações de

causa e efeito que provocam a emoção musical e os filósofos têm procurado, em vão, a natureza secreta do Belo, os fundamentos essenciais da sua legitimidade” (1983, p. 10) e de Wuytack que diz: “ Não é relevante aprender teoria musical, tal como não se aprende teoria no domínio da linguagem verbal, mas é essencial realizar experiências musicais, como ouvir, cantar, tocar, dançar, improvisar” (Wuytack & Palheiros, 1995, p. 16).