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Architecting in Large and Complex Information Infrastructures

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Os critérios relativos ao produto dizem respeito à disponibilidade de material e às características específicas do produto informativo. Segundo Golding-Elliot, estes critérios se explicam em termos de “consonância com os procedimentos de produção,

de congruência com as possibilidades técnicas e organizacionais, com as restrições de realização e com os limites próprios do meio”. (1979, p. 144)

Um desses critérios é a brevidade. Trata-se de mais um mecanismo utilizado pelos jornalistas para selecionar as notícias: a matéria deve dizer tudo o que é essencial em curto espaço de tempo. Esse “tamanho” da matéria atende principalmente à necessidade dos telejornais comerciais, que dispõem de um tempo rigidamente controlado e pago pelos anunciantes. Em uma grade que normalmente varia de trinta a quarenta minutos, o telejornal comercial precisa abordar os mais variados temas – notícias nacionais, internacionais, política, economia, esportes, comportamento, meio ambiente, saúde, etc... Esse controle rígido sobre o tempo das matérias não permite aprofundar os temas ou provocar reflexões.

Já nas TVs legislativas esse critério assume uma importância um pouco menor do que nas TVs comerciais. Tanto na TV Câmara, quanto no Canal del Congreso, o tamanho das matérias não segue uma regra rígida. O fator tempo, nessas emissoras, é um aliado. As matérias têm, em média, de dois minutos a dois minutos e meio, o que é praticamente o dobro do tempo de uma matéria na TV comercial. Muitas vezes esse tempo é extrapolado e as reportagens chegam a ter três ou até quatro minutos. Como não têm compromisso com os anunciantes, as emissoras legislativas se sentem à vontade para não seguir à risca o valor-notícia brevidade. Isso permite o aprofundamento dos temas; uma maior possibilidade dos entrevistados desenvolverem suas idéias e maior quantidade de dados a serem informados.

Ainda assim, nas conversas informais com editores e chefes, eles enfatizaram a orientação de que as matérias preferencialmente não tenham mais do que dois

minutos. Embora não haja a pressão dos anunciantes, eles explicam que a restrição é uma forma de evitar que as reportagens se tornem enfadonhas e, portanto, inadequadas para a linguagem televisiva.

Outro critério relativo ao produto é o que se refere à ideologia da notícia. Para explicar este critério, Wolf recorre ao ditado jornalístico que diz que “good news is bad

news”. Este critério parte do pressuposto de que são noticiáveis, em primeiro lugar, os acontecimentos que envolvam alguma carga negativa, um desvio, uma ruptura do curso normal das coisas. Ou seja: quanto pior, melhor. De acordo com Galtung-Huge (1965, p. 119), “quanto mais um acontecimento for negativo nas suas conseqüências, maior

será sua probabilidade de se tornar notícia”.

Durante o exercício de observação participante, percebemos que essa lógica é subvertida nas TVs legislativas. Uma vez que o noticiário produzido por estas emissoras não está calcado na denúncia ou no jornalismo investigativo, a chamada “boa notícia” ganha um espaço primordial e inédito na história da TV brasileira. Falar sobre projetos aprovados que trazem benefícios para a população, discutir temas que interessam à sociedade, anunciar a apresentação de propostas que podem solucionar problemas graves da economia, da política, da saúde ou da educação; divulgar audiências públicas onde propostas relevantes estão sendo debatidas são temas constantes e corriqueiros nestas emissoras. É claro que o insólito e o negativo também têm lugar na ideologia dos jornalistas legislativos. Acontecimentos que rompam com o curso normal das coisas também terão grande probabilidade de se tornar notícia nestes canais. Assim ocorre quando manifestantes invadem o Legislativo e provocam quebra-quebra; quando ocorre bate-boca ou empurra-empurra entre parlamentares ou quando depoentes choram ou são flagrados em mentiras durante depoimentos às comissões de investigação – essas situações tendem a ganhar destaque também nos noticiários legislativos. Mas, na rotina dessas redações, é a boa notícia que prevalece, independente de espetacularização ou de uma carga negativa.

Outro valor notícia relacionado ao produto é a novidade. Quanto mais recente e mais próximo do horário de exibição do noticiário, maior probabilidade o acontecimento tem de se tornar notícia. Segundo Golding-Elliot (1979, p. 121), “os eventos noticiáveis

devem ter acontecido nas 24 horas entre um noticiário e outro, para merecer sua inclusão neles”.

Este valor certamente é considerado entre os jornalistas legislativos, mas ele tem maior ou menor peso de acordo com o ritmo da casa parlamentar. No Brasil, como é sabido, a atividade de deputados e senadores se concentra principalmente nas terças, quartas e quintas-feiras, em Brasília. As segundas e sextas-feiras são dias de pouca presença parlamentar no Congresso Nacional. No México, os dias de concentração de atividade parlamentar – quando ocorrem as sessões plenárias - são a terça e a quinta- feira. Nesses dias, os noticiários das emissoras legislativas seguem à risca o valor

novidade.Quanto mais recente o acontecimento, mais “quente” é o assunto e, portanto, maior potencial de se tornar notícia. Já nos dias de baixa presença parlamentar, o valor-notícia da novidade perde importância. Nesses dias, considerados frios, os noticiários legislativos se sustentam basicamente com acontecimentos que ocorreram nos dias de grande movimentação, mas que acabaram não tendo espaço no noticiário dos dias “cheios”. São acontecimentos que foram relegados a um segundo patamar – o das notícias frias, a serem exibidas nos dias de pouca atividade no parlamento. Nesses dias, as emissoras legislativas também buscam aprofundar temas que foram abordados de forma mais superficial nos dias de grande movimentação.

