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Architecting in Large and Complex Information Infrastructures

4 Case: Architecting Large Scale HIS in West Africa

5.1 Architecture as Process of Assigning Roles

A definição do que seriam histórias em quadrinhos também não tem um consenso acadêmico. Will Eisner formulou um conceito particularmente simplório de que seria “uma disposição impressa de arte e balões em sequência, como é feito nas revistas em quadrinhos” (EISNER, 2008, p. 10). O teórico e quadrinista estadunidense Scott McCloud (2005) critica a definição de Eisner por excluir outras formas de narrativas em quadrinhos que não estão no gibi, como por exemplo, os quadrinhos que não dispõem do texto e até mesmo as várias formas narrativas que inovam o formato, como a dos quadrinhos digitais. Desta maneira, McCloud define quadrinhos como “imagens pictográficas e outras justapostas em sequência deliberada destinadas a transmitir informações e/ou produzir resposta no espectador.” (McCLOUD, 2005, p. 20). No que Will Eisner peca pela falta de consistência, McCloud peca por abranger demais, pois, neste sentido, o cinema de animação e fotonovelas se enquadrariam na definição.

O pesquisador belga Thierry Groesteen (2009) chega a afirmar que fazer uma definição válida de quadrinhos é impossível, pois muitas delas, tais como as de Eisner e McCloud, ou são permissivas demais, ou discriminam formas históricas e experimentações marginais do que ele chama de nona arte.

Como objeto físico, todo quadrinho pode ser descrito como uma coleção de ícones distintos e imagens interdependentes. Se considerarmos qualquer produção, percebe-se rapidamente que os quadrinhos que satisfazem esta condição mínima são naturalmente mais longos, mas também nem todos eles obedecem às mesmas intenções e não mobilizam os mesmos mecanismos. Todas as generalizações teóricas são cientes da armadilha do dogmatismo. Longe de querer defender uma escola teórica, uma época ou um padrão contra outros, ou, mais uma vez, prescrever receitas, eu quero forçar a mim mesmo a notar a

6Motion comic ou animated comic é a técnica que combina os quadros de uma HQ tradicional com o vídeo.

O balão de diálogo e caixas de texto podem ser substituídos pela dublagem de atores e há a inclusão da música.

diversidade de todas as formas de quadrinhos e poupar minhas reflexões de qualquer padrão normativo (GROESTEEN, 2009, p. 130, tradução nossa)7.

O que Groesteen propõe, portanto, é o foco nas várias possibilidades de leituras que os quadrinhos – e, consequentemente, a sua forma narrativa –, podem oferecer. Trata- se de um complexo resultante dos elementos como iconografia, sarjeta, molduras de tempo, linhas e traços, enquadramento, que compõe o que o pesquisador italiano Umberto Eco (2011, p. 147) chamou de Gramática do Enquadramento. Esses enquadramentos se relacionam a uma lei de montagem. “A estória em quadrinhos quebra o continuum em poucos elementos essenciais. O leitor, a seguir, solda esses elementos na imaginação e os vê como continuum”. Scott McCloud detalhou melhor o processo:

Os quadros das histórias fragmentam o tempo e o espaço, oferecendo um ritmo recortado de movimentos dissociados. Mas a conclusão nos permite conectar esses momentos e concluir mentalmente uma realidade contínua e unificada. Se a iconografia visual é o vocabulário das histórias em quadrinhos, a conclusão é a sua gramática. E, já que a nossa definição de quadrinhos se baseia na disposição de elementos, então, num sentido bem estrito, quadrinhos é conclusão (McCLOUD, 2005, p. 67).

Isso significa que os quadrinhos, tal como é próprio das narrativas visuais estáticas, exigem que o leitor participe do processo narrativo. Quanto maior é a capacidade do leitor na interpretação do quadro e no preenchimento das ações entre as sarjetas, mais rica se torna a narrativa.

O pesquisador estadunidense Charles Hatfield (2009) explica que a leitura em quadrinhos envolve diversas tensões entre os códigos de significação (imagem e texto), entre a imagem única e a imagem em sequência, entre a sequência narrativa e a diagramação, além das tensões provocadas entre a experiência de leitura com o texto como objeto material. O autor observa que a leitura de um quadrinho envolve as relações dos símbolos que mostram e dos símbolos que falam. Os primeiros fazem representação

7No original: “As a physical object, every comic can be described as a collection of separate icons and

interdependent images. If one considers any given production, one quickly notices that comics that satisfy this minimal condition are naturally longer, but also that they do not all obey the same intentions and do not mobilize the same mechanisms. All theoretical generalizations are cognizant of the trap of dogmatism. Far from wanting to defend a school of thought, an era or a standard against others, or again to prescribe any recipes, I want to force myself to note the diversity of all forms of comics and spare my reflections from any normative character”.

dos objetos; os segundos dizem respeito àqueles símbolos que adicionam comentários às imagens – são os balões de diálogo, as setas, os riscos de ação, etc. –, desta forma, o todo formado pelo texto e pelas imagens que mostram e falam é que estabelece a narrativa do quadrinho e que colabora na constituição de diferentes significações.

Nesta tensão entre o texto escrito e o gráfico que constituem a narrativa, muitas são as categorizações propostas entre os pesquisadores de quadrinhos, mas o que existe em comum entre as análises são as situações onde:

1) O texto escrito por si só narra a história, reduzindo a imagem a uma mera ilustração; 2) O texto escrito e a imagem formam uma simbiose, de modo que a narrativa não faz sentido com esses dois elementos separados;

3) A imagem predomina ao texto escrito, que se torna apenas um complemento da narrativa.

Narrativas que se enquadram no primeiro caso são menos complexas e podem ser um indicativo da inexperiência do autor ou sua pouca habilidade ou familiaridade com os quadrinhos. É desejável que o quadrinista faça construções que o analista possa enquadrar nos dois últimos casos ou até mesmo que possa fazer histórias sem texto, caso deseje.