Por outro lado, não identificamos nas duas TVs legislativas estudadas aquilo que Wolf chama de “tabu da repetição” (2005, p. 217). De acordo com esse critério, se uma notícia é considerada repetitiva ou semelhante a outras, não é julgada suficientemente noticiável. Um tema que já tenha sido pautado recentemente terá menos probabilidade de ser eleito do que outro que seja inédito. Nas TVs legislativas, ocorre o contrário. Como um mesmo projeto tramita longamente por várias comissões até chegar à sua votação final, as emissoras legislativas fazem um trabalho que vai de encontro ao “tabu da repetição”. Constantemente eles retomam o mesmo tema – ou o mesmo projeto –

explicando-o tantas vezes quantas ele for modificado ou debatido. Essa é uma tarefa fundamental exercida pelas emissoras legislativas e que tem o mérito de preencher uma lacuna deixada pelas emissoras comerciais, que só noticiam a votação de projetos quando eles estão em sua fase final, já com poucas possibilidades de ser alterado. Ao noticiarem as diversas fases de tramitação de uma proposta, as emissoras legislativas dão ao telespectador a oportunidade de acompanhar e inclusive de interferir na elaboração do projeto.

Por não estarem inseridas em um contexto comercial, as TVs legislativas também não estão preocupadas em dar a informação em primeira mão, em chegar antes de outras emissoras. O valor-notícia novidade também ganha outro sentido, porque não está atrelado a uma corrida pelo furo, que é tão característica do jornalismo tradicional.

O balanceamento é o último valor-notícia relacionado ao produto. Este valor se refere à composição global do noticiário. Se um determinado tema ainda não estiver presente na composição do noticiário, maior probabilidade ele terá de virar notícia. E, ao contrário, se o telejornal já tiver, em sua composição, uma matéria sobre comportamento, por exemplo, uma segunda matéria que trate do mesmo tema terá maior chance de ser derrubada. A idéia é que o telejornal traga uma variedade de temas, de forma a “equilibrar” a edição e manter o telespectador atento a ela.

Este valor é considerado nas TVs legislativas não tanto quanto à temática, mas principalmente quanto à instância parlamentar envolvida: as votações em plenário representam, nas duas emissoras, um tema importante, ao qual se dá atenção especial e espaço privilegiado – ali são votadas e discutidas as propostas, em caráter terminativo. Também é no plenário onde são realizados os discursos e debates de maior repercussão. Mas, ao mesmo tempo, existe uma constante preocupação (observada nas duas emissoras) de divulgar o maior número possível de atividades envolvendo as mais diversas comissões do Legislativo. Assim como nas TVs

comerciais, a intenção é produzir um noticiário que seja diversificado, que traga um pouco de cada acontecimento do Legislativo.

Mas é principalmente na busca do equilíbrio partidário que este valor se revela. Segundo Wolf,

No que concerne às rotinas reais de produção, a tensão ideal em relação a uma informação pluralista transforma-se exatamente na prática do equilíbrio, razão pela qual à cobertura informativa sobre o partido X deve corresponder a sobre o partido Y e assim por diante. (Wolf, 2005, p. 219)

Esta prática é observada claramente nas duas emissoras estudadas. Para garantir o equilíbrio e a “neutralidade jornalística”, as matérias invariavelmente trazem a fala de um parlamentar de oposição, seguida de um parlamentar de governo ou vice- versa. Assim, os jornalistas acreditam estar sendo isentos e neutros, praticando o que Tuchmann chama de “ritual estratégico”:

Devido às diversas pressões a que o jornalista está sujeito, ele sente que tem de ser capaz de se proteger para afirmar: ‘Eu sou um profissional objetivo’. Ele tem que desenvolver estratégias que lhe permitam afirmar: ‘Isto é uma notícia objetiva, impessoal, imparcial’. De igual modo, os editores e a administração do jornal sentem que têm de ser capazes de afirmar que o conteúdo do jornal é ‘objetivo’ e que a política informativa e a política editorial são distintas uma da outra. (Tuchman, p. 74-90)

Durante uma conversa informal com um repórter do Canal del Congreso, ele afirmou: “depois que você aprende a linha editorial (do Canal del Congreso) fica fácil.

Na iniciativa privada, cada veículo tende para um lado partidário. Aqui não. Você tem que buscar o equilíbrio.” Neste caso, a busca pelo equilíbrio significa seguir a fórmula “para cada fala do partido X, deve corresponder uma fala do partido Y”.